Domingo (27/09), pé de cachimbo; cachimbo é de ouro.... Mas o tesouro mesmo
é estar reunido com a família. Ressalta-se que família não é somente a
consanguínea, mas, portentosamente, aquela que escolhemos e aceitamos com a
mesma plenitude dos direitos conferidos aos do sangue. Neste sentido, confrades
e confreiras, cuja etimologia remete a 'irmão', são inequivocamente família.
Isto enleva a ACLA – Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba de
Capistrano de Abreu – à excelsitude da mãe acolhedora de todos nós, que cá
estamos para o nosso encontro mensal.
Mãe prodigiosa, a ACLA não pretere nenhum dos seus valiosos rebentos –
distribuídos como membros efetivos, distritais e correspondentes nacionais e
internacionais –, pois, para cada um de nós há um canto em seu colo
especialmente reservado, como também, uma ocupação que nos enaltece ao passo
que melhor desenvolve nossos talentos e prodígios. Com exatidão, uso da
metáfora a fraternidade "carece dos braços doutrem" para notabilizar
esta arcádia que ecoa a filosofia Ubuntu ("Eu sou porque nós somos")
cuja mestria ensina que a vida de um depende da vida de outrem, num vívido e bem-vindo
coorbitar.
Nestes encontros mensais, a ACLA promove a partilha de alimentos que é um
dos rituais sociais mais universais e importantes, os africanos chamam isto de
Kuta. No Kuta, cada membro da comunidade leva aquilo que considera mais
aprazível ao seu paladar para somar à partilha. Ao final, a mesa se torna tão
farta que cada participante leva para casa um pouco do que o outro trouxe.
Dessa forma, todos alimentam o corpo e o espírito com as lembranças do feliz
momento vivido em família. As experiências sensoriais de sabor e aroma durante
as refeições compartilhadas fortalecem os laços sociais, promovem a união
familiar e a coesão cultural.
Tomado por este cativante espírito, encontro(-me) na Academia de Ciências Letras e Artes
de Columinjuba – ACLA uma ambiência acolhedora, inclusiva e
harmoniosa a montante, onde o reina o pertencimento – que nos identifica como
aclaianos – inaugurando a formidável família, constituída das famílias dos
confrades e confreiras que a constituem nesta contemporaneidade, sucedendo com
galhardia àqueles que há 34 anos a fundaram para o bem da cultura brasileira. Tamanho
amor somente pode dar os melhores frutos - seus rebentos que a representam com a mesma
galhardia com que manifestam o que lhes é ensinado por ela, ou seja, a amar para
ser bem-amado. Afinal, sem amor nada seria, afirma Paulo de Tarso.
Essa rainha da abnegação – a ACLA –, tem um rei consorte a altura de sua
nobreza, o pertencimento e, sob o influxo de ambos, servimos à cultura, ao
desenvolvimento humano, à felicidade e a tudo que possa ser progresso
conquistável pelo homem, sempre prenunciando que o primeiro a servir é aquele
que brevemente será muito bem servido pelo tempo, pela vida, pelo sagrado,
pois, tudo segue o mais veraz e proficiente princípio, o da correspondência.
Por este princípio somos levados a corresponder e a superar o quanto possível, pois, do
contrário o universo não se expande e tudo cai na mais desanimadora inércia, efluído
para a total inépcia.
Retrata, pois, que um dos mais formidáveis avanços da humanidade é (re)aprender
diuturnamente o quão é bom cultivar, zelar e guardar tudo que faz do homem,
além de humano, um ser humano prodigiosamente social. Afinal, “o homem
nasce como um ser ‘inconcluso’ que se humaniza ao criar e transformar o mundo
material, estabelecendo relações sociais mediadas pela produção”, afirmam a
teoria histórico-cultural e o materialismo dialético. Portanto, ao homem cumpre
o zelo pelo "Jardim" – que guarda a memória dos seus feitos e efeitos
durante a vida – como uma ambiência de vida e feliz convívio. E de grata
felicidade.
