domingo, 19 de outubro de 2025

A AMPULHETA NOS HABILITA A CONTABILIZAR VENTURANÇAS

A ampulheta nos habilita a contabilizar venturanças é uma metáfora que evoca reflexões profundas sobre tempo e felicidade. A ampulheta, ao nos mostrar o tempo escoando, nos lembra da finitude da vida e, por isso, nos ensina a valorizar os momentos de felicidade ou "venturanças". A percepção de que o tempo é limitado nos motiva a contabilizar, ou seja, a dar valor e a reconhecer as bênçãos e a sorte que temos. Em uma interpretação mais mística, a ampulheta representa a espera por um tempo de graça ou felicidade. Nesse caso, "contabilizar venturanças" poderia ser um ato de contagem regressiva ou de expectativa positiva pelo momento em que a felicidade chegará. Achamos ou perdemos tempo, como um molho de chaves; nos economizamos e gastamos, como dinheiro. O tempo rasteja, rasteja, voa, foge, flui e fica parado; é abundante ou escasso; pesa sobre nós com um peso palpável. Nada que possamos fazer pode prolongar a nossa existência além do tempo que foi nos concedido para a realização da nossa missão na terra.

 

Isto nos remete à deidade primordial Saturno, que é chamado de a Régua dos Tempos, e por isso ao chumbo, que são todos emblemas da morte daquele que vai renascer para a vida espiritual — transmutado o chumbo em ouro. Não se trata de assustarmos-nos, mas, de prepararmos-nos para o despojo do velho homem, para que nasça um novo e melhor aprimorado homem. Que saído desse “túmulo”, que representa a putrefação alquímica, estará apto a começar um ciclo de transmutações. O “relógio” é pouco mais que um par de genes que, eventualmente, e por meio de vários intermediários, se desligam. O tempo no cérebro, como o tempo fora dele, é uma atividade coletiva. Assim é com o tempo. E a ampulheta nos lembra disto. A Ampulheta é um dos símbolos mais comuns do Tempo, embora prenda, no seu interior, a promessa da Vida, visto ser reversível (pode ser invertida e o tempo volta ao início). Por esse motivo, encontra-se muitas vezes associada à ressurreição, principalmente por entre os Maçons e Rosacrucianos.

 

A ampulheta, com seus dois compartimentos, pode simbolizar o balanço entre momentos bons e maus. Ao observarmos o fluxo do tempo, somos capazes de contabilizar as venturas que vivenciamos, talvez como forma de equilíbrio em meio às adversidades. A ampulheta tem justamente essa finalidade: mostrar a inexorabilidade do tempo que avança, consumindo os nossos dias e nos colocando cada vez mais próximos do evento da morte. E que nesse sentido, toda arrogância é desnecessária, toda vaidade é inútil, toda riqueza é supérflua, todo poder é efêmero. Marca o passar do tempo em que uma nova rotina se instala. Representa o alto e o baixo, o vazio e o pleno, o superior e o inferior. Ciclo de acontecimentos que começa devagar e se acelera até a precipitação final. Nesse sentido, ela representa a observação e consciência da fugacidade do tempo e pode simbolizar a valorização das coisas boas da vida mediante a certeza que finita. Existem três tempos ou tipos de mensuração do tempo: o atual das coisas idas, o atual das coisas hodiernas e o atual das coisas que virão a ser.

 

A Ampulheta é um dos emblemas dos monges Trapistas (Trapista é um "apelido" da "Ordem Cisterciense da Estrita Observância" - existem também os monges da Ordem Cisterciense da Comum Observância. Este apelido nasceu justamente do fato de que seu primeiro mosteiro foi a Abadia de La Trappe, conforme mencionado. Não tem nada a ver com "trapos" ou que os monges seriam "esfarrapados", confusão muito comum, um "mito" acerca dos trapistas). Os trapistas a tomaram por emblema, porque professavam o voto de solidão e mutismo, no intuito de se identificarem com os mínimos interstícios do tempo, consagrando-a, inteiramente, a aplicação do espírito na compreensão das coisas divinizadas. À medida que as crianças crescem e desenvolvem empatia, elas adquirem uma melhor noção de como navegar no mundo social.

 

Associada ao elemento terra, a morte pode não ser um fim em si, pode ser uma transformação, uma revelação do desconhecido, a introdução ou o início de um novo ciclo, por isso, simboliza também a regeneração e a renovação. Nesse sentido, vale lembrar que no esoterismo, a morte possui um caráter positivo, simbolizando a mudança profunda. Para rememorar ao que esteja disposto a "receber a verdadeira luz" e avaliar o valor da perseverança a Maçonaria trouxe, então, a ampulheta, para o seu ritualismo. Tradicionalmente, a ampulheta simboliza a passagem inexorável e a finitude do tempo. Em algumas culturas, a ampulheta é utilizada como um lembrete da mortalidade, uma reflexão sobre a brevidade da existência e a necessidade de aceitar esse ciclo natural de vida e morte. O escoamento da areia representa a transitoriedade da vida humana, a inevitabilidade da morte, mas também a importância de valorizar cada instante. Essa ideia encoraja o desapego e o foco no que realmente importa, como a construção de um legado significativo.

