sábado, 6 de setembro de 2025

UM SEXTO TRIBUTO ÀS HEROÍNAS DA INDEPENDÊNCIA

 


Arte de conter o poder, a diplomacia sustenta-se sobre a negociação, o convencimento e a persuasão, pois, são pilares cruciais para o sucesso em diversas áreas da vida e profissional, pois, permitem alcançar acordos, influenciar pessoas e construir relacionamentos duradouros através da apresentação, transparente de argumentos e da criação de um terreno comum, onde os litigantes contentam seus direitos em harmonia.

O sucesso diplomático requer a aplicação eficaz de técnicas como o uso da lógica (Logos), da emoção (Pathos) e da credibilidade (Ethos), além de princípios como reciprocidade, autoridade e escassez, de acordo com o psicólogo Robert Cialdini (1). A diplomacia brasileira foi crucial durante o período da independência, participando ativamente das transformações e disputas políticas que levaram ao reconhecimento da soberania do país.

Desde a fase anterior à independência, os esforços diplomáticos foram decisivos para negociar com Portugal e com outras potências, buscando a continuidade das relações políticas e comerciais estabelecidas desde 1808, mas, agora sob uma nova condição de igualdade. Diplomata arguta, D. Leopoldina, quebrou o status de mera esposa do príncipe regente e agiu como força política e intelectual, sendo imprescindível à independência do Brasil.

A educação que Leopoldina recebeu foi eclética e ampla, de nível cultural superior e formação política consistente. Tal educação dos príncipes e princesas Habsburgo baseava-se na crença educacional de seu avô Leopoldo II, que acreditava "que as crianças deveriam ser desde cedo inspiradas a ter qualidades elevadas, como humanidade, compaixão e desejo de fazer o povo feliz” (2).

Nascida Leopoldina Carolina Josefa de Habsburgo-Lorena, filha do imperador Francisco I, arquiduquesa da Áustria e primeira esposa do Imperador Pedro I, portanto Imperatriz Consorte do Brasil de 1822 até sua morte precoce em 1826, aos 29 anos, em decorrência de complicações de um aborto espontâneo, possivelmente causado por agressões do marido, D. Pedro I. Seu enlevo fez prodígios diplomáticos a favor do Brasil nascido por suas mãos.

Na ausência de D. Pedro, D. Leopoldina assumiu a regência interina do Brasil com plenos poderes, reuniu intelectuais e políticos para o lado da independência, usando sua cultura e desenvoltura para aproximar esses grupos de D. Pedro. Ela usou sua posição para firmar a ruptura com Portugal, antecipando o que o Brasil já desejava e o movimento da independência que se tornava inevitável foi por ela outorgado em 2 de setembro de 1822.

As atas da reunião, presidida por ela, registram a decisão de resistir às ordens de Lisboa e de tomar "enérgicas providências" para a defesa do Brasil. (3) Após a reunião, D. Leopoldina assinou a proclamação de independência e essa decisão foi levada imediatamente ao príncipe regente (em viagem a São Paulo). Em sua a carta influente ela reportou a D. Pedro as pressões de Portugal contra ele e desfavoráveis aos interesses do povo brasileiro.

Vanguardista, a futura Imperatriz do Brasil, descreveu a situação do Brasil como um "vulcão" que, com ou sem o apoio de D. Pedro, se separaria de Portugal. D. Leopoldina aconselhou ao esposo a declarar a independência e este o fez às margens do Ipiranga, às 16h30 de 7 de setembro de 1822: “Laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!” Nascia o jovem império brasileiro.

Por justo, na realidade, justíssimo, cabe dizer que apesar da vida curta e do sofrimento pessoal, o impacto de Maria Leopoldina na história do Brasil foi profundo e duradouro, solidificando seu lugar como uma das figuras mais importantes na fundação do império. Símbolo de união, após a independência, colaborou na criação da bandeira imperial do Brasil, unindo o verde da dinastia Bragança ao amarelo da dinastia Habsburgo, da qual era originária.

