Termina
o primeiro dia do nono mês do ano dois mil e vinte e seis, como findara este
mesmo dia, desde mesmo mês há exatos 97 anos, quando aportou em Terra Antônio
Teles de Macêdo para dar exemplo de abnegação e coragem na proeminente tarefa
de construir-se dia a dia, aprimorando-se a cada hora que passa, tendo que, por
vezes, descontruir um oitão de si na constante busca de uma empena mais
condigna com a grande obra que fazem todos aqueles que se dedicam a ser não
somente um exemplo, mas sim, e portentosamente, um legado duradouro.
Aquele
domingo do ano hum mil novecentos e vinte e nove, não foi meramente mais um
dentre os vários domingos que preenchem os anos, mas sim, um dia vivido sob os
auspícios do signo do recomeço e da
promessa, adornado de um céu que testemunhava a alegria do lar de Joaquim
Manuel de Macêdo e de Ana Teles de Macêdo ao receber o primeiro rebento do
casal, um ente humano predestinado a carregar o peso e a beleza da proeminente
tarefa de construir a si próprio diuturnamente, com a grandeza que somente
conhecem aqueles que no silêncio arquitetam os prodígios que sabem descrever
com letras exatas e palavras cativantes.
Este
evento rompe a serialidade do tempo cronológico e instaura um tempo próprio.
Sento uma retumbância da noção heideggeriana do Dasein: o
ser-que-vem-ao-mundo não é um fato biológico, mas uma jogada – um
arremesso no qual o mundo inteiro se reconfigura para recebê-lo. O céu que
"testemunhava" figura muito mais do que somente um cenário;
é presença cósmica em todo o seu resplendor, o mundo como testemunha que
se inclina diante do que emerge, reverenciando-o, ao passo que a ele entrega a
esperança do justo.
A exequibilidade
do "Construir a si diuturnamente" é uma formulação robusta, pois, não
se trata unicamente de ser-se algo, mas, de tornar-se – e
esse tornar-se é diuturno, ou seja, sem fim, sem meta última; um hábito que
seguiria Antônio Teles de Macêdo por toda a eternidade. Reflete a tarefa
kierkegaardiana do "tornar-se si mesmo", que nunca se completa: o “eu”
não é substância, é ato perpétuo. O "peso" não é fardo; é
a gravidade ontológica de quem sabe que a própria existência é a obra
forjada a cada instante, sem molde prévio.
"Predestinado
a carregar o peso", Antônio Teles de Macêdo, viceja uma tensão
irredutível: se a tarefa é dada (destino), onde está a liberdade? E se a
liberdade é a tarefa (construir-se), por que chamá-la de
"predestinação"? Notabiliza a promessa na formidável sinergia entre o
que se deve cumprir e o que nunca se cumpre por inteiro. Reflete o tempo
messiânico – a promessa que só tem sentido enquanto permanece por realizar em
meio ao silêncio das horas. O silêncio não é ausência de sentido, é
a matriz do sentido antes que ele se fragmente em palavras.
O
prodígio, por definição, excede a linguagem que tenta nomeá-lo. A exatidão é
impossível; a palavra cativa justamente porque não é o
prodígio, mas o seu rastro. A linguagem aqui não descreve: testemunha,
como o céu. E testemunhar, em última instância, é o que resta quando o silêncio
se cala por demais. Dar nome às coisas através da escrita é um ato de rebelião
metafísica contra o tempo. As "letras exatas" da matemática e da
lógica não anulam as "palavras cativantes" da poesia – o Mito
que confere sentido ao incompreensível que materializa.
Naquele
primeiro domingo, dia primeiro do nono mês do ano hum novecentos e vinte e nove,
acima de tudo, assentou-se os tijolos invisíveis de algo muito maior do que uma
existência passageira. Nele deu-se muito mais dos que apenas o registro da chegada
de Antônio Teles de Macêdo, mas, o marco inicial de uma vida destinada a
transcender o tempo – transformando a determinação e a boa-vontade diárias em
uma cátedra viva, onde a mestria profícua de um valoroso ente humano rutila
norteando o melhor futuro, galgando força, sabedoria e beleza a cada dia vivido
em busca do aurorescente porvir.
À
medida que as décadas se sucederam, alicerces discretos ergueram uma obra
monumental, talhada não pelo mármore, mas, pelo testemunho intangível dos
feitos e efeitos de Antônio Teles de Macêdo em prol da coletividade, da família
e, claramente, em prol do melhoramento íntimo de si próprio. Cada amanhecer
tornou-se o cinzel preciso com o qual este nobre espírito moldou sua própria
história, convertendo os desafios da existência em degraus firmes de retidão,
onde o dever cumpre-se não por fardo, mas por amor à virtude e sempre com o fim
único de torna feliz a humanidade.
Uma
caminhada, longa e frutuosa, preenchida do silêncio operoso dos justos. No
recolhimento de suas reflexões e na generosidade de seus gestos, Antônio Teles
de Macêdo edificou-se um farol inapagável para os que o cercam. Sua presença
tornou-se sinônimo de um porto seguro, onde os mais jovens colhem o fruto
maduro da experiência e os pares encontram nele o reflexo da mais pura
lealdade, provando que a verdadeira grandeza reside na constância do bem, pois,
dele resulta o (r)evolução humana era após era aperfeiçoando a humanidade.
Hoje,
ao contemplarmos o horizonte dessa trajetória quase centenária, o tempo
curva-se em reverência à sega do que fora semeado dia a dia por Antônio Teles
de Macêdo. Os frutos espalhados pelo caminho atestam que a semente por ele
lançada desde aquele longínquo nono mês do ano hum mil novecentos e vinte e
nove germinou em glória imperecível. Que a Força deste ente humano magnífico continue
a sustentar os passos de todos aqueles que o tem em seu DNA, que a Sabedoria de
seus feitos e efeitos estejam perenemente a iluminar as melhores decisões e que
a Beleza de sua generosidade coroe cada novo dia, perpetuando este legado que
já não pertence apenas ao tempo, mas, à própria eternidade.
Antônio
Teles de Macêdo é genitor de Leopoldino, José, Antonio e Wilson e, também, de
Rita, Ana, Vilma, Erbenia e Elba, todos eles Bezerra de Macêdo e maviosos presentes
que lhe deu Francisca Eunice Bezerra de Macêdo, sua mui digna consorte para toda a vida.
Ele é avô de Daniela Bezerra de Macêdo e de Bruno Bezerra de Macêdo, filhos de
Leopoldino Bezerra de Macêdo e de Rosilda Bezerra de Macêdo. Bruno esposo de
Rosélia Ferreira Bezerra de Macêdo e feliz pai de Bruna, Rosilda e Jorge, todos
eles Ferreira Bezerra de Macêdo e inspiradores, neste primeiro dia do nono mês
do ano dois mil e vinte seis, destas poucas linhas que traço rememorando a
fidedigna nobreza de um homem cujos exemplos vão mais além do que um singelo cumprimento
do dever para serem excelsos espelhos onde os bons e os justos acham a arquitetura
ideal para um viver pleno.
Maranguape,
Ceará, 01 de Setembro de 2026
Bruno
Bezerra de Macêdo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE
Associado
à ACI - Associação Cearense de Imprensa
Associado
à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

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