Neste toar, às Academias, como a ACLA, cumpre diligenciar a proteção do
patrimônio imaterial das sociedades e disseminar todos os mais enaltecedores
valores do homem ao longo da jornada evolutiva da humanidade, onde o bem-viver e
o conviver feliz norteiam os caminhos daqueles que buscam a sabedoria. Para
isto, conservar os constructos literários de seus rebentos – obras e documentos
–, além da difusão ativa dos valores que os enaltecem como entes humanos finda
por aprimorar a humanidade e motivar sua perene evolução. Água parada apodrece
e estagna vidas, porém, quando fluem fertilizam campos – do saber.
A ACLA não é um local onde homens velhos encontram alento para sua
velhice, ao contrário é uma ambiência onde todos são jovens – viceja a mente
inventiva, sempre jovem por esmero e mérito, ainda que na mais avançada idade. Muito menos é um local onde
os homens jovens investidos da imortalidade agem irreverentes e excêntricos –
consumindo seu pouco tempo de vida sob a tirania da vaidade, que tem na
arrogância seu capataz –, ao contrário, a ela é um útero, em ciese plena,
aformoseando o novo, sob a inspiração da tradição, onde homens velhos e/ou
novos imortalizam(-se) (em) por suas artes, tão bem-produzidas ao sabor do amor
dedicado.
Amoravelmente funcionando como um espaço sagrado destinado à formação e
aprimoramento dos “homens de letras” – seus rebentos – que a constituem de
força, beleza e sabedoria, a ACLA, resolutamente estabelecida conforme os
princípios e preceitos que sustentam sua existência, manifesta a cioforia da
cultura – sem jamais ser meramente um depósito de memórias antigas –, indo além
desta delicadeza com o homem, para ser-se edificadora mental da inocência e da
novidade a bem sobrevivência da humanidade. Não esquecendo jamais que tudo
vibra, portanto, se move. E se move para o novo, sempre.
Cônscia de que o ato de escrever é a mais antiga arte exercida pelo
homem, desde a mais tenra idade da humanidade – a partir da pintura rupestre, o
homem historiou suas aventuras e desventuras; descreveu suas batalhas e
conquistas; contou de seus adversários e de seus amigos; reportou suas festas e
a natureza que o abrigava; e, claro, disse de si ao universo e ao mundo com
este modo pictográfico de falar –, a ACLA percebe que ali iniciou seu mister
primevo, o de preservar a memória para que chegue ao porvir como alavanca do
melhor protagonismo do homem em prol do seu bem-estar, desenvolvimento e
evolução perene.
A escrita, neste diapasão, além preservar a memória cultural das
sociedades, desempenhando um papel importante para a materialização da mensagem
que estabelece a comunicação à distância no espaço e no tempo, confere àqueles
que se dão ao exercício das artes uma grande responsabilidade, pois, cada
palavra que de si transcende ao universo e aos homens é um tijolo bem assentado
na construção social com fito no belo. Arquiteta Social por excelência, a ACLA
disponibiliza o modus para sermos tijolos uteis à Obra: revista, jornal,
antologia, concursos literários, além de espaço para falar nas reuniões mensais.
Empreendedora, a ACLA ao longo dos últimos 34 anos de sua existência tece
– dia a dia – uma rede interativa com suas congêneres. Visitas programadas
durante o ano permitem a sinergia do saber e o compartilhamento de novos
pensamentos e técnicas para a manifestação das artes. Joint Ventures com
universidades dão à ACLA um enlevo ainda maior, como também, engrandece a seus
membros com a oportunidade de melhor difusão dos seus prodígios. Visionária, a
ACLA vê nestas parcerias a oportunidade ideal que leva a academia ao povo,
pois, o povo sempre é o laboratório do conhecimento e da sabedoria.
Vanguardista, a ACLA lança hoje (27/09) o projeto ACLA digital que a faz
pioneira dentre as suas congêneres, pois, propicia a seu rebentos – “homens de
letras” – inicialmente uma ambiência que tem a acessibilidade digital com alicerce
que permite que as conexões humanas ocorram de forma equitativa no ambiente
virtual. Essencial, pois, garante que todas as pessoas, independentemente de
deficiência ou limitação, possam participar plenamente das interações sociais,
educacionais e profissionais em ambiente digital, o que torna a ACLA universal
nos propósitos de disseminar o saber enquanto guarda o conhecimento.
