sábado, 14 de fevereiro de 2026

A LÂMPADA MÍSTICA ANUNCIA QUEM É OU NÃO MAÇOM

A iluminação mística está ligada à experiência direta com o divino, onde a alma humana busca se conectar com Deus ou com a realidade última da existência. A conexão com Deus é estabelecida pelo amor, indiscutivelmente: “quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor”. (1 João 4:8) Portanto, precisamos amar. Mas, que amor é este que dedicamos aos nossos próximos que à primeira faísca de uma dissonância de convicção, de interesses etc. lá estamos com as lanças da perfídias erguidas e com as espadas do ódio ferindo virilmente aquilo que juramos amar?


Ao que parece nossa protuberante hipocrisia intenta desconstruir os meritórios esforços de iluminados como Jesus Cristo (aquele deu a vida para salvar os cristãos que já mais preferiram ser salvos), Buda (cujo evangelho viceja o mais fecundo, fervoroso e formidável amor), o Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele), que legou o Alcorão Sagrado a todos os muçulmanos (inclusive nos incluiu, pois, os que passam a dedicar-se ao Islã são “reconvertidos”, já que, todos nascemos muçulmanos), nele consignando como sinais de Allah (o misericordioso): “e um dos Seus sinais é que Ele criou para vocês, a partir de vocês, companheiros para que neles encontrem tranquilidade; e Ele colocou entre vocês carinho e misericórdia.” (Alcorão, 30:21).


Mérito, do latim meritum – algo digno de recompensa. Será que dispomos da Kratia – força? Não creio que tenhamos, nem mesmo egocentricamente, poder do mérito (Meritocracia) para julgarmos nossos semelhantes sem inaugurarmos um tamanho caos que sob seu efeito as bases que sustentam o bom convívio ruem e faz-se pó. Por isso, sabiamente – sabendo seu lugar e sua missão – Jesus Cristo admoesta: "não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois, da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês. (Mateus 7:1-2)


Indiscutivelmente, as afirmações de Paulo de Tarso sobre o amor dão-nos uma mestria sine-qua-non se observadas, seguidas e vividas: “não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor”. (1 Coríntios 13:4,5). No entanto, o amor é um processo de contínuo aprendizado e não um estado permanente – estacionário desde que alcançado. Ele exige esforço constante, serviço desinteressado e purificação interior. Segundo a Psicossíntese de Roberto Assagioli, o amor é um dos arquétipos mais importantes, junto com a Vontade, e deve ser resgatado ao longo da vida, evoluindo de um amor próprio e familiar para um Amor Transpessoal, capaz de abraçar toda a natureza e as criaturas com aceitação incondicional. Na jornada espiritual, o amor é um caminho essencial para a iluminação, que é um estado de profunda compreensão da existência e da unidade com o universo: interdependência entre tudo que há.


Resolutamente, o amor é a força que "desmagnetiza" a alma das preocupações puramente materiais e egocêntricas, funcionando como uma bússola que aponta para a realidade última da interdependência. Na medida em que o "eu" diminui, a percepção da realidade se amplia, o que é o cerne da iluminação em tradições como o Budismo (através da Metta ou Amor Bondoso) e o Hinduísmo (Bhakti Yoga). Como aponta Camila Shiota, a iluminação envolve aceitar e acolher a si mesmo, positiva e negativamente, com amorosidade. O auto amor é o alicerce para o amor externo verdadeiro, pois, só quem se ama pode amar com autenticidade. Para muitas escolas esotéricas, amar algo é a única forma de conhecê-lo verdadeiramente.


Fervorosamente, o amor atua como vetor de iluminação ao nutrir a luz interior, fortalecer o autoconhecimento e promover a cura, agindo como uma força que transcende o ego. É um padrão de energia ressonante que influencia outras energias a se moverem em direção à totalidade e à cura. Ele ilumina processos terapêuticos e relacionamentos, transformando a dor em sabedoria, enquanto o amor-próprio e a empatia tornam o ser mais seguro e capaz de iluminar o mundo. Enquanto o intelecto analisa e separa, o amor une e integra. Sendo o “elo perfeito” (Colossenses 3:14), o amor é também luz (jamais trevas), portanto, sagrado.


