Perfeição
pessoal, moral e espiritual são os caminhos para a formação do homem integral,
ou seja, um indivíduo completo e equilibrado em todas as suas
dimensões. Esse processo envolve o desenvolvimento de faculdades de
pensamento, sentimento e vontade, buscando uma compreensão mais profunda de si
mesmo e da realidade através da busca pelo equilíbrio. O homem integral
busca o equilíbrio, integrando corpo, mente e espírito.
Essa busca pode se manifestar como um perfeccionismo que, em seu lado nocivo, leva a problemas como ansiedade e frustração, pois a autoavaliação do indivíduo é diretamente ligada a quão bem ele atende a esses padrões. Por outro lado, a perfeição pessoal se relaciona a uma visão mais adaptativa, focada na determinação, ou a uma compreensão de que o "perfeito" é subjetivo e varia para cada pessoa.
Por perfeição moral discernimos o ideal de um estado de caráter elevado, caracterizado por virtudes como bondade, caridade, benevolência, indulgência e a prática do bem em todas as ações. O conceito envolve o autoconhecimento, a identificação de defeitos e a busca contínua pelo progresso, com o objetivo de agir sempre visando o bem de todos e se aproximando de um padrão ideal.
A perfeição espiritual, por sua vez, é um ideal vivo e relevante para cada ser humano, pois, cada indivíduo por estágios de desenvolvimento espiritual e está envolvido nas mesmas faculdades e poderes divinos. Envolve a evolução da consciência através de experiências e do esforço para a renovação interior. Para a psicologia espírita, por exemplo, o modelo de Jesus é visto como o ideal de ser humano integral.
A perfeição pessoal, moral e espiritual é um processo de perene busca para se tornar uma pessoa melhor, através da prática de virtudes como a caridade, o amor e a justiça, buscando sempre se aperfeiçoar moralmente e se conectar com o sagrado. Não se trata de alcançar a perfeição absoluta, mas sim de uma evolução constante em que se reconhecem as imperfeições e se trabalha para superá-las, tanto no âmbito individual quanto social.
A chegada do "perfeito", evocado por Paulo de Tarso (Coríntios 13:10), representa a maturidade espiritual plena, onde essas manifestações já não serão mais necessárias, assim como um adulto não precisa mais das coisas de criança. Descrevendo essa jornada de autoconhecimento e aperfeiçoamento, a expressão "a trilha para a liberdade e a perfeição”, é uma metáfora para se livrar de padrões limitantes, como na distinção entre "trilho" e "trilha" feita por Manoel de Barros, segundo citações de Mário Sérgio Cortella.
O pensador Mário Sérgio Cortella explica a diferença entre "trilho" (limitante, predeterminado, como o de um trem) e "trilha" (que pode ser modificada e trilhada com liberdade), usando o poema "Liberdade caça jeito" de Manoel de Barros. A frase “a trilha para a liberdade e a perfeição” reflete, ainda, a busca por iluminação e autoaperfeiçoamento, anunciada num livro do Dalai Lama chamado "O Caminho para a Liberdade".
A trilha para a liberdade, ou iluminação (nirvana), envolve a libertação do sofrimento (dukkha). Isso é alcançado por meio do Nobre Caminho Óctuplo, que inclui a sabedoria, a conduta moral e a disciplina mental. A perfeição, nesse sentido, é a ausência de apego e a plena realização da natureza da mente. A perfeição é um ideal a ser buscado por meio do aprimoramento espiritual e da manifestação da individualidade.
Aristóteles conecta a perfeição ao conceito de télos (finalidade). A liberdade é a capacidade de agir de acordo com a própria essência, alcançando a eudaimonia (felicidade ou florescimento humano) por meio da prática das virtudes e do uso da razão. A perfeição, nesse caso, é a realização plena do potencial humano. A trilha é a da autodefinição e da autenticidade, onde a liberdade é a responsabilidade de autocriar-se, face a inércia e as definições externas.
A liberdade interior, segundo os estoicos, é alcançada pela libertação das paixões e desejos, aceitando o que não pode ser mudado e controlando as próprias reações. A perfeição está na tranquilidade da mente e na virtude, trilhando o caminho da autossuficiência moral, que envolve autoconhecimento, desenvolvimento de habilidades, autodisciplina e uma base robusta de princípios éticos e morais.
