terça-feira, 7 de abril de 2026

O JORNALISTA MANIFESTA O AMOR QUE CURA O MUNDO

Hoje (07/04), Dia Mundial da Saúde, lembrei do Poetinha – assim chamado carinhosamente por todos nós – Vinícius de Morais, que diz: “Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido”. Essa correspondência é uma comunicação ativa – e perene – que mantemos com a vida – e ela conosco – a todo momento através da repetição, da dor, da beleza e da ordem natural que manifesta a vida em todo o seu esplendor. Compreender essa linguagem simbólica é um passo para viver com mais clareza, propósito e liberdade interior, amando sempre.

 

O amor tem seu start-up no cérebro, anuncia a neurociência, como uma resposta motivacional, ativando sistemas de recompensa (dopamina) e liberando hormônios de vínculo, como a oxitocina. Envolve companheirismo, confiança e a capacidade de se encantar pelo jeito de ser do outro. É descrito como um estado de ressonância emocional, onde a presença do outro traz alegria. o amor é uma mistura de emoção, biologia e escolha pessoal, que potencializa a alma e proporciona um sentimento de conexão e união. 

 

Retratado como uma luz intensa, comparável ao brilho do sol ou do luar, sendo uma força que transforma e abençoa. Diferente da paixão, que costuma ser intensa e passageira (durando de alguns meses a dois anos), o conceito de amor maduro envolve aceitação dos defeitos alheios, estabilidade e o desejo pelo crescimento do outro, independentemente do controle pessoal. Freud vê o amor como uma forma de projeção de ideais e desejos, muitas vezes, buscando suprir carências internas através do outro. 

 

O amor como comunicação é a expressão ativa de afeto, respeito e conexão, indo além das palavras para construir relacionamentos sólidos. Envolve empatia, escuta ativa e o uso de "linguagens" (tempo, toques, serviços, presentes, palavras) para garantir que o outro se sinta valorizado. A Proporção de Gottman prescreve a mantença de interações positivas (carinho, gratidão, risadas) em uma proporção de 5 para 1 contra interações negativas como ótima chave para estabilidade, baseado no zelo e integridade.

 

Portentoso, o amor é o mais capaz combatente ao Bullying – caracterizado pelo desequilíbrio de poder (força ou popularidade) e por ter como objeto humilhar, intimidar ou segregar, sendo comum em ambientes escolares e podendo se estender ao ambiente virtual, conhecido como cyberbullying –atuando como o oposto da intimidação. Enquanto o bullying é caracterizado pela violência repetitiva e humilhação, o "combate com amor" foca no acolhimento da vítima, na reeducação do agressor e na construção de um ambiente seguro e acolhedor. 

 

Mais do que um sentimento abstrato, o "amor" nesse contexto é tratado como uma ferramenta pedagógica e social ativa. Baseado na premissa de Nelson Mandela, o conceito defende que, se o ódio é aprendido, o amor também pode ser ensinado. Escolas adotam programas como o Sistema Preventivo, que foca em educar com afeto para prevenir a violência antes que ela ocorra. Ações de conscientização mostram que o carinho e o elogio têm o poder de "curar", enquanto o insulto pode destruir psicologicamente o indivíduo e, nisso, a harmonia social.

 

Embora as escolas sejam o cenário mais comum e discutido, essa prática de intimidação sistemática (Bullying) ocorre em diversos espaços da sociedade e pode atingir pessoas de qualquer idade. O que define o bullying não é o local, mas sim o comportamento intencional, repetitivo e com desequilíbrio de poder, que causa sofrimento à vítima. O stalking pode ser considerado uma forma grave de bullying, mas hoje é tipificado no Brasil como um crime específico (perseguição obsessiva).

 

Neste influxo, o assédio moral é, também, uma forma específica de bullying, denominado "bullying ocupacional" ou mobbing quando ocorre no ambiente de trabalho. A exemplo do que, também, acontece no stalking, ambos envolvem comportamentos repetitivos, humilhantes e degradantes destinados a desestabilizar a vítima, porém, diferem principalmente no contexto e nas esferas jurídicas de julgamento.  No Brasil, o assédio moral e o bullying são julgados nas Justiças do Trabalho e Penal; enquanto o bullying geral na esfera cível ou escolar. 

 

Combater o bullying com amor significa substituir essa cultura da humilhação pela cultura do cuidado, utilizando a empatia e o diálogo como as principais defesas contra a agressão. Inspirado em Paulo Freire, o conceito busca romper o ciclo onde o oprimido se torna opressor, oferecendo uma educação libertadora baseada no respeito mútuo. A construção de uma "cultura de paz" envolve não apenas a punição, mas, a criação de ambiências para uma convivência respeitosa, segura e amorável para todos – sejam estes estudantes ou não.

 

Nascido deste amor que acolhe, inclui e harmoniza, o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola (07/04) tem como foco a comunicação amorosa que equilibra verdade e cuidado estabelecida na ideia de que a violência e a intimidação sistemática podem ser prevenidas e superadas através do desenvolvimento de competências socioemocionais, empatia e acolhimento. Instituída pela Lei nº 13.277/2016, a data é um marco essencial para criação de ambiências seguras, inclusivas e livres de intimidação e preconceitos.

