A
ampulheta nos habilita a contabilizar venturanças é uma metáfora que evoca
reflexões profundas sobre tempo e felicidade. A ampulheta, ao nos mostrar o
tempo escoando, nos lembra da finitude da vida e, por isso, nos ensina a
valorizar os momentos de felicidade ou "venturanças". A percepção de
que o tempo é limitado nos motiva a contabilizar, ou seja, a dar valor e a
reconhecer as bênçãos e a sorte que temos. Em uma interpretação mais mística, a
ampulheta representa a espera por um tempo de graça ou felicidade. Nesse caso,
"contabilizar venturanças" poderia ser um ato de contagem regressiva
ou de expectativa positiva pelo momento em que a felicidade chegará. Achamos ou
perdemos tempo, como um molho de chaves; nos economizamos e gastamos, como
dinheiro. O tempo rasteja, rasteja, voa, foge, flui e fica parado; é abundante
ou escasso; pesa sobre nós com um peso palpável. Nada que possamos fazer pode
prolongar a nossa existência além do tempo que foi nos concedido para a
realização da nossa missão na terra.
Isto
nos remete à deidade primordial Saturno, que é chamado de a Régua dos Tempos, e
por isso ao chumbo, que são todos emblemas da morte daquele que vai renascer
para a vida espiritual — transmutado o chumbo em ouro. Não se trata de
assustarmos-nos, mas, de prepararmos-nos para o despojo do velho homem, para
que nasça um novo e melhor aprimorado homem. Que saído desse “túmulo”, que
representa a putrefação alquímica, estará apto a começar um ciclo de
transmutações. O “relógio” é pouco mais que um par de genes que, eventualmente,
e por meio de vários intermediários, se desligam. O tempo no cérebro, como o
tempo fora dele, é uma atividade coletiva. Assim é com o tempo. E a ampulheta
nos lembra disto. A Ampulheta é um dos símbolos mais comuns do Tempo, embora
prenda, no seu interior, a promessa da Vida, visto ser reversível (pode ser
invertida e o tempo volta ao início). Por esse motivo, encontra-se muitas vezes
associada à ressurreição, principalmente por entre os Maçons e Rosacrucianos.
A
ampulheta, com seus dois compartimentos, pode simbolizar o balanço entre
momentos bons e maus. Ao observarmos o fluxo do tempo, somos capazes de
contabilizar as venturas que vivenciamos, talvez como forma de equilíbrio em
meio às adversidades. A ampulheta tem justamente essa finalidade: mostrar a
inexorabilidade do tempo que avança, consumindo os nossos dias e nos colocando
cada vez mais próximos do evento da morte. E que nesse sentido, toda arrogância
é desnecessária, toda vaidade é inútil, toda riqueza é supérflua, todo poder é
efêmero. Marca o passar do tempo em que uma nova rotina se instala. Representa
o alto e o baixo, o vazio e o pleno, o superior e o inferior. Ciclo de
acontecimentos que começa devagar e se acelera até a precipitação final. Nesse
sentido, ela representa a observação e consciência da fugacidade do tempo e
pode simbolizar a valorização das coisas boas da vida mediante a certeza que
finita. Existem três tempos ou tipos de mensuração do tempo: o atual das coisas
idas, o atual das coisas hodiernas e o atual das coisas que virão a ser.
A
Ampulheta é um dos emblemas dos monges Trapistas (Trapista é um
"apelido" da "Ordem Cisterciense da Estrita Observância" -
existem também os monges da Ordem Cisterciense da Comum Observância. Este
apelido nasceu justamente do fato de que seu primeiro mosteiro foi a Abadia de
La Trappe, conforme mencionado. Não tem nada a ver com "trapos" ou
que os monges seriam "esfarrapados", confusão muito comum, um
"mito" acerca dos trapistas). Os trapistas a tomaram por emblema,
porque professavam o voto de solidão e mutismo, no intuito de se identificarem
com os mínimos interstícios do tempo, consagrando-a, inteiramente, a aplicação
do espírito na compreensão das coisas divinizadas. À medida que as crianças
crescem e desenvolvem empatia, elas adquirem uma melhor noção de como navegar
no mundo social.
Associada
ao elemento terra, a morte pode não ser um fim em si, pode ser uma
transformação, uma revelação do desconhecido, a introdução ou o início de um
novo ciclo, por isso, simboliza também a regeneração e a renovação. Nesse
sentido, vale lembrar que no esoterismo, a morte possui um caráter positivo,
simbolizando a mudança profunda. Para rememorar ao que esteja disposto a
"receber a verdadeira luz" e avaliar o valor da perseverança a
Maçonaria trouxe, então, a ampulheta, para o seu ritualismo. Tradicionalmente,
a ampulheta simboliza a passagem inexorável e a finitude do tempo. Em algumas
culturas, a ampulheta é utilizada como um lembrete da mortalidade, uma reflexão
sobre a brevidade da existência e a necessidade de aceitar esse ciclo natural
de vida e morte. O escoamento da areia representa a transitoriedade da
vida humana, a inevitabilidade da morte, mas também a importância de valorizar
cada instante. Essa ideia encoraja o desapego e o foco no que realmente
importa, como a construção de um legado significativo.
