Hoje
(07/04), Dia Mundial da Saúde, lembrei do Poetinha – assim chamado
carinhosamente por todos nós – Vinícius de Morais, que diz: “Amai, porque nada
melhor para a saúde que um amor correspondido”. Essa correspondência é uma
comunicação ativa – e perene – que mantemos com a vida – e ela conosco – a todo
momento através da repetição, da dor, da beleza e da ordem natural que manifesta
a vida em todo o seu esplendor. Compreender essa linguagem simbólica é um passo
para viver com mais clareza, propósito e liberdade interior, amando sempre.
O
amor tem seu start-up no cérebro, anuncia a neurociência, como uma resposta
motivacional, ativando sistemas de recompensa (dopamina) e liberando hormônios
de vínculo, como a oxitocina. Envolve companheirismo, confiança e a capacidade
de se encantar pelo jeito de ser do outro. É descrito como um estado de
ressonância emocional, onde a presença do outro traz alegria. o amor é uma
mistura de emoção, biologia e escolha pessoal, que potencializa a alma e
proporciona um sentimento de conexão e união.
Retratado
como uma luz intensa, comparável ao brilho do sol ou do luar, sendo uma força
que transforma e abençoa. Diferente da paixão, que costuma ser intensa e
passageira (durando de alguns meses a dois anos), o conceito de amor maduro
envolve aceitação dos defeitos alheios, estabilidade e o desejo pelo
crescimento do outro, independentemente do controle pessoal. Freud vê o amor
como uma forma de projeção de ideais e desejos, muitas vezes, buscando suprir
carências internas através do outro.
O
amor como comunicação é a expressão ativa de afeto, respeito e conexão,
indo além das palavras para construir relacionamentos sólidos. Envolve empatia,
escuta ativa e o uso de "linguagens" (tempo, toques, serviços,
presentes, palavras) para garantir que o outro se sinta valorizado. A Proporção
de Gottman prescreve a mantença de interações positivas (carinho, gratidão,
risadas) em uma proporção de 5 para 1 contra interações negativas como ótima chave
para estabilidade, baseado no zelo e integridade.
Portentoso,
o amor é o mais capaz combatente ao Bullying – caracterizado pelo
desequilíbrio de poder (força ou popularidade) e por ter como objeto humilhar,
intimidar ou segregar, sendo comum em ambientes escolares e podendo se estender
ao ambiente virtual, conhecido como cyberbullying –atuando como o
oposto da intimidação. Enquanto o bullying é caracterizado pela violência
repetitiva e humilhação, o "combate com amor" foca no acolhimento da
vítima, na reeducação do agressor e na construção de um ambiente seguro e
acolhedor.
Mais
do que um sentimento abstrato, o "amor" nesse contexto é tratado como
uma ferramenta pedagógica e social ativa. Baseado na premissa de Nelson
Mandela, o conceito defende que, se o ódio é aprendido, o amor também pode ser
ensinado. Escolas adotam programas como o Sistema Preventivo, que foca em
educar com afeto para prevenir a violência antes que ela ocorra. Ações de
conscientização mostram que o carinho e o elogio têm o poder de
"curar", enquanto o insulto pode destruir psicologicamente o
indivíduo e, nisso, a harmonia social.
Embora
as escolas sejam o cenário mais comum e discutido, essa prática de intimidação
sistemática (Bullying) ocorre em diversos espaços da sociedade e pode atingir
pessoas de qualquer idade. O que define o bullying não é o local, mas sim
o comportamento intencional, repetitivo e com desequilíbrio de poder, que causa
sofrimento à vítima. O stalking pode ser considerado uma forma grave de
bullying, mas hoje é tipificado no Brasil como um crime específico (perseguição
obsessiva).
Neste
influxo, o assédio moral é, também, uma forma específica de bullying, denominado
"bullying ocupacional" ou mobbing quando ocorre no ambiente de
trabalho. A exemplo do que, também, acontece no stalking, ambos envolvem
comportamentos repetitivos, humilhantes e degradantes destinados a
desestabilizar a vítima, porém, diferem principalmente no contexto e nas
esferas jurídicas de julgamento. No Brasil, o assédio moral e o bullying
são julgados nas Justiças do Trabalho e Penal; enquanto o bullying geral na
esfera cível ou escolar.
Combater
o bullying com amor significa substituir essa cultura da humilhação pela
cultura do cuidado, utilizando a empatia e o diálogo como as principais defesas
contra a agressão. Inspirado em Paulo Freire, o conceito busca romper o ciclo
onde o oprimido se torna opressor, oferecendo uma educação libertadora baseada
no respeito mútuo. A construção de uma "cultura de paz" envolve não
apenas a punição, mas, a criação de ambiências para uma convivência respeitosa,
segura e amorável para todos – sejam estes estudantes ou não.
Nascido
deste amor que acolhe, inclui e harmoniza, o Dia Nacional de Combate ao
Bullying e à Violência na Escola (07/04) tem como foco a comunicação amorosa que
equilibra verdade e cuidado estabelecida na ideia de que a violência e a
intimidação sistemática podem ser prevenidas e superadas através do
desenvolvimento de competências socioemocionais, empatia e acolhimento. Instituída
pela Lei nº 13.277/2016, a data é um marco essencial para criação de ambiências
seguras, inclusivas e livres de intimidação e preconceitos.
