Após de dois rutilantes dias (quinta - 05/02 e sexta-feira - 06/02) em companhia de entes humanos providos de dignidade e decoro, luzes estas que aclaram os caminhos dos incautos enquanto buscam a veraz verdade, contemplo as primícias da ordem: O (organização) – R (regularidade) – D (disciplina) – E (esmero) – M (Madureza). É algo encantador constatar que no mosaico-vida há destino para todos, e para tudo, na formidável interdependência que une a todos abaixo do sol (da sabedoria – da boa vontade – do amor) que aquece gélidos (insensíveis – inconscientes - indomáveis) corações, os fazendo sensitivos à graça do acoloiar, que torna a humanidade possível.
No sentido mais amplo, envolve a sequência lógica, a classificação e a coordenação de elementos com base em relações definidas, visando harmonia, eficiência e funcionamento regular. Sociologicamente, refere-se à maneira como indivíduos e grupos interagem e se organizam em uma sociedade, seguindo normas, valores e instituições compartilhados que garantem estabilidade, previsibilidade e coesão social. A ordem desvela o modus operandi das sociedades, além de como mantê-las em coesa harmonia e de como lidar com desafios como: a desigualdade, os conflitos e a evolução social. Sem ordem não há progresso.
A ordem social não é estática - ela evolui com mudanças históricas, tecnológicas e culturais, sendo constantemente negociada e redefinida. Em contextos jurídicos, como na Constituição Federal do Brasil, a ordem social tem como base o primado do trabalho, com o objetivo de promover o bem-estar e a justiça social. Sob o influxo da Maçonaria, a Ordem é uma estrutura hierárquica e simbólica (sequência lógica, a classificação e a coordenação de elementos) que, ao longo de sua longeva vida, evoluiu de corporações de pedreiros medievais para uma filosofia de vida voltada ao progresso humano, sob os auspícios da ética e da alteridade.
Segundo o Dicionário de Filosofia, a ordem envolve quatro elementos essenciais: prioridade e posterioridade, distinção dos termos, origem e logos (razão).Ela implica um início e um fim, uma finalidade, e é sempre relativa a um princípio ordenador — ou seja, algo pode ser ordenado segundo uma perspectiva e desordenado segundo outra. Filósofos como Aristóteles e Auguste Comte destacaram a importância da ordem para o progresso, com Comte propõe que a sociedade deve se basear em "amor por princípio, ordem por base e progresso por fim". O amor é o elo perfeito, portanto, exige reconhecimento e, este, requer respeito. Se há respeito, há ordem e progresso.
Contudo, a desordem não é necessariamente negativa: em certos contextos, pode representar renovação, criatividade ou um necessário rompimento com estruturas obsoletas. A desordem pode ser compreendida como uma ordem incômoda, e a distinção entre ordem e desordem é, em grande parte, psicológica e subjetiva, dependendo de como a contemplamos e a percebemos e/ou do valor que adotamos para valorá-la. Portanto, a filosofia questiona não apenas a existência da ordem, mas principalmente, sua legitimidade e os fundamentos de cada tipo de ordem que se propõe a estabelecer. A legitimidade requer aceitação, dela emerge a coesão social.
Ratifica Jürgen Habermas quando argumenta que a legitimidade só se sustenta se houver um consenso fundado em valores morais e em uma democracia comunicativa, onde as normas são resultantes de processos de diálogo e razão. A legitimidade na ordem, indiscutivelmente, é o alicerce da convivência harmoniosa e democrática, pois, oportuniza sua aceitação como justa, mesmo quando não é perfeita. Portanto, a legitimidade da ordem não é apenas um aspecto formal ou jurídico, mas um fenômeno político, ético e social, que exige que o poder seja exercido com regularidade, justiça, transparência e responsabilidade diante da sociedade.
