Tudo
começou no Ceará marcado pela brutalidade da Grande Seca (1877-1879) que
forçou uma migração massiva do interior para Fortaleza, superpovoando a capital
e criando condições insalubres, culminando na devastadora epidemia de
varíola que causou milhares de mortes, com um dia do ano 1878 ficando
conhecido como o dos "Mil Mortos". Em meio a este caos in voga, a
elite debatia soluções e a literatura registrava a tragédia humanitária, a
movimentação abolicionista no Ceará estava em um estágio de crescente
organização e ativismo, um passo crucial para os eventos subsequentes que
levariam o Ceará a abolir a escravidão em 25 de março de 1884, sendo desde
então, historicamente, conhecido como a "Terra da Luz" – título
popularizado pelo jornalista e abolicionista José do Patrocínio, que era
apelidado de "O Tigre da Abolição".
Não
haveria o cearense de contentar-se com a Lei Eusébio de Queiroz (1850) que se
limitava proibir a entrada de escravos no Brasil. Mais do que isso, ansiava
pela sua liberdade. A sociedade cearense não cessava de aplaudir o gesto
nobilitante dos maçons (chamados “filhos da viúva”) que alforriavam seus
escravos em sessões abertas ao público. O jornalista-maçom João Brígido –
cunhado do Dragão do Mar, que desposara sua Irmã Ernesta Brígido do
Nascimento – foi o esteta da crônica que descreve a vida social da Fortaleza de
antanho. Ei-lo numa de suas descrições: “A Loja Maçônica Fraternidade Cearense,
onde estava alistada a opulência da Cidade, nas suas festas alforriava a bom
preço levas inteiras de cativos”.
Animado
com as notícias recebidas do Ceará, o maçom-abolicionista José do Patrocínio
veio certificar-se delas pessoalmente, desembarcando no Cais do Porto, na manhã
de 30 de novembro de 1882 a bordo do navio “Ceará”, foi recebido pela gente da
Sociedade Cearense Libertadora. Recorda Elvira Pinho: “Quando ele pulou na
ponte, um escravo o beijou e nós lhe cobrimos a cabeça de rosas, o que havia de
melhor nos jardins da cidade. Chamaram-lhe de Marechal Negro. Lembro-me do seu
encontro com o Chico da Matilde (Francisco José do Nascimento)… “Então,
companheiro, o porto está mesmo bloqueado?” Chico da Matilde respondeu com
firmeza: “Não há força neste mundo que o faça reabrir ao tráfico negreiro”,
retrata Edmar Morel em O Jangadeiro da Abolição. O Tigre da Abolição o chama de
“Dragão do Mar”, para exaltar a bravura e a força do prático-mor que, como um
guardião mítico das águas, havia "fechado" o porto do Ceará para o
tráfico negreiro.
Indubitavelmente,
a liberdade é, desde sempre, um bem ainda mais precioso do que a própria vida,
sendo vista por muitos como o que define a condição humana e a qual não se deve
renunciar. Autores como Rousseau e Allende demonstraram que indivíduos e nações
estão dispostos a suportar a morte, o fogo e a fome em nome desse valor, pois
renunciar à liberdade é renunciar à própria essência humana. Para pensadores
como Hegel, a liberdade não é a simples "ausência de restrições" ou
"fazer o que se quer", mas, um conteúdo de valor universal que deve ser
distinguido de interesses privados. Manter uma existência livre é custoso para
a mente humana, exigindo a aceitação da responsabilidade e do sofrimento, mas o
preço de não viver livremente é descrito como ainda mais alto, envolvendo a
venda da alma e da própria vida.
A
candeia da liberdade acesa pelo povo cearense logo se tornou um luzeiro aclarando
os passos do Brasil rumo à dignificação do humano. De fato, a província
cearense não apenas antecipou a Lei Áurea de 1888 ao abolir a escravidão em 25
de março de 1884, como também, enlevou-se como um farol moral e político para as
outras províncias. Esse pioneirismo
rendeu ao estado o título de "Terra da Luz", um reconhecimento que
ecoou nacional e internacionalmente, sendo até mesmo saudado pelo escritor
francês Victor Hugo, sintetizando com poder simbólico o papel histórico do Ceará no
processo de abolição da escravidão no Brasil.
Mesmo
sendo o último país das Américas a abolir a escravidão, após quase 400 anos de
um sistema de trabalho forçado, o Brasil a instituiu a partir da Lei nº 3.353,
sancionada em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel, que com apenas dois artigos
buscou extinguir o maior flagelo da humanidade: a Escravidão. No primeiro artigo
declarava a abolição e no segundo revogava disposições contrárias. A abolição foi
um processo lento e fruto de intensas lutas, sendo precedida por leis
intermediárias, como a Lei Eusébio de Queirós (1850 - fim do tráfico), Lei do
Ventre Livre (1871) e Lei dos Sexagenários (1885), mas, chegou ao fim pelas mãos
diligentes da Princesa Isabel que, além da assinatura, atuou de forma ativa na
pressão política, incluindo a destituição de ministros contrários à abolição e
o apoio a fugitivos de senzalas.
