Existimos
a partir de um processo iniciático, incontestavelmente! Iniciação, em seu
conceito mais amplo, refere-se ao ato ou efeito de começar algo, seja um
evento, uma ação, ou um processo. Também significa a entrada em um novo
nível de existência, ou o aprendizado dos princípios básicos de uma área do
conhecimento. Além disso, envolver cerimônias ou rituais que marcam a
transição para um novo estado ou grupo. Iniciação, do latim
initiatio, nos remete a começo, ascensão a um novo nível.
Assim,
de tempos em tempos, passamos por mortes e renascimentos, um tema recorrente
em mitologias antigas, filosofias da história e teorias especulativas,
mas não é um conceito suportado pelo modelo científico e histórico dominante, afinal:
como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no
ventre de sua mãe, e nascer? (João 3:4) Porém, nos provam o contrário os ritos
de passagem que marcam mudanças importantes no viver humano, pois, emergem novas
fases e/ou associações.
Os
rituais de passagem e/ou iniciáticos reforçam o senso de comunidade, a
identidade cultural e a solidariedade, dividindo-se geralmente em três
estágios: separação, transição (ou liminar) e reincorporação. Ou seja, o indivíduo
é simbolicamente retirado de seu antigo status, dando início a uma fase
intermediária, um "limiar", onde o indivíduo não pertence mais ao
antigo grupo, mas ainda não se integrou ao novo, pois, para que isto ocorra
deve passar por: desafios, provas e sacrifícios, que farão aurorescer habilidades
e, estas, o (re) integrarão à comunidade com novo status social.
Quanto
à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem (Efésios
4:22) é um preceito que reflete a milenar cultura Iorubá, para a qual a
iniciação é uma passagem, onde o iniciando passa por ritos complexos de
isolamento e segregação, de silêncio absoluto, simbolizando uma volta ao útero
da Mãe Terra, de onde renascerá, não como um homem comum, mas como um
instrumento de um Orixá, que por sua boca e seu corpo falará e se manifestará,
aumentando assim o conhecimento de todos, já que a voz ancestral (tradição)
retumba em busca do futuro.
No
tantra, iniciação (em sânscrito, diiks'a') refere-se a um processo em que o
aprendiz é orientado no caminho do equilíbrio e da plenitude, e recebe um
mantra perfeito para a prática da meditação. Ao finalizar a iniciação, o
aprendiz deve firmar um compromisso de amor e gratidão com Deus e com o mestre,
já que Deus jamais mudará as condições que concedeu a um povo, a menos que este
mude o que tem em seu íntimo, admoesta a Surata Ar-Ra'd (O Trovão). É uma
viagem interior através da qual submergirmos diretamente no real, além de todo
conceito ou crença.
Na
Ordem DeMolay, o termo "iniciação" refere-se à entrada do forasteiro
(termo usado para se referir aos não-iniciados na Ordem) que adquire, assim, o
Grau Iniciático, quando se torna um iniciante na instituição. Esta Organização
Juvenil foca no desenvolvimento de liderança e cidadania através de valores
como: amor filial, reverência, cortesia, companheirismo, fidelidade, pureza e
patriotismo, afinal, todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais,
pois, não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram
por ele estabelecidas. (Romanos 13:1)
A
iniciação nas Filhas de Jó é um conjunto de cerimônias solenes e rituais dentro
da Ordem, onde as jovens (filhas de maçons e/ou colhidas na sociedade) são
introduzidas aos princípios e valores da organização, Essas cerimônias,
realizadas nos Beteis, onde as jovens-membro são ensinadas sobre liderança,
oratória, trabalho em equipe, respeito aos pais, amor a Deus e ao país, entre
outros valores, afinal, aquele que não cuida dos seus parentes, especialmente
dos da sua própria família, negou a fé e é pior do que um descrente. (1 Timóteo
5:8). Onde não há fé, confiança e respeito, não há amor!
A
iniciação na Maçonaria, considera um rito de passagem para o “nascer” do novo
ser, é fundamental por marcar a transição de um indivíduo de um status quo para
outro, iniciando sua jornada de autoconhecimento e aperfeiçoamento moral e
ético através de ritos e simbolismos. Ela representa o ingresso em um sistema
de aprendizado que visa a transformação interior, equipando o iniciado com
ferramentas simbólicas, morais e filosóficas para seu desenvolvimento pessoal e
para a atuação social benéfica, “sendo justos, porque isso está mais próximo da
piedade, e temendo a Deus, porque Ele está bem inteirado de tudo quanto fazemos”
(Surata Al Máida – A mesa servida).
Neste
toar, há 20 anos, quatro meses e 7 dias, quando o sol nasce para iniciar sua
carreira e encetar o dia com ele seguimos rumo ao Zênite, pois, neste especial momento,
a luz incide perpendicularmente ao solo, não gerando a formação de sombras,
muito menos dúvidas. O sol (do conhecimento) está a pino e não se devia – nem
fomenta desvios, já que “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto,
descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tiago
1:17). Efloresce, assim, o excelso trigésimo terceiro grau, a mim investido há 10
anos, 11 meses e 27 dias.
O
Grau 33 é o ponto culminante e mais elevado da hierarquia em ritos maçônicos
específicos, como o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA). A relevância deste
grau reside em ser um grau de aperfeiçoamento filosófico e moral,
e não de poder hierárquico sobre os graus simbólicos (Aprendiz, Companheiro e
Mestre). Atingir este grau significa ter percorrido e estudado,
profundamente, todos os ensinamentos simbólicos, éticos e filosóficos dos graus
anteriores. Envolve ter desenvolvido habilidades interpessoais, estar
determinado à formação continuada de si e à mestria ancorada na
e ética.
A
investidura neste grau é um reconhecimento do serviço prestado à Ordem, à
Pátria e à Humanidade. Implica uma maior responsabilidade em promover os
princípios maçônicos de fraternidade, justiça e verdade. Envolve, como dito
antes, o aprimoramento pessoal continuado para que se desenvolva a capacidade
de ser um "construtor social" melhor. Olhei-me no entorno de mim e vi-me construtores
sociais formidáveis, que iniciaram imponentes construções ainda aprendizes e sustentam
ainda hoje como legado de exemplos de excelentíssimas práticas maçônicas, como:
Diógenes José Tavares Linhares, Isalto Pinheiro Sobrinho, Eduardo Antonio
Ribeiro, etc.
Imbuídos no mesmo espírito de dedicação contínua e a seriedade com que o Grau 33 é encarado por todos nós, não somente como uma norma ritualística, mas sim, estabelecidos no compromisso "que jamais expira", o renovamos a cada nova investidura, alimentando as responsabilidades que nos identificam como respeitáveis ente humanos, destacados por nossos feitos e efeitos, reconhecidos por nossos legados a bem da família, da pátria e da humanidade. A cada novo investido, a Ordem como um todo reforça seus ideais e os remoça com fulcro no progressismo perene com que auroresce o novo tempo
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