sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

O LÁPIS INOVA DESTINOS SEMPRE AO ESCREVER A HISTÓRIA DO MUNDO

 

A origem do lápis remonta a milhares de anos, quando os hominídeos usando varas queimadas gravaram seu legado em cavernas, as famosas pinturas rupestres. Essas representações, datadas de até 30 mil anos atrás, foram uma das primeiras formas de comunicação humana, servindo para registrar o cotidiano, crenças, rituais e técnicas de caça. Incontestavelmente, a arte rupestre mantém-se vida em nossos dias, como também, lançar-se-á ao futuro, a partir de técnicas que a imortalizam: gravuras (raspagem da rocha) e pinturas (aplicação de pigmentos naturais com dedos, galhos ou pincéis improvisados), a ciência dos melhores materiais (carvão, argila e sangue) e do temas universais (animais, humanos, mãos e formas geométricas). Herdeiro simbólico da arte rupestre, o lápis é uma evolução tecnológica que transformou o traço primitivo em um instrumento de escrita, desenho e pensamento. Indubitavelmente, a arte requer ciência ao passo que a difunde na forma como a comunica.


A ciência, por meio de avanços nas neurociências, demonstra que experiências artísticas alteram redes neurais e influenciam o desenvolvimento cognitivo, reforçando o papel da ciência no entendimento do impacto da arte no ser humano. Além disso, a tecnologia, resultado da ciência, é essencial para a difusão da arte: desde a fotografia e a digitalização de obras até plataformas online e realidade aumentada, a ciência permite que a arte alcance públicos globais de forma mais eficaz. Projetos educacionais como o STEAM (Science, Technology, Engineering, Arts, Mathematics) manifestam essa sinergia, integrando a arte ao ensino científico para desenvolver criatividade, pensamento crítico e habilidades colaborativas. Assim, a ciência não apenas sustenta a comunicação da arte, como também amplia seu alcance, seu significado e seu impacto social. O lápis é uma ferramenta essencial na educação, arte, arquitetura e design, sendo ainda hoje amplamente utilizado mesmo na era digital.


O lápis é a mais veraz representação da criatividade, da expressão pessoal e da possibilidade de correção - uma metáfora comum de que a vida é escrita a lápis, pois permite apagar e recomeçar. Essa sua principal característica permite escrever, riscar ou desenhar fervorosa e espontaneamente sobre superfícies como papel, com a possibilidade de apagar os traços usando uma borracha, diferentemente da tinta, que não permite tal liberdade de errar e evoluir, essencial para o crescimento pessoal e emocional. Neste contexto, o lápis é inconteste reflexo do ad aeternum aprendiz, pois, ao precisar da mão para escrever, humilde reconhece que precisa de orientação – para os humanos: orientação espiritual, moral e/ou ética. Associado à borracha (companhia fiel), o lápis corrige seus erros, cônscio que aprendeu o suficiente com eles e, resiliente já se submeter ao apontador, mesmo que doa bastante, porém, é necessário para ficar afiado - as dificuldades da vida nos moldam. O caráter (marca) bem moldado é autêntica manifestação da essência do “ser” (no lápis, o grafite), que se sobrepõe à aparência.


Em textos atribuídos a Paulo Coelho, discernimos melhor o papel do lápis como “a jornada de vida”: assim como ele se desgasta com o uso, os seres humanos também passam por desafios e transformações. No entanto, há uma diferença crucial - nós temos sentimentos, vontade e subjetividade. O verdadeiro valor não está na madeira externa (a aparência), mas, no grafite interno (os sentimentos e pensamentos). Cuidar do que acontece dentro de si é, portanto, o cerne da autenticidade, tanto na arte quanto na vida. Perceptível é, por demais, que o lápis tem o condão de transcender sua função utilitária de mero instrumento de escrita ou desenho, tornando-se uma extensão da alma humana. Ao colocar o lápis sobre o papel, o indivíduo transforma emoções complexas - como alegria, tristeza, melancolia ou catarse - em formas visíveis e tangíveis. Retratos a lápis possuem uma capacidade única de capturar não apenas traços físicos, mas também a essência emocional de uma pessoa.


