sábado, 13 de dezembro de 2025

A OBRA PRIMA PRODUZ O MESTRE

Pedreiro é o profissional da construção civil que constrói, reforma e repara edificações, erguendo paredes, muros, lajes e outras estruturas com materiais como tijolos, blocos, concreto e argamassa, seguindo plantas e projetos. Ele é fundamental para transformar ideias em realidade, executando tarefas que vão desde a preparação do terreno até o acabamento, utilizando ferramentas como colher de pedreiro (trolha), nível e esquadro.

 

A palavra "pedreiro" tem origem no latim petrarium, que significa relativo às pedras. O profissional geralmente trabalha sob a orientação de um mestre de obras, engenheiro ou arquiteto, sendo essencial para a execução física dos projetos de construção civil, o que requer ler e compreendê-los com argúcia. Chamados alvanéis na antiguidade, eram os oficiais que trabalhavam com pedras, tijolos e outros materiais de construção. 

 

Os alvanéis (pedreiros medievais) eram organizados em guildas (ou corporações de ofício), que eram associações cruciais para a vida econômica, social e política da época. Essas guildas protegiam os interesses de seus membros, regulavam a profissão, controlavam a concorrência, definiam salários, estabeleciam preços justos e de inspecionavam o trabalho para garantir a alta qualidade das construções.

 

As guildas possuíam um sistema de aprendizado, com a hierarquia de aprendiz, oficial e mestre, a partir do qual assegurava que os conhecimentos e técnicas fossem transmitidos de geração em geração, garantindo não somente um alto nível de habilidade, como também, o reconhecimento social, conforme os níveis hierárquicos que dotavam as guildas de força, de beleza e de sabedoria:

 

  • O Nível de Aprendizes, composto, geralmente, por jovens que passavam a viver com o mestre por um período determinado, aprendendo o ofício. Embora não recebessem salário, eram acolhidos com galhardia, pois, o futuro da profissão deve ser bem abrigado e alimentado: material, intelectual e espiritualmente.

 

  • O nível de Oficiais (ou Jornaleiros), formado por aprendizes experientes, que já recebiam um salário e trabalhavam para os mestres, que lhes oportunizavam momentos-prova para que seus conhecimentos se fizessem sabedoria a partir do uso habitual, garantir-lhes o oficialato – um status quo intermediário na hierarquia da guilda.

 

  • O nível de Mestres, constituído por artesãos plenamente qualificados, donos de suas próprias oficinas e que detinham o poder decisório dentro da guilda, pois, suas “obras primas” não somente os precediam como também, certificavam que o discípulo (oficial) estava pronto para a manifestação da mestria com exata prontidão e com protagonismos dignificantes.

 

Funcionando como uma rede de segurança social, as guildas organizavam fundos para cobrir custos funerários, auxiliar famílias de membros falecidos e prover aposentadoria, funcionando como uma forma de seguro de vida e saúde. Este sistema fulcrava um forte senso de comunidade, honra e valorização do trabalho manual, o que contribuía para o reconhecimento social dos profissionais.

 

As guildas organizavam festivais, elegiam santos padroeiros e garantiam dias de folga em datas religiosas, promovendo a solidariedade e a coesão social entre os membros e as sociedades com as quais interagiam. Agências mediante as quais os membros de guildas podiam ter representação nas câmaras das cidades, o que lhes dava influência política e a capacidade de defender seus interesses coletivos.

 

O declínio da construção de grandes catedrais na Europa, especialmente após a Reforma Protestante, levou a uma diminuição na necessidade de pedreiros operários. Com isso, as guildas de pedreiros começaram a aceitar membros que não eram construtores profissionais, evoluindo de uma organização estritamente operacional para uma sociedade com foco no aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual.

 

Semeada na fértil terra da tradição, que mantem a estrutura hierárquica e os rituais das antigas guildas de alvanéis e/ou pedreiros medievais, ergue-se ao sol do vanguardismo a plântula da maçonaria operativa regada no tempo oportuno pelos novéis saberes que agrega, bem como, adubada proporcionalmente ao seu crescimento pelos augustos valores que passam a fortalecê-la, embelezá-la e a torná-la mais sábia.

