sábado, 18 de outubro de 2025

CARIDADE – PLENIFICAÇÃO FÍSICA E MENTAL

A caridade é a virtude de amar ao próximo como amamos a nós mesmos. É a atitude de agir com quem precisa, sem interesse e sem esperar nada em troca. O termo “caridade” pode ser usado como sinônimo de filantropia, cuja etimologia remete para o “amor à humanidade”. Pelo amor que sente pelo gênero humano, o filantropo ajuda os outros sem pedir nada em troca e sem ter interesse na resposta do outro. A caridade (ou filantropia) pode desenvolver-se de forma individual, através de um grupo informal ou de uma organização. Marcel Mauss, pai da etnologia francesa (10 de maio de 1872, Épinal, França – 11 de fevereiro de 1950, Paris, França), convenceu-se da ideia de que o ciclo das dádivas leva à obrigação de retribuir, tendo conhecido as principais peças da Teoria da Reciprocidade: a dádiva, a obrigação de retribuir, o prestígio e a presença do terceiro. Os espíritas a consideram um dever natural do homem em relação ao ordenamento do universo e não algo que dependa de um ensino moral.

No Islã, "os crentes que praticarem o bem, observarem a oração e pagarem o zakat, terão a sua recompensa no Senhor e não serão presas do temor, nem se atribularão" (Alcorão 2:277). "Que observam a oração, pagam o zakat e estão persuadidos da outra vida" (Alcorão 31:4). O termo zakat é definido da seguinte forma: "Uma proporção fixa da riqueza e de toda propriedade de um muçulmano sujeita à zakat a ser paga anualmente para o benefício do pobre na comunidade muçulmana. O pagamento do zakat é obrigatório, já que é um dos cinco pilares do Islã. O zakat é o principal meio econômico para estabelecer justiça social e levar a sociedade muçulmana à prosperidade e segurança." (Interpretações dos significados do Alcorão Sagrado pelo Dr Muhammad Taqi-ud-Din Al Hilali & Dr Muhammad Mushin Khan). Diz-se que quem pratica caridade possui uma elevação moral e que essa pessoa é caracterizada como um ser humano bondoso. A caridade, nesse sentido de ajudar as pessoas, também é conhecida como “ajuda humanitária”.

Caridade deriva do latim caritas, que representa uma espécie de amor incondicional, e, por sua vez, vem do grego cháris, significa “graça” – e tem a mesma origem de “caro”, que é aquilo que tem grande valor e importância. Tendência natural para auxiliar alguém que esteja numa situação desfavorável; benevolência, piedade. Ratifica a Wikipédia: "Caridade (lat caritate: Amor de Deus e do próximo. Benevolência, bom coração, compaixão. Beneficência, esmola.) A caridade pode ser entendida como um sentimento ou uma ação altruísta de ajuda a alguém sem busca de qualquer recompensa. A prática da caridade é notável indicador de elevação moral e uma das práticas que mais caracterizam a essência boa do ser humano, sendo, em alguns casos, chamada de ajuda humanitária. Termos afins: amor ao próximo; bondade; indulgência; perdão; compaixão." Para os Budistas, a generosidade é o que mais se aproxima da caridade, sendo o primeiro e mais básico paramita, ou seja, uma das maneiras de atravessar de samsara para a iluminação. Segundo a filosofia budista, há três tipos de generosidade: material, de conhecimento e a de tirar os seres de um estado de medo.

Em filosofia e retórica, o princípio de caridade é uma abordagem da compreensão das falas de alguém pela atribuição às mesmas da melhor interpretação possível. Em sentido estrito, o objetivo desse princípio metodológico é a prevenção da introdução de falácias ou irracionalidades no discurso de alguém. Segundo o filósofo Simon Blackburn, o princípio "constrange o intérprete a maximizar a verdade ou racionalidade nos ditos do sujeito". "O Princípio da Beneficência é que estabelece esta obrigação moral de agir em benefício dos outros”, lê-se em Principles of Bioemdical Ethics. 4ed. New York: Oxford, 1994:260. Segundo José Roberto Goldim, Biólogo, doutor em Medicina e Consultor em Bioética. Chefe do Serviço de Bioética do HCPA. Professor Titular da Escola de Medicina da PUCRS, o Princípio da Beneficência independe de desejar ou não fazer o bem, posto ser imperativo a realização do bem. E adverte: "É importante distinguir estes três conceitos. Beneficência é fazer o bem, Benevolência é desejar o bem e Benemerência é merecer o bem".