Naturalmente, essas compreensões estão profundamente ligada ao conceito de ordem, que, etimologicamente, vem do latim ordo e significa disposição, plano, simetria, regularidade e equilíbrio. No cotidiano, a regularidade da ordem é essencial em processos como manutenção (preventiva, corretiva, de emergência), onde o cumprimento de etapas ordenadas garante eficiência e segurança. Em todos os casos, a regularidade da ordem é fundamental para o funcionamento eficaz de sistemas - seja social, biológico, técnico ou institucional – pois, garante previsibilidade, equilíbrio, assertividade, coesão e interdependente harmonia.
Maçonicamente, a regularidade se refere ao conjunto de critérios que uma Obediência Maçônica (Grande Loja ou Grande Oriente) deve cumprir para ser considerada legítima e reconhecida dentro da tradição maçônica universal. A Maçonaria Regular (ou Tradicional), reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE), requer de seus adeptos a crença em Deus e uso de um Livro Sagrado (Bíblia, Alcorão, etc.) durante os trabalhos. Em contraponto, a Maçonaria Continental, como o Grande Oriente da França, opta por uma Constituição ou declaração de direitos humanos, o que a torna considerada irregular pelos padrões da tradição inglesa.
A regularidade maçônica é uma questão de legitimidade histórica, doutrinária e institucional, não apenas de forma ou ritos. Uma Obediência regular é aquela que, de forma autêntica e contínua, mantém os princípios fundamentais da Maçonaria como uma fraternidade espiritual, moral e iniciática. Esses critérios são baseados, especialmente, nos Antigos Landmarks e nas Constituições de Anderson de 1723. Dentro dos critérios de regularidade, por exemplo, a Maçonaria (e seus adeptos), deve estar em conformidade com as leis do País onde exerce suas atividades, seguindo suas ordenamentos jurídicos, com transparência, legalidade e imparcialidade.
Claramente, concordo com o Espírito André Luiz quando sentencia que "não há ordem sem disciplina", destacando que a disciplina é a força ativa que sustenta a ordem, tornando possível o progresso e a evolução. Na vida cotidiana, a disciplina se manifesta em rotinas como estudar todos os dias, manter a casa organizada e respeitar horários. Na espiritualização, ela é entendida como caminho para a santidade, permitindo que o indivíduo se organize internamente para desvelar sua participação na Ordem estabelecida pelo Ente Supremo que a estabeleceu enquanto inaugurava o Universo e tudo que nele convive na mais interdependente coesão e harmonia.
Incontestavelmente, a disciplina na ordem refere-se à relação essencial entre dois conceitos fundamentais para o funcionamento harmonioso da vida individual, social e espiritual. A ordem é o estado de organização, a disposição correta das coisas em seus devidos lugares, seja no espaço físico, no tempo ou nos pensamentos. Já a disciplina é a ação de manter essa ordem, consistindo na capacidade de seguir regras, cumprir prazos, respeitar horários e agir com responsabilidade, mesmo sem supervisão. A disciplina é a constância e a persistência com que ordem se manifesta e se realiza.
A disciplina na Maçonaria é um princípio fundamental que garante a ordem, a harmonia e o funcionamento eficaz desta secular confraria de guardiões do conhecimento humano. Sem disciplina, a Maçonaria perderia sua estrutura, correndo o risco de cair no caos e na anarquia - (des)valores que são diretamente combatidos pela ordem. A disciplina jamais será, meramente, uma imposição externa, mas sim, virilmente, um compromisso interno com a ética, o esmero, a responsabilidade e o respeito mútuo entre os irmãos. Como afirma Steve Pavlina, "sem disciplina, sua vida está condenada a permanecer uma sombra pálida do seu potencial.
Por esmero, compreendo o substantivo masculino que se refere ao cuidado extremo, perfeição e atenção aos detalhes em qualquer ação ou tarefa. É sinônimo de capricho, requinte, asseio, aplicação e perfeição. Quando falamos em "esmero na ordem", destacamos a importância de realizar as atividades com dedicação, organização e precisão, em quaisquer ambiências humanas com as quais contribuímos, direta ou indiretamente, com nossos feitos e efeitos. Esmerar-se é investir na excelência, na disciplina e na construção de um caráter forte, tanto individual quanto social.
