sábado, 10 de janeiro de 2026

QUAL A IMPORTÂNCIA DO QUATRO?


No Ceará habita gente ridente, venturosa e, providencialmente, capaz de provocar tudo, desde um pensamento novo até uma “crise de risos”. Como não podia deixar de ser, um risonho amigo provocou-me com uma pergunta intrigante: qual a importância do quatro? Ora o número quatro, já de início, sem muito pensar, representa ordem, estabilidade, construção e totalidade.

 

Por falar em ordem, a Sublime Ordem Maçônica universal tem neste numérico um importante aliado em seu perseverante e contumaz labor de aprimorar a sã moral e a razão arraigada nos homens que a constituem geração após geração desde quando a primeiro edifício foi construído para a o bem-estar e para o crescimento da família: célula mater das sociedades dela vindouras.

 

Toda obra, indiscutivelmente, tem uma pedra fundamental – cúbica, devidamente aformoseada pelo malho e pelo cinzel, para que possa assumir seu relevante lugar no edifício que tem si seu marco (landmark) inicial. No homem, o uso do esquadro mostra-lhe quão próximo está de poder exigir os quatro retos ângulos necessários à sua assunção como pedra cúbica no edifício social.

 

Por isso diz Salomão: “apliquei o coração a esquadrinhar e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu” (Eclesiastes 1:13), radicando o caminho a ser percorrido por todos quanto, livre de sofismas, aceitem-se pelo que são com o propósito incondicional de estender essa liberdade aliando-a, mais e mais, aos estáveis bons costumes ético-morais.

 

Quando o assunto é espiritualidade, o número 4 vai além da matemática — representa equilíbrio, organização e concretização de ideias – está ligado aos quatro elementos da natureza — terra, ar, fogo e água — e aos quatro pontos cardeais, simbolizando a conexão entre diferentes forças do universo, enfatizando que contemplá-lo é primazia de sábios, que o são para iluminar a todos.

 

Na história indiana, são cruciais na arquitetura de templos e simbolizam os quatro “pés” ou partes de Brahman nos ensinamentos a Satyakama, cuja relevância do primeiro desses pés, chamado Prakashavan (o Radiante) se estende à astronomia (orientação estelar), geometria sagrada e filosofia, onde representam a onipresença da divindade e o suporte universal.

 

O simbolismo dos quatro pontos cardeais transcende a mera geografia, representando a totalidade do universo, o equilíbrio da vida e a jornada espiritual em diversas culturas e crenças. Além das quatro direções, o Budismo adiciona o Nadir (centro da Terra) e o Zênite (infinito), totalizando as "Seis Direções do Universo" para representar a onipresença da consciência. 

 

Os significados comuns em tradições como o xamanismo, Feng Shui e ocultismo ocidental estreitam a relação ente os quatro pontos cardeais e os quatro elementos:

 

  • Leste (Oriente): Simboliza o nascimento, a luz, a renovação e a clareza. É associado ao elemento Ar, à primavera e ao início de novos projetos.

  • Sul (Meridional): Representa o vigor, a paixão e a autoconfiança. Frequentemente ligado ao elemento Fogo, ao verão e à fase da juventude.

  • Oeste (Ocidente): Simboliza a introspecção, a colheita e a transição (pôr do sol). É associado ao elemento Água, ao outono e à maturidade ou velhice.

  • Norte (Setentrional): Representa a sabedoria, a estabilidade e o repouso. Ligado ao elemento Terra, ao inverno e à morte ou ancestralidade.

 

Rosa dos Ventos é o símbolo máximo dessa orientação, utilizada desde o século X para marcar não apenas a direção física, mas também, para representar a jornada pessoal e a busca por propósito na vida. A simetria de sua imagem evoca a harmonia entre as diferentes áreas da vida (pessoal, profissional, espiritual), reflete a capacidade de recalcular a rota sem perder o objetivo final.

 

A capacidade de recalcular a rota sem perder o objetivo final verte para a flexibilidade cognitiva e para a resiliência estratégica das quais emerge a agilidade emocional e a capacidade de liderança em ambientes incertos, onde adaptabilidade – o (re)novo – oportuniza ajustar planos diante de imprevistos e/ou mudanças nos cenários externos, sem abandonar a visão de longo prazo.

 

Na tradição alquímica, o número quatro é a base para a criação da pedra filosofal (a "Grande Obra"). A pedra filosofal é a união perfeita e o equilíbrio dos quatro elementos clássicos: Terra, Ar, Fogo e Água. O número quatro aqui simboliza a manifestação da perfeição espiritual na realidade física, transformando o "chumbo" (o homem comum) em "ouro" (a iluminação).

 

Curiosamente, o símbolo alquímico do estanho — um dos metais usados em processos de transmutação — assemelha-se visualmente ao número 4. O processo de transmutação para chegar à pedra (o Magnum Opus) é dividido em quatro estágios principais:

 

  • Nigredo (Enegrecimento): Decomposição e purificação.

  • Albedo (Branqueamento): Iluminação.

  • Citrinitas (Amarelecimento): Transição espiritual.

  • Rubedo (Ruborização): O estágio final onde a pedra é alcançada.
     

Metaforicamente, a pedra filosofal simboliza a iluminação e o "ponto central" da existência, onde o indivíduo transmuta suas próprias imperfeições em virtudes espirituais, ou seja, representa, em essência, a transição da Pedra Bruta (o homem em seu estado natural e imperfeito) para a Pedra Polida ou Cúbica (o homem educado e virtuoso), da qual emerge o maçom.

 

Ambas as figuras representam o ideal de perfeição humana. A transformação da "Pedra Bruta" (o homem com suas imperfeições) na "Pedra Cúbica" (o homem instruído e ético) não é um fim em si mesmo. O objetivo final é que esta pedra polida possua as dimensões exatas para se ajustar perfeitamente às outras, permitindo a construção sólida do Templo da Humanidade

 

A estabilidade do Templo da Humanidade requer ausência de arestas (excessos) e a estabilidade moral, o que dá ensejo à harmonia ("Pilar da Beleza"), que une força e sabedoria em uma unidade espiritual e social.  Na construção simbólica, não se usa "argamassa" externa; a coesão do Templo depende exclusivamente da retidão e do polimento das faces de cada pedra (cada cidadão).

 

O indivíduo atua como um agente de mudança, promovendo valores como fraternidade e solidariedade para enfrentar desafios contemporâneos. Isto fulcra certeza de não somos, apenas, uma peça passiva, mas sim, e proficientemente, somos construtores e componentes simultâneos de uma obra que busca a perfeição moral e o bem comum de toda a humanidade.

 

No contexto atual, o número quatro se traduz em portentosa responsabilidade social e ética (22 = 4), pois, em 2026, a construção do Templo da Humanidade reflete o esforço contínuo para criar sociedades mais justas, onde o progresso individual serve como base para o progresso coletivo. E a felicidade reine cantante conquistando o sorriso de todos, equanimemente.


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