A principal forma de caridade é querer bem as pessoas. Existem muitas maneiras de amar, todavia a caridade se revela como expressão do amor “ágape”, que é o amor-doação, aquele que sai de si em benefício do outro sem esperar recompensa ou reconhecimento. A caridade se materializa em ações de auxílio e doação ao próximo, sejam elas materiais ou imateriais, revelando o amor e o cuidado para com o outro, sem julgamentos ou segundas intenções, admoesta Dom Eurico dos Santos Veloso, Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG). Lembremos, pois, da Regra de Ouro estabelecida por São Luis Alberto Hurtado Cruchaga (22 de janeiro de 1901, Viña del Mar, Chile – 18 de agosto de 1952, Santiago, Chile) “É bom não fazer o mal; mas é mal não fazer o bem”. O verdadeiro amor deve levar a praticar o bem (…), a sujar as mãos nas obras de amor.

Paulo de Tarso enleva a caridade ao declarar: "de todas as virtudes, 'o maior destas é o amor' (ou caridade). O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e 'o oposto de usar'." E o Mestre Jesus, então, certifica: "AMA a teu próximo como a ti mesmo". E, sendo E'le o Amor pleno, complementa: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Assim sendo, se amamos a nós mesmos buscamos a graça sublime da felicidade em ser exemplos guiados pelos sãos princípios da moral e da razão. Amando a nós mesmos achamos na serenidade a pujança necessária à plena realização de nossos atos nos caminhos da Retidão. É este amor que nos faz erguer da justiça a clava forte e proclamar a verdade que quebra os grilhões da ignorância e tira o homem do obscurantismo.

Neste interim, o Relatório Belmont conhecido em The Belmont Report: Ethical Guidelines for the Protection of Human Subjects. Washington: DHEW Publications (OS) 78-0012, 1978, estabelece duas regras gerais podem ser formuladas como expressões complementares de uma ação benéfica:

a) não causar o mal; e

b) maximizar os benefícios possíveis e minimizar os danos possíveis.

Neste contexto, Ruy Bandeira, Grande Correio-Mor da Grande Loja de Portugal, destaca que: “A solidariedade maçônica pode traduzir-se em atos (visitas, execução de tarefas em substituição ou auxílio, busca, localização e obtenção de meios adequados para acorrer à necessidade existente), em palavras de conforto, conselho ou incentivo (quantas vezes uma palavra amiga no momento certo ilumina o que parece escuro, orienta o que está perdido, restabelece confiança no inseguro), no simples ato de estar presente ou disponível para o que for necessário (a segurança que se sente sabendo-se que se não precisa, mas, se se precisar, tem-se um apoio disponível...) ou na obtenção e disponibilização de fundos ou meios materiais (se uma situação necessita ou impõe dispêndio de verbas, não são as palavras ou a companhia que ajudam a resolvê-la: é aquilo com que se compram os melões...). A escolha, a combinação, o acionamento das formas de solidariedade aconselháveis em cada caso cabe ao Hospitaleiro. Porque a ajuda organizada normalmente dá os melhores resultados do que os atos generosos, mas anárquicos e descoordenados...”. Neste toar, adverte Luiz Gonzaga do Nascimento, integrante (ora no Oriente Eterno) da ARLS Paranapuan” Nº 1477, Ilha do Governador, Rio de Janeiro – RJ: “Uma esmola, para o homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.”

