domingo, 14 de dezembro de 2025

O TEMPLO E A AMIZADE – O TEMPLO-AMIZADE

 

11-12-2025 – Noite – GLMECE – Templo da Fraternidade – Lançamento do Livro O Templo e suas Medidas Notáveis, de autoria do Irmão Diógenes José Tavares Linhares, fundador da ARLS Aurora do Novo Tempo nº 126 que nos acolhe neste especialíssimo momento de honorificação.

 

Honrar um amigo significa valorizá-lo acima de si mesmo e estar presente tanto na alegria quanto na adversidade. Envolve, ainda, amá-lo em todo tempo, ser leal e dar-lhe conselhos sinceros. A honra na amizade é uma combinação de amor sacrificial, lealdade e respeito mútuo.

 

Desde Aristóteles, que diz que "a amizade é uma alma habitando dois corpos" até as conexões digitais de hoje, a essência do laço não mudou. Impérios caem, tecnologias tornam-se obsoletas, mas, a necessidade humana de confiança, lealdade e companhia mútua permanece constante. 

 

A amizade verdadeira é um dos laços mais nobres da experiência humana. Quando falamos em honrar um amigo e apoiá-lo como um irmão, estamos entrando no campo da lealdade incondicional. Honrar um amigo significa ser o guardião da sua vulnerabilidade. 

 

A honra está em proteger a imagem dele perante os outros, mesmo quando ele está por baixo. Honrar um amigo é, acima de tudo, tratá-lo como você gostaria de ser tratado se o mundo estivesse desabando sobre sua cabeça. É ser o ponto de segurança dele quando tudo ao redor é incerto.

 

A ciência comprova o que o coração já sabe: amizades sólidas reduzem o estresse, aumentam a longevidade e fortalecem o sistema imunológico. É um "poder" que atua como um escudo contra as dificuldades da vida, permitindo que as pessoas superem traumas e perdas que sozinhas talvez não suportariam. 

 

Fazer-se como um irmão é uma escolha de doação. É entender que a vitória dele é sua vitória e a dor dele é sua dor. Ao honrar seu amigo dessa forma, você não apenas o ajuda a superar a crise, mas, constrói um legado de fidelidade que o tempo não pode apagar e que perpetua pela eternidade.

 

Verdadeiros amigos podem passar anos sem se falar e, ao se reencontrarem, parece que apenas cinco minutos se passaram. Esse é o aspecto mais "mágico" da amizade atemporal: ela não depende da convivência diária para manter sua força; ela vive em um espaço onde o tempo cronológico não tem autoridade. 

 

A amizade é o "poder atemporal" porque é a forma mais pura de amor social. Diferente dos laços de sangue (que são impostos) ou dos laços românticos (que muitas vezes envolvem projeções e desejos), a amizade é uma escolha livre. Amigos nos desafiam a ser melhores e nos aceitam como somos.

 

A amizade tem a capacidade única de fazer o tempo parar ou retroceder. É um "poder" oriundo da liberdade; não há obrigação, apenas a vontade de caminhar ao lado de outra pessoa. Ele transformar através do olhar do outro é o que nos mantém jovens de espírito, independentemente da idade biológica. 

 

A amizade é estritamente voluntária. Você escolhe ser amigo de alguém todos os dias. “A amizade duplica as alegrias e divide as angústias pela metade", afirma Francis Bacon. Ela é o combustível que torna a jornada da vida não apenas suportável, mas, extraordinária.

 

As histórias que contamos, os valores que passamos adiante e a forma como impactamos a vida de nossos amigos criam um eco que continua mesmo depois que partimos. A amizade imortaliza memórias. Nesse sentido, a amizade vence a própria morte, perpetuando-se na memória e no caráter.

 

Nessa perspectiva, o amigo se torna um templo: um lugar onde depositamos nossas vulnerabilidades, esperanças e segredos mais profundos. Assim como, entramos em um templo com reverência e descalços, a amizade exige uma vivaz sinergia que transforma o encontro em algo sagrado. 

 

Um templo não nasce pronto; ele é erguido pedra sobre pedra, com paciência e intenção. A amizade funciona da mesma forma. Sua fundação é firme na confiança e nos valores compartilhados. E tem por pilares o apoio mútuo, a lealdade e a honestidade sustentam a estrutura nos momentos de tempestade. 

 

Cumprindo lembrar que, assim como um templo físico precisa de cuidados para não desmoronar, a amizade exige tempo, presença e diálogo. Uma das maiores provas de uma amizade profunda é a capacidade de estarem juntos em silêncio sem desconforto. O silêncio robustece o animus amicus.

 

Esse silêncio é semelhante ao que encontramos dentro de um templo – uma quietude que não é vazia, mas, preenchida por uma presença significativa. É o espaço onde as palavras não são mais necessárias porque a compreensão é plena. Um amigo verdadeiro é "uma alma habitando dois corpos", diz-nos Aristóteles.

 

Muitas tradições espirituais ensinam que "onde dois ou três estiverem reunidos", ali existe algo divino. A amizade, em seu estado mais puro, é uma forma de devoção ao outro. Quando cuidamos de um amigo, estamos cuidando de algo que vai além do ego; estamos honrando a vida que habita o outro.

 

O mundo exterior pode ser caótico e hostil. O templo oferece asilo. Da mesma forma, uma amizade verdadeira funciona como um "templo de paz" onde podemos ser nós mesmos, sem máscaras ou julgamentos. É o lugar para onde corremos quando precisamos de cura ou de um momento de introspecção. 

 

Se a amizade é um templo, cada conversa é uma prece e cada gesto de carinho é uma oferenda. Talvez o maior templo que um ser humano possa construir em sua vida não seja feito de ouro ou mármore, mas, de memórias, risos e lealdade compartilhados com aqueles que escolhemos chamar de amigos. 

 

Há uma famosa frase que diz: "O corpo é o templo da alma". Dela percebemos que um amigo é alguém que recebeu as chaves para entrar no nosso templo particular. É através do olhar do amigo conseguimos enxergar nossa própria luz, isto ajuda-nos a reformar as partes "quebradas" do nosso templo interno.

