sexta-feira, 22 de maio de 2026

ABRAÇAR É PRECISO PARA QUE SEJAMOS NÓS

 

Neste Dia do Abraço (22/05), compreendemos que abraçar é preciso, pois, expande consciências e firma pertencimento. Esse gesto simples que melhor cadencia os batimentos cardíacos, diminui o cortisol, portanto, minora o stress, radica nossa humanidade e estabelece um espaço seguro para que as pessoas se sintam aceitas e conectadas gerando bem-estar, com a elevação dos níveis de ocitocina e da endorfina. Muito mais que uma necessidade emocional, a abraçar atende a uma demanda biológica.

 

O termo amplexo deriva do latim amplexus e significa abraço ou ato de enlaçar. Na zoologia, reporta o acasalamento de sapos, rãs e pererecas, que são abraçadas pelo macho da espécie para que libere óvulos para fertilização externa na água. Enquanto, na literatura, descreve um abraço apertado ou envolvente, sendo comum em textos formais, poéticos ou místicos. É muito conhecido pela clássica expressão "ósculos e amplexos" (beijos e abraços).

 

Como gesto físico, o abraço não tem um "inventor" humano. Na história humana, demonstrar os braços abertos e vazios era um sinal universal de paz, pois, diminui a tensão física e mental. Para que esses benefícios químicos aconteçam de forma plena, cientistas apontam que o abraço precisa durar pelo menos 20 segundos. Esse tempo é o ideal para o cérebro iniciar a resposta de relaxamento do corpo, focando na criação de ambiências harmoniosas.

 

Eflorescendo do instinto dos mamíferos aceitando, alimentando e animando a prole, o abraço atua diretamente na estrutura psicológica e social das comunidades. Ajuda a dissipar sentimentos de raiva e hostilidade mútua, além de aliviar sintomas de depressão em momentos de crises sociais. Conforme pontuado pela Beneficência Portuguesa de Santos, o abraço é uma das maneiras mais eficientes de curar a solidão e a agressividade nas relações diárias.

 

Arqueólogos identificaram vestígios de abraços que remontam a milênios, evidenciando sua importância na coesão social e no cuidado mútuo. Na Gruta del Romito, Itália, foram encontrados fósseis humanos de 12 mil anos atrás, manifestando o zelo coletivo e a empatia como cruciais para a sobrevivência, conexão emocional e expressão de justiça desde a pré-história até os dias atuais. O abraço serve como uma ferramenta global de solidariedade.

 

O abraço é um gesto fundamental na história humana, servindo como linguagem universal. Segundo o portal de saúde da Hapvida NotreDame, o abraço valida vitórias e conforta perdas, estando presente em todas as esferas do cotidiano. No sul da Itália, por exemplo, um casal de jovens amantes sepultado há mais de 5 mil anos foi encontrado em um abraço, uma rara descoberta que sugere vínculos afetivos profundos documentados na morte.

 

Para o Câmara Cascudo o abraço surgiu como forma de cumprimentar oponentes antes de lutas, simbolizando paz, antes de ser substituído pelo aperto de mão e depois ressurgir em civilizações mais avançadas. Textos sagrados e tradições, como o Cristianismo e o Candomblé, utilizam o abraço para simbolizar o amor divino, a acolhida do filho pródigo e a união entre diferentes tradições (como o sincretismo entre a deusa Themis e o orixá Xangô).

 

Evoco o Ajeum que é o ato de comer juntos – uma prática cultural e espiritual dos povos de matriz africana que celebra a comunhão, a partilha e a tradição –, pois, reforça valores de união, respeito e conexão humana, além de serem o viril alicerce do ubuntu traduzido como: "Eu sou porque nós somos", que manifesta a interdependência e a empatia que tornam humanos os homens, a partir do abraço que celebra o afeto universal e a união em prol da humanidade.

 

Abraçar permitir que dois corações ritmem igualmente. O abraço é compreendido como um gesto universal de reconciliação, afeto e comunhão, com especial relevância nas culturas latinas e africanas, onde é realizado de forma mais efusiva.  Na literatura e na diplomacia, o "abraço" simboliza a reconciliação (como entre Esaú e Jacó na Bíblia) e a irmandade entre o Brasil e os países africanos, conforme destacado pelo escritor moçambicano Mia Couto.

 

O abraço maçônico, frequentemente denominado Tríplice Fraternal Abraço (TFA), é um claro exemplo de ritual de reconhecimento e saudação que simboliza a união, a fraternidade e o afeto entre os irmãos.  A prática consiste em cruzar os braços (um sobre o ombro e outro sob o braço do parceiro, formando um "X"), bater três pancadas brandas nas costas e inverter a posição dos braços duas vezes, totalizando três abraços alternados.

 

Este cumprimento tem origens simbólicas ligadas à lenda noaquita (os três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé) e à ideia da "tríplice argamassa" que liga as obras maçônicas.  É utilizado em diversas ocasiões, sendo o mais solene praticado durante a cerimônia de iniciação, oferecido pelo Venerável Mestre como ato de boa acolhida ao novel irmão aceito na família maçônica. O Abraço Fraternal é a essência desta milenar ordem iniciática.

 

A forma de executá-lo varia de rito para rito, ou conforme o rituais propostos por cada potência maçônica, com diferenças sutis na mão que inicia o abraço (esquerda ou direita). Em contextos públicos ou fora do templo, onde o abraço físico completo não é viável, os maçons utilizam sinais secretos, como toques específicos no aperto de mão ou gestos com a cabeça, para se reconhecerem discretamente, o que não os impede de abraçar seus irmãos.

 

Obras como "O Abraço" de Romero Britto celebram o afeto através de cores vibrantes, enquanto Gustav Klimt explora a intimidade e a geometria na série Friso Stoclet, e a fotógrafa Helena Almeida captura a fragilidade e a força do contato físico em sua série homônima. Na dança, estilos como o Samba de Gafieira tem no abraço o elemento mecânico que conduz movimentos, além de erguer ponte psicossocial para a reciprocidade e o respeito entre os dançarinos.

 

Indo além do contexto acadêmico e artístico, a arte é reconhecida como um abraço de resiliência e cura em situações de crise.  Em momentos de tragédia, como as enchentes no Rio Grande do Sul, projetos como o Cine Vida e a rede Artistas em Rede Solidária levam atividades culturais aos abrigos, onde a arte atua como um "abraço", oferecendo respiro, alegria, ressignificação e esperança para a população desalojada.

 

Culturalmente, o abraço evoluiu de um gesto de paz primitivo para um símbolo universal de afeto.  Embora algumas culturas prefiram gestos sem toque, como a mesura japonesa, o abraço é central na expressividade brasileira. A campanha "Free Hugs" (Abraços Grátis), iniciada em Sydney em 2004 por Juan Mann, popularizou globalmente o gesto como ato de solidariedade, culminando na criação do Dia do Abraço no Brasil, celebrado anualmente.

 

A relevância de celebrar o Dia do Abraço, comemorado anualmente em 22 de maio, reside na promoção da interatividade humana e na melhoria da saúde emocional e física. O gesto transcende barreiras culturais e linguísticas, servindo como uma linguagem universal de afeto, solidariedade e apoio mútuo. É uma oportunidade para fortalecer laços afetivos, demonstrar empatia e oferecer conforto em momentos de dificuldade, lembrando que o abraço pode acolher e transformar o dia de quem o recebe. 

 

Maranguape, 22 de Maio de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista – ACI nº 1789
Jornalista – CRP/MTE nº 0005168/CE


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