A
Maçonaria ensina que nossos dias na terra são como a areia que escorrem pelo
filtro de uma ampulheta. A quantidade de areia posta nos recipientes é a medida
dos nossos dias de vida. Nem mais nem menos. Assim como os grãos de areia que
nunca podem ser recuperados, a vida é finita e cada momento é
único. Portanto, em vez de tristeza, a passagem do tempo pode inspirar uma
apreciação mais profunda por cada instante vivido. É como disse Mestre
Jesus é foi eternizado no Evangelho de Lucas: “todos os fios de cabelo da vossa
cabeça estão contados. Não podeis fazê-los brancos ou pretos, por mais que
penses” (Lucas 12:7). A verdadeira moeda
da vida é o tempo, não o dinheiro, e todos nós temos um estoque limitado disso.
O tempo muda, o padrão da luz muda. Talvez você tenha mudado um pouco, sua
perspectiva mudou. Os costumes sociais mudam o tempo todo. O poder traz muitos
luxos a um homem, mas um par de mãos limpas raramente está entre eles. Para ser
corajoso, por definição, é preciso primeiro ter medo. Você descobre o que pensa
falando consigo mesmo. Ao reconhecermos a finitude do tempo, somos incentivados
a dar mais valor ao presente ("o agora"), pois cada grão de areia, ou
seja, cada momento, é precioso.
A
arte da vida é lidar com os problemas à medida que surgem, em vez de destruir o
próprio espírito por se preocupar com eles com muita antecedência. Acho que
sempre que uma nação se sente no zênite, ela começa a sentir uma ansiedade
crescente. Nossas vidas adquirem significado na medida em que nosso amor e
nossas ações são iguais. A história é o que trazemos para ela, não apenas os
eventos em si, mas, como interpretamos esses eventos. Liderança, nada mais é
que a escolha cega de um caminho em detrimento de outro e a pretensão confiante
de que a decisão foi baseada na razão de nossa sabedoria, bondade e vida. Muita
caridade é movida pela piedade. Ninguém precisa de pena. Pode ser tentador
simplesmente virar as costas, pensar o pior do mundo e refugiar-se no egoísmo e
no medo. Mas, quando você ajuda apenas uma pessoa, ou permite que uma pessoa o
ajude, pode ser difícil não vislumbrar o mundo melhor tão frustrantemente perto
de nosso alcance. Quem fala demais não consegue falar bem. Discutir gostos é
tempo perdido; não é belo o que é belo, mas, aquilo que agrada.
Num
tempo de mudanças drásticas, são os que aprendem que irão possuir o futuro. Os
cultos geralmente encontram-se equipados para viver num mundo que já não
existe. Cada nova adaptação é uma crise na autoestima. Não deixe que a razão te
abandone, nem deixe que o afeto te cegue, te transporte e te rebaixe. Quem vive
esperando, morre penando. A aritmética mais difícil de dominar é aquela que nos
capacita a contar nossas bênçãos. Você nunca consegue o suficiente daquilo que
você não precisa para torná-lo feliz. A simplicidade não é a renúncia ao
orgulho, mas, a substituição de um orgulho por outro. Todo homem é ao mesmo
tempo três pessoas: como vê a si mesmo, como os outros o veem, e quem ele
realmente é. Se prestássemos atenção ao que os outros podem dizer de nós,
perderíamos depressa toda a possibilidade de fazer bem. Quem quiser aparecer no
mundo deve fazer o que os outros fazem. Viva honestamente e desfrute da
liberdade. Cada dia passa um dia. Seja humilde, seja paciente, seja bom, e
então você será nobre, será rico, será respeitado.
A
felicidade não é um estado perpétuo, mas uma série de instantes felizes
(venturanças) que acumulamos ao longo do tempo. A ampulheta seria a ferramenta
que nos ajuda a medir esses momentos preciosos, nos incentivando a viver o
presente e a apreciar cada segundo usando a ampulheta nos habilita a contabilizar
venturanças para que se desperte a consciência de que o tempo nos torna mais
conscientes e gratos pelos momentos de felicidade, instigando uma reflexão
sobre a brevidade da vida e a importância de viver plenamente, que envolve
focar em atividades valiosas, cultivar a sabedoria, evitar o supérfluo e buscar
uma vida em harmonia com a razão e a tranquilidade, ou seja: viver com
propósito e intenção, valorizando o presente e agindo de forma significativa. É
reconhecer que o presente é o único momento real e focar nele com atenção
plena. Isso envolve praticar mindfulness para reduzir a ansiedade, agir
conscientemente, conectar-se com as experiências e alinhar suas ações com seus
valores para construir uma vida mais autêntica e gratificante.
Muito boa sua reflexão. A analogia do tempo com a ⌛️ e o vários aspectos do desenvolvimento humano. Parabéns
ResponderExcluirGrandíssimo e estimado Irmão! Sou um fã admirador de sua Sabedoria. Fraterno abraço.🫱🏻🫲🏼🫱🏻🫲🏼🫱🏻🫲🏼😊😊😊
ResponderExcluirIr.'. Paulo Tadeu
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