 

Entrar na vida de alguém requer o mesmo respeito que teríamos ao entrar em um solo sagrado. Não se profana a confiança de um amigo. Em um templo, busca-se a verdade. Entre amigos verdadeiros, a mentira não tem morada; a transparência é o que sustenta o "teto" dessa relação.

 

O templo é feito de pedras e silêncio; a amizade é feita de palavras e abraços. Mas em ambos, o que se busca é a mesma coisa: o sentimento de que não estamos sozinhos no universo, afirma Ruben Alves. Evoca a percepção de que ambos são refúgios que nos ajudam a suportar o mistério da existência.

 

Evocando mistérios, pares de números (como 220 e 284) onde a soma dos divisores (excluindo o próprio número) de um resulta no outro, e vice-versa, mostrando harmonia numérica. A amizade verdadeira envolve suspender interesses próprios, um ato de reconhecimento do outro como um fim em si.

 

A palavra “reconhecimento” vem de re-conhecer: conhecer de novo, identificar o valor intrínseco de alguém. Para o ser humano, ser reconhecido por seus pares é a validação de que seus esforços e sua existência têm impacto no mundo. O reconhecimento a mais augusta condecoração possível a um amigo.

 

Psicologicamente, o reconhecimento é um dos maiores motivadores humanos, pois, transforma o trabalho árduo em legado. Quando uma autoridade ou uma comunidade reconhece um indivíduo, ela está dizendo: "O que você fez mudou a nossa realidade e tornou mais feliz os dias".

 

Não há honraria maior do que saber que se é útil e admirado. Assim, admirando o Irmão Diógenes José Tavares Linhares, a Academia Internacional de Maçons Imortais, nesta noite de quinta-feira, 11 de Dezembro de 2025, o imortaliza agregando-o ao seu quadro membros honorários.

 

E o faz cônscia de que o reconhecimento é "augusto" (sagrado, digno de veneração) não apenas para quem recebe, mas, principalmente, para quem concede. É preciso grandeza de espírito e ausência de inveja para reconhecer o mérito alheio. Portanto, é um ato que enobrece toda a estrutura social.

 

Seja no ambiente acadêmico, militar, artístico ou cotidiano, o elogio sincero e o agradecimento público muitas vezes pesam mais que qualquer bônus financeiro. Como disse Sêneca: "A recompensa de uma boa ação é tê-la feito", mas, o reconhecimento é o eco que confirma que essa ação ecoará na eternidade.

 

Títulos podem ser revogados e metais podem oxidar, porém, o reconhecimento – especialmente quando se torna memória coletiva – é perene. Ele transforma um ato individual em um legado, inserindo o indivíduo na história da sua comunidade, família ou profissão.

 

O Legado do Templo-Amizade" radica a junção da ideia de um legado de bons relacionamentos e valores com um espaço (físico ou abstrato) de união e construção fraterna, seja em um contexto religioso, social ou pessoal, como promana a Academia Internacional de Maçons Imortais – AIMI, todos os dias.


Maranguape, 14 de Dezembro de 2025

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessor Especial da Presidência - Designer Gráfico
Cleber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social - Redação e Divulgação
Bruno Bezerra de Macedo


sábado, 13 de dezembro de 2025

A OBRA PRIMA PRODUZ O MESTRE

Pedreiro é o profissional da construção civil que constrói, reforma e repara edificações, erguendo paredes, muros, lajes e outras estruturas com materiais como tijolos, blocos, concreto e argamassa, seguindo plantas e projetos. Ele é fundamental para transformar ideias em realidade, executando tarefas que vão desde a preparação do terreno até o acabamento, utilizando ferramentas como colher de pedreiro (trolha), nível e esquadro.

 

A palavra "pedreiro" tem origem no latim petrarium, que significa relativo às pedras. O profissional geralmente trabalha sob a orientação de um mestre de obras, engenheiro ou arquiteto, sendo essencial para a execução física dos projetos de construção civil, o que requer ler e compreendê-los com argúcia. Chamados alvanéis na antiguidade, eram os oficiais que trabalhavam com pedras, tijolos e outros materiais de construção. 

 

Os alvanéis (pedreiros medievais) eram organizados em guildas (ou corporações de ofício), que eram associações cruciais para a vida econômica, social e política da época. Essas guildas protegiam os interesses de seus membros, regulavam a profissão, controlavam a concorrência, definiam salários, estabeleciam preços justos e de inspecionavam o trabalho para garantir a alta qualidade das construções.

 

As guildas possuíam um sistema de aprendizado, com a hierarquia de aprendiz, oficial e mestre, a partir do qual assegurava que os conhecimentos e técnicas fossem transmitidos de geração em geração, garantindo não somente um alto nível de habilidade, como também, o reconhecimento social, conforme os níveis hierárquicos que dotavam as guildas de força, de beleza e de sabedoria:

 

  • O Nível de Aprendizes, composto, geralmente, por jovens que passavam a viver com o mestre por um período determinado, aprendendo o ofício. Embora não recebessem salário, eram acolhidos com galhardia, pois, o futuro da profissão deve ser bem abrigado e alimentado: material, intelectual e espiritualmente.

 

  • O nível de Oficiais (ou Jornaleiros), formado por aprendizes experientes, que já recebiam um salário e trabalhavam para os mestres, que lhes oportunizavam momentos-prova para que seus conhecimentos se fizessem sabedoria a partir do uso habitual, garantir-lhes o oficialato – um status quo intermediário na hierarquia da guilda.

 

  • O nível de Mestres, constituído por artesãos plenamente qualificados, donos de suas próprias oficinas e que detinham o poder decisório dentro da guilda, pois, suas “obras primas” não somente os precediam como também, certificavam que o discípulo (oficial) estava pronto para a manifestação da mestria com exata prontidão e com protagonismos dignificantes.

 

Funcionando como uma rede de segurança social, as guildas organizavam fundos para cobrir custos funerários, auxiliar famílias de membros falecidos e prover aposentadoria, funcionando como uma forma de seguro de vida e saúde. Este sistema fulcrava um forte senso de comunidade, honra e valorização do trabalho manual, o que contribuía para o reconhecimento social dos profissionais.

 

As guildas organizavam festivais, elegiam santos padroeiros e garantiam dias de folga em datas religiosas, promovendo a solidariedade e a coesão social entre os membros e as sociedades com as quais interagiam. Agências mediante as quais os membros de guildas podiam ter representação nas câmaras das cidades, o que lhes dava influência política e a capacidade de defender seus interesses coletivos.

