Entre
o bem e o mal, conhecer-se a si mesmo é a beleza dos dias, enleva o ato de
conhecer a si mesmo acima das noções de "bem" e "mal". Isso
implica que, independentemente dos desafios ou julgamentos morais que a vida
apresenta, a compreensão interna de sua própria natureza é o que realmente traz
significado e beleza à existência. Focar estritamente no bem ou no mal pode ser
limitante. O autoconhecimento permite navegar por essas complexidades com maior
clareza e aceitação. Sugere que o autoconhecimento é fundamental para uma vida
plena e gratificante. Ainda que a vida seja repleta de dualidades, escolhas
morais e desafios éticos, o autoconhecimento é apresentado como a chave.
Trata-se de entender suas próprias motivações, fraquezas, valores e propósitos.
Essa introspecção permite uma navegação mais consciente e autêntica pela vida.
Dualismo
é uma concepção filosófica ou teológica do mundo baseada na presença de dois
princípios ou duas substâncias ou duas realidades opostas, irredutíveis entre
si e incapazes de uma síntese final ou de recíproca subordinação. Para Platão,
existem dois mundos, ou seja, a realidade estava dividida em duas partes: O
mundo sensível (mundo material), mediados pelas formas autônomas que
encontramos na natureza, percebido pelos cinco sentidos; e o mundo das ideias
(realidade inteligível) denominado de “mundo ideal”, ou seja, aproxima-se da
ideia de perfeição de algo. Ou seja, através do conhecimento é possível
transcender do mundo material ao mundo das ideais e contemplar as ideias
perfeitas, alcançando assim, a felicidade.
A
dualidade é uma das formas que a Fonte (Singularidade) se manifesta onde Yang
tende a se expandir, se afastar do centro, se tornar mais complexo, gerando
variações e Yin tende a contrair-se, ir em direção do centro, retornar a
simplicidade da unidade. A filosofia chinesa refere-se a essas associações como
complementares. Já a filosofia ocidental, associa a isso uma ideia de oposição.
Quente ou frio, alto ou baixo, claro ou escuro. O interessante é perceber que
não teríamos consciência de um se não fosse pelo outro, sendo a dualidade
fundamental para que se tenha noção do mundo físico. Mas, o dual ou o
complementar (dependendo do ponto de vista), não existe apenas na matéria. A
ideia que temos de nós mesmos também é baseada na dualidade, e por que não dizer,
na oposição. Estamos tratando do bem e do mal.
O
bem e o mal são vistos dois guerreiros poderosos que se enfrentam todos os dias
dentro de nossas mentes frágeis. Sob a ótica psicológica, o mal nada mais é que
nossas partes renegadas. A sociedade impõe comportamentos considerados
apropriados para a chamada “boa convivência” e os comportamentos fora do padrão
vigente são relegados às sombras. Luz para o aceitável, escuridão para o
inaceitável. Eis a dualidade. Quando negamos nossos defeitos, medos, equívocos,
negamos a nós mesmos em essência, porque aquilo que parece ser o certo para um
grupo ou pessoa em particular, pode custar o talento, a individualidade ou os
direitos de um terceiro. Ou seja, O bem-estar de uma maioria pode não coincidir
com os direitos de uma minoria.
Temos
o costume de ver as diferenças como uma dicotomia. Exemplo: a vida é diferente
da morte, o bem é diferente do mal, a luz é diferente da escuridão etc., embora
isso seja verdade por um lado, de maneira oculta, ambas polaridades são
diferentes partes de um processo só. No entanto, o pensamento dicotomizado
interfere na autogestão da consciência, pois gera tendências intolerantes em
relação as diversidades que existem nas pessoas, nas situações e as várias
faces da existência em si, que são muitas vezes paradoxais. Imprescindível é
desenvolver o que Alan Watts chama de "pensamento polar", apesar de
não ser exatamente um pensamento e sim uma forma de percepção, onde a sensação
e sentimento também estão envolvidos.
Tal
pensamento desperta a consciência de que todas as coisas se acham interligadas,
ainda que pareçam anular-se mutuamente. Daí sua relevância, pois, passamos a
nos ver de maneira mais completa e integrada, e as oposições se fazem
contributivas do progresso do todo do qual fazemos parte. Somos os cocriadores de tudo o que existe, um
"pequeno" ato afetará toda existência, pois tudo está interconectado,
e isso pode ser usado de maneira produtiva ou destrutiva, como diria Carl
Gustav Jung: "Não somos anjos ou demônios, somos os dois.” O grande
desafio no mundo da matéria é aprender a transformar o egoísmo extremo em que
está mergulhada a humanidade – e que gera uma série de conflitos internos e
externos – num ato de receber para compartilhar amor, alegria, bondade, tempo,
saúde e conhecimento.