Acrescenta Raimundo Augusto Corado, integrante da ARLS Irmão Paulo Roberto Machado nº 3182, Barreiras-BA: “Os óbulos colhidos pela maçonaria destinam-se a formar um fundo de beneficência para atender a casos urgentes de algum Irmão necessitado. Solidariedade sem a sombra da cumplicidade, pautada em ações lícitas e justas. Não aquela falsa solidariedade que somos acostumados a ver e sentir no meio social, atingindo por vezes o âmbito maçônico, especadas nas ações, atos e pedidos ilícitos ou imorais, encobrindo sempre o autor, ainda que um irmão".

No gozo de sua Mestria, Carlos Cezar Gonçalves da Rocha, integrante da ARLS Domingos Martins nº 1439, Vitória – ES, esclarece que: “a responsabilidade fraternal está ligada ao grau de idoneidade, empatia e AMOR que tem aquele ser humano considerado limpo e puro, que reconhece o outro como Maçom e que seu coração transborda de vontade de ser útil, agradável e carinhoso, com aquele, que ele acredita que trilha seu caminho por obra e graça do Grande Arquiteto do Universo.” O Amor, portanto, é o estigma do Maçom, impresso em seu coração bem formado pela luz que vem do alto, fazendo-o um ser distinto dentre os demais entes humanos. Sendo-lhe o vigor que mantém acesa a chama da fraternidade, iluminando a igualdade e conduzindo a liberdade dentro dos limites traçados pelo compasso e devidamente aferidos e ratificados pelo esquadro. É este Amor que desperta a Consciência do Maçom, cumprindo o mister primevo da Maçonaria.

Muitos são os meios de praticar a caridade, mas, tudo se resume no contido no sétimo item:

1ª) Praticar o Princípio da Suficiência, ensinado por João Batista e disseminado com galhardia pelo Mestre Jesus: devemos doar o que não usamos aos necessitados;

2ª) Praticar o desapego imaterial: precisamos nos esquecer dos nossos próprios problemas, nos retirando do centro do nosso universo particular, para visualizarmos e nos sensibilizarmos com as necessidades e dificuldades alheias, doando nosso tempo e esforço para ajudá-los;

3ª) Singeleza faz prodígios no bem que faz: a caridade não se revela somente nos grandes atos, mas também nos pequenos gestos. Ajude quem estiver ao seu redor e a caridade ali estará presente;

4ª) Solicitude torna humana a humanidade: no dia a dia, preste atenção às pessoas que te cercam e auxilie quem estiver necessitando, por mais simples que seja essa ajuda;

5ª) Abnegação começa com os ouvidos: doe seu tempo e sua atenção, pois muitos podem precisar apenas de alguém para lhes escutar;

6ª) Seja Amoroso se tornando amorável: um gesto de amor ao próximo é a expressão mais pura da caridade;

7ª) Zelo é fé imbatível: todos somos irmãos e devemos nos cuidar como tal.

Para a psicóloga cognitiva Rejane Sbrissa, “a caridade é uma virtude humana. É uma manifestação de amor à humanidade. Dar de nós mesmos, disponibilizar nosso tempo, sorriso, abraços e comprometimento com a vida da humanidade, ajuda muito mais. Quando fazemos isso, nos tornamos exemplo de como ser melhores seres humanos, do quanto nos importamos verdadeiramente com o outro. É sobre cultivar o bem e a empatia. Demonstramos e vemos a felicidade do outro através de nós. Os atos de generosidade nos fazem sentir gratidão na alma, nos faz plenos. Por isso faz tão bem a nossa saúde física e mental. Além disso, quem recebe a caridade também é impactado positivamente. É uma forma de mudarmos o mundo através de nós mesmos. A caridade é uma virtude que molda quem somos e contagia quem recebe”. Cumpre cá ressaltar que a caridade fraternal expressa um forte sentimento de carinho de uma pessoa por outra, ao ponto dessa pessoa se dedicar e ter um elevado interesse pela outra. São sentimentos sempre positivos e construtivos, uma característica desse tipo de caridade é que a pessoa pode até mesmo chegar a fazer sacrifícios por outra pessoa, sacrifício que não faria por nenhuma outra pessoa que não ele mesmo.


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