A
Praia do Futuro não é lugar para lunáticos. Ao menos, não para aqueles que em
pleno dia de sol, num feriado, estão a cuidar de assuntos imeritórios como:
coisas de labor, usurpação de direitos doutrem, etc. Neste formidável espaço ao
som do mar e sob azul profundo do céu cearense, somente os lunáticos que
esperam o chegar da lua para corteja com suas poesias, contos, fábulas e,
claro, com amoráveis melodias, têm seu trono ali.
Ainda
que eu não seja lunático em nenhuma destas duas antagônicas categorias, ontem
(07 / 09) estive na Praia do Futuro em companhia daqueles que fazem reais meus
sonhos, que me inspiram boas leituras – e, claro, que transcendam de mim alguns
escritos interessantes; não pra todos, pois, nem o Cristo de Deus, foi
suficientemente aprazível a todos – e que fazem meus dias mais felizes neste
caminhar pela Terra de Pão e Sal em busca da vida plena galgada por bravos
feitos, maviosos efeitos e por enriquecedores méritos.
Mérito
é tudo que há de mais justo e valioso na vida dos que vivem, porém, totalmente
desconhecido e/ou negligenciado pelos tantos que vegetam nas ilicitudes a que
os chama o submundo no qual operam suas maquinações segundo a discrepante
arquitetura que projetaram para a infelicidade de si e tudo que orbita sua
nauseante existência longe do mérito cujo condão é ser a portentosa alavanca a
mudar sombra em luz proficiente em torno da qual viceja evolução e progresso.
Sem
o mérito o efeito que o sustentam não encanta e nem exempla nele se encantou.
Inexistindo o mérito, nenhum feito move efeito algum ao ponto onde se faz
mérito para o engrandecimento daquele que habitualmente pratica algum excelente
feito. Majestosa fluidez da vida, feito manifesta efeito, cuja reverberação o
reconhece “mérito” que aclara o caminho do bem, da alegria e da humanidade em
busca de suas mais íntimas essências, perfumes que despertam os mais augustos
sentimentos e, estes, aguçam os sonhos mais audazes. A audácia é mãe do mérito.
A
audácia tem feito a humanidade alcançar inclusive a lua, nela pisando para
conhecer sua tez, e já se arquiteta o modus de tê-la como entreposto (trampolim)
justo e perfeito para o espaço profundo, embasando os programas espaciais
modernos, como o Programa Artemis. Lançar naves a partir da Lua exige muito
menos combustível do que a partir da Terra, graças ao menor efeito
gravitacional em sua atmosfera. A água em forma de gelo encontrada nos polos
lunares, pode ser convertida em oxigênio para respirar e hidrogênio para
combustível de foguetes.
O
valor ou o merecimento de uma conquista não nasce do acaso, mas sim, do ato
corajoso de ousar e arriscar. No “ousar” repousam os melhores aspectos do
desenvolvimento humano, progredindo era após era numa incessante jornada em
busca do autoconhecimento pari passu à caminhada em prol da segurança, do
bem-estar e da vida plena. Composta por gênio, poder e magia, a ousadia levou
Goethe a destacar-se dentro e fora da maçonaria: seu o mérito é consequência da
ação, não do talento dormindo: sem a audácia de começar, o mérito jamais se
materializa.
Na
ordem maçônica, onde o aperfeiçoamento moral e intelectual exige esforço
contínuo, Goethe compreendeu que a lapidação da "pedra bruta" não
aceita a inércia. O mérito é a consequência direta da ação, e nunca de um
talento adormecido. A história humana, portanto, pertence aos que agem. O
talento sem movimento é apenas uma promessa esquecida no tempo. É através do
risco calculado e do compromisso com a evolução que o homem transforma a sua
própria realidade, provando que a verdadeira magia da vida reside na coragem de
começar.
A
coragem de começar quaisquer que sejam os intentos humanos alimenta-se da
inspiração e, esta, é fartamente servida por aqueles que nos imbuem no seu
amor. E nada é comparável à família como fonte fecunda e inesgotável de amor,
somente o sagrado a supera, pois, é dela o macro polo. O amor, além de ser a
força mais sútil do universo, é a mestria mais arguta a disposição da
humanidade, a quem serve com as mais venturosos arquiteturas que a engenharia
humana se põe a construir como habitat digno do progresso e da felicidade, a
familia.
A
família não como instituição, mas, como fonte é algo que não se esgota porque
não é um estoque, e sim, um manancial. Ela está num patamar quase cósmico: o
sagrado não está fora da família; ele se manifesta por ela. A família é o lugar
onde o transcendente ganha forma concreta, onde o amor deixa de ser abstração e
se torna mesa posta, presença, palavra dita na hora certa e ação cocriadora de
realidades. O lar é o ponto de convergência de tudo: a coragem que se realizou,
a inspiração que se fixou, o amor que se habitou, a família que se tornou casa.
O
sagrado não está nos templos, mas no lar; a força mais poderosa do universo não
está nas estrelas, mas, no gesto de quem nos ama; e a maior obra da engenharia
humana não é a catedral, tão pouco a ponte, mas, o teto sob o qual podemos,
enfim, começar de novo. Uma casa que erguemos onde quer que estejamos na mais
feliz das companhias, à presença daqueles a quem mais amamos, que nos ama com essa
mesma intensa proatividade com que inspiramos nossos amados aos melhores
constructos, pois, assim também somos por eles inspirados, nessa perene sinergia
na qual o amor se faz reconhecido como o maior mérito conquistado pelo ser
humano.
A
Praia do Futuro, em Fortaleza, convida a esse tipo de contemplação: a linha
extensa de areia, o mar aberto e o silêncio do fim de tarde fazem dela um
cenário quase feito para pensamentos de vida plena, onde meus amados filhos –
Bruna, Rosilda e Jorge – e minha esposa Rosélia, inspiram os dias mais felizes
neste caminhar pela Terra de Pão e Sal – nome que dou ao Brasil, porque ele é
simultaneamente o sustento e o mar, o pão que se parte e o sal que preserva. E
a vida plena que buscamos é a plenitude dinâmica de quem se
lança, como diz Sartre, à existência, sem essência prévia, sem
roteiro – apenas com bravos feitos, maviosos efeitos e enriquecedores méritos,
que são, em última análise, as três formas que a liberdade assume quando
decide ser.
Maranguape,
Ceará, 08 de Setembro de 2026
Bruno
Bezerra de Macêdo, o Matuto do Carrasco
Jornalista
– Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE
Associado
à ACI - Associação Cearense de Imprensa
Associado
à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas
Nenhum comentário:
Postar um comentário