Neste
dia 05 de maio festejamos o Dia do Artista Pintor, o Dia Nacional das Comunicações
e, também, o Dia Mundial da Língua Portuguesa, lembrando que a pintura evolui
com humanidade, pois, caminham juntas desde sua ciese. Conforme o cérebro e a
capacidade intelectual evoluíram, emergiu a Era dos Símbolos e Sinais, onde
desenhos em cavernas (pinturas rupestres) e representações em ossos ou pedras
permitiram registrar o cotidiano e ideias complexas. A pintura é uma
"janela para a alma humana" que imortaliza sentimentos e visões de
mundo.
Essas
produções não tinham meramente uma função estética, pois, agem como um "acervo
público" dos grupos, conectando pessoas através do tempo, reafirmando
identidade socioculturais e delimitando abrangências. Ao longo da história,
pintores registraram culturas das diversas etnias em todo o orbe terrestre, ajudando
a formar a identidade visual de nações (como visto no Brasil com o modernismo),
além de confirmar a pintura como guardião do progresso humano.
Claramente,
a comunicação social surgiu dessa necessidade fundamental de transmitir
informações, alertar sobre perigos e expressar cultura e sentimentos desde que
os seres humanos começaram a viver em sociedade, além de garantir a inclusão
social e o laços de pertencimento. A pintura, portanto, é o pioneiro modo de comunicar
fatos e ocorrências do dia a dia, do qual se valeu os primeiros homens para
levar conhecimentos às gerações que vieram depois deles.
Com
o tempo, o desenho complexo tornou-se abstrato para facilitar a escrita. Os
símbolos (pictogramas) deixaram de representar apenas a ideia e passaram a
representar o som da palavra (fonetismo) e as pinturas e símbolos fizeram-se
letras que contam a história da evolução da escrita. Ainda que, na arte
contemporânea, o processo se inverta e a letra (que era um desenho) torna-se
novamente uma pintura ou marca gráfica, como no caso do pixo ou da arte urbana,
onde a escrita é um símbolo visual, a "letra da contestação”.
Se
olharmos para a história, cada salto tecnológico – da fala aos algoritmos – não
apenas transmitiu informações, também reorganizou como nos sentimos parte de um
grupo. Determinada a construir tanto o melhor, quanto o pior, qual seja a
vontade homem, a comunicação social funciona como um conjunto de estratégias
para conectar indivíduos, instituições e causas. Ela não é apenas uma
ferramenta que usamos, como também, é o que nos define, portanto, a ordem e/ou
caos dela germinam.
Evoluindo
perenemente, a fala e a linguagem desenvolveram-se com os Cro-Magnons, marcaram
um ponto de virada na complexidade da comunicação. Enquanto os hominídeos
anteriores usavam sons para alertas imediatos, os Cro-Magnons usavam a
linguagem para construir realidades compartilhadas. Bem falar é o principal
meio para transmitir a cultura, os mitos e os valores de uma geração para a
outra, preservando a identidade de uma sociedade (r)evolucionária que tem na
tradição o alicerce de sua evolução constante.
A
escrita surgiu há cerca de 5 mil anos (por volta de 4.000 a.C. na Mesopotâmia e
no Egito), marcando o fim da Pré-História e permitindo o registro permanente de
bens, transações e ideias, iniciando a História. A invenção da imprensa, do
jornal (primeiro exemplar em 59 a.C. em Roma), da rádio, da televisão e, mais
recentemente, da internet, transformaram a comunicação em um processo global e
instantâneo. Cabe-nos decidir que tipo de comunicação queremos estabelecer.
Cada
progresso tecnológico – da fala à escrita, da imprensa à internet – não apenas
ampliou a capacidade de transmitir informações, como, formidavelmente,
reconfigurou profundamente os laços sociais, as identidades coletivas e os
modos de pertencimento. Neste influxo, a língua, como a comunicação, são
fundamentais nesse processo, pois constroem a realidade e a percepção cultural,
permitindo o compartilhamento de valores, a mobilização política e redefinição
de identidades no ciberespaço.
A
língua, como a pintura, são fundamentais para a existência humana por serem instrumentos
de comunicação, pensamento e construção social.
A língua, caracterizado por letras e fonemas organizados por regras
gramaticais, permite a expressão do pensamento e a transmissão de
conhecimentos. Enquanto a pintura, transcende a verbalidade para comunicar
significados através da forma, cor e composição, atuando como uma ferramenta
universal de expressão cultural e identitária.
Juntas,
elas formam a base da cultura, onde a arte atua como uma linguagem que
interpreta e questiona a realidade, enquanto a língua organiza e veicula esses
conceitos de forma estruturada. Preservar a língua é essencial para manter a
diversidade cultural, já que, a perda de uma língua significa o fim de um
mundo – de histórias, saberes e modos únicos de existir. A língua
portuguesa é um exemplo de língua, posto que é usada por falantes de português
em todo o mundo para se comunicarem.
Surgida
no noroeste da Península Ibérica, desenvolveu-se na sua faixa ocidental,
incluindo parte da antiga Lusitânia e da Bética romana. A língua portuguesa
origina-se do latim – idioma falado pelos romanos que se situavam no estado da
Península Itálica, o Lácio. Percebe-se, ainda, na língua portuguesa um
substrato céltico-lusitano, resultante da língua nativa dos povos ibéricos
pré-romanos que habitavam a parte ocidental da Península (Galaicos, Lusitanos,
Célticos e Cónios).