 

O declínio da construção de grandes catedrais na Europa, especialmente após a Reforma Protestante, levou a uma diminuição na necessidade de pedreiros operários. Com isso, as guildas de pedreiros começaram a aceitar membros que não eram construtores profissionais, evoluindo de uma organização estritamente operacional para uma sociedade com foco no aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual.

 

Semeada na fértil terra da tradição, que mantem a estrutura hierárquica e os rituais das antigas guildas de alvanéis e/ou pedreiros medievais, ergue-se ao sol do vanguardismo a plântula da maçonaria operativa regada no tempo oportuno pelos novéis saberes que agrega, bem como, adubada proporcionalmente ao seu crescimento pelos augustos valores que passam a fortalecê-la, embelezá-la e a torná-la mais sábia.

 

Predestinada ao progressismo perene, a plântula da maçonaria operativa é proficuamente sucedida pela maçonaria especulativa, porém, preservando a estrutura e os símbolos das guildas medievais. A transição ocorreu gradualmente, à medida que os membros "aceitos" superaram em número os operativos, mudando o foco da construção material para a construção de um "templo interior" e de uma sociedade melhor.

 

A Maçonaria moderna é essencialmente especulativa e os maçons (pedreiros livres) valendo-se da disciplina mental que exerce sobre si, a partir do estudo rigoroso das artes liberais e dos oito sentidos que lhe exige foco, raciocínio lógico e perseverança, alcança o objetivo do estudo (a verdade, a clareza intelectual) é comparado à luz do sol da sabedoria que desobscurece os rumos da humanidade construindo-lhe sociedades justas.

 

Alcançar essa clareza requer esforço. Desta forma, mesmo no "ponto mais quente" do desafio intelectual, onde a intensidade da verdade ou do conhecimento é difícil de suportar ou assimilar imediatamente, como olhar diretamente para o sol em vivaz canícula do meio-dia, o estudante das artes liberais deve perseverar até que o mestre manifeste sua formação humana integral construído o feliz convívio para os homens.

 

Cônscios de seu dever como construtores do novo tempo que auroresce no horizonte, os atuais alvanéis (maçons) sabem que devem ser exemplos de homens virtuosos, aqueles que agem com retidão, honestidade e integridade, que demonstram bondade, prudência e justiça, pois, são um modelo de homem de palavra, que honram seus compromissos, além de lábaros de conduta moral para sua família e comunidade.

 

Diligente, homem de letras, ou seja, um indivíduo erudito, culto e envolvido em atividades literárias, como a escrita profissional, o estudo da linguística e da literatura, ou a filosofia. Do qual se espera que demonstre grande conhecimento e uma dedicação profunda ao mundo das palavras e das ideias. Um intelectual que reflete sobre a sociedade, a política e a condição humana, cujos constructos buscam aprimorá-la.

 

Este venturoso pedreiro livre, como faziam seus ancestrais, analisa o mundo ao seu redor e contribui para o debate público com opiniões ponderadas e bem fundamentadas, sob os auspícios do compasso que estabelece os limites da honorabilidade, sob a égide do esquadro que ancora o humano no homem e sob a firmeza da alavanca que move pensamentos, muda atitudes e institui a felicidade humana como meta.

 

Aprendiz do Quadrivium que foca nas artes relacionadas à matemática e à estrutura do universo: aritmética, geometria, música e astronomia, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, fez da música a alavanca que sob sua mestria transformou os dias do povo nordestino e, também, brasileiro em suas outras regiões, inspirando protagonismos e instituindo a identidade social dos brasileiros na coesão que inspira.

 

O legado deste pedreiro livre notável, o forró, não somente festeja as memórias de seus muitos e incontestáveis feitos e efeitos em prol da nação brasileira, mas, principalmente, celebra a existência dos entes humanos que constroem as sociedades nas quais vicejam bem-estar, coesão e harmonia no mais augusto convívio que ensejam a vida plana de prosperidade, dignidade, felicidade e excelsitude.

 

Hoje é o dia de homenagear os operários mais antigos da história da humanidade. Vital na rotina de toda obra, o pedreiro é o responsável por ajudar a construir mundos, através de suas interações e práticas, molda ativamente a realidade social, as normas, os valores e as estruturas da sociedade. Envolve evitar a reprodução de ideias destrutivas, buscando criar ambiências mais colaborativas e dialógicas.

 

Embora somente leis municípios instituam esta data no calendário oficial, como em Sorocaba (Lei nº 11.673), o Dia do Pedreiro é comemorado neste dia 13 de Dezembro, com o fito de homenagear estes operários do progresso, valorizando suas contribuições para o desenvolvimento socio-econômico desde tempos imemoriais, por isso, são considerados um pilar central na estrutura fraternal que seus saberes manifestam nas sociedades.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A IMPONÊNCIA DE UM HOMEM DENOTARIA SEU CARÁTER?

 

A imponência de um homem, no sentido de sua presença marcante ou aparência física, não denota, por si só, seu caráter. O caráter é um conjunto de traços morais e éticos que definem a índole de uma pessoa, como honestidade, bondade, integridade e empatia. A imponência é uma característica superficial no homem.

 

Enquanto a imponência pode atrair atenção inicial, o caráter verdadeiro é revelado através das ações, decisões e tratamento dispensado aos outros ao longo do tempo. A verdadeira força e valor de um indivíduo residem em suas qualidades internas e não em sua aparência externa ou postura física 

 

Embora a imponência possa, às vezes, refletir confiança ou autoconfiança, ela também pode ser uma característica puramente estética ou até mesmo ser usada para mascarar falhas de caráter. Ter mau-caráter, ou ser sem caráter, indica ausência de princípios e moralidade. É agir com desonestidade ou má-fé.

 

Formado na infância, por meio das interações sociais e das experiências vividas, o caráter é influenciado pelo ambiente familiar e cultural. Embora seja mais fixo que a personalidade, não é totalmente imutável, podendo ser transformado por meio de amadurecimento, autoconhecimento e um desejo interno de mudança.

