Neste
Dia do Abraço (22/05), compreendemos que abraçar é preciso, pois, expande consciências
e firma pertencimento. Esse gesto simples que melhor cadencia os batimentos
cardíacos, diminui o cortisol, portanto, minora o stress, radica nossa
humanidade e estabelece um espaço seguro para que as pessoas se sintam aceitas
e conectadas gerando bem-estar, com a elevação dos níveis de ocitocina e da
endorfina. Muito mais que uma necessidade emocional, a abraçar atende a uma
demanda biológica.
O
termo amplexo deriva do latim amplexus e significa abraço ou ato de enlaçar. Na
zoologia, reporta o acasalamento de sapos, rãs e pererecas, que são abraçadas
pelo macho da espécie para que libere óvulos para fertilização externa na água.
Enquanto, na literatura, descreve um abraço apertado ou envolvente, sendo comum
em textos formais, poéticos ou místicos. É muito conhecido pela clássica
expressão "ósculos e amplexos" (beijos e abraços).
Como
gesto físico, o abraço não tem um "inventor" humano. Na história
humana, demonstrar os braços abertos e vazios era um sinal universal de paz,
pois, diminui a tensão física e mental. Para que esses benefícios químicos
aconteçam de forma plena, cientistas apontam que o abraço precisa durar pelo
menos 20 segundos. Esse tempo é o ideal para o cérebro iniciar a resposta de
relaxamento do corpo, focando na criação de ambiências harmoniosas.
Eflorescendo
do instinto dos mamíferos aceitando, alimentando e animando a prole, o abraço atua
diretamente na estrutura psicológica e social das comunidades. Ajuda a dissipar
sentimentos de raiva e hostilidade mútua, além de aliviar sintomas de depressão
em momentos de crises sociais. Conforme pontuado pela Beneficência Portuguesa
de Santos, o abraço é uma das maneiras mais eficientes de curar a solidão e a
agressividade nas relações diárias.
Arqueólogos
identificaram vestígios de abraços que remontam a milênios, evidenciando sua
importância na coesão social e no cuidado mútuo. Na Gruta del Romito, Itália,
foram encontrados fósseis humanos de 12 mil anos atrás, manifestando o zelo
coletivo e a empatia como cruciais para a sobrevivência, conexão emocional e
expressão de justiça desde a pré-história até os dias atuais. O abraço serve
como uma ferramenta global de solidariedade.
O
abraço é um gesto fundamental na história humana, servindo como linguagem
universal. Segundo o portal de saúde da Hapvida NotreDame, o abraço valida
vitórias e conforta perdas, estando presente em todas as esferas do cotidiano. No
sul da Itália, por exemplo, um casal de jovens amantes sepultado há mais de 5
mil anos foi encontrado em um abraço, uma rara descoberta que sugere vínculos
afetivos profundos documentados na morte.
Para
o Câmara Cascudo o abraço surgiu como forma de cumprimentar oponentes antes de
lutas, simbolizando paz, antes de ser substituído pelo aperto de mão e depois
ressurgir em civilizações mais avançadas. Textos sagrados e tradições, como o
Cristianismo e o Candomblé, utilizam o abraço para simbolizar o amor divino, a
acolhida do filho pródigo e a união entre diferentes tradições (como o
sincretismo entre a deusa Themis e o orixá Xangô).
Evoco
o Ajeum que é o ato de comer juntos – uma prática cultural e espiritual dos
povos de matriz africana que celebra a comunhão, a partilha e a tradição –,
pois, reforça valores de união, respeito e conexão humana, além de serem o viril
alicerce do ubuntu traduzido como: "Eu sou porque nós somos", que manifesta
a interdependência e a empatia que tornam humanos os homens, a partir do abraço
que celebra o afeto universal e a união em prol da humanidade.
Abraçar
permitir que dois corações ritmem igualmente. O abraço é compreendido como um
gesto universal de reconciliação, afeto e comunhão, com especial relevância nas
culturas latinas e africanas, onde é realizado de forma mais efusiva. Na literatura e na diplomacia, o
"abraço" simboliza a reconciliação (como entre Esaú e Jacó na Bíblia)
e a irmandade entre o Brasil e os países africanos, conforme destacado pelo
escritor moçambicano Mia Couto.
O
abraço maçônico, frequentemente denominado Tríplice Fraternal Abraço (TFA), é
um claro exemplo de ritual de reconhecimento e saudação que simboliza a união,
a fraternidade e o afeto entre os irmãos.
A prática consiste em cruzar os braços (um sobre o ombro e outro sob o
braço do parceiro, formando um "X"), bater três pancadas brandas nas
costas e inverter a posição dos braços duas vezes, totalizando três abraços
alternados.
Este
cumprimento tem origens simbólicas ligadas à lenda noaquita (os três filhos de
Noé: Sem, Cam e Jafé) e à ideia da "tríplice argamassa" que liga as
obras maçônicas. É utilizado em diversas
ocasiões, sendo o mais solene praticado durante a cerimônia de iniciação,
oferecido pelo Venerável Mestre como ato de boa acolhida ao novel irmão aceito
na família maçônica. O Abraço Fraternal é a essência desta milenar ordem
iniciática.
A
forma de executá-lo varia de rito para rito, ou conforme o rituais propostos
por cada potência maçônica, com diferenças sutis na mão que inicia o abraço
(esquerda ou direita). Em contextos públicos ou fora do templo, onde o abraço
físico completo não é viável, os maçons utilizam sinais secretos, como toques
específicos no aperto de mão ou gestos com a cabeça, para se reconhecerem
discretamente, o que não os impede de abraçar seus irmãos.
Obras
como "O Abraço" de Romero Britto celebram o afeto através de cores
vibrantes, enquanto Gustav Klimt explora a intimidade e a geometria na série
Friso Stoclet, e a fotógrafa Helena Almeida captura a fragilidade e a força do
contato físico em sua série homônima. Na dança, estilos como o Samba de
Gafieira tem no abraço o elemento mecânico que conduz movimentos, além de
erguer ponte psicossocial para a reciprocidade e o respeito entre os dançarinos.
Indo
além do contexto acadêmico e artístico, a arte é reconhecida como um abraço de
resiliência e cura em situações de crise.
Em momentos de tragédia, como as enchentes no Rio Grande do Sul,
projetos como o Cine Vida e a rede Artistas em Rede Solidária levam atividades
culturais aos abrigos, onde a arte atua como um "abraço", oferecendo
respiro, alegria, ressignificação e esperança para a população desalojada.
Culturalmente,
o abraço evoluiu de um gesto de paz primitivo para um símbolo universal de
afeto. Embora algumas culturas prefiram gestos sem toque, como a
mesura japonesa, o abraço é central na expressividade brasileira. A
campanha "Free Hugs" (Abraços Grátis), iniciada em Sydney em
2004 por Juan Mann, popularizou globalmente o gesto como ato de solidariedade,
culminando na criação do Dia do Abraço no Brasil, celebrado
anualmente.
A
relevância de celebrar o Dia do Abraço, comemorado anualmente em 22 de maio,
reside na promoção da interatividade humana e na melhoria da saúde emocional e
física. O gesto transcende barreiras culturais e linguísticas, servindo como
uma linguagem universal de afeto, solidariedade e apoio mútuo. É uma
oportunidade para fortalecer laços afetivos, demonstrar empatia e oferecer
conforto em momentos de dificuldade, lembrando que o abraço pode acolher e
transformar o dia de quem o recebe.
Maranguape,
22 de Maio de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo
Jornalista
– ACI nº 1789
Jornalista
– CRP/MTE nº 0005168/CE

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