 

Comunicação amorosa que equilibra zelo e integridade é o traço real do Jornalista, refletindo seu compromisso profundo com a responsabilidade social, com a transparência, a justiça e a defesa da democracia. Como destaca Daniela Gomes Santiago, o jornalismo é um "ato de amor", uma expressão de paixão que vai além da mera transmissão de fatos, envolvendo empatia, cuidado com o outro e compromisso com a dignidade humana. A ética do cuidado, cada vez mais debatida no campo jornalístico, reforça essa abordagem humanizada e solidária. 

 

A noção de "comunicação amorosa" deve ser entendida como um jornalismo que se importa – com as pessoas, com a verdade, com o impacto das palavras. Longe de ser sentimentalismo, é um compromisso militante com a humanidade, como vivenciado pela jornalista que acompanhou o nascimento de Isabel no Senegal – um instante de vivaz conexão humana e jornalística. Esse tipo de jornalismo não se limita ao relato nu e cru dos fatos, mas, constrói laços de confiança com o público, baseados em empatia, cuidado e pertencimento.

 

Ao ocupar o lugar do acontecimento, o jornalista não somente relata o mundo, como, formidavelmente, também participa ativamente da construção da realidade social que se manifesta à frente do seu olhar. Nascida revolucionária, a imprensa emergiu com a Revolução Francesa mediante o esmero e eficácia dos jornalistas, cujo atuação foi fundamental na propagação de ideais iluministas, como liberdade, igualdade e progresso contínuo. O jornalismo, quando praticado com amor e integridade, não apenas informa – transforma. 

 

O Dia do Jornalista (07/04) sintetiza um ideal necessário: um jornalismo que ama a verdade, cuida das pessoas e resiste à desonestidade intelectual. Além disso, um jornalismo ensina a sociedade a pensar e sentir, como argumenta Kellner – ele molda identidades, valores e percepções. A data preceitua que o jornalista contemporâneo deve navegar em meio à inovação tecnológica, às pressões comerciais e às exigências éticas, sem perder de vista seu papel social, cônscio de que a reconquista da confiança do público requer empatia, coragem e rigor.

 

A data. instituída pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em 1931, marca o centenário da abdicação de D. Pedro I, ocorrida em 7 de abril de 1831, e reverencia Giovanni Battista Líbero Badaró, médico e jornalista defensor de ideias liberais cujo assassinato impulsionou a luta pela liberdade de imprensa no Brasil. Lembrando que em um cenário de desinformação (fake news), o profissional atua como a "Lanterna de Diógenes" – verificador rigoroso, transformando dados em conhecimento acessível e combatendo narrativas falsas.

 

A celebração do Dia do Jornalista (re)afirma que informar com responsabilidade é um pilar da democracia, especialmente em tempos de polarização e disputas de narrativas. Assumida como um ato de amor, de coragem e, principalmente, de resistência, em 2026 o jornalista permanece imprescindível para combater a desinformação, separar fatos de boatos, confrontar versões e colocar o interesse público acima de agendas políticas, garantindo acesso a informações verificáveis.

 

Irrefutavelmente, um direito humano fundamental e uma ferramenta essencial para a boa governança, o acesso à informação exata, correta e transparente funciona como um mecanismo de "cura social" ao promover a cidadania, combater a corrupção e mitigar os efeitos nocivos da desinformação. Neste interim, o amor, entendido não apenas como sentimento, mas como uma prática ética e revolucionária atua como uma força de resistência contra a desumanização, a polarização e a sobrecarga de informações falsas (fake news)

 

Forma perigosa de bullying e cyberbullying, as fake news se manifestam quando mentiras sensacionalistas são divulgadas para humilhar, difamar ou causar medo em uma pessoa (ou grupo), se transformam em um ataque sistemático que gerar graves impactos emocionais, sociais e até físicos. Portanto, o uso da empatia e o foco na verdade, ao invés do engajamento pelo ódio, é uma ferramenta de "amor" no ambiente digital. O "amor à verdade" implica resistir a essa manipulação e buscar informações que constroem a saúde coletiva. 

 

Claramente, no contexto da informação, o amor à verdade se traduz em honestidade intelectual e no compromisso de não se deixar levar por narrativas impostas pelo medo ou pela pressão social (o bullying informacional). Ter amor à verdade exige coragem para confrontar as próprias verdades incômodas, em vez de viver em uma mentira confortável ou delírio. A saúde mental ocorre quando amar a própria verdade com todas as suas limitações e complexidades, liberta da necessidade de viver através de imagens reportadas por outrem.

 

Neste dia (07/04) confluem-se festejos, comemorações e celebrações alusivas aos Dias Mundial da Saúde, de Combate ao Bullying e à Violência na Escola e do Jornalista e o amor como uma "panaceia universal" – um remédio para todos os males – manifesta-se como uma perspectiva filosófica, espiritual e, também, romântica, que sugere que a compaixão e a conexão incondicional cura feridas emocionais, sociais e até físicas. O amor é uma "lei invisível" soberana, que rege o universo, convocando ao cuidado com o próximo e com a Terra.

 

Maranguape, Ceará, 07 de Abril de 2024

 

Bruno Bezerra de Macedo
Jornalista CRP/MTE nº 0005168/CE

 

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