quinta-feira, 19 de março de 2026

A LANTERNA DE DIÓGENES ACLARA O MELHOR FUTURO

 

São João da Parnaíba, é uma cidade dinâmica, com vida urbana sofisticadamente vanguardista desde sua ciese. Era um importante entreposto fluvial, conectando o interior do Piauí ao litoral. O contato com o exterior, por meio do comércio e da navegação, trouxe-lhe sempre ideias progressistas e influências culturais. A cidade orgulha-se de ter sido a primeira do Piauí a proclamar a independência do Brasil e de ser pioneira no movimento republicano.

 

A Companhia de Navegação a Vapor do Rio Parnaíba (CNVP), fundada em 1858, ainda operava com viagens regulares entre Teresina, Parnaíba e Tutóia, facilitando o escoamento da produção regional. O comércio era movimentado, especialmente no Porto das Barcas, onde eram estocadas e embarcadas grandes quantidades de cera de carnaúba e óleo de babaçu, destinadas a mercados europeus como Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha.

 

O transporte era um dos pilares da economia local. Além da navegação fluvial, a Estrada de Ferro Central do Piauí (EFCP) ligava Parnaíba a Luís Correia desde 1922. Em 1955, o trem ainda era parte do cotidiano: transportava cargas, turistas e moradores, especialmente aos domingos, para festas religiosas ou passeios à praia. Parnaíba, neste período, vivia um momento de intensa atividade econômica baseada na exportação de produtos naturais.

 

O centro histórico, com seu acervo arquitetônico colonial português, abrigava bares, lojas de artesanato, igrejas e praças arborizadas.  A brisa marítima amenizava o clima tropical, e a população frequentava eventos culturais e religiosos, como a festa de Bom Jesus dos Navegantes. O vídeo do Cinejornal Informativo de 1956 notabiliza essa vitalidade, registrando cenas de construção do porto, movimento no comércio e o funcionamento da maria fumaça.

 

Parnaíba como centro comercial importante para o norte do estado, com forte atuação no varejo, serviços e crescimento no setor turístico, atuando como base para a Rota das Emoções, figurava dentre as mais desenvolvidas do estado. A cidade mistura, assim, um ritmo de vida tranquilo com a efervescência de um polo econômico que honra suas raízes coloniais. A população mantém vivas tradições folclóricas, com destaque para o Boi Flor do Lírio.

 

Nesta ambiência de proeminência cultural e fervoroso crescimento econômico, nasce aos 03 de Maio de 1955, Diógenes José Tavares Linhares, filho do Visionário Senhor Juvêncio Bezerra Linhares e da Maviosa Senhora Maria da Graça Tavares da Silva Linhares, sob os auspícios de São João e sob as graças de São José para desbravar caminhos e oportunizar desenvolvimento humano e evolução material com a inventividade e habilidade de sua arguta mestria.

 

Diógenes recebeu suas primeiras letras no Educandário Professora Neném Barros, atualmente registrado como Escola Municipal de Educação Infantil Professora Neném Barros, mantendo seu compromisso com a educação de qualidade para crianças em fase inicial de desenvolvimento. Embora administrado pelo município, foca no desenvolvimento integral da criança, promovendo aprendizado lúdico, socialização e estimulação cognitiva e motora. 

 

Parnaíba é uma cidade orgulhosa de seu passado manifesto na beleza arquitetônica histórica, na labuta cotidiana da população trabalhadora e na vida vibrante ao redor do rio Igaraçu. O Igaraçu é essencial para sua identidade, como também o é para o turismo com destaque para a famosa Praia da Pedra do Sal. A cidade se consolida com instituições de ensino superior, polos de inovação e investimentos imobiliários, atraindo novos moradores e turistas.

 

No ano (1958) em que o Ginásio São Luiz Gonzaga, atingia um total de 154 alunos, fruto da expansão que ampliara sua oferta educacional, inclusive com a inauguração do Curso Ginasial, lá estava Diógenes corroborando com o progresso como faria muitas outras vezes em seu viver. Inicialmente, alocados no local da atual Educação Infantil, em o antigo casarão da Avenida Barão do Rio Branco dava lugar à construção do novo prédio em outubro de 1959.

 

O Ginásio São Luiz Gonzaga, sempre à frente do seu tempo, estava em pleno processo de modernização, com a ampliação de sua infraestrutura e a crescente demanda por ensino de qualidade, refletindo o compromisso da comunidade local, especialmente a classe empresarial, com a formação da juventude piauiense, como já fazia desde sua fundação em 1939, cumprindo os ideais católicos de formar cidadãos compromissados com o futuro e o bem coletivo.

 

Na Terra da Luz – Ceará – em 1970, Diógenes é admitido no Colégio Redentorista, e nele iniciava o segundo grau (ensino médio, atualmente). A instituição estava em funcionamento ativo, oferecendo educação de qualidade com foco no ensino fundamental e médio, alinhado aos valores religiosos e sociais da ordem religiosa. Hoje, o prédio permanece como um marco histórico da educação em Fortaleza, com reconhecimento em artigos e publicações.

