A
Independência do Brasil é marcada pela profunda influência Cristã na
sociedade e na política, e por um ato de devoção de D. Pedro I a Nossa Senhora
Aparecida que simboliza a espiritualidade por trás do processo de
emancipação. Este ato de buscar inspiração divina reforça a conexão entre
a fé, a identidade nacional e a busca por um futuro mais justo, próspero e
feliz para a nação brasileira.
Cabe salientar que a devoção a Nossa Senhora Aparecida se tornou um fator unificador em um momento de grandes turbulências, fortalecendo a unidade em tempos de incerteza, porém, firme na esperança de alcançar a autonomia política, o fim do domínio português e o crescimento de setores como: o cafeeiro e o algodoeiro, sobretudo no Sudeste, impulsionados também pela chegada de imigrantes europeus.
Aportando irrestrito apoio a D. Pedro I, a Igreja Católica teve um papel ativo na Independência do Brasil, exercendo influência considerável nos aspectos sociais, políticos e culturais do Brasil, tanto no apoio à causa da emancipação quanto na legitimidade do novo império, com o clero e os bispos promovendo a ordem constitucional e a união nacional, sendo um importante elemento para a construção do país
Neste afã, as dioceses do Rio de Janeiro, Mariana, Olinda, São Luís, Belém, São Paulo e Cuiabá, buscaram garantir a preservação da fé e dos valores católicos como pilar da jovem nação. Assim motivados e motivadores, emitiram cartas pastorais apresentando a mais valia da formação de um país constitucional e independente, afinal o patriotismo é visto uma virtude dentro da tradição católica. A diocese gaúcha teve um papel relevante neste processo.
O Ceará, também, foi palco de muitas movimentações, e a diocese teve um papel na divulgação das novas ideias de independência. E não somente os Bispos, mas, o próprio clero participou ativamente na organização e na sustentação da independência, através de discursos, missas e outros tipos de comunicações, inculcando a certeza de que a luta pela independência é uma expressão do dever cristão de amor ao país e à comunidade.
Para contar a participação Bahiana, evoco a Abadessa Joanna Angélica de Jesus, religiosa pertencente à Ordem das Reformadas de Nossa Senhora da Conceição, que bravamente, com o rosário em mãos, enfrentou a Horda Portuguesa lhe determinando: “...Para trás, bandidos! Respeitai a casa de Deus! Só entrarão passando por cima do meu cadáver!”, como contam geração após geração os arautos da sagaz, resistente e proeminente baianidade.
Reza a tradição e afirmam todos os documentos da época que, de todos os fatos lutuosos dos tormentosos dias 19 e 20 de fevereiro de 1822, nenhum impressionou mais fundo a alma da Bahia do que o selvagem ataque dos soldados contra o indefeso Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, onde morreu nobremente a primeira heroína da epopeia da Independência, Abadessa Joanna Angélica, afirma Bernardino José de Souza (1).
Joanna Angélica torna-se, assim, a primeira mártir da grande luta que continuaria, até a definitiva libertação da Bahia, no ano seguinte, em 2 de julho, data efetiva da independência baiana. A corajosa Abadessa Joanna Angélica é lembrada, desde então, por sua coragem e bravura, representando a defesa das instituições e a resistência à opressão colonial. Cabe destacar que a historiografia baiana a incorporou como um ato patriótico.
O reconhecimento ao Patriótico Martírio de Joanna Angélica de Jesus se manifesta através da sua inclusão no Panteão da Pátria, do seu martírio na luta pela liberdade, do mausoléu no Convento da Lapa, onde viveu, do uso do seu nome em uma via pública e da inscrição do seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, conforme a LEI FEDERAL nº 13.697/2018. Joanna Angélica é um símbolo da defesa da liberdade e da fé.
A fé funciona como um vetor para a inclusão social ao inspirar e motivar ações que promovem a aceitação, o amor e o respeito por todos os indivíduos, independentemente das suas diferenças, com base nos ensinamentos religiosos, como a doação de amor ao próximo, a valorização de capacidades individuais e a criação de ambientes acolhedores dentro das comunidades de fé e na sociedade em geral.
A fé age como um motor para a ação, habilitando o indivíduo a ir além das suas limitações percebidas e a lutar pelos seus objetivos com uma mentalidade de vitória. Ao aceitar a fé como uma decisão de dar o próximo passo, apesar do desconhecido, o indivíduo fortalece sua capacidade de superar desafios e de se tornar mais resiliente e autônomo, elementos fundamentais para o sucesso pessoal e profissional.
Uma fé enraizada dá sentido à existência, confere propósito à vida e fortalece o indivíduo nas suas convicções, permitindo-lhe construir uma identidade mais estável e resiliente face às adversidades e incertezas. Portanto, a fé e a identidade estão intrinsecamente ligadas, pois a fé fornece as crenças, valores e um sistema de significado que ajudam a moldar a compreensão de quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
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REFERÊNCIAS
INSPIRDORAS
(1)
Bernardino José de Souza, Heroínas Bahianas: Joanna Angélica, Maria Quitéria,
Anna Neri. Brasília: Editora Paralelo/MEC (1972)
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