Diferente
do que se pensa, líder, nestes dias modernos, é aquele que derrama dinheiro por
onde passa. Que se segue com toda graça comprando tudo que vê pela frente,
desde que vantagens lhe tragam; é como o rio em enchente, vandaliza o que vê pela
frente e afogando a força da boa gente. Assim, faço crítica mordaz ao que muitos chamam de "líder" hoje em dia: uma
figura que confunde poder financeiro com autoridade e consumismo com
influência. Reina a transacionalidade conduzindo as relações humanas como
investimentos de curto prazo.
De
fato, em uma era marcada pelo espetáculo, pelo consumo e pela ostentação, é
comum ver figuras que confundem poder econômico com autoridade moral,
influência passageira com legado duradouro, e transacionalidade com verdadeiro
engajamento humano. Um líder assim é força indelével de impacto imensurável, que
como “rio em enchente" é poderosa; uma liderança que nada constrói, ao
contrário atropela e "vilipendia" culturas e valores estabelecidos
por onde passa. Atroz, ele usa o capital como escudo e a arrogância como
bússola.
Ao
"afogar a força da boa gente", esse perfil de líder prefere a
obediência comprada ou o silenciamento dos competentes para que sua própria
figura, inflada pelo dinheiro, não seja questionada, opondo-se à liderança
servidora ou inspiradora que tem no pertencimento o guia – esse tipo líder não
se mede pelo volume de gastos, mas sim, pela profundidade do impacto. Jamais
compra seguidores – ele inspira comprometimento. Nunca se impõe pelo luxo, pois,
o exemplo, a integridade de suas agências e serviço abnegado são vetores que o
identificam e o autorizam.
Significa
que a verdadeira grandeza e autoridade não vêm do domínio – salvo o sobre si
mesmo –, mas da humildade em servir aos outros, tornando-se servo de todos,
como ensinado pelo Mestre Jesus: “aquele que quiser ser servido que sirva
primeiro” (Marcos 10:43-44). Contrariando ao bom senso, como também, aos
melhores costumes e princípios, além de tapear a sã moral e a razão, os líderes
hodiernos, que dão murros em mesa, que chutam paus de barracas e que usam e
abusam do assédio moral têm se manifestado com maiores índices de
sucessibilidade.
Embora
gerem sucessibilidade temporária, suas práticas violam a ética e os princípios
de gestão saudável. Lamentavelmente, nestes dias de gritante narcisismo, ergue-se
uma era que glamouriza figuras disruptivas e autoritárias, tratando a falta de
empatia como um "mal necessário" para o sucesso. Em ambientes de alta
pressão, a truculência é confundida com "pulso firme" ou
"atitude resolutiva. "Chutando os paus de barracas", estes
leviatãs aterrorizam, vilipendiam e usurpam direitos.
É
o fenômeno da ascensão dos "líderes sombrios", onde traços que
deveriam ser repelidos acabam sendo premiados por sistemas que buscam
resultados imediatos a qualquer custo. Reconhecidos sem o lastro do mérito, monitoram
e intimidam excessivamente; e criam falsa sensação de "ordem" ou
"liderança forte". O grande paradoxo é que, embora esses líderes
tenham altos índices de "sucesso" na subida do cargo, eles deixam
para trás um rastro de burnout, rotatividade (turnover) e processos
trabalhistas e cíveis, o que prova que essa eficiência é uma ilusão, pois, o
assédio moral, são sustenta o líder por muito tempo.
Como
bem destacado no texto de Marco Fabossi no Blog da Liderança, o líder
verdadeiro é aquele que: "cuida do presente enquanto cria um futuro
melhor, porque o futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas o lugar que
estamos construindo." O que inverte a pirâmide tradicional: o líder não
está no topo para ser servido, mas, na base para sustentar e dar condições de
crescimento à sua equipe. Enquanto o "leviatã" foca em extrair valor
das pessoas para benefício próprio, o líder servidor fita a geração de valor
através das pessoas. A gratidão é progresso mensurável.
Essa
filosofia, popularizada por Robert K. Greenleaf em 1970 e difundida por autores
como James C. Hunter, está em crescimento em organizações que buscam equilíbrio
entre resultados e humanidade. Aqui o modelo de liderança prioriza a abnegação
e o impacto social, utilizando avaliações comportamentais e métricas de
desempenho para garantir alto engajamento e resultados, com foco em dimensões
como influência visionária e responsabilidade social. Envolve transformar
a "vontade de servir" em competências mensuráveis que impactam o
resultado final.