 

Os principais valores educacionais ensinados no Colégio Redentorista em Fortaleza estavam alinhados à filosofia pedagógica dos Missionários Redentoristas, que enfatizava o compromisso social e justiça, incentivando a solidariedade, a atenção aos mais necessitados, e o foco, não apenas, no conhecimento acadêmico, mas, no desenvolvimento humano pleno, com ênfase na ética e na cidadania, em sintonia com a missão evangelizadora da ordem.

 

Nestes dias, Fortaleza vivia um período de intensa atividade cultural, política e social, marcado por resistência e criatividade. Mesmo vigência do AI-5, os jovens sonhavam e festejavam, criando um forte movimento boêmio, especialmente no Bar do Anísio, local que se tornou um ponto de encontro para estudantes, artistas, jornalistas e boêmios. Lá, a inventividade eflorescia entre os jovens criativos, refletindo a transformação urbana e cultural da cidade.

 

Com este animus agendi, sempre buscando o melhor pra si, desde que, também, promovesse o progresso coletivo, Diógenes ingressa na Escola Técnica Federal em 1971 – na Oficina de Desenho de Arquitetura –, nela concluindo o Curso Técnico em Edificações em 1974. Este ano marcou um momento de reestruturação institucional e de valorização do ensino técnico como essencial para a industrialização do Brasil, em consonância com as diretrizes do governo federal.

 

Arquiteto do venturoso futuro, em 1976, Diógenes foi contratado como desenhista técnico da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), que fora criada pelo Presidente Juscelino Kubitschek, a partir da Lei nº 3.115 de 16 de março de 1957, com o objetivo de sanear, integrar e modernizar o sistema ferroviário nacional, em seu auge, operava cerca de 22 mil quilômetros de linhas, atendendo 19 estados em quatro regiões, unificando a gestão ferroviária da União.

 

A RFFSA desempenhou um papel estratégico na integração territorial e econômica do país, conectando regiões produtoras de commodities – como minérios, grãos, etc. – aos portos de exportação, impulsionando o crescimento industrial e urbano. Sua presença se notabiliza na configuração da malha ferroviária atual e na estruturação de redes logísticas que ainda hoje são essenciais para a economia brasileira, provam sua relevância para o Brasil.

 

Durante a segunda metade do século XX, a RFFSA foi crucial escoadora da produção agrícola e mineral, transportando, na década de 1980, uma média de 100 milhões de toneladas de cargas por ano. Ela modernizou o transporte com o uso de locomotivas diesel-elétricas e elétricas, otimizando custos logísticos em comparação ao transporte rodoviário. Importante patrimônio histórico brasileiro, muitas estações sendo restauradas para uso cultural e turístico.

 

Apostando no futuro da nação, a RFFSA funcionava como o "primeiro emprego" (apontado por 35% em pesquisas de memória do trabalho) para jovens, oferecendo estabilidade, treinamento técnico e carreiras de longo prazo para muitos ferroviários. Em seu auge, manteve uma força de trabalho significativa (mais de 44.601 empregados em 1995), sendo um robusto pilar de integração logística e distribuição de renda até o início de seu processo de desestatização em 1996.

 

Composta por engenheiros e gestores até maquinistas, artífices e pessoal de manutenção de via permanente, A RFFSA criou uma classe trabalhadora com forte identidade corporativa e sindicatos organizados. Maquinistas da ativa, por exemplo, recebiam até 17 salários-mínimos, garantindo um poder de consumo elevado para os padrões regionais da época. A RFFSA não visava apenas o lucro, pois, cumpria uma função social estratégica determinada pelo Governo Federal.

 

Voltada para inclusão social, a empresa executava o transporte de passageiros em trechos deficitários, funcionando como um mecanismo de subsídio indireto que permitia a mobilidade de populações de baixa renda entre centros urbanos. Valorizando o capital humano que a representava, a Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social desde 1979 oferecia planos de previdência complementar para milhares de famílias de ferroviários aposentados.

 

Demandando uma vasta rede de fornecedores de peças, combustível e materiais de construção civil para a manutenção e expansão dos trilhos, gerando empregos em serviços, comércio local e manutenção urbana, a RFFSA, historicamente, atuou como um motor para a geração indireta de emprego. Ela, também, sustentava economias locais em cidades pequenas que dependiam de suas estações ferroviárias para movimentação de carga e passageiros.

 

O legado desta gigante nacional é um marco de planejamento estratégico, cujo potencial inspira debates sobre a necessidade de modernização, expansão e fortalecimento da malha ferroviária brasileira para aumentar a competitividade nacional, reduzir custos logísticos e promover desenvolvimento sustentável. O Marco Legal das Ferrovias (2021), por exemplo, cogita retomar o desenvolvimento ancora na infraestrutura herdada da era RFFSA.

