Neste
Dia das Mães (10/10), como acontece desde tempos imemoriais, festejamos o
sagrado feminino liga a mulher à terra, aos ciclos naturais e à intuição,
funcionando como um "portal" pelo qual a vida chega à Terra. Além da
procriação biológica, as mulheres são co-criadoras da realidade, efluindo
inventividade, dando vida a mundos de ideias, ideais e prodígios. O universo é
sua “forma", conforme perspectivas místicas, como quer que ela se assuma
(homem ou mulher) é considerada superior. A mulher não somente é a cuidadora, como
potencialmente é a primaz detentora da energia criativa essencial.
A
ancestralidade africana – de quem todo a humanidade descende, como certifica a
ciência – tem na deidade Nanã Buruku a divindade mais antiga, portanto, “mãe e avó"
de todos, pois, é a mais velha dos Orixás existindo desde a criação do
universo. Assim sendo, representa a memória do povo. Ela é responsável
pelo barro utilizado por Oxalá para moldar os primeiros seres
humanos; sua lama é vista como o berço de toda a vida. Nanã Buruku simboliza a
justiça implacável, a austeridade e o respeito profundo e é a guardiã dos
segredos e da terra.
Jamais
esqueçamos Neite (ou Neith), uma das divindades mais antigas do panteão
egípcio, conhecida como a criadora do universo. Chamada de "Mãe dos
Deuses", "A Grande Deusa" e "Avó dos Deuses". Ela
abrange múltiplos domínios: guerra, caça, tecelagem, sabedoria, água, destino e
funerais. Por verossimilidade, os gregos a têm como Gaia (ou Geia), mãe de
todos os deuses e criadora de todas as coisas vivas, denotando a Terra,
magnífico colo que abriga a diversidade de criaturas cuja interdependência
manifesta a Deusa.
O
judaísmo notabiliza Sarah, pois, representa o milagre da maternidade após anos
de esterilidade, demonstrando que, para Deus, nada é impossível, transformando
seu riso de dúvida em alegria. Ela inspira as mães a acreditarem, mesmo quando
a situação parece humanamente impossível, e lembra que cada mãe é um
instrumento de Deus para gerar vida e esperança, transformando a esterilidade –
física ou espiritual – em fertilidade, ainda que aos 90 anos. Sarah é a “Mãe da
Promessa”, uma mulher de fé que se tornou a matriarca de uma grande nação.
Por
justo e muitíssimo oportuno, principalmente, para os Maçons, lembremos sempre
da história de Rute, esposa de Boaz, cujos relatos comoventes e significativos
da Bíblia exaltam virtudes como lealdade, amor sacrificial, resiliência e a
capacidade de recomeçar com fé. Mesmo sendo uma estrangeira (moabita) e viúva,
Rute tornou-se um exemplo de caráter e uma peça fundamental na linhagem de
Jesus Cristo. Ruth (apoio, boa vontade etc.) desposou Boaz (altruísmo, fraternidade,
etc.) e deu à luz a Obede (abnegado, servidor, etc.), pai de Jessé (dádiva,
abundância), de quem nasceu Davi (predileto, amado, etc), pai de Salomão e tetravô de Maria de
Nazaré.
No
cristianismo, Maria de Nazaré é reverenciada como a Mãe de Deus (Theotokos),
uma figura de intercessão e proteção. Embora não seja criadora do universo no
sentido criacional, ela é considerada a Mãe da Humanidade espiritual, com
papéis centrais na salvação e na mediação entre os fiéis e Deus. Sua imagem se
assemelha às deusas antigas, como Ísis (egípcia) e Gaia (Europa), por exemplo,
que também aparecia com o filho ao colo. A energia da mãe se manifesta
independentemente de como a denominamos.
No
Islã, Fátima Zahra, filha do profeta Maomé, possui uma relevância profunda e
central para a celebração do Dia das Mães, especialmente na cultura islâmica
xiita e em muitas tradições muçulmanas. Ela é considerada a mãe dos onze Imames
infalíveis na tradição xiita, tornando seu papel de mãe fundamental para a
conexão entre a profecia e o Imamato. Fátima não é apenas uma figura histórica,
mas, o modelo supremo de virtude, piedade e maternidade no Islã, sendo
frequentemente referida como a "Senhora das mulheres do universo". Maomé
chamava Fátima de Omme Abiha, ou "A Mãe de seu Pai", devido ao
cuidado profundo e amoroso que ela teve por ele após a morte da mãe dela
(Khadija). Esse título destaca sua maturidade emocional e papel protetor, mesmo
sendo filha. No Irã, o Dia das Mães é celebrado no aniversário de Fátima (20 de
Jamadi al-Thani no calendário islâmico), servindo como uma homenagem direta ao
seu legado de amor, paciência e força.
No
Nordeste, mãe é um símbolo de resiliência, ancestralidade e força vital. Sua
essência é sobrevivência com dignidade, amor incondicional e esperança.
Representa a figura da mulher que, diante das adversidades do sertão - como a
seca, a pobreza e a migração -, mantém viva a vida, a cultura e o amor através
do vínculo maternal. Sua identidade está profundamente ligada à fé, à devoção
religiosa e ao trabalho constante, seja na roça, na casa ou na luta por
dignidade. A mulher nordestina é um pilar fundamental da sociedade brasileira,
pois, é protagonistas na preservação da cultura, no desenvolvimento econômico
rural e urbano, e na liderança comunitária, conciliando dupla jornada de
trabalho com a luta em prol do bem coletivo.
