No Ceará habita gente
ridente, venturosa e, providencialmente, capaz de provocar tudo, desde um
pensamento novo até uma “crise de risos”. Como não podia deixar de ser, um risonho
amigo provocou-me com uma pergunta intrigante: qual a importância do quatro? Ora
o número quatro, já de início, sem muito pensar, representa ordem,
estabilidade, construção e totalidade.
Por falar em ordem, a Sublime
Ordem Maçônica universal tem neste numérico um importante aliado em seu perseverante
e contumaz labor de aprimorar a sã moral e a razão arraigada nos homens que a constituem
geração após geração desde quando a primeiro edifício foi construído para a o
bem-estar e para o crescimento da família: célula mater das sociedades dela
vindouras.
Toda obra, indiscutivelmente,
tem uma pedra fundamental – cúbica, devidamente aformoseada pelo malho e pelo
cinzel, para que possa assumir seu relevante lugar no edifício que tem si seu
marco (landmark) inicial. No homem, o uso do esquadro mostra-lhe quão próximo
está de poder exigir os quatro retos ângulos necessários à sua assunção como
pedra cúbica no edifício social.
Por isso diz Salomão: “apliquei
o coração a esquadrinhar e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede
debaixo do céu” (Eclesiastes 1:13), radicando o caminho a ser percorrido por
todos quanto, livre de sofismas, aceitem-se pelo que são com o propósito incondicional
de estender essa liberdade aliando-a, mais e mais, aos estáveis bons costumes ético-morais.
Quando o assunto é
espiritualidade, o número 4 vai além da matemática — representa equilíbrio,
organização e concretização de ideias – está ligado aos quatro elementos da
natureza — terra, ar, fogo e água — e aos quatro pontos cardeais, simbolizando
a conexão entre diferentes forças do universo, enfatizando que contemplá-lo é
primazia de sábios, que o são para iluminar a todos.
Na história indiana, são
cruciais na arquitetura de templos e simbolizam os quatro “pés” ou partes de
Brahman nos ensinamentos a Satyakama, cuja relevância do primeiro desses pés,
chamado Prakashavan (o Radiante) se estende à astronomia (orientação
estelar), geometria sagrada e filosofia, onde
representam a onipresença da divindade e o suporte universal.
O simbolismo dos quatro
pontos cardeais transcende a mera geografia, representando a totalidade do
universo, o equilíbrio da vida e a jornada espiritual em diversas culturas e
crenças. Além das quatro direções, o Budismo adiciona o Nadir (centro
da Terra) e o Zênite (infinito), totalizando as "Seis Direções
do Universo" para representar a onipresença da consciência.
Os significados comuns em
tradições como o xamanismo, Feng Shui e ocultismo ocidental estreitam a relação
ente os quatro pontos cardeais e os quatro elementos:
- Leste (Oriente):
Simboliza o nascimento, a luz, a renovação e a clareza. É associado ao elemento
Ar, à primavera e ao início de novos projetos.
- Sul (Meridional):
Representa o vigor, a paixão e a autoconfiança. Frequentemente ligado ao
elemento Fogo, ao verão e à fase da juventude.
- Oeste (Ocidente):
Simboliza a introspecção, a colheita e a transição (pôr do sol). É associado ao
elemento Água, ao outono e à maturidade ou velhice.
- Norte (Setentrional): Representa a sabedoria, a estabilidade e o repouso. Ligado ao elemento Terra, ao inverno e à morte ou ancestralidade.
A Rosa dos Ventos é
o símbolo máximo dessa orientação, utilizada desde o século X para marcar não
apenas a direção física, mas também, para representar a jornada pessoal e a
busca por propósito na vida. A simetria de sua imagem evoca a harmonia entre as
diferentes áreas da vida (pessoal, profissional, espiritual), reflete a
capacidade de recalcular a rota sem perder o objetivo final.
A capacidade de
recalcular a rota sem perder o objetivo final verte para a flexibilidade
cognitiva e para a resiliência estratégica das quais emerge a
agilidade emocional e a capacidade de liderança em ambientes incertos, onde adaptabilidade
– o (re)novo – oportuniza ajustar planos diante de imprevistos e/ou mudanças nos
cenários externos, sem abandonar a visão de longo prazo.
Na tradição alquímica, o
número quatro é a base para a criação da pedra filosofal (a "Grande
Obra"). A pedra filosofal é a união perfeita e o equilíbrio dos quatro
elementos clássicos: Terra, Ar, Fogo e Água. O número quatro aqui
simboliza a manifestação da perfeição espiritual na realidade física,
transformando o "chumbo" (o homem comum) em "ouro" (a
iluminação).
Curiosamente, o símbolo
alquímico do estanho — um dos metais usados em processos de
transmutação — assemelha-se visualmente ao número 4. O
processo de transmutação para chegar à pedra (o Magnum Opus) é
dividido em quatro estágios principais:
- Nigredo (Enegrecimento):
Decomposição e purificação.
- Albedo (Branqueamento):
Iluminação.
- Citrinitas
(Amarelecimento): Transição espiritual.
- Rubedo (Ruborização): O
estágio final onde a pedra é alcançada.
Metaforicamente, a pedra filosofal
simboliza a iluminação e o "ponto central" da existência, onde o
indivíduo transmuta suas próprias imperfeições em virtudes espirituais, ou
seja, representa, em essência, a transição da Pedra Bruta (o
homem em seu estado natural e imperfeito) para a Pedra Polida ou
Cúbica (o homem educado e virtuoso), da qual emerge o maçom.
Ambas as figuras
representam o ideal de perfeição humana. A transformação da
"Pedra Bruta" (o homem com suas imperfeições) na "Pedra
Cúbica" (o homem instruído e ético) não é um fim em si mesmo. O objetivo
final é que esta pedra polida possua as dimensões exatas para se ajustar
perfeitamente às outras, permitindo a construção sólida do Templo da
Humanidade.
A estabilidade do Templo
da Humanidade requer ausência de arestas (excessos) e a estabilidade moral, o
que dá ensejo à harmonia ("Pilar da Beleza"), que une força e
sabedoria em uma unidade espiritual e social. Na construção simbólica,
não se usa "argamassa" externa; a coesão do Templo depende
exclusivamente da retidão e do polimento das faces de cada pedra (cada
cidadão).
O indivíduo atua como um
agente de mudança, promovendo valores como fraternidade e solidariedade para
enfrentar desafios contemporâneos. Isto fulcra certeza de não somos, apenas,
uma peça passiva, mas sim, e proficientemente, somos construtores e
componentes simultâneos de uma obra que busca a perfeição moral e o
bem comum de toda a humanidade.
No contexto atual, o número quatro se traduz em portentosa responsabilidade social e ética (22
= 4), pois, em 2026, a construção do Templo da Humanidade reflete o esforço
contínuo para criar sociedades mais justas, onde o progresso individual serve
como base para o progresso coletivo. E a felicidade reine cantante
conquistando o sorriso de todos, equanimemente.

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