quarta-feira, 18 de março de 2026

LÍDERES EMEGEM DAS SOMBRAS E SÃO A DIFERENÇA

 

Diferente do que se pensa, líder, nestes dias modernos, é aquele que derrama dinheiro por onde passa. Que se segue com toda graça comprando tudo que vê pela frente, desde que vantagens lhe tragam; é como o rio em enchente, vandaliza o que vê pela frente e afogando a força da boa gente.  Assim, faço crítica mordaz ao que muitos chamam de "líder" hoje em dia: uma figura que confunde poder financeiro com autoridade e consumismo com influência. Reina a transacionalidade conduzindo as relações humanas como investimentos de curto prazo.

 

De fato, em uma era marcada pelo espetáculo, pelo consumo e pela ostentação, é comum ver figuras que confundem poder econômico com autoridade moral, influência passageira com legado duradouro, e transacionalidade com verdadeiro engajamento humano. Um líder assim é força indelével de impacto imensurável, que como “rio em enchente" é poderosa; uma liderança que nada constrói, ao contrário atropela e "vilipendia" culturas e valores estabelecidos por onde passa. Atroz, ele usa o capital como escudo e a arrogância como bússola.

 

Ao "afogar a força da boa gente", esse perfil de líder prefere a obediência comprada ou o silenciamento dos competentes para que sua própria figura, inflada pelo dinheiro, não seja questionada, opondo-se à liderança servidora ou inspiradora que tem no pertencimento o guia – esse tipo líder não se mede pelo volume de gastos, mas sim, pela profundidade do impacto. Jamais compra seguidores – ele inspira comprometimento. Nunca se impõe pelo luxo, pois, o exemplo, a integridade de suas agências e serviço abnegado são vetores que o identificam e o autorizam.

 

Significa que a verdadeira grandeza e autoridade não vêm do domínio – salvo o sobre si mesmo –, mas da humildade em servir aos outros, tornando-se servo de todos, como ensinado pelo Mestre Jesus: “aquele que quiser ser servido que sirva primeiro” (Marcos 10:43-44). Contrariando ao bom senso, como também, aos melhores costumes e princípios, além de tapear a sã moral e a razão, os líderes hodiernos, que dão murros em mesa, que chutam paus de barracas e que usam e abusam do assédio moral têm se manifestado com maiores índices de sucessibilidade.

 

Embora gerem sucessibilidade temporária, suas práticas violam a ética e os princípios de gestão saudável. Lamentavelmente, nestes dias de gritante narcisismo, ergue-se uma era que glamouriza figuras disruptivas e autoritárias, tratando a falta de empatia como um "mal necessário" para o sucesso. Em ambientes de alta pressão, a truculência é confundida com "pulso firme" ou "atitude resolutiva. "Chutando os paus de barracas", estes leviatãs aterrorizam, vilipendiam e usurpam direitos.

 

É o fenômeno da ascensão dos "líderes sombrios", onde traços que deveriam ser repelidos acabam sendo premiados por sistemas que buscam resultados imediatos a qualquer custo. Reconhecidos sem o lastro do mérito, monitoram e intimidam excessivamente; e criam falsa sensação de "ordem" ou "liderança forte". O grande paradoxo é que, embora esses líderes tenham altos índices de "sucesso" na subida do cargo, eles deixam para trás um rastro de burnout, rotatividade (turnover) e processos trabalhistas e cíveis, o que prova que essa eficiência é uma ilusão, pois, o assédio moral, são sustenta o líder por muito tempo.

 

Como bem destacado no texto de Marco Fabossi no Blog da Liderança, o líder verdadeiro é aquele que: "cuida do presente enquanto cria um futuro melhor, porque o futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas o lugar que estamos construindo." O que inverte a pirâmide tradicional: o líder não está no topo para ser servido, mas, na base para sustentar e dar condições de crescimento à sua equipe. Enquanto o "leviatã" foca em extrair valor das pessoas para benefício próprio, o líder servidor fita a geração de valor através das pessoas. A gratidão é progresso mensurável.

