terça-feira, 8 de setembro de 2026

A PRAIA DO FUTURO NÃO É LUGAR PARA LUNÁTICOS

A Praia do Futuro não é lugar para lunáticos. Ao menos, não para aqueles que em pleno dia de sol, num feriado, estão a cuidar de assuntos imeritórios como: coisas de labor, usurpação de direitos doutrem, etc. Neste formidável espaço ao som do mar e sob azul profundo do céu cearense, somente os lunáticos que esperam o chegar da lua para corteja com suas poesias, contos, fábulas e, claro, com amoráveis melodias, têm seu trono ali.

 

Ainda que eu não seja lunático em nenhuma destas duas antagônicas categorias, ontem (07 / 09) estive na Praia do Futuro em companhia daqueles que fazem reais meus sonhos, que me inspiram boas leituras – e, claro, que transcendam de mim alguns escritos interessantes; não pra todos, pois, nem o Cristo de Deus, foi suficientemente aprazível a todos – e que fazem meus dias mais felizes neste caminhar pela Terra de Pão e Sal em busca da vida plena galgada por bravos feitos, maviosos efeitos e por enriquecedores méritos.

 

Mérito é tudo que há de mais justo e valioso na vida dos que vivem, porém, totalmente desconhecido e/ou negligenciado pelos tantos que vegetam nas ilicitudes a que os chama o submundo no qual operam suas maquinações segundo a discrepante arquitetura que projetaram para a infelicidade de si e tudo que orbita sua nauseante existência longe do mérito cujo condão é ser a portentosa alavanca a mudar sombra em luz proficiente em torno da qual viceja evolução e progresso.

 

Sem o mérito o efeito que o sustentam não encanta e nem exempla nele se encantou. Inexistindo o mérito, nenhum feito move efeito algum ao ponto onde se faz mérito para o engrandecimento daquele que habitualmente pratica algum excelente feito. Majestosa fluidez da vida, feito manifesta efeito, cuja reverberação o reconhece “mérito” que aclara o caminho do bem, da alegria e da humanidade em busca de suas mais íntimas essências, perfumes que despertam os mais augustos sentimentos e, estes, aguçam os sonhos mais audazes. A audácia é mãe do mérito.

 

A audácia tem feito a humanidade alcançar inclusive a lua, nela pisando para conhecer sua tez, e já se arquiteta o modus de tê-la como entreposto (trampolim) justo e perfeito para o espaço profundo, embasando os programas espaciais modernos, como o Programa Artemis. Lançar naves a partir da Lua exige muito menos combustível do que a partir da Terra, graças ao menor efeito gravitacional em sua atmosfera. A água em forma de gelo encontrada nos polos lunares, pode ser convertida em oxigênio para respirar e hidrogênio para combustível de foguetes.

 

O valor ou o merecimento de uma conquista não nasce do acaso, mas sim, do ato corajoso de ousar e arriscar. No “ousar” repousam os melhores aspectos do desenvolvimento humano, progredindo era após era numa incessante jornada em busca do autoconhecimento pari passu à caminhada em prol da segurança, do bem-estar e da vida plena. Composta por gênio, poder e magia, a ousadia levou Goethe a destacar-se dentro e fora da maçonaria: seu o mérito é consequência da ação, não do talento dormindo: sem a audácia de começar, o mérito jamais se materializa.

 

Na ordem maçônica, onde o aperfeiçoamento moral e intelectual exige esforço contínuo, Goethe compreendeu que a lapidação da "pedra bruta" não aceita a inércia. O mérito é a consequência direta da ação, e nunca de um talento adormecido. A história humana, portanto, pertence aos que agem. O talento sem movimento é apenas uma promessa esquecida no tempo. É através do risco calculado e do compromisso com a evolução que o homem transforma a sua própria realidade, provando que a verdadeira magia da vida reside na coragem de começar.

 

A coragem de começar quaisquer que sejam os intentos humanos alimenta-se da inspiração e, esta, é fartamente servida por aqueles que nos imbuem no seu amor. E nada é comparável à família como fonte fecunda e inesgotável de amor, somente o sagrado a supera, pois, é dela o macro polo. O amor, além de ser a força mais sútil do universo, é a mestria mais arguta a disposição da humanidade, a quem serve com as mais venturosos arquiteturas que a engenharia humana se põe a construir como habitat digno do progresso e da felicidade, a familia.

 

A família não como instituição, mas, como fonte é algo que não se esgota porque não é um estoque, e sim, um manancial. Ela está num patamar quase cósmico: o sagrado não está fora da família; ele se manifesta por ela. A família é o lugar onde o transcendente ganha forma concreta, onde o amor deixa de ser abstração e se torna mesa posta, presença, palavra dita na hora certa e ação cocriadora de realidades. O lar é o ponto de convergência de tudo: a coragem que se realizou, a inspiração que se fixou, o amor que se habitou, a família que se tornou casa.

 

O sagrado não está nos templos, mas no lar; a força mais poderosa do universo não está nas estrelas, mas, no gesto de quem nos ama; e a maior obra da engenharia humana não é a catedral, tão pouco a ponte, mas, o teto sob o qual podemos, enfim, começar de novo. Uma casa que erguemos onde quer que estejamos na mais feliz das companhias, à presença daqueles a quem mais amamos, que nos ama com essa mesma intensa proatividade com que inspiramos nossos amados aos melhores constructos, pois, assim também somos por eles inspirados, nessa perene sinergia na qual o amor se faz reconhecido como o maior mérito conquistado pelo ser humano.

 

A Praia do Futuro, em Fortaleza, convida a esse tipo de contemplação: a linha extensa de areia, o mar aberto e o silêncio do fim de tarde fazem dela um cenário quase feito para pensamentos de vida plena, onde meus amados filhos – Bruna, Rosilda e Jorge – e minha esposa Rosélia, inspiram os dias mais felizes neste caminhar pela Terra de Pão e Sal – nome que dou ao Brasil, porque ele é simultaneamente o sustento e o mar, o pão que se parte e o sal que preserva. E a vida plena que buscamos é a plenitude dinâmica de quem se lança, como diz Sartre, à existência, sem essência prévia, sem roteiro – apenas com bravos feitos, maviosos efeitos e enriquecedores méritos, que são, em última análise, as três formas que a liberdade assume quando decide ser.

 

Maranguape, Ceará, 08 de Setembro de 2026

 

Bruno Bezerra de Macêdo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


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