Entre
a bajulação e humildade arrumamos os passos, sugere que o caminho da vida, com
suas decisões e direção, é determinado pelo equilíbrio entre esses dois
comportamentos opostos. É um convite à reflexão sobre como lidamos com as
influências externas e a nossa própria percepção de valor. A bajulação e a
humildade representam extremos que afetam a nossa jornada, tanto na relação com
os outros quanto na percepção sobre nós mesmos. O verdadeiro crescimento
pessoal e a construção de um caminho digno e significativo vêm da humildade
genuína, e não da bajulação interesseira.
Bajular significa adular ou lisonjear alguém com o intuito de obter alguma vantagem. A palavra vem do latim bajulare, que significa "levar às costas". A bajulação – o ato de bajular – é normalmente caracterizada pelo exagero dos elogios ou carinhos. Cada um de nós mente ao seu próximo; seus lábios bajuladores falam com segundas intenções; dizem: venceremos graças à nossa língua; somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós? confirma o Rei Salomão no Livro dos Salmos (Salmos 12:2;4).
Segundo Lívia West, o bajulador tem o objetivo de “subir ao topo por qualquer meio necessário”. A psicóloga explica que eles operam estrategicamente, maltratando ou sabotando os colegas que estão no mesmo nível ou abaixo deles, ao mesmo tempo em que se aproximam dos superiores. O bajulador é falso o tempo todo. Ele finge gostar muito de seus chefes, finge ter interesse em coisas estratégicas, e finge ser um funcionário perfeito, mas, é enviesado. Por isso, o comportamento do puxa saco é sempre forçado.
A bajulação é de fato uma perversão. Com tantas artimanhas, torna-se difícil distinguir o amigo do bajulador. A bajulação vai mais longe que a amizade, em matéria de pequenas amabilidades. O verdadeiro bajulador parece sempre divertido e expansivo, não se opõe a nada, jamais contradiz, explica Plutarco. Enquanto a honra constrói relacionamentos sólidos e sustentáveis, a bajulação pode gerar desconfiança e superficialidade nas interações, pois se revela com o tempo como um ato de interesse próprio. A humildade antecede a honra, reputa o Rei Salomão no Livro dos Provérbios (Provérbios 15:33)
Humildade é uma característica ou qualidade que possui uma pessoa que age com simplicidade, sem arrogância, soberba ou prepotência em suas atitudes ou palavras. Humildade (do latim humilitas) é a virtude que consiste em conhecer as suas próprias limitações e fraquezas e agir de acordo com essa consciência. Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas. Walber Luidhy afirma que: "nossa humildade é testada todos os dias, a partir de nossas atitudes e ações”.
Em teoria, a humildade é tida como uma qualidade bastante positiva e benéfica, onde ninguém é pior ou melhor do que os outros, estando todos no mesmo nível de dignidade, de cordialidade, respeito, simplicidade e honestidade. Coisa que visivelmente se constata no devotamento e abnegação de João, o Batista, face a missão que vira cumprir, quando disse: "É necessário que Ele cresça e que eu diminua" (João 3:30), sabedor que "Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz" (João 1:8).
A humildade é um processo psicológico que possibilita uma pessoa a olhar a si mesmo e os outros numa perspectiva realista, nem mais e nem mais do que é, no entanto não é uma qualidade única, mas um feixe de qualidades que a compõe. “Humildade não é servidão. É, sobretudo, independência, liberdade interior que nasce das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente renovação para o bem. Cultivá-la é avançar para a frente sem prender-se, é projetar o melhor de si mesmo sobre os caminhos do mundo, é olvidar todo o mal e recomeçar alegremente a tarefa do amor, cada dia", esclarece Emmanuel no Livro Pensamento e Vida – (1ª Ed), Capítulo 24.
Portanto, "Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo", admoesta o Sublime Mestre Jesus e João eterniza a lição em seu Evangelho (João 3:7). A humildade é a capacidade que uma pessoa tem de perceber a si mesma e levar em conta a necessidade e o bem-estar das pessoas com quem interage, ao invés de focar em si. Embora ser humilde exija reconhecer nossas próprias dificuldades, limitações e limites, isso não significa fazer uma demonstração deles. Humildade significa viver na verdade, aceitando que não somos perfeitos.
“Seja uma pessoa que valoriza a essência, não a aparência, cultive os valores mais profundos e não caia na tentação de se tornar um "super" em um mundo de estrelas sem brilho próprio. Lembre-se: Você é do tamanho dos seus sonhos. O grande néctar da vida é a possibilidade de realizar o divino que existe dentro de cada um de nós. É importante perceber que o despertar da vida depende de você. Libere seu coração e deixe que ele construa seu destino. Sua vida muda quando você muda”, ressalta o médico Roberto Tadeu Shinyashiki.
Immanuel Kant assevera que "a humildade é a virtude central da vida, uma vez que dá uma perspectiva apropriada da moral." Assumir erros exige muita coragem em um mundo que parece feito de pessoas que sempre ganham todas. Assumir nossa ignorância exige muita humildade nesse mundo de quem sabe tudo. Aja para o bem, enquanto há tempo. A humildade implica em permutar conhecimento, serviço, ajuda etc. numa tão perfeita simbiose com a preocupação em ser sempre a melhor sede face ao espírito de cooperação e compartilhamento, erigida sob o império dos interesses e vontades comunais, que coíbem os preconceitos, erros e vícios, alicerçando firmemente a construção social sobre a rocha da aceitação.
Entre a bajulação e humildade arrumamos os passos aduz que ao longo da vida, precisamos constantemente calibrar nossas ações. Precisamos evitar os desvios causados pela bajulação, que levam a relações superficiais e baseadas em interesses, e nos guiar pela humildade, que constrói relações sinceras e nos permite evoluir como seres humanos. É preciso rejeitar a falsidade da bajulação e abraçar a solidez da humildade para construir uma vida autêntica e significativa, jamais guia pela insegurança que busca bajulação, tão pouco pela arrogância que a despreza por completo.

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