Os olhos, chamados de "janela da alma", são o foco central dessa expressão. Através de sombras, luzes e traços sutis, artistas conseguem traduzir sentimentos profundos - um sorriso brilhante pode transmitir alegria, enquanto um olhar distante pode evocar contemplação ou saudade. Artistas como Melissa Prates utilizam o desenho a lápis como uma forma de arteterapia, onde o ato de riscar a folha funciona como um desabafo cotidiano. Mesmo quando os temas são tristes, o resultado final é visto como um processo de libertação emocional, uma catarse gráfica que promove alívio e autoconhecimento, pois, além de permitir a reflexão, a expressão de emoções, promove a identificação de padrões internos. Claramente, a escrita e o desenho com lápis conduzem a um estado de foco e atenção plena (mindfulness), reduzindo o estresse e a ansiedade, enquanto facilita a comunicação de sentimentos difíceis de verbalizar, na contação de histórias (fictícias) ou de Histórias (reais) com as quais o lápis enlaça na cultura que cria.


Maçonicamente, o lápis (como um profícuo arquiteto) faz-se cultura ensinando a formar planos prévios e claros do que se deseja realizar, de modo que o trabalho seja inteligente, responsável e equilibrado, definitivamente, alinhado com os princípios da virtude e da justiça, dos quais emergem a inventividade e a sabedoria sob os auspícios da intuição, da razão, do dever e da honra. O lápis, marca e registra ações, pois, elas manifestam a construção moral e o trabalho do “pedreiro livre” que deve ser como o lápis. O “lápis-maçom” se diferencia do lápis escolar por não ter borracha, com isso, radica a certeza de que, na vida real, cada ação e/ou decisão tomada no aprimoramento moral é permanente e deve ser feita com mais conscienciosa responsabilidade. Cuidar do que acontece dentro de si é, portanto, o cerne da autenticidade esperada do maçom, tanto na arte quanto na vida, pois, seu verdadeiro valor não está na madeira externa (a aparência), mas, no grafite interno (os sentimentos e pensamentos). Com o lápis, o maçom traça sua vida com retidão, abnegação e coragem.


Coragem e Abnegação simbolizam João Capistrano Honório de Abreu , que com lápis e papel sempre à mão contou o Brasil, cada rincão com sua riqueza histórica. Sua coragem se reflete em sua visão ousada: ao destacar o sertão como espaço central na formação do Brasil - com a criação extensiva de gado, o papel dos vaqueiros e bandeirantes -, ele contestou a historiografia tradicional, que centrava-se apenas no litoral e na administração colonial. Sua perspectiva, exposta em obras como Capítulos de História Colonial (1907) e Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil (1930), representa uma ruptura simbólica e intelectual, ao trazer o Brasil “de dentro”, com foco no povo e na terra. Sua inventividade e discernimento crítico inauguraram um modus operandi para historiografia nacional dando-lhe um olhar mais perceptivo para a realidade dos fatos. Além da história, Capistrano de Abreu se destacou na linguística e etnografia, especialmente com estudos sobre línguas indígenas, como o Rã-txa hu-ni-ku~i: gramática, textos e vocabulário caxinauás.


A abnegação de Capistrano de Abreu está presente em sua rejeição a honrarias e homenagens, mesmo diante de convites para integrar a Academia Brasileira de Letras ou receber festas de aniversário surpresa. Preferiu uma vida simples, afastada de pompas, com foco no trabalho intelectual. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente, com eleição como sócio correspondente da Sociedade de Antropologia de Berlim (1895) e membro da Société des Américanistes de Paris (1924). Capistrano de Abreu é, sem dúvida, o mestre que "reensinou" o Brasil a olhar para si mesmo, sendo o pioneiro ao incluir o povo, a mestiçagem e a geografia na formação do Brasil. Com um rigor quase obsessivo e munido de sua inseparável documentação, com o ideal de preservar a memória e a riqueza cultural do país. sua obra, com lápis e papel, é, irrefutavelmente, uma contagem fiel e profunda do Brasil, em cada rincão e em cada história esquecida. Um exímio maçom, embora a maçonaria não o tivesse conhecido.


