Formosura
da resistência, a felicidade é o dínamo da mais vivaz energia que anima o homem
na construção do povir mais aprazível e belo, onde a natureza humana encontra
ambiência para manifestar-se com exemplo de intelectualidade humana em sua
promoção constante da humanização do homem. A felicidade é, portanto, o
"fruto" (o resultado) do "labor" (o esforço/empenho) que a
exerce perenemente, ou seja, ela jamais será passiva, ao contrário, é
"laborada" ou trabalhada diariamente e tornada mais efusivamente
contagiante a cada dia.
O
trabalho físico transforma a matéria, o "labor pela felicidade" transmuta
dificuldades e emoções em aprendizado e resiliência. A felicidade é uma
construção ativa, onde o trabalho dedicado de cada um cultiva os frutos da
realização pessoal e da alegria. Ela não cai do céu, nem é formada por nenhum toque
espiritual, porém, é contagiante, cativante e motivadora do progresso humano desde
tempos imemoriais. “O feliz produz o melhor para o mundo”, sustentam as
pesquisas realizas pela Saïd Business School da Universidade de Oxford.
A
felicidade é o labor mais excelso do homem alcançado somente pela prática da
virtude e pelo uso da razão. Não é um estado passivo, mas uma atividade da alma
ajustada à virtude ao longo de uma vida inteira, segundo Aristóteles. Ela é o
pleno desenvolvimento da natureza humana, o "eflorescimento" através
da excelência diária, portanto, jamais terceirizada – delegada a outrem. Resultado
do trabalho incansável, maduro e consciencioso daqueles que a exercem diuturnamente,
a felicidade é inclusão, harmonia, pertencimento e identidade.
Esses
quatro pilares sustentam a felicidade, que deixa de ser um momento passageiro e
firma-se como um estado de paz sustentável. Sentir-se incluído diminui a
ansiedade social. Em sinergia com as ambiências e com outrem, experiencia-se um
viver com ínfimos índices de conflitos internos e externos. Ser parte – da família,
dos grupos de amigos, etc. – é fruto do reconhecimento daqueles que estão em
nossa órbita, pois, “somente os iguais se reconhecem, afirma Parmênides. Essa Identidade
é forjada no cálido viver autêntico e sem máscaras.
A
felicidade é um processo de autodescoberta, autoconhecimento e de protagonismo
da vacuidade – nada existe isoladamente, mas sim, de forma interdepende. Ser
feliz é um perene (re)assumir do lugar que nos compete no universo através da
virtude, da sabedoria e da conexão genuína com o outro e com o mundo. “Conhece-te
a ti mesmo e conhecerás os Deuses e ao universo, pois, se o que buscas não
encontrares primeiro em ti, jamais o acharás em lugar algum”, concita-nos esta
inscrição inominada lida ainda hoje no Templo de Delphos na Grécia.
Autêntica,
a felicidade nasce da complementaridade e da inclusão, resultando em paz
interior, serenidade e nos mais enlevado senso de pertencimento. Esse
sentimento de pertencimento é imprescindível para manter relações estáveis, moldar
comportamentos, enquanto a felicidade se identifica com a identidade profunda
do indivíduo. Envolve a integração de afetos positivos e negativos, não a
ausência de dor, mas a manutenção de um equilíbrio dinâmico. depende daquilo
que a pessoa é, e não do que possui e/ou do que representa socialmente.
Norte
magnético das agências (r)evolutivas humanas, a felicidade atua como um prumo a
indicar as necessidades duradouras de equilíbrio afetivo, e não como um mapa
rígido de conquistas externas. Segundo Mihaly Csikszentmihalyi, “a felicidade
genuína favorece a saúde mental, o altruísmo e o desenvolvimento de relações
saudáveis, sendo amiga da harmonia e da verdade”. É arte formidável do melhor
viver, estabelecida através das ações virtuosas habitualmente pratica por todos
que a buscam como alavanca todo o progresso.
A
felicidade, neste contexto, não requer "purificação emocional", mas
sim, a aceitação da experiência humana completa. Construir paz e harmonia
envolve buscar o consenso, o perdão e a possibilidade de vida para todos, pois,
robustecem as conexões significativas que se animam na felicidade com a qual
contagiam seus feitos e efeitos proeminentes a benefício dos laços que soerguem
a fraternidade que manifesta a humanidade no simples ato: “amemos uns aos
outros, pois, o amor procede de Deus” (1 João 4:7).
Não
creio haver, em tempo algum, no passado já vivido, no presente no qual se vive,
no qual erigimos o futuro, algo mais pleno de felicidade que ato de amor. O
amor é a mais augusta expressão da felicidade e um potente regulador
fisiológico e emocional. Pesquisas indicam que vínculos afetivos estáveis
reduzem os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e estimulam a liberação de
ocitocina, dopamina e endorfinas, substâncias ligadas ao prazer, confiança e
alívio da dor. O ato de amar aumenta a empatia, diminui o egocentrismo e cria
identidade.
O
amor e a felicidade longe de serem sentimentos individuais, são, resolutamente,
forças motrizes que impulsionam o avanço econômico, social e cultural da
humanidade. Não se sabe um finda um e onde começa o outro, mas, com toda
certeza, onde não há amor, não respira a felicidade. Da mesma forma, não
vicejando a felicidade, o amor não habita. Das magias de ambos, eflui o
conhecimento que encanta; o desenvolvimento que facilita o caminhar rumo ao
futuro; e a (r)evolução que capacita os empreendimentos de bem-estar e grato
convívio no porvir.
Neste
diapasão, Inácio Ferreira corrobora de maneira consubstanciada aportando uma perspectiva
sob a ótica espírita: “o amor é o "sol interior" que reúne anseios e
revelações sublimes, sendo o estágio mais elevado do sentimento”. A felicidade,
a seu tempo, está intimamente vinculada a esse amor: "a felicidade
vem do amor; o progresso vem da cooperação". Tanto para o amor,
quanto para a felicidade apenas o “sentir” não basta, pois, precisam ser
materializados, pois, sem ações transformadoras, é tola efemeridade.
Um
enlevo assim tão gracioso, requer esmero e assunção da responsabilidade pessoal
pelo testemunho de amor, criando elos de libertação e paz, onde a felicidade
encontre um lar permanente em nossas vidas. A cultura acadêmica por si só não
confere sabedoria; é a vivência do amor que acende a luz interior necessária
para o verdadeiro progresso. Assim sendo, nenhum progresso há sem diligente dedicação
e habitual esmero na busca da excelência; e, de forma igual, a felicidade não prescinde
destas mesmas agências que a vigem em nós e no mundo.
Maranguape,
Ceará, 13 de Agosto de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE
Associado
à ACI - Associação Cearense de Imprensa
Associado
à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas

Felicidade ❤️
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