A Arquiteta da Independência é cada vez mais reconhecida como a mente por trás da decisão de romper com Portugal, usando sua influência e poder como regente para garantir a unidade e a soberania do Brasil. Sua popularidade em vida, especialmente entre os mais pobres e os escravizados, que a viam como uma protetora, consolidou a imagem de D. Leopoldina como a "mãe dos brasileiros", uma figura de afeto e respeito na memória nacional.

Graças a sua Imperatriz, os brasileiros puderam desenvolver um senso de unidade e pertencimento a uma nação única, com sua própria história, cultura e instituições. E já sonhavam com: prosperidade econômica, estabilidade política, maior controle sobre os recursos naturais do país, industrialização que oportunizaria empregos e melhor distribuição de renda. Porém, venceu-se esta batalha, mas, a guerra pela independência continua.

O Brasil ainda busca a autonomia em relação ao comércio internacional e a um parque industrial robusto, algo que a independência não garantiu de imediato. Mas, promovendo a diversificação de mercados e parceiros para suas exportações, aumentando o foco em produtos com maior valor agregado e buscando a eliminação de barreiras impostas a seus produtos no exterior o Brasil protagoniza seu destino sob o sol da independência.

Por oportuno, cabe destacar que o comércio exterior brasileiro teve, em 2023, o maior superávit de sua história. O valor total de suas exportações no ano chegou a quase 340 bilhões de dólares, enquanto suas importações foram pouco acima de 240 bilhões. Portanto, o resultado total, ou seja, o saldo da balança comercial – claro, positivo – gerou um superávit para o Brasil de 98,8 bilhões de dólares.

Reforça a Agência Brasil (2), reportando que a balança comercial brasileira fechou o mês de agosto último com superávit de US$ 6,133 bilhões, segundo divulgado em 4 de Setembro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No mês passado, as exportações somaram US$ 29,861 bilhões, enquanto as importações ficaram US$ 23,728 bilhões. Com isso, a corrente de comércio de ficou em US$ 53,589 bilhões no mês passado.

A estratégia também envolve a criação de um mercado interno forte como plataforma de inserção internacional, a melhoria da infraestrutura, e a intensificação de acordos comerciais, além de buscar um papel mais equilibrado nas relações internacionais, afastando-se do unilateralismo e fortalecendo laços com países emergentes, ancorados no lume que estabelece e desenvolver contatos entre os governos de diferentes Estados: Diplomacia.

Cabe salientar que além dos interesses comerciais, a diplomacia brasileira busca o estabelecimento de parcerias e a cooperação em diversas áreas, contribuindo para um desenvolvimento mais abrangente e sustentável, como, por exemplo: ranquear o Brasil como líder em economia verde, já que 49% de sua matriz energética é renovável, contra, por exemplo, aproximadamente, 20% nos EUA e 15% na Alemanha. 

Assim, em franco engajamento em organismos internacionais, o Brasil utiliza esses fóruns para promover seus interesses comerciais e buscar alianças que fortaleçam sua posição no cenário global, sob o protagonismo de um corpo diplomático forte composto por diplomatas qualificados que habilidades de negociação, resolução de conflitos, empatia e capacidade de comunicação, representando eficazmente os interesses brasileiros.

Embora a diplomacia não vetorize mais a independência do Brasil porque esta já foi alcançada e reconhecida, principalmente por Portugal através do Tratado do Rio de Janeiro em 1825, o papel da diplomacia continua a ser fundamental na construção da soberania e do desenvolvimento do país no cenário internacional, fomentando relações proveitosas, negociando soluções para desafios comuns e (re) adaptando-se às novas realidades.


REFERÊNCIAS INSPIRADORAS

(1) Robert Beno Cialdini, As Armas da Persuasão (2001).

(2) Paulo Rezzutti, D. Leopoldina, a história não contada: A mulher que arquitetou a independência do Brasil. (2017).

(3) Atas do Conselho de Estado, 1822-1823. Senado Federal do Brasil. Consultado em 04 de Setembro de 2025.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...