O
sucesso não é apenas o lucro, mas, o quanto os liderados cresceram, tornaram-se
mais autônomos e mais propensos a também se tornarem líderes servidores. Isto
inculca bem a ideia de que o líder cuida da organização para o bem das futuras
gerações e da sociedade, jamais para seus alimentar seus caprichos pessoais. O
líder proativo e eficaz tem na habilidade de apoiar os liderados em momentos de
trauma ou dificuldades pessoais, a força com estabelece o vínculo (o senso de
pertencimento), a resiliência da equipe e fidedignidade aos propósitos firmados
pelo grupo.
Desumanizados
e em total desacordo com a lógica e com a dignidade da pessoa humana, o
“leviatã” ergue seu pueril império sobre a máxima: “conhecimento não importa, o
determinante é a presença de coração dobrável” - simboliza a obediência,
conformidade e a falta de resistência intelectual, em detrimento do
conhecimento. Quando o "coração dobrável" se torna o critério de
ascensão, pois, quem pensa por conta própria raramente se curva sem questionar.
Prefere-se a submissão emocional e a docilidade à capacidade crítica
e intelectual.
A
busca incessante por poder (conquistar/manter) justifica a falta de escrúpulos.
É o triunfo da lealdade cega sobre a competência e a ética, pois, o
leviatã apoio todo tipo ato espúrio, de indiscrição, de leviandade etc. fazendo
de quaisquer destas ausências de consciência moral objeto de suas manipulações
em busca do efêmero poder que busca conquistar e/ou manter-se nele. No clientelismo
e o culto ao poder, pessoas com "rabos de palha" ou sem bússola moral
são mais fáceis de chantagear e controlar. E isto prevalece sobre a
competência técnica e a ética.
Sistemas
baseados apenas na conveniência e na falta de integridade tendem a colapsar
quando a conta da incompetência que chega ou quando os interesses dos
envolvidos param de coincidir. Inaugurando algo novo, a liderança servidora
preceitua: o líder atua como facilitador, mentor e apoiador, promovendo um
ambiente de confiança, colaboração e empoderamento coletivo. Assim, ele rompe
com a liderança autoritária, resultando em equipes mais motivadas, positivas e
produtivas. O líder passa a ser
um catalisador de resultados.
Percebo
que os melhores líderes são definidos pela capacidade de influenciar,
inspirar e motivar equipes para alcançar objetivos comuns, focando nas
pessoas em vez de apenas no comando ou no próprio ego. O conceito moderno de
liderança baseia-se em atributos que focam no desenvolvimento do outro e na
inteligência emocional, pois, liderança não é apenas um cargo, mas, a
habilidade de conduzir pessoas a um objetivo, equilibrando organização e
influência. Promovendo engajamento, o líder envolve seus colaboradores no
processo de tomada de decisão.
Incontestavelmente,
a liderança eficaz está intrinsecamente ligada ao domínio próprio, que é a
capacidade de autogoverno, controle emocional e integridade, essencial para
influenciar outros. Líderes com domínio próprio demonstram resiliência, decidem
com calma, comunicam-se com precisão sob pressão e assumem responsabilidades,
agindo como líderes de si mesmos. O domínio próprio mantém a integridade do
líder mesmo sob críticas, ataques ou tentativas de desestabilização. Com
humildade, faz brilhar sua equipe, em vez de buscar reconhecimento pessoal.
Emergindo
"das sombras", esses líderes são aqueles que não buscam o holofote
por ego, mas, que aparecem quando a necessidade é real. São conhecidos
como líderes situacionais ou líderes servidores. Ao contrário
dos líderes carismáticos tradicionais, eles transformam o ambiente através do
exemplo, da confiança e da construção de relacionamentos sólidos, tornando-se
inesquecíveis pelo impacto positivo que deixam, mesmo após saírem de cena. Lideram
pelo exemplo e pelo serviço, transformando o ambiente através da execução, e
não apenas do discurso.
Maranguape,
Ceará, 18 de Março de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo
Patroneado
por Álvaro Nunes Weyne
Cadeira
AIMI nº 9
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