 

Predestinada ao progressismo perene, a plântula da maçonaria operativa é proficuamente sucedida pela maçonaria especulativa, porém, preservando a estrutura e os símbolos das guildas medievais. A transição ocorreu gradualmente, à medida que os membros "aceitos" superaram em número os operativos, mudando o foco da construção material para a construção de um "templo interior" e de uma sociedade melhor.

 

A Maçonaria moderna é essencialmente especulativa e os maçons (pedreiros livres) valendo-se da disciplina mental que exerce sobre si, a partir do estudo rigoroso das artes liberais e dos oito sentidos que lhe exige foco, raciocínio lógico e perseverança, alcança o objetivo do estudo (a verdade, a clareza intelectual) é comparado à luz do sol da sabedoria que desobscurece os rumos da humanidade construindo-lhe sociedades justas.

 

Alcançar essa clareza requer esforço. Desta forma, mesmo no "ponto mais quente" do desafio intelectual, onde a intensidade da verdade ou do conhecimento é difícil de suportar ou assimilar imediatamente, como olhar diretamente para o sol em vivaz canícula do meio-dia, o estudante das artes liberais deve perseverar até que o mestre manifeste sua formação humana integral construído o feliz convívio para os homens.

 

Cônscios de seu dever como construtores do novo tempo que auroresce no horizonte, os atuais alvanéis (maçons) sabem que devem ser exemplos de homens virtuosos, aqueles que agem com retidão, honestidade e integridade, que demonstram bondade, prudência e justiça, pois, são um modelo de homem de palavra, que honram seus compromissos, além de lábaros de conduta moral para sua família e comunidade.

 

Diligente, homem de letras, ou seja, um indivíduo erudito, culto e envolvido em atividades literárias, como a escrita profissional, o estudo da linguística e da literatura, ou a filosofia. Do qual se espera que demonstre grande conhecimento e uma dedicação profunda ao mundo das palavras e das ideias. Um intelectual que reflete sobre a sociedade, a política e a condição humana, cujos constructos buscam aprimorá-la.

 

Este venturoso pedreiro livre, como faziam seus ancestrais, analisa o mundo ao seu redor e contribui para o debate público com opiniões ponderadas e bem fundamentadas, sob os auspícios do compasso que estabelece os limites da honorabilidade, sob a égide do esquadro que ancora o humano no homem e sob a firmeza da alavanca que move pensamentos, muda atitudes e institui a felicidade humana como meta.

 

Aprendiz do Quadrivium que foca nas artes relacionadas à matemática e à estrutura do universo: aritmética, geometria, música e astronomia, Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião, fez da música a alavanca que sob sua mestria transformou os dias do povo nordestino e, também, brasileiro em suas outras regiões, inspirando protagonismos e instituindo a identidade social dos brasileiros na coesão que inspira.

 

O legado deste pedreiro livre notável, o forró, não somente festeja as memórias de seus muitos e incontestáveis feitos e efeitos em prol da nação brasileira, mas, principalmente, celebra a existência dos entes humanos que constroem as sociedades nas quais vicejam bem-estar, coesão e harmonia no mais augusto convívio que ensejam a vida plana de prosperidade, dignidade, felicidade e excelsitude.

 

Hoje é o dia de homenagear os operários mais antigos da história da humanidade. Vital na rotina de toda obra, o pedreiro é o responsável por ajudar a construir mundos, através de suas interações e práticas, molda ativamente a realidade social, as normas, os valores e as estruturas da sociedade. Envolve evitar a reprodução de ideias destrutivas, buscando criar ambiências mais colaborativas e dialógicas.

 

Embora somente leis municípios instituam esta data no calendário oficial, como em Sorocaba (Lei nº 11.673), o Dia do Pedreiro é comemorado neste dia 13 de Dezembro, com o fito de homenagear estes operários do progresso, valorizando suas contribuições para o desenvolvimento socio-econômico desde tempos imemoriais, por isso, são considerados um pilar central na estrutura fraternal que seus saberes manifestam nas sociedades.

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