A
relação entre Justiça e Governança está profundamente ligada à
produção de frutos positivos para a sociedade, como transparência,
eficiência, confiança e equidade. A boa governança, com foco não somente
transparência, porém, sempre motivada a prestar contas (accountability),
gera ambientes mais confiáveis, facilitando investimentos e diminuindo riscos.
Quando
a governança é pautada na ética e na justiça, ela fortalece o estado de direito
e a proteção dos direitos humanos, impactando positivamente a sociedade civil e
a gestão pública. O fruto direto da justiça é a paz, resultando em
tranquilidade e confiança duradouras para a sociedade. Como declarado em Isaías
32:17: “o fruto da justiça será repouso e segurança para sempre”.
A
justiça, como virtude política das instituições, busca o equilíbrio e a justa
medida, combatendo as iniquidades geradas pelo mercado e fortalecendo o
bem-estar coletivo. Para Vladimir Passos de Freitas, a governança pública atende
à descrença da população no sistema de governo e à necessidade de modernização
da administração pública, promovendo uma Justiça mais participativa.
Resolutamente,
justiça e governança não são apenas mecanismos administrativos, mas, fontes de
transformação social e moral, focadas no compromisso real com o bem comum. Exemplo
isto, o Programa Justiça 4.0, fruto de parceria entre o CNJ e o PNUD, promove
soluções digitais colaborativas, que elevam a produtividade, celeridade, gestão
e transparência dos processos judiciais.
Há
ainda os implementos inaugurados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e
tribunais como o TJDFT, que aplicam princípios de governança para melhorar a
prestação jurisdicional. A implementação de regras de conformidade (compliance)
assegura que a justiça não seja, meramente, uma decisão teórica, mas,
fundamentalmente, um serviço público eficiente e ético.
Historicamente,
o "fruto da justiça" é associado à harmonia coletiva. Para
Aristóteles, a justiça frutifica quando se torna um hábito (virtude) que
equilibra as relações entre os indivíduos, evitando excessos e carências. Segundo
ele, a justiça é uma disposição interior formada pelo hábito e pela prática,
que permite a realização plena do ser humano na comunidade política (pólis).
No
pensamento aristotélico, a justiça é a virtude completa e sempre voltada
para o outro e para o bem comum. Ela se manifesta no meio-termo
entre dois extremos – excesso e falta – porém, com uma especificidade: regular
as relações humanas, assegurando equilíbrio nas trocas e nas distribuições.
Esse equilíbrio se manifesta tanto no âmbito individual, quanto no coletivo.
Notadamente,
a troca é a base das interações, desde relações pessoais a transações
comerciais, ancorada em conceitos éticos, jurídicos e sistêmicos,
frequentemente descrito como a busca pela harmonia e justiça social. Segundo
Bert Hellinger, as Ordens do Amor – Lei do Pertencimento, da Hierarquia e
da Correspondência – regem as relações humanas, visando a harmonia.
Incontestavelmente,
a regulação harmoniosa das relações humanas exige um processo contínuo de
avaliação do equilíbrio (comutativo e distributivo), garantindo que as trocas
sejam justas e que a distribuição de recursos considere a dignidade e o mérito
dos envolvidos. A construção de um legado coletivo através do melhor uso -
e atuação – dos espaços de poder sustenta a representatividade.
Da
prática contínua de ações justas, sob a tutela da prudência (phrónesis), emerge
o indivíduo como um cidadão virtuoso, capaz de contribuir para a estabilidade e
harmonia da polis, enquanto, seu esmero e proficiência a representam. Nele,
a justiça frutifica quando se torna um hábito ético que sustenta a vida em
comum, tornando-se o alicerce da convivência política e social.
Não
basta diversidade na base; a representatividade foca em ter vozes diversas em
posições que possuem poder para mudar e moldar a cultura organizacional. Acolhedoramente,
ela é a materialização da inclusão, promovendo um ambiente de trabalho – ou não
– mais justo, onde a diversidade é uma prática diária e não simplesmente um
conceito que aguarda emprego.