A
escravização é universalmente reconhecida como um dos maiores e mais
persistentes "flagelos da humanidade", devido ao seu impacto
devastador e duradouro na dignidade, liberdade e bem-estar de milhões de
pessoas ao longo da história e, infelizmente, ainda hoje em formas modernas.
Segundo Stephanie Macedo, comunicadora social da Agência de Notícias da
Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, embora a escravidão formal tenha
sido abolida legalmente em todo o mundo, formas modernas de escravidão
persistem, como o tráfico humano, o trabalho forçado e a servidão por dívida, o
que demonstra que a luta contra esse flagelo continua. Conforme reporta a
Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2021, 49.6 milhões de pessoas
viviam em situação de escravidão moderna (o flagelo alcança uma em cada 150
pessoas no planeta Terra). Desse total, 28 milhões de pessoas realizavam
trabalhos forçados e 22 milhões estavam presas em casamentos forçados.
Assustadoramente,
entre 1995 e 2020, mais de 55 mil pessoas foram libertadas de condições de
trabalho análogas à escravidão no Brasil, segundo o Radar da Subsecretaria de
Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada à Secretaria Especial de Previdência e
Trabalho (SEPRT) do Ministério da Economia. As trabalhadoras e os trabalhadores
libertados são, em sua maioria, migrantes internos ou externos, que deixaram
suas casas para a região de expansão agropecuária ou para grandes centros
urbanos, em busca de novas oportunidades ou atraídos por falsas promessas. A
maiorias dos trabalhadores libertados são homens, têm entre 18 e 44 anos de
idade e 33% são analfabetos.
No
entanto, se ergues da justiça a clava forte, Brasil. Verás que teus augustos
filhos não fogem à boa luta. Eis que Luiz Gonzaga Pinto da Gama, Luiz Gama, é
luta. É legado! Sua vida acessível e inclusiva, acolhendo a diversidade de
hipossuficientes (negros, indígenas, brancos podres, imigrantes) dando-lhes
sustentabilidade a partir da educação, lazer, reflexão e compartilhamento de
conhecimentos, rendeu-lhe a alcunha: "o amigo de todos". A leitura
dos escritos de Luiz Gama, segundo a professora Lígia Fonseca Ferreira, "é
de surpreendente atualidade: há 150 anos, Luiz, denunciou o racismo
institucional pregando valores antirracistas pelos quais, hoje, boa parte do
mundo inteiro se mobiliza". Em um mundo onde o "vil metal"
perniciosamente imbui e condiciona inescrupulosamente, labutam homens como Luiz
Gama, inaugurando a diferença entre o desencanto e a esperança
empreendedoramente associando a boa vontade de seus iguais à ação otimamente
projetada ao bem fazer à coletividade, à qual busca felicitar.
Hoje
(13 de Maio) é o dia mais humano do ano aqui no Brasil, pois, concita aos brasileiros
ao cumprimento pleno da lei única: “ama a teu próximo como a ti mesmo”, a partir
de moções como o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 323/2023 aprovado pelo
Senado em 1º de julho de 2025, que embora não esteja sancionado e esteja, mas, aguardando
promulgação, mostra ao mundo a boa intenção brasileira de ratificar a Convenção
sobre o Trabalho Forçado da OIT (nº 29), celebrada em 28 de junho de 1930,
complementada por um protocolo de 11 de junho de 2014, que atualizam as
obrigações dos países para erradicar o trabalho forçado moderno, definindo como
forçado “todo trabalho ou serviço que é exigido de qualquer pessoa sob a ameaça
de qualquer penalidade e para o qual essa pessoa não se voluntaria”.
Portanto,
não é sem justa causa que a Academia Internacional dos Maçons Imortais tem em
Luiz Gonzaga Pinto da Gama o patrono ideal do Museu da Liberdade (que leva seu
nome), por ela instituído em 31 de Julho de 2025 para ser um espaço de
acolhimento a quem busca o saber. Um equipamento de cultura, de educação e de
compartilhamento de conhecimentos que alavanca a real fraternidade entre os
povos, abraçando a diversidade e garantindo-lhes sustentabilidade. Um abraço de
pertencimento que une propósitos, empodera e embeleza a sabedoria de sermos
amigos de todos, como é Luiz Gama, ainda hoje e no povir. Constituída por mais
de 200 exuberantes estrelas que a fazem constelação-guia de incontáveis
prodígios nas artes, na música e na literatura, a Academia Internacional de
Maçons Imortais enaltece a liberdade com bem maior do ser humano, cuja defesa é
dever individual de cada ente humano, a bem da humanidade que nos dignifica.
Maranguape,
Ceará, 13 de Maio de 2026
ACADEMIA
INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Assessoria
Especial da Presidência
Cléber
Tomás Vianna
Diretoria
de Comunicação Social
Bruno
Bezerra de Macedo

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