Comunicação
amorosa que equilibra zelo e integridade é o traço real do Jornalista, refletindo
seu compromisso profundo com a responsabilidade social, com a transparência, a
justiça e a defesa da democracia. Como destaca Daniela Gomes Santiago, o
jornalismo é um "ato de amor", uma expressão de paixão que vai
além da mera transmissão de fatos, envolvendo empatia, cuidado com o outro e
compromisso com a dignidade humana. A ética do cuidado, cada vez mais
debatida no campo jornalístico, reforça essa abordagem humanizada e
solidária.
A
noção de "comunicação amorosa" deve ser entendida como um jornalismo
que se importa – com as pessoas, com a verdade, com o impacto das palavras. Longe
de ser sentimentalismo, é um compromisso militante com a humanidade, como
vivenciado pela jornalista que acompanhou o nascimento de Isabel no Senegal – um
instante de vivaz conexão humana e jornalística. Esse tipo de jornalismo não se
limita ao relato nu e cru dos fatos, mas, constrói laços de confiança com
o público, baseados em empatia, cuidado e pertencimento.
Ao
ocupar o lugar do acontecimento, o jornalista não somente relata o mundo, como,
formidavelmente, também participa ativamente da construção da realidade
social que se manifesta à frente do seu olhar. Nascida revolucionária, a
imprensa emergiu com a Revolução Francesa mediante o esmero e eficácia dos
jornalistas, cujo atuação foi fundamental na propagação de ideais iluministas,
como liberdade, igualdade e progresso contínuo. O jornalismo, quando praticado
com amor e integridade, não apenas informa – transforma.
O
Dia do Jornalista (07/04) sintetiza um ideal necessário: um jornalismo que ama
a verdade, cuida das pessoas e resiste à desonestidade intelectual. Além disso,
um jornalismo ensina a sociedade a pensar e sentir, como argumenta Kellner
– ele molda identidades, valores e percepções. A data preceitua que o
jornalista contemporâneo deve navegar em meio à inovação tecnológica, às
pressões comerciais e às exigências éticas, sem perder de vista seu papel
social, cônscio de que a reconquista da confiança do público requer empatia,
coragem e rigor.
A
data. instituída pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em 1931, marca o
centenário da abdicação de D. Pedro I, ocorrida em 7 de abril de 1831, e
reverencia Giovanni Battista Líbero Badaró, médico e jornalista defensor de
ideias liberais cujo assassinato impulsionou a luta pela liberdade de imprensa
no Brasil. Lembrando que em um cenário de desinformação (fake news), o
profissional atua como a "Lanterna de Diógenes" – verificador rigoroso,
transformando dados em conhecimento acessível e combatendo narrativas falsas.
A
celebração do Dia do Jornalista (re)afirma que informar com responsabilidade é
um pilar da democracia, especialmente em tempos de polarização e disputas de
narrativas. Assumida como um ato de amor, de coragem e, principalmente, de
resistência, em 2026 o jornalista permanece imprescindível para combater a
desinformação, separar fatos de boatos, confrontar versões e colocar o
interesse público acima de agendas políticas, garantindo acesso a informações
verificáveis.
Irrefutavelmente,
um direito humano fundamental e uma ferramenta essencial para a boa governança,
o acesso à informação exata, correta e transparente funciona como um
mecanismo de "cura social" ao promover a cidadania, combater a
corrupção e mitigar os efeitos nocivos da desinformação. Neste interim, o amor,
entendido não apenas como sentimento, mas como uma prática ética e
revolucionária atua como uma força de resistência contra a desumanização, a
polarização e a sobrecarga de informações falsas (fake news)
Forma perigosa de bullying e cyberbullying, as fake news se manifestam quando mentiras sensacionalistas são divulgadas para humilhar, difamar ou causar medo em uma pessoa (ou grupo), se transformam em um ataque sistemático que gerar graves impactos emocionais, sociais e até físicos. Portanto, o uso da empatia e o foco na verdade, ao invés do engajamento pelo ódio, é uma ferramenta de "amor" no ambiente digital. O "amor à verdade" implica resistir a essa manipulação e buscar informações que constroem a saúde coletiva.
Claramente,
no contexto da informação, o amor à verdade se traduz em honestidade
intelectual e no compromisso de não se deixar levar por narrativas impostas
pelo medo ou pela pressão social (o bullying informacional). Ter amor à verdade
exige coragem para confrontar as próprias verdades incômodas, em vez de viver
em uma mentira confortável ou delírio. A saúde mental ocorre quando amar a
própria verdade com todas as suas limitações e complexidades, liberta da
necessidade de viver através de imagens reportadas por outrem.
Neste
dia (07/04) confluem-se festejos, comemorações e celebrações alusivas aos Dias Mundial
da Saúde, de Combate ao Bullying e à Violência na Escola e do Jornalista e o amor
como uma "panaceia universal" – um remédio para todos os males – manifesta-se
como uma perspectiva filosófica, espiritual e, também, romântica, que sugere
que a compaixão e a conexão incondicional cura feridas emocionais, sociais e
até físicas. O amor é uma "lei invisível" soberana, que rege o
universo, convocando ao cuidado com o próximo e com a Terra.
Maranguape,
Ceará, 07 de Abril de 2024
Bruno
Bezerra de Macedo
Jornalista
CRP/MTE nº 0005168/CE

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