Um
líder representativo traz autenticidade e empatia, conectando-se com as
vivências do time e servindo de exemplo positivo. A representatividade ocorre
quando a liderança reflete a diversidade dos colaboradores e da sociedade. O
líder atua como o reflexo, a voz e o exemplo de um grupo ou organização – o
padrão de comportamento da equipe – seu agir valida as normas.
O
real propósito da liderança representativa é servir aos interesses coletivos,
garantindo que a equipe tenha as ferramentas e o suporte necessários. O líder
atua como um porta-voz que defende as metas e o bem-estar dos seus liderados
perante outras instâncias. Quando o grupo vê alguém "como eles" em
posições de poder, aumenta-se o sentimento de pertencimento e motivação.
A
representatividade é um dever ético e social, que segue além da presença física
para garantir que grupos historicamente hipossuficientes – negros, mulheres, pessoas com deficiência – ocupem o lugar que lhes compete. É um
mecanismo de justiça que combate preconceitos, fortalece a autoestima, promove
a igualdade de oportunidades e assegura a diversidade de perspectivas.
Não
se trata meramente de números, mas, sobre garantir que diferentes vozes e
vivências moldem a sociedade, as empresas e as famílias, combatendo machismo,
racismo e outras formas de segregação – dissipando, assim, tiranias,
preconceitos e erros – como modus sustentador do direito à justiça, do melhor
para a pátria e da felicidade humana. A ordem e o progresso disso dependem.
A
representatividade como dever cívico transforma o "estar lá" em poder
de mudança, fortalecendo a democracia e a justiça social para um futuro mais
equitativo. Ela questiona esse mérito quando ele ignora disparidades de
oportunidades, pois, a meritocracia tradicional pode se tornar um mecanismo
conservador que perpetua privilégios (como o "privilégio branco" e
"mérito negro").
Fervoroso
é o debate que trata da relação entre mérito e representatividade, pois, cativa
nosso olhar para a sociedade moderna, especialmente em espaços de poder, no
mercado de trabalho e nas instituições públicas. O ponto de fricção ocorre
quando políticas de representatividade (como as cotas) são vistas por alguns
como uma ameaça ao mérito, ainda que haja possível conciliação.
Defensores
da representatividade argumentam que o mérito só é justo se todos tiverem as
mesmas oportunidades básicas. Sem diversidade, o "mérito" pode ser
apenas um reflexo de quem teve mais acesso a recursos. Neste tocante, a
representatividade na liderança é defendida como uma forma de trazer diferentes
visões de mundo, o que melhora o desempenho das organizações.
Como
um dever cívico, a representatividade deixa de ser meramente uma pauta de
identidade e passa a ser compreendida como um robusto pilar de sustentação da
própria democracia e da coesão social – onde há exclusão social, o sistema não
representa todos os cidadãos. Para que o poder exercido em nome do povo seja
legítimo, ele precisa refletir a composição real desse povo.
A
cidadania é o equilíbrio entre direitos e deveres. Exercê-la plenamente exige
que o cidadão se veja nas instâncias de decisão. O reconhecimento da
diversidade é essencial para o desenvolvimento da sociedade e das próprias
organizações, pois, minora substancialmente distanciamento entre
"dirigentes e dirigidos", o que fortalece o engajamento cívico e a
confiança nas instituições.
Entender
a representatividade como dever significa que instituições (públicas e
privadas) têm a obrigação ética de promover espaços plurais. Isso não é apenas
uma "escolha" da gestão, mas, um compromisso com a justiça e a
eficiência social, uma vez que ambientes diversos tendem a ser mais criativos e
inovadores. Envolve a presença e a valorização de indivíduos que refletem a
diversidade da sociedade em posições de notória influência.
Tratar
a representatividade como um dever cívico é reconhecer que uma democracia
robusta exige que todos os cidadãos não apenas tenham o direito de votar, mas,
que tenham garantida a possibilidade real de serem ouvidos e de ocuparem
espaços de poder. Uma governança representativa espelha seus governados naquilo
que faz em seu nome na construção de convívio justo e próspero.
Maranguape,
Ceará, 02 de Março de 2026
Bruno
Bezerra de Macedo
Patroneado
por Álvaro Nunes Weyne
Cadeira
AIMI nº 9

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