A persistência e a bravura são essenciais para que indivíduos ou nações alcancem a liberdade e a autonomia. A determinação representa o esforço contínuo para atingir metas, enquanto a coragem é a força necessária para enfrentar e superar desafios, medos e oposição. Juntos, esses atributos permitem que as pessoas ou comunidades se libertem de opressões e construam seu próprio destino, inspirando mudanças, progresso e continuísmo.
É através da conscientização, ou seja, do desenvolvimento de um entendimento crítico da realidade de opressão e das próprias causas que a sustentam, que os explorados e oprimidos podem tomar o seu destino nas próprias mãos e iniciar uma transformação social. Mas, não basta ter consciência da opressão, é preciso desejar e lutar por uma mudança. A luta consciente é sobre os oprimidos agirem para se libertar e construir um futuro com mais igualdade e justiça.
A luta contra as opressões encontra na educação um pilar fundamental para a transformação social, atuando como ferramenta para conscientizar, empoderar indivíduos e desconstruir preconceitos e desigualdades, como as enfrentadas pelos afrodescendentes, que historicamente sofrem com a discriminação, porém, continuam a lutar contra as desigualdades no mercado de trabalho, na educação e em outros aspetos da vida, bem com, contra preconceitos e racismos.
Evoco, Maria Quitéria de Jesus Medeiros, órfã de mãe, que aos dez anos assumiu a responsabilidade de cuidar da casa e dos irmãos. Analfabeta, que aprendeu a montar e usar armas, ofício que a levou ser a primeira mulher militar do Brasil, pois, disfarçada de homem integrou o Batalhão dos Voluntários do Príncipe (ou Batalhão dos Periquitos) nas tropas do Brasil que lutavam por sua independência, alçando, por sua competente bravura, à condição de 1ª cadete, graduada pelo General Pedro Labatut.
Por justo mérito, D. Pedro I a honrou com o grau de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro. E o Imperador fez mais, após reconhecer seu engajamento, bravura e altruísmo a serviço do jovem Brasil e depois vencida a guerra, enviou uma carta ao pai de Maria Quitéria pedindo o perdão pela desobediência da filha, que é para a nação brasileira um símbolo de resistência e coragem, mostrando que as mulheres também podiam ter um papel ativo e essencial na guerra pela independência.
Acompanhando a Monarquia, a República Federativa do Brasil, por Decreto de seu mui bastante presidente, Fernando Henrique Cardoso, em 28 de Junho de 1996, Maria Quitéria de Jesus Medeiros, foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. E em 2018, a Lei Federal nº 13.697 inscreveu o nome de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, juntamente com outras personalidades da Independência da Bahia.
A História de Maria Quitéria, embora muitas vezes ignorada, é um ícone de coragem, especialmente para os hipossuficientes, simbolizando a busca por oportunidades e um espaço de reconhecimento e dignidade para pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, já que, assim como qualquer pessoa, os indivíduos hipossuficientes também deveriam ter um "lugar ao sol", ou seja, ter a chance de acessar oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional.
As oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional incluem ações como buscar mentores, participar de workshops e cursos, desenvolver habilidades de liderança, comunicação e gestão do tempo, e construir um forte networking. Investir nestas áreas não só aprimora o desempenho e a adaptabilidade no mercado de trabalho, mas também, promove o autoconhecimento e a satisfação pessoal, tornando-se uma necessidade no ambiente dinâmico atual.
O autoconhecimento serve para que as pessoas consigam entender como suas emoções surgem e controlá-las conforme as circunstâncias da vida exigirem, sejam em relacionamentos familiares, amorosos, de amizade ou de trabalho. Não é um processo fácil e, com certeza, dura uma vida inteira, pelo menos. Porém, o autoconhecimento vai mais longe, pois, vetoriza a dignidade humana ao permitir que indivíduos definam e vivenciem os seus próprios valores e propósitos.
A capacidade de se sentir bem e satisfeito consigo mesmo, baseado no conhecimento de seus próprios valores, reflete a autonomia e o respeito pela própria individualidade, elementos fundamentais da dignidade humana. A dignidade humana fundamenta o direito à busca pela felicidade, pois para ser digno, o indivíduo deve ter a liberdade de buscar e alcançar seu bem-estar, traçando um caminho de vida coerente com suas aspirações e capacidades.
Com perseverança e a boa vontade, que são elementos cruciais para uma vida coerente, enfrentamos as dificuldades e mantemo-nos firmes nos objetivos, ancorados na boa vontade que impulsiona a busca pelo bem e a conexão com os princípios de uma convicção que nutre a esperança, que nos leva a dedicar nossas vidas em benefício dos outros, na mesma proporção que nos determinamos a procurar para nós mesmos autonomia, felicidade e evolução contínuas.
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