Sem amor, a iluminação seria fria e puramente intelectual; com amor, ela se torna Bodhisattva (alguém que busca a iluminação para o benefício de todos os seres).A reflexão de Amanda Guimar reforça isso ao sugerir que o amor deve ter seu centro em nós mesmos, para depois se expandir de forma saudável para os outros. O amor genuíno exige a capacidade de colocar o outro, ou o coletivo, no mesmo patamar de importância que nós mesmos, deixando de ser apenas um sentimento interpessoal para se tornar uma ferramenta de expansão da consciência. Esse movimento enfraquece a barreira do ego.


Maçonicamente, a luz é um símbolo de virtude, sabedoria e pureza moral. Ligada ao Painel da Loja, junto com o Pórtico e o Pavimento Mosaico, é um reflexo da luz interior que cada maçom deve cultivar. A lâmpada representa a irradiação divina e a luz espiritual que penetra os mais íntimos pensamentos, guiando o iniciado na jornada de autoconhecimento e transformação íntima. Geralmente, é um foco de luz no teto ou uma chama votiva que evoca a "Árvore da Vida" ou a presença dos antepassados, representando um fogo sagrado que nunca deve se apagar durante as sessões, indicando a constância da busca maçônica, manifestada na clareza moral e no conhecimento que espantam as trevas da ignorância.


A lâmpada mística serve de ligação entre o céu e a terra, portanto, representa a mais loquaz manifestação do amor fraterno - é um princípio fundamental que visa a união da família humana, superando diferenças sociais e culturais -, considerado o motor para a construção de uma humanidade melhor, baseada na alteridade, que enleva a Maçonaria à condição de “arte do amor”. A combinação de Amor, Ordem e Progresso é-lhe imprescindível para evitar a frustração e garantir o avanço do maçom em sua jornada iniciática. Segundo a perspectiva de filósofos como Platão no "Banquete", o amor começa na atração física, mas, deve evoluir para o amor às ideias e, finalmente, à contemplação da Beleza Absoluta - um estado de iluminação espiritual.


A lâmpada mística (como amor - elo perfeito) ilumina o caminho para o maçom, ajudando-o a desbastar a pedra bruta e a atuar como uma luz no mundo. Ao iluminar os pensamentos mais íntimos, a lâmpada aclara a percepção de seus defeitos e conduz seu trabalhar sobre si mesmo com humildade, paciência e virtude para que breve se torne um cubo perfeito. A lâmpada não é acesa para ser escondida, por ela o maçom é chamado a brilhar com amor, bondade e esperança, atuando como luz no mundo. Através de suas ações fraternas, ele espalha verdade, justiça e harmonia, inspirando os outros a, também, se transformarem em luzeiros do progresso e da felicidade humana, cônscio de que “toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. (Tiago 1:17)


Neste estado de permanente zênite – onde inexistem a sombras das dúvidas, a penumbra das incertezas, tão pouco o obscurecente preconceito – o amor aceso no coração bem formado do maçom assume uma condição tripartite: "Verum, Animus, Officium”, estruturando-se não apenas como emoção, mas, como um compromisso ético e racional. Evidenciando que exige honestidade (Verdade), a presença da alma/vontade (Intenção) e o compromisso prático de servir ao amado (Dever). Essa tríade fulcra um amor maduro, que une a verdade intelectual à afeição emocional e à prática cotidiana. Sem esta singularidade habitualmente exequida não há maçom, tão pouco maçonaria.


Maranguape, Ceará, 14 de Fevereiro de 2025


Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Álvaro Nunes Weyne
Cadeira AIMI nº 9





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