 

Por personalidade entende-se o conjunto de características psicológicas, padrões de pensamento, sentimento e comportamento que tornam um indivíduo único. É a essência do ser, o que o diferencia dos outros. Já a Imponência associa-se à aparência externa que inspira respeito, admiração ou até um certo temor. 

 

A qualidade de ser imponente, de se destacar pela grandeza, majestade ou dignidade chama-se imponência. Um prédio alto ou uma pessoa com um discurso eloquente podem ser descritos como imponentes. No contexto de objetos ou obras, diz-se que algo tem personalidade quando possui um estilo distinto, marcante e original.

 

A personalidade é a essência e a imponência é a presença. A imponência pode ser um traço da personalidade, porém, nem toda personalidade é imponente. Da mesma forma, algo imponente pode não ter uma "personalidade" complexa, como uma grande montanha ou um edifício antigo. 

 

caráter, por sua vez, foca nas qualidades morais e éticas, sendo a parte que moldamos com valores e princípios para agir de forma consistente, superando impulsos e tendências naturais. A personalidade é a totalidade dos traços físico-comportamentais com os quais uma pessoa se mostra ao mundo

 

A personalidade é como você se expressa, e o caráter é o que guia suas escolhas morais e a qualidade do seu "eu".  A personalidade se manifesta no somatório do temperamento + caráter + outros fatores, enquanto o caráter é a bússola moral interna. O caráter é um componente essencial da personalidade.


Podemos ter uma personalidade agradável, mas um caráter questionável (Hitler), ou uma personalidade forte e um caráter excepcional (Jesus Cristo), pois, são dimensões diferentes da identidade humana. O caráter é moldado pela reflexão, educação e a escolha consciente de virtudes, atuando sobre o temperamento e a personalidade.

 

O temperamento (a base biológica e inata da reatividade emocional) e a personalidade (o padrão de pensamentos, sentimentos e comportamentos, influenciado por genética e ambiente) fornecem o "material bruto", porém, é o exercício ativo do livre arbítrio e da razão que, segundo essa visão, lapida e define o caráter final da pessoa. 

 

Essa visão está fortemente alinhada com a ética das virtudes, popularizada por filósofos como Aristóteles e Tomás de Aquino, que viam o caráter como uma excelência moral que se desenvolve através do hábito (educação) e da deliberação racional (reflexão e escolha). 

 

O “hábito faz o Monge” radica que o caráter e a identidade de alguém são definidos pelo que essa pessoa faz consistentemente e, não apenas, pelo que ela diz ser ou pelo uniforme que veste. A verdadeira essência de uma pessoa reside nas suas atitudes e na sua conduta moral e não em meras aparências externas.

 

A forma como nos vestimos é uma "performance" diária da nossa identidade. Temos agência (capacidade de agir) sobre a nossa aparência e podemos usá-la para nos conformar às expectativas sociais ou para desafiá-las e navegar expressar nossa identidade social dentro dessa estrutura social na qual interagimos.

 

A Teoria Dramatúrgica de Erving Goffman diferencia a identidade social virtual (as características que se espera de alguém) da identidade social real (os atributos que a pessoa realmente possui). A interação social envolve gerenciar a discrepância entre essas duas dimensões. 

 

As pessoas usam "fachadas" ou "máscaras" para apresentar uma imagem desejada de si mesmas. O objetivo da interação social é, muitas vezes, manter essa fachada e gerenciar a "impressão" que causamos, enquanto tentamos esconder inconsistências, falhas ou pensamentos privados que contradigam essa imagem.

 

Significa o esforço contínuo para garantir que nosso "eu" apresentado publicamente seja aceitável e coerente, apesar das complexidades e contradições do nosso "eu" privado, harmonizando a fachada pública (o que mostramos aos outros) e a realidade privada (nossos sentimentos ou pensamentos internos).

 

Esta harmonização é o processo central para o bem-estar psicológico e a autenticidade nas relações. Essa busca envolve a integração consciente de nossas personas externas e internas para vivermos de forma mais coerente e genuína. Ninguém apresenta 100% de sua realidade interna para o mundo.

 

O primeiro passo é reconhecer a discrepância. O desafio é entender quais partes de nós estamos escondendo e por quê. Carl Jung usou o termo "Persona" para descrever a máscara que usamos para nos adaptar à sociedade. A persona não é inerentemente ruim; é uma ferramenta social necessária.

 

Quando há uma grande diferença entre o que dizemos/fazemos publicamente e o que pensamos privadamente, experimentamos dissonância cognitiva, um desconforto mental. Para reduzir essa tensão, ajustamos nosso comportamento público para refletir mais nossas crenças internas e/ou alinhá-las com ações necessárias.

 

O objetivo desta agência é a coerência. Sentir que seu "eu" do trabalho, o "eu" da família e o "eu" sozinho em casa são variações do mesmo núcleo autêntico, e não personagens diferentes e conflitantes. Comunicar seus sentimentos e estabelecer limites saudáveis são vetores relevantes para harmonização almejada.

 

A verdadeira harmonia permitir a fachada seja permeável. Mostrar vulnerabilidade (de forma apropriada) permite que os outros vejam seu eu real, criando conexões mais profundas e diminuindo a pressão de manter uma imagem perfeita. Aceitar falhas, medos e pensamentos "inadequados" é fundamental. 

 

A harmonização ocorre quando reconhecemos a persona como uma ferramenta, e não como nossa identidade total. A fachada pública muitas vezes é uma tentativa de esconder essas imperfeições percebidas. Quando a máscara se torna o rosto, perdemos o contato com nosso eu autêntico.

 

A harmonização não busca a eliminação total da "fachada" – um certo nível de decoro social é inevitável e necessário –, mas sim, uma vida vivida com maior integridade e autenticidade, onde as ações externas e os valores internos estão em alinhamento consciente e estabelecem um viver com autenticidade madura.

