A
lâmpada que nunca se apaga é aquela acesa nos corações tocados pelas melhores
agências em prol da felicidade humana e este luzeiro foi avistado neste sábado
próximo passado (04/07) constituindo a Aurora do Novo Tempo. Um tempo em que a
alteridade encanta, a empatia canta e o pertencimento embala corações bem
formados que buscam a luz da sabedoria no feliz convívio que fruem.
Essa
ideia de uma luz interior inextinguível é sempre associada à fé e
à bondade. Como afirma, João, filho de Zebedeu e de Maria Salomé (Tios de
Jesus), "a luz brilha na escuridão, e a escuridão não conseguiu
apagá-la" (João 1:5), sugerindo que a verdadeira luz vem de dentro do
indivíduo, sendo uma escolha pessoal que não depende de fontes externas, mas,
que somente a própria vontade a apaga.
A
visão da vida em sinergia com existe no universo, desvela os efeitos perenes de
agências positivas, da empatia e do altruísmo, fulcrando que o verdadeiro
legado e a verdadeira iluminação vêm do bem que fazemos aos outros. A lâmpada
que nunca se apaga, aponta para o que é eterno como a memória de uma boa ação,
pois, não se desgasta com o tempo, contrário a uma lâmpada física que se exauri.
Curiosamente,
firma-se como referência física real de lâmpada que permanece acesa há mais de
120 anos, a Lâmpada Centenária localizada na estação de bombeiros de Livermore,
Califórnia. Sua longa duração se deve ao uso de filamentos antigos, que queimam
mais fracos, menos quentes e, consequentemente, duram muito mais que os produzidos
pela tecnologia desta contemporaneidade.
A lâmpada
física de Livermore, instalada em 1901, é um feito de engenharia e
resistência material, reconhecido pelo Guinness World Records como a lâmpada
incandescente que mais tempo esteve acesa sem ser desligada. Porém, é a lâmpada
dos corações que reflete a esperança, a fé e a capacidade humana de manter a
chama da felicidade e da bondade mesmo diante das adversidades.
Maçonicamente,
a luz que jamais se apaga é um símbolo de virtude, sabedoria e pureza moral.
Ligada ao Painel da Loja, junto com o Pórtico e o Pavimento Mosaico, é uma manifestação
da luz interior que cada maçom deve cultivar. Ela representa a irradiação
divina (luz espiritual) que penetra os mais íntimos pensamentos do iniciado, o
guiando na jornada de autoconhecimento e transformação íntima.
Essa
lâmpada mística estabelece a ligação entre o céu e a terra, portanto,
representa a mais loquaz manifestação do amor fraterno - é um princípio
fundamental que visa a união da família humana, superando diferenças sociais e
culturais -, considerado o motor para a construção de uma humanidade melhor,
baseada na alteridade, que enleva a Maçonaria à condição de “arte do amor”.
Sem
amor, a iluminação seria fria e puramente intelectual; com amor, ela se torna
Bodhisattva (alguém que busca a iluminação para o benefício de todos os seres).
O amor genuíno exige a capacidade de colocar o outro, ou o coletivo, no mesmo
patamar de importância que nós mesmos, deixando de ser apenas um sentimento
interpessoal para se tornar uma ferramenta de expansão da consciência.
O
amor mociona processos terapêuticos e relacionais, transformando a dor em
sabedoria. Como afirma Paulo de Tarso, “o amor é o elo perfeito (Colossenses
3:14). É luz, jamais trevas, portanto, é sagrado, atuando como vetor de
iluminação ao nutrir a luz interior, fortalecer o autoconhecimento e promover a
cura, transcendendo o ego, como a força mais sutil do universo, cocriando mundos,
vidas e realidade.
Na
medida em que o "eu" diminui, a percepção da realidade se amplia, o
que é o cerne da iluminação em tradições como o Budismo (através da Metta ou
Amor Bondoso) e o Hinduísmo (Bhakti Yoga). O amor é a força que
"desmagnetiza" a alma das preocupações puramente materiais e
egocêntricas, funcionando como uma bússola que aponta para a realidade última
da interdependência.
Como
aponta Camila Shiota, a iluminação envolve aceitar e acolher a si mesmo,
positiva e negativamente, com amorosidade. Assim, o autoamor é o alicerce para
o amor externo verdadeiro, pois, só quem se ama pode amar com
autenticidade. Para muitas tradições amar algo é a única forma de
conhecê-lo verdadeiramente, portanto, amar-se a si mesmo faz com que o homem
conhecer a si próprio.
A
combinação de Amor, Ordem e Progresso é imprescindível ao iniciado para evitar
a frustração e garantir avanços e prodígios em sua jornada
iniciática. Segundo a perspectiva de filósofos como Platão no
"Banquete", o amor começa na atração física, mas, deve evoluir para o
amor às ideias e, finalmente, à contemplação da Beleza Absoluta - um estado de plena
iluminação espiritual.
É
estado de permanente zênite – onde não há sombra de dúvidas, penumbra de
incertezas, tão pouco o obscurecente preconceito. Nele amor aceso no coração do
maçom assume uma condição tripartite: "Verum, Animus, Officium”, onde
auroresce a honestidade (Verdade), eflui a presença da alma/vontade (Intenção)
e o compromisso prático de servir ao que se ama (Dever) move a vida.
Essa
lâmpada não é acesa para ser escondida, pois, ela chama o maçom a brilhar com
amor, bondade e esperança, atuando como luz no mundo, inspirando os outros a se
transformarem em luzeiros do progresso e da felicidade humana, cônscio de que
“toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das
luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. (Tiago 1:17)
Indiscutivelmente, na
jornada espiritual, o amor é um caminho essencial para alcançarmos a luz que
não se apaga. Como afirma Roberto Assagioli, o amor é um dos arquétipos mais
importantes, junto com a Vontade, que deve ser resgatado ao longo da vida,
evoluindo de um amor-próprio e familiar para um Amor Transpessoal, que abraça a
natureza e as criaturas com aceitação incondicional.
Este
amar, acima de tudo, é um estado de profunda compreensão da existência e da
unidade com o universo: interdependência entre tudo que há. É um processo de
contínuo de (auto) aprendizado e não um estado permanente e/ou estacionário
desde que alcançado. Portanto, precisamos amar. E isto envolve esforço
constante, serviço desinteressado e purificação interior necessários ao amor-luz.
Um
amor-luz, pleno de significados espirituais profundos e amplamente utilizado
para descrever e manifestar sentimentos de pureza, elevação, cura e conexão com
o divino, como canta Letícia Mendes, refletindo-o como um luzeiro divino que rutila
através da pessoa amada, onde o eu-lírico enxerga a própria manifestação de
Deus na perfeição, na beleza e na contemplação do outro.
Neste
toar, amor, luz e vida constituem a famosa tríade mística utilizada por ordens iniciáticas
(AMORC, Maçonaria, etc.) para resumir os princípios da evolução humana e
espiritual, onde o amo acende a luz que nunca apaga no coração daqueles que a buscam
com toda a efervescência da boa vontade e com a mais aurorescente amorosidade
que une os melhores e reais intelectos em prol da vida.
Maranguape,
Ceará, 07 de Julho de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE
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