quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A ARTE MOVE O AMOR POR ONDE PASSA

 


Nesta quarta-feira (12-08) celebramos o Dia Nacional das Artes, cônscios de que a mais formidável das artes é aquela que cultivando o riso transfigura ambientes e situações construindo convívios melhores onde rir e ser feliz é a ordem do dia a cada nascer do sol. A data marca 210 anos de fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 1816, hoje Escola de Belas Artes da UFRJ.

 

Na vida – como na arte –, amai o que faz. Nada notabiliza melhor o amor do que o riso, cuja espontaneidade contagia a todos. O amor semeado vira plântula, árvore frondosa, sombra acolhedora e frutos suculentos. Amar enleva tudo e todos em nossa órbita. Se tudo e todos estão sorrindo e felizes, estamos em paz. Não podemos copiar isto, apenas, exercer e sorrir, pois, o sorriso exercido conduz o amor pelos caminhos da vida.

 

O riso é a linguagem universal que une, cura e inspira. Rir é um ato de resistência e instrumento de produção de vida, paz e conexão genuína entre as pessoas. A felicidade compartilhada gera paz interior e coletiva. Cada um faz o melhor com o dom que vem dos Pai das Luzes, em que não sombra, nem dúvida. Saber administrar os dons de outrem culmina no aprender a melhor aplicar os nossos próprios dons.

 

Pensar assim, encontra eco na natureza contagiante do riso. Quando alguém ri, esse gesto simples tende a se multiplicar, criando um ambiente de esperança e união. O riso deixa de ser meramente um evento isolado para assumir-se como crucial, pois, onde há riso, existe a afirmação da vida e uma oposição natural às estruturas de poder que muitas vezes tentam gerenciar ou limitar a expressão humana.

 

O teatro, mais antiga das artes, tem o esmerado labor de fazer rir, de contentar e de tornar feliz a humanidade com os psicodramas que protagoniza, a partir dos quais fomenta desenvolvimento humano, semeia a inclusão e a harmonia social e cultiva o pertencimento que fulcra a identidade cultural e social dos povos que tem nessa arte um lume de sabedoria a conduzir-lhes ao futuro augurioso e probo.

 

Ao experimentar diferentes realidades e papéis, o artista desenvolve astúcia, segurança e uma compreensão mais profunda da sociedade, distinguindo o real do imaginário. Esse processo favorece a criatividade, aumenta a autoestima e aprimora a comunicação, sendo uma ferramenta essencial para a educação e o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e sociais.

 

O teatro, como um "espelho institucionalizado", preserva e cultiva a identidade dos povos, desafiando dogmas e permitindo a exploração de narrativas que definem a cultura de uma sociedade. Criando uma comunidade efêmera, onde a inteligência individual se soma à sensibilidade do grupo, ele robustece o senso de pertencimento e interdependência humana, desenvolvendo uma empatia pura.

 

Uma aplicação específica e profunda dessa arte é o Psicodrama, metodologia criada pelo médico e filósofo romeno Jacob Levy Moreno. Através da dramatização espontânea, inversão de papéis e da técnica do espelho, o protagonista visualiza conflitos e a si mesmo sob novas perspectivas. O emprego do teatro, neste influxo, abre caminhos para o autoconhecimento de forma graciosa e profícua.

 

Estabelecido no Brasil em 1949 por Guerreiro Ramos, o psicodrama consolidou-se como uma abordagem existencial que busca a liberdade e a sensibilidade humana, tendo por objetivo recuperar a espontaneidade perdida devido a "conservas culturais" e aos recursos repressores, capacitando o indivíduo a se tornar um agente ativo de sua própria vida e a superar as dores do autoconhecimento.

 

A arte e o autoconhecimento caminham de mãos dadas a pré-história, com as pinturas rupestres, até a contemporaneidade, a arte evolui em paralelo ao desenvolvimento cognitivo e espiritual da humanidade, permitindo a expressão de sentimentos que não são facilmente verbalizados. Nessa sinergia, um trazendo enlevo aos prodígios do outro, flui a evolução tanto da arte quanto o homem de maneira perene.

 

Robusta e consubstanciada, a arte gera conhecimento, transformando as experiências da vida em uma obra que ilumina a identidade individual e promove a expansão da consciência, afirma Arthur Schopenhauer. O hábito artístico possibilita benefícios portentosos como: o aumento da autoestima, sensibilidade aguçada e melhora da coordenação motora, além de atuar promover a transformação social.

 

A transformação social opera sorrindo para, assim, aspergir o amor que nos liberta dos julgo de nossos pensamentos levianos preconceituosos e imaturos. Um amor que parametriza nossa autoeducação para o melhor desenvolvimento de nossa inteligência emocional. Amar para transformar ambiências e vidas n’algo surpreendentemente (r)evolucionador de hábitos, empreendedor de felicidades e amorável.

 

Desvelo nestas poucas linhas não aquilo que se espera do Teatro, tão pouco de todas as artes que têm neste dia hoje seu momento de congraçamento e/ou de congratulação, radico com toda veemência dos feitos e efeitos de todas as artes a bem da humanidade, a ela integrando o homem, cujo dom dado pelo Criador, nela encontra o múnus exequendi que prova seu saber e a excelência da arte em seu esplendor.

 

Hoje cortejamos a arte e aqueles manifestam seus prodígios. As artes nacional são reconhecidas, reverenciadas e felicitadas na República Federativa do Brasil desde 1978, por meio das Leis nº 6.533 e nº 82.385, que regulamentam a profissão de Artista e Técnico em Espetáculos de Diversões, reconhecendo o valor cultural e profissional das diversas expressões artísticas em todo o solo pátrio brasileiro.

 

Além de honrar os mestres e os discentes das artes nacionais, a data convida a população a valorizar a arte como instrumento de pensamento crítico, lazer e transformação social, abrangendo áreas como teatro, cinema, dança, música e artes visuais. Cada artista é uma arte em eflorescência; é uma magia transformando a vida em sorrisos, ensinado os dias a sorrir e sorrindo em companhia do amor que movimente por onde passa.

 

Maranguape, Ceará, 12 de Agosto de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo, o Matuto do Carrasco

Jornalista – Portador do CRP/MTE nº 0005168/CE

Associado à ACI - Associação Cearense de Imprensa

Associado à ACEJ – Associação Cearense de Jornalistas


Um comentário:

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