 

A extinta RFFSA, portanto, não foi meramente uma empresa de transporte, mas portentosamente, agiu um indutor de desenvolvimento social que permitiu a movimentação de renda do campo para os centros urbanos e manteve um dos maiores quadros funcionais do Estado Brasileiro durante a segunda metade do século XX. Nela, o desenhista técnico Diogenes construiu seu futuro, tornou-se economista e engenheiro; e foi presidente da RFFSA.

 

Com a lanterna de “Diogenes” à mão, agindo com rigor ético, questionando as aparências para construir um futuro genuinamente melhor pra si e para a coletividade que o margeia, encontrou na virtude e na verdade genuínas percebidas em meio à hipocrisia social, a força necessária à construção das belezas manifestas nas atitudes de um ente humano que se eternizou nas memórias de muitos que o viram evoluir evoluindo consigo, pois, a sabedoria somente é sábia quando comum a todos.

 

Descoberto pela maçonaria no meio social em que seu altruísmo vigia, Diógenes foi iniciado em 18 de março de 1995 na ARLS Ignácio Lôlo nº 22, circunscrita à Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, na qual galgou a mestria no dia 14 de maio de1997, “chegando à conclusão de que a Maçonaria exalta as virtudes e prega a moral mais pura – prerrequisito para se bater na porta e a porta se abrir, em suma: eu seria o ator principal”, afirma.

 

Agente do progresso da Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará, Diogenes fundou as Augustas Lojas Aurora do Novo Tempo nº 126 e Portal da Liberdade nº 134, celebrando sempre o compromisso a fraternidade – que somente é percebida em sua inteireza quando compreendemos que somente os iguais se (re)conhecem. Reconhecer-se igual a todos envolve o exercício da humildade e a prática perene da autodisciplina ao colocar o espírito sobre a matéria.

 

Eleito Mestre Instalado por vontade inequívoca de seus irmãos em três momentos distintos, Diógenes testou e (re)testou seus conhecimentos a serviço da coletividade maçônica que geria naqueles dias. Sua jornada maçônica foi mais além e alcançou o filosofismo maçônico. Como ele diz: “descobri que existem os Corpos Filosóficos para instruir o(s) buscador(es) de mistérios”. Na Excelsa Loja de Perfeição Rodolfo Ribas, ele conheceu a discrição e de fidelidade.

 

Com dedicação, boa vontade e a mestria do tempo, Diógenes foi investido no Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito pelo Supremo Conselho deste Rito para República Federativa do Brasil, passando a ser, desde 2006, Grande Inspetor Geral da Ordem com poderes ilimitados para compartilhar todo o seu conhecimento maçônico – e de vida – com a mesma galhardia com que o reaprende ao fazê-lo, já que, a sabedoria se constitui de cada reconhecimento conquistado.

 

Ser membro efetivo da Academia Maçônica de Letras do Estado do Ceará – AMLEC – concedeu a Diógenes a oportunidade de difundir suas pesquisas sobre a sobre a posição humana na natureza e no universo, posto que, a ciência situa o homem como parte de uma ordem causal e a filosofia reflete sobre sua capacidade única de consciência, técnica e propósito. Assim, há três décadas e mais, Diógenes contribui para a formação de gerações de maçons.

 

Preclaro, Diógenes afirma que “somos a natureza que ganhou voz e curiosidade”, manifestando o desejo de investigar e entender o funcionamento do universo e de tudo que há.  Assim, com a lanterna sempre à mão, assume o lugar que lhe compete na Academia Internacional de Maçons Imortais (2026) – como membro honorário –, o que alarga as fronteiras de sua busca pela verdade, como também, melhor favorece sua perene contribuição à Sublime Ordem Maçônica.

 

Parnaíba é realmente única e faz únicos seus rebentos nos seus feitos e efeitos que refletem sua nobreza. Os propósitos de Diógenes são, desde sempre, espelhos nos quais se veem refletidos muitos jovens promissores que, como ele sonham e fazem realizar seus anseios. Franciso Gonçalves da Silva, Veterano da RFFSA, afirma que Diógenes dizia: “um dia presidirei este gigante nacional”. O amanhã é, incontestavelmente, é uma construção direta da nossa intenção e atitude.

 

Construir um amanhã "grande, nobre e cativador" depende diretamente da nossa boa vontade e esforço contínuo em transformar sonhos em realidade, agindo com nobreza e propósito. Envolve ir além do egoísmo, focando no coletivo, na qualidade e na superação de desafios. Reverbera a ideia de que somos os agentes ativos do nosso próprio destino. A intenção ética e a determinação (boa vontade) são os motores para realizar mudanças positivas, com lanterna à mão!

 

Maranguape, Ceará, 19 de Março de 2026

 

ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS
Diretoria de Comunicação Social
Bruno Bezerra de Macedo

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