terça-feira, 2 de setembro de 2025

UM SEGUNDO TRIBUTO ÀS HEROINAS DA INDEPENDÊNCIA

    

A verdadeira maturidade reside na capacidade de transitar entre a independência e a interdependência, sabendo quando ser autossuficiente e quando buscar apoio ou colaborar em comunidade. Sendo importante distinguir independência de liberdade: enquanto a independência é a capacidade de autogestão, a liberdade se refere a um estado interior e de autonomia. Bem como, pacificar que a interdependência requer um equilíbrio no relacionamento com os outros e com o mundo. 

Relacionamentos equilibrados e a independência feminina caminham juntos, onde a mulher busca ser protagonista de sua própria vida, escolhendo o caminho que deseja trilhar numa ambiência social em que haja paridade, respeito e colaboração. Essa busca se manifesta na luta constante por representatividade em todas as esferas da vida social, econômica e cultural, pois, a independência permite que a mulher mantenha a sua identidade, tome decisões e realize os seus sonhos, construindo sua própria felicidade.

Neste contexto, evoco Hipólita Jacinta Teixeira de Mello, a mais rica proprietária rural na região do Rio das Mortes, em Minas Gerais, no Brasil, que se destacou por seu envolvimento na Conjuração Mineira, em 1789, sendo uma das primeiras do panteão da também chamada Inconfidência, que almejava criar uma república no Brasil, implementar a liberdade comercial, acabar com os impostos excessivos e formar universidades, protagonismos que a médio e longo possibilitaria ao Brasil similitudes com o velho mundo.

Estas propostas sociais da Inconfidência Mineira embora limitadas a um caráter elitista, indiretamente trariam incontestáveis melhorias às condições de vida, a médio e longo prazos: educação de base como forma de alavancagem de universidades, implantação de hospitais atrelados às universidades favorecendo com isso as pesquisas e descobertas de novos fármacos e métodos de tratamento de endemias e epidemias, industrialização que oportunizaria empregos e melhor distribuição de renda.

Deste providencial rompimento da dependência com as metrópoles no velho mundo, emergiria uma identidade de agência genuinamente brasileira, sob os auspícios Arcádia Ultramarina, que fora criada com a finalidade de inspirar o povo a enfrentar desafios diários e a lutar por causas importantes, representando a coragem e a busca pela liberdade, tendo por lema um fragmento do verso 27 das Éclogas do poeta romano Virgílio: “Libertas Quae Sera Tamen” que significa "Liberdade, ainda que tardia".   

Cativada pelos ideais humanistas vindos do Iluminismo Dona Hipólita Jacinta, tão bravamente quanto a rainha amazona que lhe empresta o nome, envidou o melhor dos seus esforços para a inconfidência lograsse êxitos total em seus propósitos, não somente financiando diversas iniciativas revolucionárias da Arcádia Ultramarina, como também, cedendo-lhe sua fazenda da Ponta do Morro para que lá reunissem os inconfidentes. Destemida, Hipólita é autora da carta que denúncia Joaquim Silvério dos Reis com traidor.

“Mais vale morrer com honra do que viver com desonra”, afirma Hipólita em carta que enviou ao Padre Toledo dizendo-lhe da prisão de Tiradentes no Rio de Janeiro, em 1789. Hoje, quae sera tamen, quase dois séculos após sua morte, Hipólita é honradamente reconhecida como heroína brasileira, a partir da Lei Federal nº 15.086/2025, que inscreve seu nome no Livro dos Heróis e Heroínas do Brasil.  Sua voz altiva é exemplo-mor de defesa da liberdade, da independência, da república, da democracia e da equanimidade das relações.

Ao cultivarmos a equanimidade, vemos as situações sem identificação ou reações excessivas, mantendo a paz interior e a estabilidade emocional. Isso permite lidar com conflitos e dificuldades de forma mais serena, promovendo uma compreensão mais profunda da natureza transitória das experiências humanas. A equanimidade é a base para a prática de amor, compaixão e alegria de forma genuína e imparcial, fortalecendo os laços com os outros, promovendo confiança e crescimento mútuo que somente o amor promove. 

Fator de humanidade, o amor é um chamado para viver com um propósito maior, onde cada ação é vista como uma oportunidade para expressarmos o melhor de nós ou os nossos princípios, e este agir transforma a rotina diuturna em atos enaltecedores e cheio de representatividades. O amor genuíno fomenta a liberdade, pois um vínculo forte e saudável não aprisiona, mas sim permite que os indivíduos se desenvolvam e vivam de forma autêntica. A autenticidade é imprescindível à maturidade.

A verdadeira maturidade exige a capacidade de viver e agir de acordo com a própria essência e verdade, sem disfarces ou expectativas externas, sendo autêntico nas suas ações e escolhas, o que é fundamental para um crescimento pessoal genuíno. A maturidade não é apenas o tempo de vida, mas, o autoconhecimento e a coragem para ser quem você é, aceitando as próprias imperfeições e honrando os seus valores. Essa aceitação promove a autoestima, a autocompaixão e a autorrealização.

Do inter-relacionamento entre a autocompaixão, ao proporcionar autoaceitação e gentileza nos momentos de dificuldade, emerge a base para a autoestima (a percepção do próprio valor) e a autorrealização (a busca pelo próprio potencial), que se complementam e influenciam o bem-estar emocional e a capacidade de viver plena e satisfatoriamente, nutrindo relacionamentos, encontrando significado, praticando a gratidão e valorizando as experiências simples, pois, elementos essenciais de uma vida equilibrada. 

Substancial para uma vida equilibrada, a inclusão social não só reduz desigualdades, mas também, fortalece a economia e fomenta a participação cívica, criando comunidades mais harmoniosas, justas e resilientes, onde a diversidade é valorizada e contribui para a inovação e o desenvolvimento sustentável. Uma sociedade inclusiva promove o bem-estar de todos, garante igualdade de acesso a direitos, educação, saúde e emprego, o que por sua vez melhora a qualidade de vida e o equilíbrio individual e coletivo. Eis o legado de Hipólita!






 

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