 

Viver com autenticidade madura é jornada de autoconhecimento profundo expressando corajosamente o eu verdadeiro de forma consciente, responsável, compassiva, onde o caráter brilha de forma natural, descrevendo num mesmo ser: sua imponência como pessoa boa (caráter) e como pessoa real e bem-resolvida (autenticidade madura). 


quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

A DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS PÕE EM ORDEM OS CAMINHOS DA FELICIDADE

 

O "ser indivíduo" (buscando autonomia e interesses pessoais) é a base da dignidade humana e dos direitos individuais. O "ser cidadão" (atuando como construtor social) é o que permite a coexistência harmoniosa e o progresso da comunidade. A maioria das sociedades democráticas busca um equilíbrio dinâmico entre os direitos e liberdades individuais e as responsabilidades coletivas para o bem-estar comum, do qual emerge a felicidade (eudaimonia) que só é possível por meio da interação social, da linguagem e da vida em comunidade (a pólis), segundo Aristóteles.

  

Para sociólogos como Durkheim, a sociedade sempre prevalece sobre o indivíduo. As normas, regras, costumes e leis sociais (os "fatos sociais") exercem coerção sobre os indivíduos, moldando seus comportamentos e garantindo a perpetuação da sociedade. A identidade individual é, em grande parte, construída a partir do pertencimento a grupos sociais e da assimilação de valores coletivos. Uma sociedade justa e próspera requer tanto a proteção robusta dos direitos individuais quanto um compromisso firme com o bem-estar coletivo e a responsabilidade social.

  

Conceitos como a santidade da vida (em contextos religiosos) ou o direito natural à vida (em contextos seculares, como os iluministas e maçons John Locke e Thomas Jefferson) reforçam essa ideia. O direito à vida é reconhecido como o direito fundamental e inalienável mais importante, sendo a base para todos os outros direitos, protegê-lo e garanti-lo é dever do Estado. A participação maçônica na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que resultou na Constituição Federal de 1988 é percebida, ainda que discreta. Mesmo que não haja uma menção direta à Maçonaria no texto constitucional seus princípios de liberdade, igualdade e fraternidade estão refletidos em vários aspectos da Carta Magna, mostrando seu serviço à pátria.

 

Maçonicamente, a dignidade social é o reconhecimento da dignidade inerente a cada indivíduo, que exige que todos sejam tratados com respeito, valor e igualdade, independentemente de suas características pessoais. Isso se traduz no direito a ter as necessidades básicas atendidas, como saúde, educação e moradia, e na proteção contra qualquer tratamento degradante. A dignidade social, sob a égide tanto da tolerância (harmonia na diferença) quanto a responsabilidade social (desenvolvimento sustentável e qualidade de vida para todos), lastreia um mundo mais equitativo, sereno, igualitário e feliz. Documentos legais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e constituições democráticas, consagram a liberdade e a dignidade da pessoa humana, pois, andam de mãos dadas com a integridade moral. Manifestam uma síntese de ideais valorizados que veem a liberdade como a capacidade escolher conscienciosamente.

 

No âmbito das constituições modernas, destaca-se o Brasil, a legislação fulcra uma tríplice responsabilidade (civil, administrativa e penal) para quem causa danos ambientais, reverberando o que há consagrado em documentos como a Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH, pois, o direito à vida é direito basilar e imprescindível ao ecossistema Terra. Todos os seres vivos e o meio ambiente estão intrinsecamente conectados e dependem uns dos outros para a sobrevivência. Sustentar o ecossistema é, além de reconhecer essa teia da vida compartilhada, um irrecusável convite à reflexão sobre a nossa relação com o meio ambiente, elevando a sustentabilidade ao patamar dos mais nobres gestos de fraternidade e humanidade.

 

Incontestavelmente, a mão maçônica escreveu o Artigo 1º da DUDH, imprimindo-lhe diretamente suas três formidáveis colunas mestras: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade". Fraternidade requer vida livre e equânime em direitos e oportunidades. Nada há de mais fraterno do que defender o ecossistema Terra, pois, cuidar do planeta é um ato de amor e solidariedade, para com os seres humanos e para com todas as formas de vida. É um laço que une a ética humana à responsabilidade ecológica reforçando o senso de pertencimento e o orgulho de ser humano daquele que constrói a humanidade zelando por seu habitat.

 

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) reconhece a família como o núcleo natural e fundamental da sociedade, protegendo o direito de homens e mulheres se casarem e formarem uma família, sem discriminação, e assegurando direitos iguais no casamento e sua dissolução, além de proteção do Estado e da sociedade, conforme o Art. 16, ela garante o direito a um padrão de vida digno para a família (alimentação, moradia, saúde) e proteção especial para a maternidade e infância, estabelecendo que todas as crianças têm os mesmos direitos, independentemente de onde nasceram. A DUDH além elevar a família e seus membros (crianças, pais) à categoria de sujeitos de direitos, fulcra as condições para que ela prospere com dignidade e segurança, sendo um pilar fundamental para a liberdade, justiça e paz.

 

Ao incutir valores como responsabilidade, empatia e ética, a família – enquanto célula-mater da sociedade – contribui para a formação de cidadãos conscientes e participativos, essenciais para a saúde de uma democracia e para o progresso da comunidade, onde a eficácia da inclusão social empreendida é ampliada quando a família trabalha em parceria com outras instituições e distintos grupos sociais, cujas funções e estrutura impactam significativamente o desenvolvimento e o progresso dos grupos sociais que erigem a sociedade. A Maçonaria, por exemplo, entende que uma pessoa que não está bem com sua família não pode pertencer plenamente à Ordem, pois a harmonia familiar é o mais robusto fundamento para a construção de um mundo mais fraterno e justo. A crença fundamental é que um homem que cumpre seus deveres para com sua família (esposa, filhos, pais) está mais apto a cumprir seus deveres para com sua comunidade, seu país e, consequentemente, sua Loja.

 

Por oportuno, o Art. 25 da DUDH radica o direito a um padrão de vida adequado, incluindo alimentação, vestuário, habitação e cuidados médicos, que é essencial para a saúde e bem-estar da própria pessoa e de sua família. Além disso, confere proteção especial à maternidade e à infância. Além dos direitos, a Declaração também aborda deveres, como o de agir em espírito de fraternidade e o dever para com a comunidade. Desta forma, conhecer a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) é crucial porque ela é a base para a dignidade, igualdade e liberdade de todos, servindo de inspiração para leis e políticas globais, promovendo a justiça social, combatendo a discriminação (racismo, sexismo, etc.) e estabelecendo direitos fundamentais como saúde, educação e trabalho justo, sendo uma ferramenta vital para construir uma sociedade mais justa e pacífica. Discuti-la reforça a importância do respeito mútuo e promove um senso de responsabilidade coletiva.