 

A Maçonaria ensina que nossos dias na terra são como a areia que escorrem pelo filtro de uma ampulheta. A quantidade de areia posta nos recipientes é a medida dos nossos dias de vida. Nem mais nem menos. Assim como os grãos de areia que nunca podem ser recuperados, a vida é finita e cada momento é único. Portanto, em vez de tristeza, a passagem do tempo pode inspirar uma apreciação mais profunda por cada instante vivido. É como disse Mestre Jesus é foi eternizado no Evangelho de Lucas: “todos os fios de cabelo da vossa cabeça estão contados. Não podeis fazê-los brancos ou pretos, por mais que penses” (Lucas 12:7).  A verdadeira moeda da vida é o tempo, não o dinheiro, e todos nós temos um estoque limitado disso. O tempo muda, o padrão da luz muda. Talvez você tenha mudado um pouco, sua perspectiva mudou. Os costumes sociais mudam o tempo todo. O poder traz muitos luxos a um homem, mas um par de mãos limpas raramente está entre eles. Para ser corajoso, por definição, é preciso primeiro ter medo. Você descobre o que pensa falando consigo mesmo. Ao reconhecermos a finitude do tempo, somos incentivados a dar mais valor ao presente ("o agora"), pois cada grão de areia, ou seja, cada momento, é precioso.

 

A arte da vida é lidar com os problemas à medida que surgem, em vez de destruir o próprio espírito por se preocupar com eles com muita antecedência. Acho que sempre que uma nação se sente no zênite, ela começa a sentir uma ansiedade crescente. Nossas vidas adquirem significado na medida em que nosso amor e nossas ações são iguais. A história é o que trazemos para ela, não apenas os eventos em si, mas, como interpretamos esses eventos. Liderança, nada mais é que a escolha cega de um caminho em detrimento de outro e a pretensão confiante de que a decisão foi baseada na razão de nossa sabedoria, bondade e vida. Muita caridade é movida pela piedade. Ninguém precisa de pena. Pode ser tentador simplesmente virar as costas, pensar o pior do mundo e refugiar-se no egoísmo e no medo. Mas, quando você ajuda apenas uma pessoa, ou permite que uma pessoa o ajude, pode ser difícil não vislumbrar o mundo melhor tão frustrantemente perto de nosso alcance. Quem fala demais não consegue falar bem. Discutir gostos é tempo perdido; não é belo o que é belo, mas, aquilo que agrada.

 

Num tempo de mudanças drásticas, são os que aprendem que irão possuir o futuro. Os cultos geralmente encontram-se equipados para viver num mundo que já não existe. Cada nova adaptação é uma crise na autoestima. Não deixe que a razão te abandone, nem deixe que o afeto te cegue, te transporte e te rebaixe. Quem vive esperando, morre penando. A aritmética mais difícil de dominar é aquela que nos capacita a contar nossas bênçãos. Você nunca consegue o suficiente daquilo que você não precisa para torná-lo feliz. A simplicidade não é a renúncia ao orgulho, mas, a substituição de um orgulho por outro. Todo homem é ao mesmo tempo três pessoas: como vê a si mesmo, como os outros o veem, e quem ele realmente é. Se prestássemos atenção ao que os outros podem dizer de nós, perderíamos depressa toda a possibilidade de fazer bem. Quem quiser aparecer no mundo deve fazer o que os outros fazem. Viva honestamente e desfrute da liberdade. Cada dia passa um dia. Seja humilde, seja paciente, seja bom, e então você será nobre, será rico, será respeitado.

 

A felicidade não é um estado perpétuo, mas uma série de instantes felizes (venturanças) que acumulamos ao longo do tempo. A ampulheta seria a ferramenta que nos ajuda a medir esses momentos preciosos, nos incentivando a viver o presente e a apreciar cada segundo usando a ampulheta nos habilita a contabilizar venturanças para que se desperte a consciência de que o tempo nos torna mais conscientes e gratos pelos momentos de felicidade, instigando uma reflexão sobre a brevidade da vida e a importância de viver plenamente, que envolve focar em atividades valiosas, cultivar a sabedoria, evitar o supérfluo e buscar uma vida em harmonia com a razão e a tranquilidade, ou seja: viver com propósito e intenção, valorizando o presente e agindo de forma significativa. É reconhecer que o presente é o único momento real e focar nele com atenção plena. Isso envolve praticar mindfulness para reduzir a ansiedade, agir conscientemente, conectar-se com as experiências e alinhar suas ações com seus valores para construir uma vida mais autêntica e gratificante. 


3 comentários:

  1. GUARACIMEIRE MATOS DE FRANÇA19 de outubro de 2025 às 09:25

    Muito boa sua reflexão. A analogia do tempo com a ⌛️ e o vários aspectos do desenvolvimento humano. Parabéns

    ResponderExcluir
  2. Grandíssimo e estimado Irmão! Sou um fã admirador de sua Sabedoria. Fraterno abraço.🫱🏻‍🫲🏼🫱🏻‍🫲🏼🫱🏻‍🫲🏼😊😊😊

    ResponderExcluir

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...