Portanto,
não podemos não enxergar que a valorização do protagonismo feminino tem
crescido, com comissões de mulheres no agronegócio (FAEC/SENAR) e maior
reconhecimento da gestão humanizada. Apesar de maior escolaridade, enfrenta
desigualdades no mercado de trabalho: rendimento médio 15% menor que o dos
homens, 39% de subutilização da força de trabalho e carga de cuidados quase o
dobro da dos homens. Na cultura, a mulher nordestina é guardiã dos costumes,
preservando tradições por meio da culinária, do artesanato, da música, das
festas juninas, dos maracatús e frevos, etc. Não é toa ser a mãe nordestina protagonista
da informalidade e empreendedorismo, sustentando famílias com vendas de
produtos típicos, artesanato e serviços, manifestando sua força inata com a
qual exempla o mundo. Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a personagem Sinhá
Vitória representa a força feminina diante da adversidade.
Contemplar
a Mãe Nordestina radica a certeza de que a quem Deus alumia, a escuridão não
aterroriza. Ela é fiandeira e tecelã de histórias, conectada à terra, à
natureza e à espiritualidade, associada a arquétipos de figuras sagradas como Nanã
Buruku, Neith, Gaia, Sarah, Ruth, esposa de Boaz, Maria, mãe de Jesus, Fátima,
filha de Maomé, que simbolizam proteção, cura e a fecundidade. A relevância desta
mãe, mãe nordestina, repousa na alteridade com que lidera, resiste e
transforma, sendo essencial para o desenvolvimento da região. Essa força é
celebrada não apenas como um dom genético, mas, como uma escolha diária de
persistir e cuidar, transmutar a escassez em abundância de afeto, convertendo o
"pouco em tudo" para garantir a dignidade da família que dela nasce para
prosperar e chegar ao futuro como legado seu.
Imbuídos
neste espírito, como ocorre há décadas de milênio, festejamos nestas horas que
seguem mais um Dia das Mães (10/05), ainda que saibamos que cortejá-las e
tributar-lhe no amor-reconhecimento, amor-gratidão, amor-felicidade seja um
honrado dever a se cumprir todos os dias em presença da mulher: avó, mãe, irmã,
esposa, filha, amiga e/ou aquelas que eflorescem em nosso entorno. Historicamente,
o Dia das Mães foi inaugurado no Brasil no 12 de maio de 1918, em Porto Alegre,
no Rio Grande do Sul. Essa primeira vez foi promovida pela Associação Cristã
dos Moços do Rio Grande do Sul. Porém, somente foi oficializado catorze anos
depois, a partir do Decreto nº 21.366, em 5 de maio de 1932, sancionado pelo
Presidente Getúlio Dornelles Vargas. Por meio desse documento, determinou-se o
segundo domingo de maio como momento para comemorar os “sentimentos e virtudes”
do amor materno. Essa data foi uma conquista realizada por influência do
movimento feminista brasileiro, que estava em crescimento. Outra conquista
importante na época foi o sufrágio universal feminino, decretado também em
1932. A data oportuniza honrar o papel das mães na formação da identidade
e do senso de pertencimento, reconhecendo seu impacto na educação e no
desenvolvimento espiritual e emocional de seus filhos.
No
entanto, o Dia das Mães foi instituído mundialmente bem antes (1905) como
uma homenagem à vida de Ann Jarvis, cujo ativismo social fez surgir o
Mother’s Day Work Clubs, uma instituição voltada para melhorar as condições
sanitárias de algumas cidades na Virgínia Ocidental. Nesse trabalho, Ann Jarvis
dava assistência às famílias que necessitavam de ajuda, e orientava-as para que
elas tivessem boas condições sanitárias, de forma a evitar doenças. Esse clube
contou com o envolvimento de outras mães. Juntas elas criaram o Mother’s
Friendship Day (Dia das Mães pela Amizade), um dia para celebrar-se a paz. O
Dia das Mães moderno foi idealizado pela norte-americana Anna Jarvis em 1905, foi
oficializada nos EUA em 1914 pelo Presidente Woodrow Wilson, que assinou a
resolução tornando o segundo domingo de maio o Dia das Mães – popularizada como
um tributo à dedicação materna.
Apesar
de variar em datas e costumes (como na Indonésia, onde é um pedido por
liberdade, ou no Brasil, com almoços familiares), a celebração é uma tradição
global, muitas vezes com raízes em celebrações antigas, reafirmando a
importância da maternidade. Para muitos, a data funciona como um potente
combustível emocional para resistir em tempos difíceis, incentivando a gratidão
pelos cuidados e pelo apoio essencial que as mães oferecem. Porém, além do
aspecto emocional, a comemoração promove a reflexão sobre os valores familiares
e o aperfeiçoamento humano no sentido da bondade e da solidariedade. Celebrar
do Dia das Mães é fundamental para reafirmar a importância da família, da união
e dos laços afetivos, destacando a figura materna como sinônimo de amor, força,
proteção e acolhimento.
Neste
toar, a ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS concita ao reconhecimento da
força e da superação das mulheres que dedicam suas vidas à dignidade e criação
dos filhos. Comemorar o Dia das Mães incentiva a união familiar, criando
memórias especiais e momentos de reflexão sobre a influência materna. Mães são
agentes de mudança que transmitem tradições e cultura, e muitas acumulam
funções financeiras e de liderança nos lares, contribuindo ativamente para o
desenvolvimento de suas comunidades. Estudos indicam que a presença materna
ativa também molda relacionamentos saudáveis, reduzindo estereótipos de gênero
e promovendo empatia e respeito nas interações sociais futuras das crianças. Cortejar
as mães é muito mais, do que um dever (ou obrigação) é um ato amor inenarrável
que segue ao futuro enquanto para ele caminha a humanidade.
Maranguape,
Ceará, 10 de Maio de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo

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