 

A DUDH é vital para que seus ideais não "envelheçam" e continuem a direcionar a sociedade para um futuro de maior liberdade, justiça e igualdade para todos. Assim, cumprindo o que há estabelecido: “a ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei". (Romanos 13:8). Sob este auspício, a Maçonaria – unindo-se ao lábaro divino que viceja amor e ao lume da boa vontade humana que exerce – exorta a todas as sociedades, a partir de seus membros, a serem exemplos, participando de Projetos sociais e campanhas de solidariedade onde a família maçônica arrecada e distribui de doações, reforçando o senso de comunidade e auxílio ao próximo, ou seja, o senso de pertencimento a pleno amor. Amor que aperfeiçoa costumes... sem distinção de fronteiras, ao passo que enlaça mais e mais famílias neste benfazejo propósito de fazer feliz a humanidade. Uma família realizada contentemente é, claramente, uma semente de felicidade para a humanidade, pois, a humanidade se realizada no homem, assim como a maçonaria se realiza no maçom. Irrefutavelmente, a família se realiza na simbiose manifesta pelo homem e sua consorte, fortalecidos pela inequívoca convicção: família acima de tudo é um lábaro de satisfação e altruísmo para os homens, por ela humanizados, que constroem a humanidade.

 

A DUDH é um documento que busca concretizar a humanização, reconhecendo e protegendo a essência e os direitos de cada pessoa, e servindo como um ideal a ser buscado continuamente, apesar dos desafios e violações que ainda persistem no mundo. Celebrar a DUDH é festejar a aspiração por um mundo onde cada pessoa seja tratada com respeito e justiça, sendo um compromisso contínuo com os valores que ela representa.  A celebração da Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH (especialmente no Dia Internacional dos Direitos Humanos, 10 de Dezembro) é fundamental por vários motivos: ela marca um compromisso global com a dignidade e igualdade de todas as pessoas, serve para reforçar que a proteção desses direitos e inspira um esforço contínuo e coletivo, um processo de evolução constante.

 

Adotada em 1948 como resposta às atrocidades da Segunda Guerra Mundial, a DUDH estabeleceu, pela primeira vez na história, que todos os seres humanos possuem direitos inalienáveis, independentemente de nacionalidade, sexo, religião, raça ou qualquer outra condição. Embora a DUDH não tenha força de lei por si só, ela inspirou e serve de referência para as constituições de muitos países e para mais de 80 tratados e declarações internacionais de direitos humanos. Celebrar a data é reconhecer seu papel na arquitetura jurídica global. O dia comemorativo, 10 de Dezembro, oportuniza destacar os desafios e as atuais violações dos direitos humanos, promover a conscientização e a ação em sua defesa. Campanhas associadas buscam reconectar os cidadãos com a importância cotidiana desses direitos.

 

Maranguape, Ceará, 10 de Dezembro de 2025

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Diretoria de Comunicação Social - Redação e Divulgação
Bruno Bezerra de Macedo
Assessor Especial da Presidência - Designer Gráfico
Cleber Tomás Vianna

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

A BRAVURA DA CONCÓRDIA TRANSFORMA OS DIAS

 

A bravura da concórdia transforma os dias, pois, reflete o poder da harmonia, da união e da coragem como vetores das mais significativas melhoraras nas interações humanas e na dinâmica da vida. Expressar a importância de se trabalhar em conjunto para construir ambiências prósperas e felizes.

 

É um belo influxo desvelando a importância das relações positivas e da cooperação. Um convite à reflexão sobre como a busca pela paz e pelo entendimento mútuo, onde a concórdia, mesmo em face de desafios ou divergências, tem um impacto positivo e transformador no cotidiano.

 

Em contextos específicos, como na teologia luterana, onde o "Livro de Concórdia" simboliza a unificação das doutrinas para pacificar disputas e definir uma identidade de fé, mostrando que o poder está em alinhar "corações" e "mentes" para um propósito maior, seja ele espiritual ou social. 

 

Essa capacidade de transformar divisões em unidade, cria um ambiente de cooperação e força coletiva. É um antídoto para o conflito e a discórdia, promovendo o bem-estar social e o progresso. De mãos dadas não promulgamos ódios e não fomentamos descontentamentos.

 

Derivado do latim concordia (que significa "com o coração", indicando união de sentimentos e propósitos) é o poder que se manifesta na capacidade de superar divergências, promover a paz e alcançar objetivos comuns que seriam inatingíveis individualmente. A concórdia é um bem coletivo.

 

A concórdia é o alicerce para relações civilizadas e pacíficas, seja em âmbito pessoal, familiar, profissional ou social. Ela combate à violência e o desrespeito ao fomentar a compreensão e a tolerância. Por vezes, representada como feixes de varas firmemente amarradas, ilustra que unidos somos mais poderosos.

 

Para diversas tradições filosóficas e religiosas, a concórdia é uma virtude essencial, pois, historicamente, a busca pela concórdia tem sido um princípio norteador para a organização de sociedades, tendo na disposição para o diálogo o cimento ideal para a construção de uma sociedade mais justa e colaborativa.

 

O poder da concórdia é a habilidade transformadora da união de corações e mentes em prol de um propósito maior, resultando em um ambiente de respeito, cooperação e paz duradoura, onde a alteridade semeia aceitação e compreensão o outro, mesmo com dissensos, segando o senso de pertencimento.

 

Em espaços de concórdia, barreiras como preconceitos e diferenças podem ser desfeitas, promovendo um senso de comunidade e pertencimento que, por sua vez, apoia o crescimento individual e coletivo. A convivência em harmonia inspira o respeito mútuo, a empatia e a proatividade mútua. 

 

A concórdia (ou harmonia) é crucial para o crescimento interior, pois, estabelece um estado de paz e equilíbrio que é a base para o desenvolvimento pessoal e o bem-estar mental, sob a égide da autoaceitação que é um ponto de partida para mudanças reais e construtivas em todos os aspectos do viver humano.