Filósofos como Jean-Paul Sartre afirmam que o ser humano está "condenado a ser livre", que significa que os seres humanos são livres para fazer suas próprias escolhas, mas essa liberdade vem acompanhada da responsabilidade total por elas, sem desculpas ou essências pré-determinadas. Ou seja, somos lançados no mundo e, por isso, somos responsáveis por criar nosso próprio sentido e nossa própria essência através das nossas ações.
Uma vida responsável é virtuosa e íntegra porque a responsabilidade exige ações éticas, confiáveis e consistentes, que são os pilares da virtude e da integridade. Essa atitude reflete-se em honestidade, confiabilidade em todas as interações e uma bússola moral que guia as escolhas. A integridade garante que a pessoa seja a mesma em todas as situações, enquanto a virtude se manifesta em boas ações diárias e no compromisso com o que é certo.
A autorresponsabilidade leva à ação alinhada com a virtude, e essa ação consistente e honesta é a manifestação da integridade. Juntas, elas formam o alicerce para uma vida ética e realizada, sob o lume de decisões sábias e éticas, especialmente ao lidar com finanças e em relacionamentos, como descrito por Salomão em Provérbios 31 e Provérbios 14:1. Uma vida com esses fundamentos permite uma convivência mais justa e harmoniosa.
Para uma convivência mais justa e harmoniosa, é fundamental respeitar as diferenças, praticar a empatia e a comunicação não violenta, além de promover a igualdade de oportunidades. Essas ações envolvem tanto o diálogo e a cooperação individual quanto a criação de ambientes democráticos e inclusivos fulcrados na maneira como agimos e os exemplos que damos servem como modelos que reforçam a importância e a prática da inclusão social.
Ao promoverem um ambiente de trabalho acessível e diverso, essas empresas dão um exemplo positivo para o mercado, mostrando que a inclusão gera valor e quebra preconceitos. Da mesma forma, quando um município investe em rampas, calçadas táteis e banheiros adaptados, ele demonstra, na prática, o compromisso com a inclusão de pessoas com mobilidade reduzida, exempla o compromisso de ser útil e, mais um pouco, a boa-vontade fazer-se diferença.
Ao adaptar o currículo e ao fornecer recursos para que alunos com deficiência aprendam junto com os demais, a escola ensina sobre diversidade e respeito a toda a comunidade escolar. Um líder que promove a escuta ativa de diferentes vozes e perspectivas na equipe, independentemente da origem, etnia ou gênero dos colaboradores, estabelece um exemplo forte de valorização da diversidade, além, de robustecer o senso de pertencimento.
Em todos estes casos, a ação concreta ("o exemplo"), não apenas beneficia diretamente os incluídos, mas também, cria um padrão de comportamento para os demais, fortalecendo a ideia de que a inclusão é um dever moral e social, cuja prática firma o hábito, que por sua fez estabelece a tradição (usos e costumes, landmarks, etc) inclusiva de indivíduos, empresas e governos, quando visível, demonstra que a inclusão é um valor fundamental e uma responsabilidade coletiva.
A conscientização e a mudança de atitudes e comportamentos individuais e coletivos são fundamentais para que a inclusão se torne uma realidade. Uma visão integral da vida faz com que o indivíduo entenda que sua participação nunca é pequena ou insignificante, motivando-o a agir ativamente na construção de um futuro mais justo. A construção de uma sociedade mais equilibrada e equitativa está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento do "homem integral"
O conceito de homem integral se refere ao indivíduo que busca a completude e o equilíbrio entre todas as suas dimensões: mente, corpo, emoções, espírito e sociedade. Diferente do foco em apenas uma área, como o sucesso material, o homem integral busca a harmonia entre seus pensamentos, sentimentos e ações. Sendo a sociedade um claro reflexo da somatória das ações e dos valores de seus indivíduos, ao homem integral cabe ser o lume da evolução humana.
A busca por uma vida social mais justa e harmoniosa depende da evolução individual de cada cidadão, que, ao se tornar mais consciente e ético, contribui para um coletivo mais solidário e responsável, sob a égide da perfeição pessoal, moral e espiritual, das quais emerge o homem integral, que age com base em valores como honestidade, respeito, integridade responsabilidade, humildade, virtude e honra, que são os pilares da harmonia social.

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