domingo, 10 de maio de 2026

MAIS UM DIA DAS MÃES – DOS MUITOS JÁ IDOS AOS MUITOS QUE VIRÃO

 


Neste Dia das Mães (10/10), como acontece desde tempos imemoriais, festejamos o sagrado feminino liga a mulher à terra, aos ciclos naturais e à intuição, funcionando como um "portal" pelo qual a vida chega à Terra. Além da procriação biológica, as mulheres são co-criadoras da realidade, efluindo inventividade, dando vida a mundos de ideias, ideais e prodígios. O universo é sua “forma", conforme perspectivas místicas, como quer que ela se assuma (homem ou mulher) é considerada superior. A mulher não somente é a cuidadora, como potencialmente é a primaz detentora da energia criativa essencial.

 

A ancestralidade africana – de quem todo a humanidade descende, como certifica a ciência – tem na deidade Nanã Buruku a divindade mais antiga, portanto, “mãe e avó" de todos, pois, é a mais velha dos Orixás existindo desde a criação do universo. Assim sendo, representa a memória do povo. Ela é responsável pelo barro utilizado por Oxalá para moldar os primeiros seres humanos; sua lama é vista como o berço de toda a vida. Nanã Buruku simboliza a justiça implacável, a austeridade e o respeito profundo e é a guardiã dos segredos e da terra.

 

Jamais esqueçamos Neite (ou Neith), uma das divindades mais antigas do panteão egípcio, conhecida como a criadora do universo. Chamada de "Mãe dos Deuses", "A Grande Deusa" e "Avó dos Deuses". Ela abrange múltiplos domínios: guerra, caça, tecelagem, sabedoria, água, destino e funerais. Por verossimilidade, os gregos a têm como Gaia (ou Geia), mãe de todos os deuses e criadora de todas as coisas vivas, denotando a Terra, magnífico colo que abriga a diversidade de criaturas cuja interdependência manifesta a Deusa.

 

O judaísmo notabiliza Sarah, pois, representa o milagre da maternidade após anos de esterilidade, demonstrando que, para Deus, nada é impossível, transformando seu riso de dúvida em alegria. Ela inspira as mães a acreditarem, mesmo quando a situação parece humanamente impossível, e lembra que cada mãe é um instrumento de Deus para gerar vida e esperança, transformando a esterilidade – física ou espiritual – em fertilidade, ainda que aos 90 anos. Sarah é a “Mãe da Promessa”, uma mulher de fé que se tornou a matriarca de uma grande nação.

 

Por justo e muitíssimo oportuno, principalmente, para os Maçons, lembremos sempre da história de Rute, esposa de Boaz, cujos relatos comoventes e significativos da Bíblia exaltam virtudes como lealdade, amor sacrificial, resiliência e a capacidade de recomeçar com fé. Mesmo sendo uma estrangeira (moabita) e viúva, Rute tornou-se um exemplo de caráter e uma peça fundamental na linhagem de Jesus Cristo. Ruth (apoio, boa vontade etc.) desposou Boaz (altruísmo, fraternidade, etc.) e deu à luz a Obede (abnegado, servidor, etc.), pai de Jessé (dádiva, abundância), de quem nasceu Davi (predileto, amado, etc), pai de Salomão e tetravô de Maria de Nazaré.

 

No cristianismo, Maria de Nazaré é reverenciada como a Mãe de Deus (Theotokos), uma figura de intercessão e proteção. Embora não seja criadora do universo no sentido criacional, ela é considerada a Mãe da Humanidade espiritual, com papéis centrais na salvação e na mediação entre os fiéis e Deus. Sua imagem se assemelha às deusas antigas, como Ísis (egípcia) e Gaia (Europa), por exemplo, que também aparecia com o filho ao colo. A energia da mãe se manifesta independentemente de como a denominamos.

 

No Islã, Fátima Zahra, filha do profeta Maomé, possui uma relevância profunda e central para a celebração do Dia das Mães, especialmente na cultura islâmica xiita e em muitas tradições muçulmanas. Ela é considerada a mãe dos onze Imames infalíveis na tradição xiita, tornando seu papel de mãe fundamental para a conexão entre a profecia e o Imamato. Fátima não é apenas uma figura histórica, mas, o modelo supremo de virtude, piedade e maternidade no Islã, sendo frequentemente referida como a "Senhora das mulheres do universo". Maomé chamava Fátima de Omme Abiha, ou "A Mãe de seu Pai", devido ao cuidado profundo e amoroso que ela teve por ele após a morte da mãe dela (Khadija). Esse título destaca sua maturidade emocional e papel protetor, mesmo sendo filha. No Irã, o Dia das Mães é celebrado no aniversário de Fátima (20 de Jamadi al-Thani no calendário islâmico), servindo como uma homenagem direta ao seu legado de amor, paciência e força.

 

No Nordeste, mãe é um símbolo de resiliência, ancestralidade e força vital. Sua essência é sobrevivência com dignidade, amor incondicional e esperança. Representa a figura da mulher que, diante das adversidades do sertão - como a seca, a pobreza e a migração -, mantém viva a vida, a cultura e o amor através do vínculo maternal. Sua identidade está profundamente ligada à fé, à devoção religiosa e ao trabalho constante, seja na roça, na casa ou na luta por dignidade. A mulher nordestina é um pilar fundamental da sociedade brasileira, pois, é protagonistas na preservação da cultura, no desenvolvimento econômico rural e urbano, e na liderança comunitária, conciliando dupla jornada de trabalho com a luta em prol do bem coletivo.