 

A busca pela concórdia não significa ausência de valores, mas sim, a oportunidade de ter clareza sobre os próprios princípios e agir de acordo com eles sem conflitos internos, o que fortalece o caráter e a firmeza. Envolve substituir a autocrítica destrutiva por um diálogo interno mais compassivo e realista. 

 

O processo de manter a concórdia, tanto interna quanto externamente, exige autoconhecimento, que é um aspecto importantes para a evolução e a realização de metas e objetivos pessoais. Resulta entender que seu valor é-lhe intrínseco e não depende de suas conquistas ou da aprovação externa.

 

A concórdia funciona como um catalisador para o crescimento interior, permitindo que o indivíduo cultive valores como o amor e a ausência de egoísmo, tornando-se mais maduro e evoluído interiormente; e alcançando a plenitude seus potenciais, vivendo uma vida mais plena e com propósito.

 

A concórdia como propósito de vida é um convite a ser-se um buscador contumaz da harmonia ao seu redor e contribuindo para um mundo onde a melhor convivência seja ancorada no respeito e em proatividades mútuas, sabendo que não existe um lugar único ou uma fórmula mágica para isto.

 

A construção de uma cultura coletiva onde a concórdia seja o lábaro-guia, numa escala menor, sendo a base para o respeito e a proatividade, começa dentro de casa, com a comunicação clara, a divisão justa de tarefas e a consideração pelas necessidades uns dos outros.

 

A casa é o primeiro local onde um indivíduo interage socialmente e aprende a comunicar, partilhar, resolver conflitos e desenvolver empatia. E a mudança social positiva começa a nível micro, com a responsabilidade individual e familiar, antes de se refletir na esfera pública.

 

Indivíduos que crescem em ambientes onde a concórdia é praticada tendem a levar esses comportamentos para fora de casa, contribuindo para relações sociais mais saudáveis e pacíficas. É no seio familiar que se espera que sejam incutidos valores como respeito, tolerância, diálogo e altruísmo.

 

Não resta dúvida que a concórdia é essencial para a família, significando paz, harmonia, entendimento e acordo, criando um ambiente de amor e solidariedade, fundamental para o bem-estar familiar, sendo celebrada no Brasil no Dia Nacional da Família (8 de dezembro).

 

A data tem como objetivo homenagear a família, bem como lembrar a sua importância. Família significa relação afetiva entre as pessoas que tenham ou não laços sanguíneos, um conceito baseado no amor, na ajuda mútua, na partilha, e que promove a formação de valores em cada um de nós.

 

O Dia Nacional da Família instituída pelo Decreto nº 52.748 em 1963, celebra e reflete sobre o papel insubstituível da instituição familiar na construção de uma sociedade mais saudável e coesa, reverberando os valores morais, éticos e comportamentais essenciais para a formação de indivíduos íntegros.

 

Celebramos a família porque ela é nosso alicerce de amor, apoio e valores, o porto seguro onde aprendemos, crescemos e recebemos amparo incondicional, criando memórias e nos dando um senso de pertencimento, seja por laços de sangue ou por afeto, essenciais ao nosso desenvolvimento humano. 

 

A família é o primeiro local onde aprendemos sobre carinho, respeito, perdão e ética, moldando nosso caráter e visão de mundo. Celebrá-la é reconhecer a importância de cada membro, honrar a história compartilhada e reafirmar o amor e a bravura da concórdia que tornam a vida mais rica e com propósito. 

domingo, 7 de dezembro de 2025

QUANTO TEMPO DURA UM HOMEM?

 

Quanto tempo dura um homem? A "duração" de um homem não é medida pelo tempo cronológico, mas pela força e vivacidade da sua lenda ou memória. Um homem "dura" enquanto a sua história, impacto, ideias ou reputação são lembrados e mantidos "efervescentes" na mente e na cultura de geração em geração. Ser-se lenda requer ser-se notável sempre.

 

Sendo o homem sua própria lenda, é crucial para garantir a permanência de este status quo estar aberto a novas ideias e ser capaz de se adaptar a circunstâncias mutáveis, mantendo-se relevante em um mundo em evolução. A excelência não é um acidente. Requer prática intencional e focada para aprimorar habilidades existentes e desenvolver novas. 

 

Uma lenda é um landmark, portanto, imutável no existir e no proceder, assim, tem por mister primevo permanecer fiel aos seus valores e princípios fundamentais, construindo uma reputação de integridade, confiabilidade e de altruísmo. Porém, a lenda galga longevidade estando disposta a mudar de rumo quando necessário, sem comprometer seus princípios fundamentais.

 

Ser-se lenda é uma combinação de dedicação contínua, relevância e construção de um legado sólido. Envolve cultivar e manter relacionamentos fortes com outras pessoas, pois, as lendas são lembradas não apenas por suas realizações, mas também, por como trataram os outros.  Agir de forma ética e transparente constrói respeito duradouro, que é a base de uma reputação lendária.

 

Manter o status de lenda é um compromisso contínuo com o crescimento pessoal e profissional, e não um destino final. Cultuar os "porquês" de suas ações e focar num propósito claro e profundo alimenta a motivação a longo prazo. As lendas funcionam como ferramentas poderosas para a transmissão de valores e conhecimentos entre gerações e para a edificação de um porvir digno.

 

As lendas permanecem notáveis porque tocam em aspectos fundamentais da experiência humana: nossa necessidade de significado, nossa conexão com o passado e nosso desejo de entender o mundo ao nosso redor. Elas oferecem insights sobre como as pessoas do passado percebiam e se lembravam de sua própria história. Acima de tudo, as lendas são histórias cativantes.

 

As lendas são os tijolos mais robustos da construção social. Elas são fontes inesgotáveis de inspiração para artistas, escritores, músicos e cineastas. Elas fornecem narrativas ricas, temas universais e personagens memoráveis que continuam a ser recontados e reinterpretados em novas formas de arte. A lenda de um homem reverbera além do espaço-tempo.

 

Embora imortalizável, se a lenda for baseada em uma pessoa ou evento real e provas conclusivas surgirem para refutar dramaticamente os elementos centrais e heroicos da história, isso "mata" o mito em torno dela. Como também, a superexposição e/ou ou o uso excessivo em paródias e apropriações comerciais, pode esvaziar a lenda de seu significado original e de seu poder simbólico.