Desde
suas raízes no latim vulgar, falado pelas classes populares do Império Romano,
o português passou por inúmeras influências e evoluções, moldadas por fatores
históricos, sociais, culturais e geográficos, resultando na rica diversidade
linguística que observamos hoje: Pré-românico (surgimento do latim vulgar),
Românico (diferenciação do latim vulgar), Galego-português (idioma da Galiza e
do norte de Portugal), Português Arcaico (entre séculos XIII e XVI) e Português
Moderno (atual).
Neste
ensejo, cumpre enaltecer o empenho que viceja o mérito do Pai da Língua
Portuguesa, Luís de Camões, poeta e escritor português que através de sua
escrita ajudou a moldar a linguagem e a literatura portuguesa, tornando-o uma
figura importante na história desta efusiva língua. Da mesma forma, cabe
destacar João de Barros, o primeiro grande historiador português e o pioneiro
da gramática da língua portuguesa, tendo escrito a segunda obra a normatizar a
língua, tal como falada no seu tempo.
Por
oportuno, cumpre dizer que a língua portuguesa ostenta em seu vocabulário
termos provenientes de diferentes idiomas como o provençal, o holandês, o
hebraico, o persa, o quíchua, o chinês, o turco, o japonês, o alemão e o russo,
além de idiomas bem mais próximos, como o inglês, o francês, o espanhol, o
italiano e de algumas línguas africanas. A língua portuguesa é uma das
principais línguas de comunicação internacional, facilitando a comunicação e o
comércio entre diferentes culturas.
Hoje,
a língua portuguesa é a quarta língua materna mais falada, depois do mandarim,
inglês e espanhol, sendo a língua oficial em nove países: Brasil, Portugal,
Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Angola,
Moçambique e Timor-Leste, cabendo à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
(CPLP), criada em 1996, promover a cooperação e o intercâmbio cultural entre os
países lusófonos, robustecendo a língua e difusão da cultura portuguesa.
Contabiliza,
ainda, o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa cerca de 228.500 entradas,
376.500 acepções, 415.500 sinônimos, 26 400 antônimos e 57.000 palavras
arcaicas, notabilizando o exemplo da riqueza do léxico da língua portuguesa. Tamanha
fortuna inspirou a CPLP a estabelecer, em 2009, o dia 05 de maio como o Dia da Língua
Portuguesa e das Culturas Lusófonas, ato ratificado na 40ª sessão da Assembleia
Geral da UNESCO, em 2019, que proclamou a data como o Dia Mundial da Língua
Portuguesa.
Também,
neste dia 05 de maio, celebramos o Dia Nacional das Comunicações, cuja relevância
reside, primordialmente, na homenagem que faz ao Marechal Cândido Mariano da
Silva Rondon, patrono das comunicações no Brasil, cujo nascimento ocorre nesta
data. A data reconhece o papel da comunicação na transição histórica desde a
instalação das linhas telegráficas por Rondon até a integração das regiões
Norte, Centro-Oeste e Sudeste, incitando o desenvolvimento social, econômico e
territorial do país.
Além
do reconhecimento histórico, o Dia Nacional das Comunicações serve para
destacar a evolução tecnológica e a importância estratégica dos sistemas de
comunicação na sociedade contemporânea. A
data reforça a comunicação como um direito e uma ferramenta essencial para a
integração nacional, a democracia e a globalização, lembrando que, desde os
tempos remotos até as redes digitais atuais, a capacidade de trocar informações
é vital para a união das pessoas e o progresso da civilização.
Ainda
neste dia 05 de maio, celebramos o Dia do Artista Pintor, reconhecendo e
valorizando o trabalho deste ente humano magnífico que, muitas vezes,
enfrenta desafios para se manter ativo em um mercado pouco estruturado onde são
invisibilizados ou vistos apenas como "hobbyistas". A data
serve para destacar que os pintores, desde os primórdios da humanidade
traduzem sentimentos, memórias e identidade cultural em obras visuais,
contribuindo para a evolução das sociedades muito além do entretenimento.
O
Dia do Artista Pintor reforça o valor da expressão artística como instrumento
de comunicação, encorajando a continuidade da produção artística no país, com a
mesma efusividade que reconhece a importância dos pintores na criação de uma
"galeria viva" de criatividade, memória e beleza, essencial para a
identidade nacional. O artista pintor tem a sensibilidade de transformar
o cotidiano em arte, traduzindo o tempo e a realidade em texturas, cores e
linhas, comunicando-os às futuras gerações.
Comemorar
essas datas é imprescindível para valorizar a identidade cultural, a expressão
artística e a conexão social. O Dia do Artista Pintor (05/05) reconhece a
criatividade, o Dia Nacional das Comunicações (05/05) homenageia a integração e
informação (Rondon), e o Dia Mundial da Língua Portuguesa (5/5) celebra o
idioma como elo cultural de, aproximadamente, 260 milhões de pessoas e
ferramenta de comunicação e de desenvolvimento.
Maranguape,
Ceará, 05 de Maio de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo
Jornalista CRP/MTE
nº 0005168/CE

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