Embora as lutas pela independência tenham sido encabeçadas pela elite, a
participação dos hipossuficientes na Guerra de Independência do Brasil foi
fundamental, apesar de a história oficial ter negligenciado esse fato.
Cativados pela promessa (ou pela esperança) de liberdade e pela busca por
melhores condições de vida e cidadania, a plântula da nação brasileira participou
ativamente dos combates e da construção de fortificações, especialmente na
Bahia, que tem o dia 2 de Julho como símbolo da Resistência não somente para os bahianos, mas sim, para todos brasileiros .
Diversos grupos sociais engajaram-se na luta. A população indígena se envolveu no conflito e lutou em diversas regiões do Brasil e, em alguns casos, sua participação foi crucial para a expulsão das tropas portuguesas. Pessoas de classes populares, como os libertos, pobres livres e imigrantes de diversas etnias e países, também lutaram na guerra pela Independência do Brasil. Os afrodescendentes foram fundamentais para a concretização da independência e a posterior construção do país.
Evoco, por justo merecimento, a líder afrodescendente Maria Felipa de Oliveira que, no século XIX, comandou um grupo de mulheres na Ilha de Itaparica, na Bahia, para combater as invasões portuguesas durante a luta pela Independência do Brasil. Corajosamente, ela e suas "vedetas" usaram galhos de cansanção para incapacitar os soldados portugueses e, em seguida, atearam fogo na Canhoneira Dez de Fevereiro e a Barca Constituição, um feito crucial para a vitória brasileira na Bahia, pois, impediu a tomada do Recôncavo Baiano.
A história de Maria Felipa, antes esquecida, tem sido resgatada e celebrada como símbolo do protagonismo feminino e afro-brasileiro na luta pela independência, era pescadora, marisqueira e ganhadeira e, também, praticava a capoeira. Descrita como alta e corpulenta, ela usava saias rodadas, chinelas e turbantes para esconder facas e outros objetos para a luta. Seu legado inspira a luta por visibilidade e emancipação das mulheres negras no Brasil, com a celebração da resistência e coragem afro-brasileira.
Reconhecida por sua notória coragem e liderança, especialmente em livros como “Maria Felipa: A Guerreira da Bahia” de Gilberto Freyre e “A Independência do Brasil” de Mário Maestri, que enaltecem sua importância na resistência popular e sua contribuição na conquista da independência. A História de Maria Felipa também é resgatada em obras sobre o papel das mulheres na história do Brasil, como “Mulheres que Fizeram História” e “A Mulher e o Brasil”, que destacam a força feminina nas lutas sociais e políticas do país.
Seu reconhecimento, antes restrito à tradição oral, foi resgatado no século XX por pesquisadores e ativistas, resultando em homenagem na lei, monumentos, escolas e no próprio cortejo do 2 de Julho, em Salvador. A Lei Nº 13.697/2018 inscreveu, de forma oficial, o nome de Maria Felipa de Oliveira no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, localizado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. Sua determinação e inteligência são um símbolo de soberania popular.
As lutas pela independência estavam intrinsicamente ligadas ao desejo de abolir a escravidão, um desejo que motivou muitas das ações negras e que foi central nas reivindicações da população negra. Porém, esta luta por autonomia e direitos, iniciada há séculos, é fundamental para a abolição da escravidão, que permanece inacabada no Brasil devido à marginalização e opressão persistentes da população negra, que são vencidas, batalha por batalha, por meio da cultura de respeito através de ações de inclusão social.
Por relevante, as formas de inclusão social incluem ações como educação inclusiva, ações afirmativas (como cotas raciais e para pessoas com deficiência), design universal para criar espaços e tecnologias acessíveis a todos, campanhas de conscientização sobre diversidade, desenvolvimento de programas de inclusão financeira e digital, implementação de leis antidiscriminação e de proteção a grupos vulneráveis; ferramentas de integração social, como o esporte, que incitam a participação dos excluídos em eventos e atividades.
Uma sociedade inclusiva é uma agência do amor, promove a aceitação e o respeito pela diversidade; garante igualdade de acesso a direitos, educação, saúde e emprego, o que por sua vez melhora a qualidade de vida e o equilíbrio individual e coletivo; combate à exclusão, a vulnerabilidade social. É o mais augusto resultado da aplicação da equanimidade (o ato de agir de forma justa e imparcial), da diversidade (o reconhecimento das diferenças) e da inclusão (a ação de garantir que todos se sintam bem-vindos e aceitos).
Não esqueçamos que a equanimidade é a base para a prática de amor, compaixão e alegria de forma genuína e imparcial, fortalecendo os laços com os outros, promovendo confiança e crescimento mútuo que somente o amor promove. O amor genuíno fomenta a liberdade, pois um vínculo forte e saudável não aprisiona, mas sim permite que os indivíduos se desenvolvam e vivam de forma autêntica. Amar ao próximo transforma a rotina diuturna em atos enaltecedores, cheio de representatividades e protagonismos mil.
Neste toar, percebamos a liberdade como o protagonismo mais relevante do ser humano, pois, lhe permite ser o agente da sua própria vida, tomando decisões e agindo com base nas suas escolhas, valores e consciência, manifestando uma independência que o leva a moldar sua realidade e assumir a responsabilidade pelos seus atos, compreendendo que cada decisão tem um impacto e que a vida é construída através delas e, isto, implica assumir as consequências das próprias escolhas e ações.
Nenhum comentário:
Postar um comentário