quinta-feira, 27 de março de 2025

O TEATRO É BEM-ESTAR INTEGRAL, QUE BEM EDUCA!

A Educação Artística foi criada para nomear a atividade que visava abordar, de forma integrada, teatro, música, dança e artes plásticas. Por meio da linguagem e da representação, o teatro permite experimentar outras realidades e infinitos.  Assim sendo, em 1961, a Lei de Diretrizes e Bases incluiu o teatro no currículo escolar da educação básica, de forma não obrigatória. E em 1971, a LDB incorporou obrigatoriamente o teatro ao currículo escolar. O teatro é ferramenta pedagógica importante para o desenvolvimento de habilidades como a criatividade, a memorização, a comunicação e a empatia. Dentre os benefícios do teatro na educação destacamos:

ü  Estimula a leitura, a escrita e a memorização; 

ü  Desenvolve a capacidade de trabalho em equipe;

ü  Amplia o vocabulário; 

ü  Desenvolve a coordenação; 

ü  Estimula o desenvolvimento cognitivo; 

ü  Permite explorar e compreender histórias complexas; 

ü  Desenvolve a empatia; 

ü  Amplia os horizontes na discussão de temas polêmicos; 

ü  Permite aos alunos se conhecerem e se expressarem melhor. 

De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a leitura de textos dramáticos deve ser abordada de modo a analisar a organização do texto dramático apresentado em diversos meios, como teatro, televisão, cinema, identificando e percebendo os sentidos advindos dos recursos linguísticos e semióticos que sustentam sua realização, teatral, a novela e o filme. O teatro estimula o desenvolvimento cognitivo das crianças de maneiras incríveis. A linguagem teatral dentro de sala de aula possibilita o indivíduo a obter uma boa oralidade, a gesticulação, a dramatização, trabalhando a timidez e explorando mais conhecimentos. Fortemente constrói os valores e princípios para cada discente. 

No entendimento de Duarte Júnior (2008, p. 65-66), “pela arte somos levados a conhecer melhor nossas experiências e sentimentos, naquilo que escapam à linearidade da linguagem”. Ou seja, o ser humano tem todo um desenvolvimento biológico que lhe possibilita desenvolver sua comunicação através da fala, porém, esta, somente, se desenvolverá se o sujeito estiver incluído num meio sócio-histórico. O teatro possibilita a expressão e a troca de experiências entre os mais diversos sujeitos. Além dos benefícios físicos imediatos, o psicodrama, também, pode melhorar a memória e promover o pensamento abstrato, habilidades valiosas em diversas áreas da vida, incluindo a profissional. 

O psicodrama é uma dramatização guiada que pode ser usada para investigar, aprender, treinar ou compreender. Como afirma Japiassu (1998), o teatro possibilita o contato entre as diversas séries da escola, dando um acolhimento para o grupo como um todo.  A relação de pertencimento é esta sensação de que se é parte de um grupo, comunidade ou ambiente. É uma ligação psicológica que enlaça os participes do grupo. Na Psicologia, o teatro é mais do que uma prática lúdica ou instrumento terapêutico, ele pode ser um importante recurso para a promoção de transformações sociais, criação de espaços dialógicos e acesso aos afetos. A arte a favor da vida - eis a chave do pensamento de Nietzsche.

A arte transfigura o ser existente, mas, só a tragédia exprime a crença na eternidade da vida. O espírito trágico só pode ser explicado em termos musicais. A arte permite a expressão de emoções que proporcionam o equilíbrio do indivíduo com o meio, levando à sua reorganização psíquica. Esse processo ocorre sempre por via indireta, pois, "a arte nunca gera de si mesma uma ação prática, apenas prepara o organismo para tal ação" (Vigotski, 1965/1999b, p. 314). A terapia teatral é usada em práticas de saúde mental como uma forma de terapia expressiva, através da qual os indivíduos explorarem emoções, praticarem atenção plena e se conectarem com a experiência humana maior.

O psicodrama é uma técnica terapêutica que usa o teatro para tratar questões psíquicas, dividido em três etapas, são elas: aquecimento, dramatização e comentários (compartilhamento). Segundo o criador do psicodrama, o psiquiatra romeno Jacob Moreno (1889-1974), a espontaneidade abre portas para o desenvolvimento pessoal e o teatro muito favorece a sinergia interpessoal e grupal.  A obra artística é o lugar da verdade como abertura, desvelamento. Ela funda um mundo, libera um fundamento. Mas, ela somente pode fazer isso enquanto também vela o próprio fundamento, pondera Heidegger. Este fundamento é desvelar ao indivíduo algo sobre sua própria existência.

