quinta-feira, 13 de agosto de 2026

FELICIDADE – O DÍNAMO DE TODO O PROGRESSO HUMANO

 

Formosura da resistência, a felicidade é o dínamo da mais vivaz energia que anima o homem na construção do povir mais aprazível e belo, onde a natureza humana encontra ambiência para manifestar-se com exemplo de intelectualidade humana em sua promoção constante da humanização do homem. A felicidade é, portanto, o "fruto" (o resultado) do "labor" (o esforço/empenho) que a exerce perenemente, ou seja, ela jamais será passiva, ao contrário, é "laborada" ou trabalhada diariamente e tornada mais efusivamente contagiante a cada dia.

 

O trabalho físico transforma a matéria, o "labor pela felicidade" transmuta dificuldades e emoções em aprendizado e resiliência. A felicidade é uma construção ativa, onde o trabalho dedicado de cada um cultiva os frutos da realização pessoal e da alegria. Ela não cai do céu, nem é formada por nenhum toque espiritual, porém, é contagiante, cativante e motivadora do progresso humano desde tempos imemoriais. “O feliz produz o melhor para o mundo”, sustentam as pesquisas realizas pela Saïd Business School da Universidade de Oxford.

 

A felicidade é o labor mais excelso do homem alcançado somente pela prática da virtude e pelo uso da razão. Não é um estado passivo, mas uma atividade da alma ajustada à virtude ao longo de uma vida inteira, segundo Aristóteles. Ela é o pleno desenvolvimento da natureza humana, o "eflorescimento" através da excelência diária, portanto, jamais terceirizada – delegada a outrem. Resultado do trabalho incansável, maduro e consciencioso daqueles que a exercem diuturnamente, a felicidade é inclusão, harmonia, pertencimento e identidade.

 

Esses quatro pilares sustentam a felicidade, que deixa de ser um momento passageiro e firma-se como um estado de paz sustentável. Sentir-se incluído diminui a ansiedade social. Em sinergia com as ambiências e com outrem, experiencia-se um viver com ínfimos índices de conflitos internos e externos. Ser parte – da família, dos grupos de amigos, etc. – é fruto do reconhecimento daqueles que estão em nossa órbita, pois, “somente os iguais se reconhecem, afirma Parmênides. Essa Identidade é forjada no cálido viver autêntico e sem máscaras.

 

A felicidade é um processo de autodescoberta, autoconhecimento e de protagonismo da vacuidade – nada existe isoladamente, mas sim, de forma interdepende. Ser feliz é um perene (re)assumir do lugar que nos compete no universo através da virtude, da sabedoria e da conexão genuína com o outro e com o mundo. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e ao universo, pois, se o que buscas não encontrares primeiro em ti, jamais o acharás em lugar algum”, concita-nos esta inscrição inominada lida ainda hoje no Templo de Delphos na Grécia.

 

Autêntica, a felicidade nasce da complementaridade e da inclusão, resultando em paz interior, serenidade e nos mais enlevado senso de pertencimento. Esse sentimento de pertencimento é imprescindível para manter relações estáveis, moldar comportamentos, enquanto a felicidade se identifica com a identidade profunda do indivíduo. Envolve a integração de afetos positivos e negativos, não a ausência de dor, mas a manutenção de um equilíbrio dinâmico. depende daquilo que a pessoa é, e não do que possui e/ou do que representa socialmente.

 

Norte magnético das agências (r)evolutivas humanas, a felicidade atua como um prumo a indicar as necessidades duradouras de equilíbrio afetivo, e não como um mapa rígido de conquistas externas. Segundo Mihaly Csikszentmihalyi, “a felicidade genuína favorece a saúde mental, o altruísmo e o desenvolvimento de relações saudáveis, sendo amiga da harmonia e da verdade”. É arte formidável do melhor viver, estabelecida através das ações virtuosas habitualmente pratica por todos que a buscam como alavanca todo o progresso.

 

A felicidade, neste contexto, não requer "purificação emocional", mas sim, a aceitação da experiência humana completa. Construir paz e harmonia envolve buscar o consenso, o perdão e a possibilidade de vida para todos, pois, robustecem as conexões significativas que se animam na felicidade com a qual contagiam seus feitos e efeitos proeminentes a benefício dos laços que soerguem a fraternidade que manifesta a humanidade no simples ato: “amemos uns aos outros, pois, o amor procede de Deus” (1 João 4:7).

 

Não creio haver, em tempo algum, no passado já vivido, no presente no qual se vive, no qual erigimos o futuro, algo mais pleno de felicidade que ato de amor. O amor é a mais augusta expressão da felicidade e um potente regulador fisiológico e emocional. Pesquisas indicam que vínculos afetivos estáveis reduzem os níveis de cortisol (hormônio do estresse) e estimulam a liberação de ocitocina, dopamina e endorfinas, substâncias ligadas ao prazer, confiança e alívio da dor. O ato de amar aumenta a empatia, diminui o egocentrismo e cria identidade.

 

O amor e a felicidade longe de serem sentimentos individuais, são, resolutamente, forças motrizes que impulsionam o avanço econômico, social e cultural da humanidade. Não se sabe um finda um e onde começa o outro, mas, com toda certeza, onde não há amor, não respira a felicidade. Da mesma forma, não vicejando a felicidade, o amor não habita. Das magias de ambos, eflui o conhecimento que encanta; o desenvolvimento que facilita o caminhar rumo ao futuro; e a (r)evolução que capacita os empreendimentos de bem-estar e grato convívio no porvir.

 

Neste diapasão, Inácio Ferreira corrobora de maneira consubstanciada aportando uma perspectiva sob a ótica espírita: “o amor é o "sol interior" que reúne anseios e revelações sublimes, sendo o estágio mais elevado do sentimento”. A felicidade, a seu tempo, está intimamente vinculada a esse amor: "a felicidade vem do amor; o progresso vem da cooperação".  Tanto para o amor, quanto para a felicidade apenas o “sentir” não basta, pois, precisam ser materializados, pois, sem ações transformadoras, é tola efemeridade.

 

Um enlevo assim tão gracioso, requer esmero e assunção da responsabilidade pessoal pelo testemunho de amor, criando elos de libertação e paz, onde a felicidade encontre um lar permanente em nossas vidas. A cultura acadêmica por si só não confere sabedoria; é a vivência do amor que acende a luz interior necessária para o verdadeiro progresso. Assim sendo, nenhum progresso há sem diligente dedicação e habitual esmero na busca da excelência; e, de forma igual, a felicidade não prescinde destas mesmas agências que a vigem em nós e no mundo.

 

Maranguape, Ceará, 13 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


Um comentário:

ENTRE A INDEPENDÊNCIA E A LIBERDADE A INTERDEPENDÊNCIA GANHA A VIDA

  Algo estranho acontece quando alcançamos a tão deseja independência. Quando olhamos em volta percebemos uma teia imensa à qual estamos int...