 

A morte da lenda, também, se dá quando o homem-lenda se envolve em escândalos, crimes ou comportamentos moralmente questionáveis, pois, isto quebra a ilusão ou o ideal que a sociedade projetou sobre esta pessoa, revelando uma realidade mais falível e, muitas vezes, decepcionante, não importando o quão grande tenha sido seu legado até este momento que o rui.

 

Fazer comentários insensíveis, ofensivos ou que revelem visões de mundo extremas traindo a confiança de fãs e admiradores, reescrevendo a narrativa sobre quem eles realmente são, bem como, agir de maneira oposta aos valores ou princípios que a pessoa defendia publicamente são outras formas rápidas de destruir a lenda construída sobre essa imagem de integridade.

 

Essencialmente, a lenda morre quando a realidade da pessoa não corresponde mais à narrativa idealizada que a cerca. Um homem "mata a sua própria lenda" através de ações ou comportamentos que contradizem ou destroem essa imagem admirada e por não conseguir manter o nível de habilidade, desempenho ou criatividade que o tornou lendário em primeiro lugar.

 

A morte de uma lenda é um processo cultural e social, não físico. Com o passar do tempo, os valores ou lições que a lenda transmitia podem deixar de ressoar em novas gerações, tornando-a obsoleta. Uma lenda depende de ser contada e lembrada. Se ninguém mais fala sobre ela, a lenda desaparece da consciência coletiva e sua imagem, reputação e valores se esvaem nas brumas do tempo.

 

A imortalidade da cultura, das narrativas e/ou das lendas depende da memória e da transmissão contínua. Portanto, para que perdurem, devem ser ativamente lembrados e recontados. Se essa conexão com o presente e o futuro for quebrada, o que resta é apenas o esquecimento. Mesmo as lendas mais imponentes podem desaparecer sem a devida manutenção da memória.

 

Evoco a importância da tradição oral e da partilha cultural para a preservação do legado e identidade de uma lenda ou história. A recontagem de histórias em torno da fogueira ou em reuniões familiares é vetor viril de estimulação da memória a partir do culto feitos e efeitos, conceitos e preceitos, imagens e reputações, pois, mantém vivas as lendas e seus prodígios a cada novo recontar.

 

O "homem memória" (ou guardião da memória) é fundamental na sociedade moderna, pois, é pilar para a preservação da identidade cultural, da histórica e, também, de sua própria lenda a partir de agências que garantem sua permanência como exemplo de feitos e efeitos, cujos méritos são aferidos pela consonância direta com as excelsas virtudes que professa e pelos imensuráveis valores que defende em enquanto vive.   

 

A imprescindibilidade do “homem memória” reside na sua capacidade de reter e transmitir narrativas e vivências que, de outra forma, poderiam ser perdidas na aceleração do tempo e na fragmentação da era digital.  O "homem memória" facilita a troca de experiências entre diferentes gerações (como avós e netos), promovendo a empatia, a compreensão mútua e a coesão social.

 

O "homem memória" encarna a continuidade e a profundidade da experiência humana, ainda mais, nesta era da informação instantânea e efêmera, onde o "milieu de mémoire" (meio real de memória) pode desaparecer, seu papel como guardião da memória se torna ainda mais vital, atuando como um contraponto à perda de conexão com o passado imediato. 

 

Das agências do "homem memória" emerge o "homem lenda”, pois, o homem usa a memória para criar a lenda e a lenda, ao ser lembrada, molda a memória e a identidade do homem. A lenda, por sua vez, reforça a memória e a identidade de um povo, oferecendo figuras reconhecidas por todos e histórias que são, então, recontados e transformados perenemente.

 

A lenda é uma manifestação cultural da memória humana, um mecanismo através do qual os eventos e as figuras adquirem um significado simbólico e duradouro na sociedade. Ser uma "lenda" significa que a história de um indivíduo transcendeu o registro factual e se tornou parte do imaginário popular, promovendo um senso de pertencimento e de harmonia social.

 

Ao misturar fatos reais com elementos imaginários, as lendas preservam a história e o modo de vida de um grupo ao longo do tempo. São "desbravadoras" que desafiaram o status quo e introduziram novas formas de pensar ou fazer as coisas (como Steve Jobs, na tecnologia). Seu legado catalisa movimentos sociais e mudanças significativas na evolução da humanidade.


O conceito de "lenda" enriquece a sociedade ao fornecer um referencial que transcende o cotidiano, promovendo a união e a evolução cultural e social. As lendas ajudam a construir uma identidade compartilhada por diferentes comunidades e gerações por meio de histórias comuns, o que reforça o sentimento de pertencimento e orgulho de ser.

 

As histórias compartilhadas funcionam como um "cimento" que une indivíduos. Ao conhecerem as mesmas narrativas sobre heróis fundadores, eventos místicos ou lições morais, as pessoas criam um terreno comum de referências e valores, o que reforça os laços comunitários e a solidariedade mútua inaugurando uma ambiência social bravamente inclusiva.

 

As lendas são veículos poderosos para a transmissão de normas éticas, morais e da história (muitas vezes idealizada) de um povo de uma geração para outra. Elas encapsulam o que a comunidade considera importante, honroso ou perigoso. Ao internalizar essas lições através das histórias, as gerações mais jovens aprendem o código moral da sua cultura.

 

Conectar-se com histórias que resistiram ao teste do tempo, passadas de avós para netos, cria um sentimento de continuidade histórica. Esse legado compartilhado é uma fonte poderosa de orgulho cultural e pertencimento, pois, a pessoa sente que faz parte de algo maior e mais duradouro do que a sua própria vida individual, o que radica a indagação: quanto tempo dura um homem?  

 

Diferente do tempo de vida biológico de um homem, que tem um limite natural (o recorde de longevidade humana verificada para um homem é de 116 anos), a "lenda" sobrevive através da tradição oral, da literatura e da memória coletiva daqueles que a cultuam etc. Assim, a duração de um homem-lenda é diretamente proporcional à persistência da sua influência cultural e à sua permanência na memória coletiva.  

INDEPENDÊNCIA: A VERDADE QUE AINDA NOS FALTA

  Há datas que o calendário registra, mas há outras que a consciência nacional insiste em perguntar. O 7 de Setembro pertence às duas catego...