O teatro, de fato, proporciona vários benefícios para o ser humano. As artes cênicas são responsáveis por trazer mais clareza sobre o que vivenciamos no dia a dia. O mais conhecido está diretamente relacionado ao autoconhecimento. Este saber, por si só, basta para que qualquer indivíduo se conheça melhor e possa, consequentemente, se tornar alguém melhor. Com isso, a mudança se torna gradativa e constante, como o aumento da autoestima; estímulo da criatividade; aumento do senso de responsabilidade e muito mais. A tríade: quem vê, o que se vê e o que é imaginado é a grande mágica do teatro, que nos leva a grandes reflexões da história interpretada.

Aduzimos, portanto, que o teatro deixa os indivíduos mais astutos e mais seguros de si, já que, lhes facilita o entendimento do que é real e o que é imaginário ou ficção e, assim, lhes favorece uma melhor compreensão da sociedade. O teatro favorece a interação entre as pessoas. As histórias contadas e vividas pelos atores trazem o cotidiano de pessoas, lições de vida e posicionamentos sociais relevantes. O teatro retrata comunidades, seus estilos de vida, hábitos de trabalho e senso de identidade O teatro é um espelho cultural, uma ferramenta educativa e um espaço de transformação social.

Desta maneira, o teatro é considerado uma importante ferramenta para educação e desenvolvimento humano, pois, além da vida de um ser humano, sendo capaz de incentivar lhe desde o aumento do intelecto até a preservação da saúde por meio de práticas saudáveis. Assim sendo, o teatro forma pessoas mais sensíveis, respeitosas, além de colaborar bastante com a formação de pessoas menos preconceituosas, mais tolerantes e com uma visão mais inteligente acerca de tudo. Ao longo do tempo, o teatro se fez uma grande fonte de cultura para as pessoas. 

Encenar é uma arte que retoma a tempos mais distantes do que costumamos imaginar. Nos rituais primitivos da humanidade — aproximadamente há 30 mil anos — os povos já utilizavam a encenação como uma maneira de contar histórias. Por isso, o teatro é uma grande ferramenta de comunicação para as massas. Um incontestável poder de imergir os expectadores em conhecimentos e saberes que os conscientize sobre todas as demandas relacionadas à sociedade atual, pois cidadãos melhores a partir de pensamentos mais amplos e reflexivos formados pelo teatro.

O teatro e a vida estão em constante conexão e fusão, afinal a vida humana é composta por elementos que muito se assemelham a um teatro. Há o elenco, o figurino, o roteiro, o drama, muitas vezes a comédia, ou a mentira disfarçada de verdade, bem como a verdade inserida em uma encenação proposital. O teatro estrategicamente usado facilita o ensino-aprendizado de temas relacionados à educação em saúde, com base em uma abordagem lúdica e inovadora, conecta o saber popular ao saber científico, promovendo a saúde e à prevenção de agravos, ao passo que exorta a humanização do cuidado.

O teatro é uma forma eficaz de exercício físico, tanto quanto uma ida à academia. Rir, uma resposta comum ao teatro de comédia, não apenas envolve uma grande quantidade de músculos, mas também, é comparável ao exercício aeróbico em termos de seus efeitos positivos para a saúde cardiovascular. Além disso, o choro, muitas vezes associado a emoções negativas, tem sido demonstrado em estudos científicos como tendo efeitos calmantes que reduzem a frequência cardíaca e promovem uma sensação de alívio Ressalto: o teatro é bem-estar integral, que bem educa!

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(1) Bruno Bezerra de Macedo, Membro e Secretário da ACELP - Academia Cearense de Literatura Popular, na qual é Acadêmico Titular da Cadeira nº 3 – Patrono Cego Aderaldo. Membro da ACLA - Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba, na qual é titular da Cadeira de Ciências nº 18 – Patronesse Maria Aurélia Abreu Braga. Fundador e Diretor Adjunto de Comunicação Social da AIMI – Academia Internacional de Maçons Imortais, na qual é Acadêmico Titular da Cadeira nº 9 – Patrono Álvaro Nunes Weyne.

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 REFERÊNCIAS INSPIRADORAS

(2) Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961.

(3) Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971.

(4) Resolução CNE/CP nº 2, que institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular.

(5) DUARTE Jr. João Francisco. Por que arte-educação? PAPIRUS. 2008,

(6) JAPIASSU, Ricardo Ottoni Vaz. Jogos teatrais na escola pública. Revista da Faculdade de Educação [online]. 1998, v. 24, n. 2.

(7) BENTES. André Luiz. Nietzsche: a Arte e o Poder de Criar Valores. Tese de Doutorado em Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia. PUC-Rio 2015.

(8) VIGOTSKI, L. S. (1999b). Psicologia da arte (P. Bezerra, Trad.). São Paulo, SP: Martins Fontes. (Original publicado em 1965).

(9) MORENO, Jacob Levy. Teatro da Espontaneidade. São Paulo: Summus Editorial, 1984.

(10) HEIDEGGER, Martin. A Origem da Obra de Arte. Tradução: Maria da Conceição Costa. Lisboa, Portugal: Edições 70, Ltda. 2005.


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