Lápis, Capistrano, que soube ser-se ciência – metódica, investigativa e racional –; tonando-se letra – nítida, coerente e comunicadora –, numa arte – encantadora, desbravadora e transformadora – de contar a História de forma responsável e incorruta, deixou um legado profundo e duradouro para Maranguape, sua cidade natal. Nascido no sítio Columinjuba em 23 de outubro de 1853, considerado o "Príncipe dos Historiadores Brasileiros" e um dos maiores intelectuais do país, dedicou sua vida ao estudo minucioso da História colonial do Brasil, especialmente por meio de fontes originais, como documentos da Biblioteca Nacional, onde trabalhou como bibliotecário a partir de 1879. Este egrégio capital intelectual maranguapense, brasileiro e mundial tem preservada sua memória na Casa de Cultura Capistrano de Abreu - a casa onde ele nasceu (no distrito maranguapense de Columinjuba), reconstruída e inaugurada em 2023 como parte das celebrações de seus 170 anos – que faz parte infraestrutura da ACLA – Academia de Ciências, Letras e Artes de Columinjuba de Capistrano de Abreu.


A ACLA efloresce a ciência de Capistrano de Abreu – precisa, logica e prudente –, graças a 20 notáveis acadêmicos graduados em diversas áreas da ciência humana; manifesta suas letras – ousadas, cativantes e esclarecedoras –, âncora em 20 magníficos homens de letras (escritores e poetas); e expressa sua arte – inventiva, efusiva e profícua –, materializada por 20 formidáveis entes humanos que a expressam na músicos, na pintura e na escultura. Capistrano robustece o pilar da memória de Maranguape, conectando a cidade ao estudo crítico da história brasileira, a partir da reverberante influencia destes 60 formidáveis entes humanos (lápis) que projetam a cidade ao cenário intelectual nacional, além de inspirar a valorização da educação, cultura e identidade local e brasileira através de premiações e estudos. Esforço reconhecido em 2025 pela ALECE – Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, ao celebrar ao 33 anos de atuação deste silogeu que leva a cultura cearense para além das fronteiras do Brasil.


O lápis vai muito além de um simples instrumento de escrita, como também, segue o “ser humano”: ele é um símbolo de criatividade, aprendizado e inovação, presente em todos os níveis da produção intelectual e artística. Sua simplicidade, a exemplo do abnegado Capistrano de Abreu, esconde uma profundidade que o torna uma das ferramentas mais valiosas na educação e no desenvolvimento humano. Sua relevância está em sua capacidade de facilitar o pensamento crítico, a expressão criativa e o registro do conhecimento, sendo uma ferramenta essencial em diferentes contextos educacionais e profissionais, como também, assim faz aquele cuja coragem de empreender e protagonizar o faz ultrapassar os limites do impossível usando a argúcia e a boa vontade como vetores essenciais dos projetos para si e para o mundo. O lápis, como o homem, permanece há mais de 30 mil anos relevante, mesmo na era da inteligência artificial, por sua conexão direta com a expressão humana, mantendo-se indispensável para criar vida, contar histórias e materializar conceitos criativos.


Maranguape, Ceará, 13 de Fevereiro de 2025


Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Maria Aurélia Abreu Braga
Cadeira ACLA nº 18


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Bruno Bezerra Macedo, Caririense, Contador, Historiador, Jornalista, Escritor, Poeta. Membro da Mui Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Ceará e do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito para República Federativa do Brasil. Membro da Academia Cearense de Literatura Popular – ACLP; da Academia Internacional de Maçons Imortais e da Academia de Ciências Letras e Artes de Columinjuba de Capistrano de Abreu.



Um comentário:

  1. O lápis teve um papel muito importante na corrida espacial, pois enquanto os americanos gastaram milhões de dólares para desenvolver uma caneta que pudesse ser utilizada em gravidade zero, os russos usaram um lápis! Toque de gênio!!!!

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