Filosoficamente, pensadores como Russell Kirk destacam que a ordem interior (exigida pelo esmero) é o alicerce para uma ordem social desejável, onde a autodisciplina, a ética e a estética se tornam antídotos contra a desordem e o niilismo da sociedade moderna, sendo fundamental para a manutenção da harmonia, estabilidade e bem-estar coletivo. Portanto, na esfera social e institucional, o esmero se conecta com a ordem social como princípio organizador da convivência, deixando de ser, apenas, uma virtude individual, firmando-se como um dever coletivo de construir uma sociedade justa, digna e funcional.
A Maçonaria valoriza o esmero não como mero formalismo, mas, como expressão do compromisso com a excelência moral e intelectual, essencial para o aperfeiçoamento do ser humano. É um princípio fundamental que permeia toda a estrutura maçônica, especialmente nos rituais de iniciação e progressão entre os graus. De fato, na formação do maçom, o esmero é animus do aprendizado constante, do estudo dos símbolos (como o compasso, esquadro, acácia e a letra G), da perene reflexão filosófica sobre a moral, a ética e da incessante busca pelo autoconhecimento. A Maçonaria se manifesta no esmero com que emerge a madureza de seus adeptos.
A madureza na ordem está profundamente associada à capacidade de gerenciar a vida com responsabilidade, discernimento e equilíbrio, especialmente no contexto da virtude da ordem, como abordado por Francisco José de Almeida em seu livro A Virtude da Ordem. Essa madureza não se limita à organização física ou ao cumprimento de rotinas, mas envolve uma maturidade espiritual, emocional e intelectual que permite ao indivíduo agir com propósito, evitar impulsividades e manter a clareza de objetivos. O mundo deixa de ser um lugar de ilusões e passa a ser visto com clareza, exigindo responsabilidade, planejamento e disciplina: ordem!
A Ordem como expressão da madureza, não é apenas organização externa, mas, indiscutivelmente, um reflexo interno de equilíbrio. Quem está maduro sabe o preço dos amores, dos compromissos e dos desafios, e age com sabedoria, como diz Drummond: “a madureza sabe o preço exato dos amores, dos ócios, dos quebrantos”. A madureza na ordem é a capacidade de viver com intencionalidade, planejamento, constância, alteridade e serenidade, transformando a vida em um projeto coerente, embora sempre audacioso, guiado por princípios, não por impulsos. É o alicerce para uma existência plena, responsável e significativa.
De seus adeptos, a Maçonaria não exige um nível acadêmico específico, porém, neles valoriza a responsabilidade, a humildade, o senso de justiça e o desejo de contribuir para o bem comum, sinais claros de sua madureza, que não se trata, apenas, da idade, mas, da perceptível maturidade de espírito, alinhada aos ideais de uma vida virtuosa regada à ética, alimentada pela sã moral e, claro, perfeitamente, (re)vestida pela arguta alteridade. Essa madureza é essencial para lidar com os rituais simbólicos, o sigilo e as responsabilidades interna e externamente, onde a tolerância e o respeito às diferenças são pilares erigidos pelos arquitetos da paz.
Neste toar, as primícias da ORDEM formam o acróstico-guia para a excelência pessoal e operacional. O (Organização): a capacidade de estruturar recursos, tempo e espaço para alcançar objetivos com clareza. R (Regularidade): a manutenção da constância e do ritmo nas ações, evitando a intermitência que prejudica o progresso. D (Disciplina): o cumprimento voluntário de normas e o domínio sobre os próprios impulsos em prol de um propósito maior. E (Esmero): a dedicação ao detalhe e a busca pela perfeição na execução de qualquer tarefa. M (Madureza): a equilíbrio emocional e a capacidade de assumir responsabilidades com consciência e discernimento.
Maranguape, Ceará, 7 de Fevereiro de 2026
Bruno Bezerra de Macedo
Patroneado por Álvaro Nunes Weyne
Cadeira AIMI nº 9
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