 

Essa filosofia, popularizada por Robert K. Greenleaf em 1970 e difundida por autores como James C. Hunter, está em crescimento em organizações que buscam equilíbrio entre resultados e humanidade. Aqui o modelo de liderança prioriza a abnegação e o impacto social, utilizando avaliações comportamentais e métricas de desempenho para garantir alto engajamento e resultados, com foco em dimensões como influência visionária e responsabilidade social. Envolve transformar a "vontade de servir" em competências mensuráveis que impactam o resultado final.

 

O sucesso não é apenas o lucro, mas, o quanto os liderados cresceram, tornaram-se mais autônomos e mais propensos a também se tornarem líderes servidores. Isto inculca bem a ideia de que o líder cuida da organização para o bem das futuras gerações e da sociedade, jamais para seus alimentar seus caprichos pessoais. O líder proativo e eficaz tem na habilidade de apoiar os liderados em momentos de trauma ou dificuldades pessoais, a força com estabelece o vínculo (o senso de pertencimento), a resiliência da equipe e fidedignidade aos propósitos firmados pelo grupo.

 

Desumanizados e em total desacordo com a lógica e com a dignidade da pessoa humana, o “leviatã” ergue seu pueril império sobre a máxima: “conhecimento não importa, o determinante é a presença de coração dobrável” - simboliza a obediência, conformidade e a falta de resistência intelectual, em detrimento do conhecimento. Quando o "coração dobrável" se torna o critério de ascensão, pois, quem pensa por conta própria raramente se curva sem questionar. Prefere-se a submissão emocional e a docilidade à capacidade crítica e intelectual.

 

A busca incessante por poder (conquistar/manter) justifica a falta de escrúpulos. É o triunfo da lealdade cega sobre a competência e a ética, pois, o leviatã apoio todo tipo ato espúrio, de indiscrição, de leviandade etc. fazendo de quaisquer destas ausências de consciência moral objeto de suas manipulações em busca do efêmero poder que busca conquistar e/ou manter-se nele. No clientelismo e o culto ao poder, pessoas com "rabos de palha" ou sem bússola moral são mais fáceis de chantagear e controlar. E isto prevalece sobre a competência técnica e a ética.

 

Sistemas baseados apenas na conveniência e na falta de integridade tendem a colapsar quando a conta da incompetência que chega ou quando os interesses dos envolvidos param de coincidir. Inaugurando algo novo, a liderança servidora preceitua: o líder atua como facilitador, mentor e apoiador, promovendo um ambiente de confiança, colaboração e empoderamento coletivo. Assim, ele rompe com a liderança autoritária, resultando em equipes mais motivadas, positivas e produtivas.  O líder passa a ser um catalisador de resultados.

 

Percebo que os melhores líderes são definidos pela capacidade de influenciar, inspirar e motivar equipes para alcançar objetivos comuns, focando nas pessoas em vez de apenas no comando ou no próprio ego. O conceito moderno de liderança baseia-se em atributos que focam no desenvolvimento do outro e na inteligência emocional, pois, liderança não é apenas um cargo, mas, a habilidade de conduzir pessoas a um objetivo, equilibrando organização e influência. Promovendo engajamento, o líder envolve seus colaboradores no processo de tomada de decisão.

 

Incontestavelmente, a liderança eficaz está intrinsecamente ligada ao domínio próprio, que é a capacidade de autogoverno, controle emocional e integridade, essencial para influenciar outros. Líderes com domínio próprio demonstram resiliência, decidem com calma, comunicam-se com precisão sob pressão e assumem responsabilidades, agindo como líderes de si mesmos. O domínio próprio mantém a integridade do líder mesmo sob críticas, ataques ou tentativas de desestabilização. Com humildade, faz brilhar sua equipe, em vez de buscar reconhecimento pessoal.

 

Emergindo "das sombras", esses líderes são aqueles que não buscam o holofote por ego, mas, que aparecem quando a necessidade é real. São conhecidos como líderes situacionais ou líderes servidores. Ao contrário dos líderes carismáticos tradicionais, eles transformam o ambiente através do exemplo, da confiança e da construção de relacionamentos sólidos, tornando-se inesquecíveis pelo impacto positivo que deixam, mesmo após saírem de cena. Lideram pelo exemplo e pelo serviço, transformando o ambiente através da execução, e não apenas do discurso.

 

Maranguape, Ceará, 18 de Março de 2026

 

Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Álvaro Nunes Weyne
Cadeira AIMI nº 9

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