quarta-feira, 2 de setembro de 2026

UM DIA DIFERENTE DE TODOS OS DEMAIS DIAS DO ANO

 

Termina o primeiro dia do nono mês do ano dois mil e vinte e seis, como findara este mesmo dia, desde mesmo mês há exatos 97 anos, quando aportou em Terra Antônio Teles de Macêdo para dar exemplo de abnegação e coragem na proeminente tarefa de construir-se dia a dia, aprimorando-se a cada hora que passa, tendo que, por vezes, descontruir um oitão de si na constante busca de uma empena mais condigna com a grande obra que fazem todos aqueles que se dedicam a ser não somente um exemplo, mas sim, e portentosamente, um legado duradouro.

 

Aquele domingo do ano hum mil novecentos e vinte e nove, não foi meramente mais um dentre os vários domingos que preenchem os anos, mas sim, um dia vivido sob os auspícios  do signo do recomeço e da promessa, adornado de um céu que testemunhava a alegria do lar de Joaquim Manuel de Macêdo e de Ana Teles de Macêdo ao receber o primeiro rebento do casal, um ente humano predestinado a carregar o peso e a beleza da proeminente tarefa de construir a si próprio diuturnamente, com a grandeza que somente conhecem aqueles que no silêncio arquitetam os prodígios que sabem descrever com letras exatas e palavras cativantes.

 

Este evento rompe a serialidade do tempo cronológico e instaura um tempo próprio. Sento uma retumbância da noção heideggeriana do Dasein: o ser-que-vem-ao-mundo não é um fato biológico, mas uma jogada – um arremesso no qual o mundo inteiro se reconfigura para recebê-lo. O céu que "testemunhava" figura muito mais do que somente um cenário; é presença cósmica em todo o seu resplendor, o mundo como testemunha que se inclina diante do que emerge, reverenciando-o, ao passo que a ele entrega a esperança do justo.

 

A exequibilidade do "Construir a si diuturnamente" é uma formulação robusta, pois, não se trata unicamente de ser-se algo, mas, de tornar-se – e esse tornar-se é diuturno, ou seja, sem fim, sem meta última; um hábito que seguiria Antônio Teles de Macêdo por toda a eternidade. Reflete a tarefa kierkegaardiana do "tornar-se si mesmo", que nunca se completa: o “eu” não é substância, é ato perpétuo. O "peso" não é fardo; é a gravidade ontológica de quem sabe que a própria existência é a obra forjada a cada instante, sem molde prévio.

 

"Predestinado a carregar o peso", Antônio Teles de Macêdo, viceja uma tensão irredutível: se a tarefa é dada (destino), onde está a liberdade? E se a liberdade é a tarefa (construir-se), por que chamá-la de "predestinação"? Notabiliza a promessa na formidável sinergia entre o que se deve cumprir e o que nunca se cumpre por inteiro. Reflete o tempo messiânico – a promessa que só tem sentido enquanto permanece por realizar em meio ao silêncio das horas. O silêncio não é ausência de sentido, é a matriz do sentido antes que ele se fragmente em palavras.

 

O prodígio, por definição, excede a linguagem que tenta nomeá-lo. A exatidão é impossível; a palavra cativa justamente porque não é o prodígio, mas o seu rastro. A linguagem aqui não descreve: testemunha, como o céu. E testemunhar, em última instância, é o que resta quando o silêncio se cala por demais. Dar nome às coisas através da escrita é um ato de rebelião metafísica contra o tempo. As "letras exatas" da matemática e da lógica não anulam as "palavras cativantes" da poesia – o Mito que confere sentido ao incompreensível que materializa.

 

Naquele primeiro domingo, dia primeiro do nono mês do ano hum novecentos e vinte e nove, acima de tudo, assentou-se os tijolos invisíveis de algo muito maior do que uma existência passageira. Nele deu-se muito mais dos que apenas o registro da chegada de Antônio Teles de Macêdo, mas, o marco inicial de uma vida destinada a transcender o tempo – transformando a determinação e a boa-vontade diárias em uma cátedra viva, onde a mestria profícua de um valoroso ente humano rutila norteando o melhor futuro, galgando força, sabedoria e beleza a cada dia vivido em busca do aurorescente porvir.

 

À medida que as décadas se sucederam, alicerces discretos ergueram uma obra monumental, talhada não pelo mármore, mas, pelo testemunho intangível dos feitos e efeitos de Antônio Teles de Macêdo em prol da coletividade, da família e, claramente, em prol do melhoramento íntimo de si próprio. Cada amanhecer tornou-se o cinzel preciso com o qual este nobre espírito moldou sua própria história, convertendo os desafios da existência em degraus firmes de retidão, onde o dever cumpre-se não por fardo, mas por amor à virtude e sempre com o fim único de torna feliz a humanidade.

 

Uma caminhada, longa e frutuosa, preenchida do silêncio operoso dos justos. No recolhimento de suas reflexões e na generosidade de seus gestos, Antônio Teles de Macêdo edificou-se um farol inapagável para os que o cercam. Sua presença tornou-se sinônimo de um porto seguro, onde os mais jovens colhem o fruto maduro da experiência e os pares encontram nele o reflexo da mais pura lealdade, provando que a verdadeira grandeza reside na constância do bem, pois, dele resulta o (r)evolução humana era após era aperfeiçoando a humanidade.

 

Hoje, ao contemplarmos o horizonte dessa trajetória quase centenária, o tempo curva-se em reverência à sega do que fora semeado dia a dia por Antônio Teles de Macêdo. Os frutos espalhados pelo caminho atestam que a semente por ele lançada desde aquele longínquo nono mês do ano hum mil novecentos e vinte e nove germinou em glória imperecível. Que a Força deste ente humano magnífico continue a sustentar os passos de todos aqueles que o tem em seu DNA, que a Sabedoria de seus feitos e efeitos estejam perenemente a iluminar as melhores decisões e que a Beleza de sua generosidade coroe cada novo dia, perpetuando este legado que já não pertence apenas ao tempo, mas, à própria eternidade.

 

Antônio Teles de Macêdo é genitor de Leopoldino, José, Antonio e Wilson e, também, de Rita, Ana, Vilma, Erbenia e Elba, todos eles Bezerra de Macêdo e maviosos presentes que lhe deu Francisca Eunice Bezerra de Macêdo, sua mui digna consorte para toda a vida. Ele é avô de Daniela Bezerra de Macêdo e de Bruno Bezerra de Macêdo, filhos de Leopoldino Bezerra de Macêdo e de Rosilda Bezerra de Macêdo. Bruno esposo de Rosélia Ferreira Bezerra de Macêdo e feliz pai de Bruna, Rosilda e Jorge, todos eles Ferreira Bezerra de Macêdo e inspiradores, neste primeiro dia do nono mês do ano dois mil e vinte seis, destas poucas linhas que traço rememorando a fidedigna nobreza de um homem cujos exemplos vão mais além do que um singelo cumprimento do dever para serem excelsos espelhos onde os bons e os justos acham a arquitetura ideal para um viver pleno.

 

Maranguape, Ceará, 01 de Setembro de 2026

 

Bruno Bezerra de Macêdo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


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