Notabiliza-se, aqui, a real proposta das letras, que vai muito além de
ser um caractere do alfabeto que formam palavras, como as de uma música, para
assumir-se no seu mais aquilatado valor: a atividade literária em si, ou seja,
o estudo e a produção de textos escritos. "As letras" se referem
àqueles que se dedicam ao estudo, ao cultivo da língua e à criação literária. Sendo
imprescindível que os escritores despertem para o poder da escrita que têm em
suas mãos e para o impacto de suas palavras, a ACLA os estimula a criarem obras
excelentemente contributivas para um mundo mais inclusivo, harmonioso e feliz.
Conscienciosamente, difusora da História e da Cultura, a escrita faz-se o
principal instrumento de comunicação ao superar limitações temporais e
espaciais, eternizando memórias, ideias e a própria existência humana,
oportunizando ao passado ensinar ao futuro. Ao registrar experiências, a
escrita disponibiliza uma forma de imortalidade simbólica, garantindo o
registro de existências ("eu estive aqui"). Sob este influxo move-se
a ACLA, não somente acolhendo aos que ela elege, mas, principalmente, usando de
sua mestria para melhor apurar os potencias destes, para direcioná-los aos
melhores caminhos que os leva ao ápice de si.
Afinal, da poética e enlevada definição dos escritores, intelectuais e
educadores, referidos metaforicamente como “homens de letras”, emerge a função
dual da escrita: é um "ato de magia" ou ritual que tem o condão de
tornar visível (texto) o invisível (pensamento, sonho, o inefável) preservando
o passado como alicerce do melhor futuro que constrói a bem do coletivo que ela
cativa sob auspícios memoráveis de sua dedicação e esmero em prol do homem,
pois, aprimorados e melhor habilitados que estejam melhores oportunidades
cocriam para o aprimoramento e desenvolvimento de seus pares num
interdependência infindável.
São este “homens de letras que manifestam ao mundo as academias que
representam, ao passo que por elas são escolhidos, desenvolvidos e representados,
no cumprimento do seu mister comum: preservar a memória coletiva e a identidade
de sua época, garantindo a inclusão estabelecendo o pertencimento. Juntos, a
ACLA e seus acadêmicos têm como meta a felicidade e o progresso da humanidade a
partir do livro que instrui o homem - guardando os saberes de todos os tempos
de forma que estes estejam preservados e disponíveis para a formação do
promissor futuro para o homem com quem os compartilha.
Enquanto houver um aclaiano a semear a palavra, o passado continuará a
abraçar o futuro, provando que nós só somos, plenamente, porque juntos
escolhemos eternizar o humano. Uma
arquitetura sem um tijolo desaba; assim, cada voz que escreve sustenta o
edifício coletivo. Que cada obra seja, portanto, um tijolo indelével na
arquitetura desse "Jardim de Primícias" – onde o homem nutre-se da
beleza que inspira, da força que realizar e da sabedoria que conduz os influxos
evolutivos – e que, sob o império do amor e do pertencimento, a escrita
continue a tornar visível o invisível, melhorando os dias e a vida.
Assim, o ciclo que se inicia no lúdico compasso deste "domingo,
pé de cachimbo" encontra o seu verdadeiro ouro na perenidade do afeto
e do intelecto. A ACLA, como este útero fecundo de tradição e novidade,
reafirma que a imortalidade não é a ausência inovadora do tempo, mas, a
presença viva e compartilhada de cada pensamento que se fez verbo. No grande
ritual do Kuta literário, onde as letras nutrem a alma e salvaguardam o
amanhã, os aclaianos partilham mais do que saberes: distribuem a própria
essência de um destino comum. Ser feliz e tornar feliz toda a humanidade a quem
serve como exemplos.
Maranguape, Ceará, 27 de Setembro de 2026
Bruno Bezerra de Macêdo, o Matuto do Carrasco
Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE
Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa
Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

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