"Toda
matéria é somente energia condensada em vibrações baixas, somos todos a mesma
consciência tendo experiências de maneira subjetiva. Não existe o que chamamos
de morte, a vida é só um sonho, e nós somos a imaginação de nós mesmos",
afirma Bill Hicks. Portanto, é possível, sim, colocar luz sobre a sombra e
transformá-la em luz radiante. Uma é apenas ausência da outra, e a capacidade
humana de aceitar-se tal como é, ou seja, clara e escura, fria e quente, doce e
amarga é que faz a vida ser o que é, os dois lados de uma mesma moeda. Iluminemos
o caminho, conforme a exortação do Sublime Mestre quando nos diz: "Vós
sois a Luz do Mundo" (Mateus 5:14). Portanto, exerçamos a função ou até
mesmo o impulso natural de compartilhar "luz" (sabedoria,
conhecimento, verdade).
Figura
um ato de generosidade e um pilar fundamental para o crescimento individual e
coletivo. É um processo que enriquece tanto quem partilha quanto quem recebe,
iluminando caminhos e promovendo a evolução. Compartilhar a luz não é tentar
impor sua visão de mundo aos outros, mas sim oferecer ferramentas para que cada
um encontre seu próprio caminho e sua própria verdade. É um ato contínuo que
fortalece os laços humanos e nos ajuda a construir um mundo mais consciente e
compassivo. A mudança para um mundo mais consciente e compassivo é um
processo contínuo que exige dedicação, mas cada pequena ação faz a diferença. Trata-se
de uma transformação que envolve desacelerar, acolher, praticar a
empatia e agir com solidariedade.
Descreve
um processo de humanização profunda e uma mudança de
paradigma nas relações interpessoais, que valoriza a conexão humana sobre a
pressa e o individualismo. A pressa e o individualismo na
sociedade contemporânea são fatores preponderantes no enfraquecimento
da conexão humana. A busca incessante por sucesso individual e a velocidade
das interações, muitas vezes superficiais e funcionais, resultam em uma
crescente sensação de solidão e indiferença pelo outro. Embora a tendência
atual aponte para o individualismo, a necessidade de conexão e pertencimento
permanece como uma característica humana fundamental. Autores como Émile
Durkheim argumentaram que, mesmo em sociedades industriais, a pessoa humana é a
única figura capaz de fundar uma verdadeira solidariedade.
A pressa é inimiga das "grandes histórias" e das conexões significativas. A pressa e o individualismo criam barreiras significativas para a conexão humana autêntica, resultando em solidão e desarmonia social. É essencial desacelerar e estar verdadeiramente presente nas interações, como também, é preciso redescobrir o valor do coletivo, percebendo que as realizações individuais dependem do social e que ninguém é autossuficiente. Valorizar a qualidade sobre a quantidade é crucial, tendo com fito relacionamentos profundos e significativos em vez de buscar um grande número de conexões superficiais. A conexão humana na era da pressa e do individualismo exige um esforço consciente para priorizar o bem-estar coletivo, a empatia e o tempo de qualidade dedicado aos outros.
Humanizar as relações requer movimento amplo que busque resgatar a dignidade e a consideração mútua nas interações pessoais e profissionais, valorizando a escuta ativa e o acolhimento. A humanização não é uma ação isolada ou pontual, mas, um processo contínuo e coletivo que demanda o envolvimento e o protagonismo de todos os sujeitos envolvidos (indivíduos, comunidades, instituições, governos) para construir novas realidades e modos de interação. Envolve uma mudança profunda na cultura, promovendo valores como respeito, ética e inclusão, que se traduzem em práticas concretas, como a melhoria da comunicação, a capacidade de ouvir e a consideração pela subjetividade e integralidade do outro, afinal, entre o bem e o mal, conhecer-se a si mesmo é a beleza dos dias, já que somente ao entendermos a complexidade do nosso próprio ser podemos verdadeiramente apreciar e compreender a complexidade dos outros.
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