Nada
é mais augurioso do que o viver familiar e, quando a família é imensa, cada
encontro – parcial ou total – com seus membros é um instante de ratificação de saberes
e valores cultivados e, também, de cocriação de perspectivas tão incontáveis
quanto diversas a implementar em nossas vidas a bem de nós mesmos e do mundo
que nos acolhe amoravelmente.
Ontem
(05/08), gozei do privilégio de ser calidamente recebido em casa de um dos mais
proeminentes irmãos coerguidores das colunas mestras de nossa Mui Respeitável
Grande Loja Maçônica do Estado do Ceara, onde percebemos que o melhor mundo é
arquitetura daqueles que mantém suas mentes infantes, pois, nelas reina a sinceridade
que somente os puros esbanjam.
Não
se trata de um pensamento vão, tampouco de um enaltecimento inócuo e absurdo à
imaturidade, mas do enlevo pertinente à inventividade nascida da efervescência
absorvente das mentes infantes neste breve lapso temporal da vida humana onde à
verdade não se põe mordaças e o ato de "fazer de novo" para reinventar
o mundo é premissa real e constante.
Maria
Montessori reforça que a criança por possuir uma "mente absorvente",
onde o ambiente não é apenas um cenário, mas, um agente ativo que molda a
própria estrutura psíquica e neural, suas impressões das realidades nela "encarnam",
formando sua "carne mental". Preservar a pureza e da criatividade
típicas da infância é vetor da renovação do mundo.
Longe
de romantizar a imaturidade biológica, exalto a "mente enativa" capaz
de arquitetar realidades mais autênticas, fundamentadas na pureza dos
sentimentos e na liberdade cognitiva. Uma mente assim remete a um modo de
conhecer e estar no mundo que não se baseia unicamente na representação lógica
formal, mas, na ação e na experiência direta.
Manter
a "mente infante" significa preservar a capacidade de aliança
jubilosa entre conhecimento e vida, o que permite lidar com o entorno de
maneira inovadora, onde a crença e a imaginação acrescentam uma composição
pictórica aos conceitos, libertando o pensamento da rigidez adulta, onde o
arquitetar é mais proeminente do que o resultado final, pois, (r)evoluciona.
Nesse
"breve lapso temporal", a criança opera através de uma lógica que
presenteifica o passado e antecipa o futuro ("então eu era..."), criando
um modus onde o erro e a confusão são reavaliados como potência de um outro
modo de sentir. As "visões do pensamento" denotam singularidades e confusões
não como falhas, mas, como princípios para pensar um outro lugar.
O
"melhor mundo" surge, portanto, dessa capacidade de dissociar com a ininterrupção
opressora da história adulta, utilizando a fracionamento e o jogo como
ferramentas de construção de sentido. Uma "pureza dos sentimentos” que
requer a intensidade e autenticidade da experiência infantil, livre dos filtros
cínicos ou utilitários da maturidade convencional.
É
um estado onde a ação sobre o mundo não é arbitrária, mas carregada de uma
plasticidade que permite ver novas composições na realidade, transformando a
percepção do tempo e do espaço em algo vivo e mutável. Esta arquitetura de um
mundo melhor é construída por aqueles que conseguem acessar essa inventividade
nascida da efervescência mental infante.
Percebo
um eco que reverbera virilmente o pensamento de Friedrich Nietzsche,
especialmente em sua alegoria das "Três Metamorfoses" em Assim Falou
Zaratustra, onde a criança representa o espírito criador que diz
"sim" à vida. Para Nietzsche, a criança simboliza o esquecimento
libertador, um novo começo e um jogo criador que roda sobre si mesmo,
perenemente.
Resolutamente,
manter a mente infante é, portanto, exercer a vontade de potência na
sua forma mais elevada: a capacidade de inovar valores e arquitetar um mundo
baseado na afirmação da vida e na leveza dos sentimentos. Afirma Oscar Niemeyer
que, "o mais importante não é a arquitetura, mas a vida, os amigos e este
mundo injusto que devemos modificar".
A
infância deixa de ser apenas uma etapa de preparação para a vida adulta (o
"ainda-não") para se tornar o modelo de uma existência plena, onde a
criação aflora através do esquecimento do peso opressor do passado. Emergindo
uma engenhosa arquitetura que prioriza a transformação social e a solidariedade
humana em vez da estrutura em si, fulcrada na humanidade.
O
filósofo francês Gaston Bachelard, em sua obra A Poética do Espaço, defende que
a infância permanece em nós como uma dimensão "poeticamente útil".
Para ele, habitar verdadeiramente significa recuperar a capacidade de sonhar os
espaços como uma criança, onde cada canto, sótão ou caverna é um universo de segurança,
de inventividade e de compartilhamento.
Um
mundo arquitetado por mentes brilhantemente infantes, que mantêm essa conectividade
é um mundo de acolhimento radical, onde as ambiências não são meros contêineres
funcionais, mas, "ninhos" que abrigam a intimidade e o devaneio. A arquitetura, nesse sentido, torna-se uma
mediação entre o mundo exterior e a nossa vida interior mais autêntica.
Desenhado
a partir de princípios assim tão cativantes, o mundo viceja em constante (re)invenção,
onde a impermanência e a criatividade são valorizadas acima da rigidez e da
eficiência pura, sob o projetar auspicioso de “mentes infantes” que exercem um
ato arquitetônico puro: uma trajetória não linear, onde o cocriar é mais profícuo,
pois, fomenta o despertar de consciências.
Um
"melhor mundo" que não é aquele construído pela razão instrumental
adulta, mas, aquele tecido a partir da capacidade infantil de imaginar, brincar
e se maravilhar. É uma arquitetura da possibilidade, do acolhimento e da
liberdade estética, tendo por fito primaz a igualdade que une a humanidade sob
o teto da fraternidade onde o desenvolvimento é rei e a inclusão é rainha
consorte.
Somente
uma “mente infante”, sob a tutela de um coração bem formado, percebe que os
atos de brincar e de imaginar deixam de ser atividades secundárias para se
tornarem os alicerces de um mundo marcado pela fraternidade e igualdade, onde a
liberdade e o acolhimento surgem quando se valoriza a capacidade infantil de se
maravilhar e de construir convívios felizes.
Um
convívio feliz como este que nos oportuniza este galante irmão como quem estive
ontem, onde o abraço é a semente do pertencimento; o compartilhar é certeza que
caminhamos desde a infância do mundo a construir, conforme a arquitetura da “mente
infante” em nós, os laços inquebrantáveis de amizade e infância vivo,
independentemente dos destinos que assumamos.
Maranguape,
Ceará, 06 de Agosto de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE

Muito bom está com a família
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