 

Portanto, não podemos não enxergar que a valorização do protagonismo feminino tem crescido, com comissões de mulheres no agronegócio (FAEC/SENAR) e maior reconhecimento da gestão humanizada. Apesar de maior escolaridade, enfrenta desigualdades no mercado de trabalho: rendimento médio 15% menor que o dos homens, 39% de subutilização da força de trabalho e carga de cuidados quase o dobro da dos homens. Na cultura, a mulher nordestina é guardiã dos costumes, preservando tradições por meio da culinária, do artesanato, da música, das festas juninas, dos maracatús e frevos, etc. Não é toa ser a mãe nordestina protagonista da informalidade e empreendedorismo, sustentando famílias com vendas de produtos típicos, artesanato e serviços, manifestando sua força inata com a qual exempla o mundo. Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, a personagem Sinhá Vitória representa a força feminina diante da adversidade.

 

Contemplar a Mãe Nordestina radica a certeza de que a quem Deus alumia, a escuridão não aterroriza. Ela é fiandeira e tecelã de histórias, conectada à terra, à natureza e à espiritualidade, associada a arquétipos de figuras sagradas como Nanã Buruku, Neith, Gaia, Sarah, Ruth, esposa de Boaz, Maria, mãe de Jesus, Fátima, filha de Maomé, que simbolizam proteção, cura e a fecundidade. A relevância desta mãe, mãe nordestina, repousa na alteridade com que lidera, resiste e transforma, sendo essencial para o desenvolvimento da região. Essa força é celebrada não apenas como um dom genético, mas, como uma escolha diária de persistir e cuidar, transmutar a escassez em abundância de afeto, convertendo o "pouco em tudo" para garantir a dignidade da família que dela nasce para prosperar e chegar ao futuro como legado seu. 

 

Imbuídos neste espírito, como ocorre há décadas de milênio, festejamos nestas horas que seguem mais um Dia das Mães (10/05), ainda que saibamos que cortejá-las e tributar-lhe no amor-reconhecimento, amor-gratidão, amor-felicidade seja um honrado dever a se cumprir todos os dias em presença da mulher: avó, mãe, irmã, esposa, filha, amiga e/ou aquelas que eflorescem em nosso entorno. Historicamente, o Dia das Mães foi inaugurado no Brasil no 12 de maio de 1918, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Essa primeira vez foi promovida pela Associação Cristã dos Moços do Rio Grande do Sul. Porém, somente foi oficializado catorze anos depois, a partir do Decreto nº 21.366, em 5 de maio de 1932, sancionado pelo Presidente Getúlio Dornelles Vargas. Por meio desse documento, determinou-se o segundo domingo de maio como momento para comemorar os “sentimentos e virtudes” do amor materno. Essa data foi uma conquista realizada por influência do movimento feminista brasileiro, que estava em crescimento. Outra conquista importante na época foi o sufrágio universal feminino, decretado também em 1932. A data oportuniza honrar o papel das mães na formação da identidade e do senso de pertencimento, reconhecendo seu impacto na educação e no desenvolvimento espiritual e emocional de seus filhos. 

 

No entanto, o Dia das Mães foi instituído mundialmente bem antes (1905) como uma homenagem à vida de Ann Jarvis, cujo ativismo social fez surgir o Mother’s Day Work Clubs, uma instituição voltada para melhorar as condições sanitárias de algumas cidades na Virgínia Ocidental. Nesse trabalho, Ann Jarvis dava assistência às famílias que necessitavam de ajuda, e orientava-as para que elas tivessem boas condições sanitárias, de forma a evitar doenças. Esse clube contou com o envolvimento de outras mães. Juntas elas criaram o Mother’s Friendship Day (Dia das Mães pela Amizade), um dia para celebrar-se a paz. O Dia das Mães moderno foi idealizado pela norte-americana Anna Jarvis em 1905, foi oficializada nos EUA em 1914 pelo Presidente Woodrow Wilson, que assinou a resolução tornando o segundo domingo de maio o Dia das Mães – popularizada como um tributo à dedicação materna.

 

Apesar de variar em datas e costumes (como na Indonésia, onde é um pedido por liberdade, ou no Brasil, com almoços familiares), a celebração é uma tradição global, muitas vezes com raízes em celebrações antigas, reafirmando a importância da maternidade. Para muitos, a data funciona como um potente combustível emocional para resistir em tempos difíceis, incentivando a gratidão pelos cuidados e pelo apoio essencial que as mães oferecem. Porém, além do aspecto emocional, a comemoração promove a reflexão sobre os valores familiares e o aperfeiçoamento humano no sentido da bondade e da solidariedade. Celebrar do Dia das Mães é fundamental para reafirmar a importância da família, da união e dos laços afetivos, destacando a figura materna como sinônimo de amor, força, proteção e acolhimento.

 

Neste toar, a ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS concita ao reconhecimento da força e da superação das mulheres que dedicam suas vidas à dignidade e criação dos filhos. Comemorar o Dia das Mães incentiva a união familiar, criando memórias especiais e momentos de reflexão sobre a influência materna. Mães são agentes de mudança que transmitem tradições e cultura, e muitas acumulam funções financeiras e de liderança nos lares, contribuindo ativamente para o desenvolvimento de suas comunidades. Estudos indicam que a presença materna ativa também molda relacionamentos saudáveis, reduzindo estereótipos de gênero e promovendo empatia e respeito nas interações sociais futuras das crianças. Cortejar as mães é muito mais, do que um dever (ou obrigação) é um ato amor inenarrável que segue ao futuro enquanto para ele caminha a humanidade.

 

Maranguape, Ceará, 10 de Maio de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria Especial da Presidência
Cléber Tomás Vianna
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo


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