A perspectiva,
intenção e foco determinam nossa visão do mundo e nossa vida, tanto espiritual,
quanto material, refletindo uma luz interior ou escuridão, portanto, um
olhar focado no bem e na verdade traz iluminação para todo o “ser”, ao passo
que um olhar mau ou egoísta traz trevas. “Quando os seus olhos forem bons,
igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz”. (Lucas 11:34)
É um convite para
cultivar uma visão interior positiva e alinhada com o bem, pois,
essa perspectiva moldará toda a sua existência, preenchendo-a de luz, enquanto
uma visão distorcida e egoísta a encherá de trevas. Ou seja, a maneira
como vemos (nossos olhos) afeta todo o nosso ser (corpo, alma e espírito),
determinando se estamos em harmonia com a luz ou em conflito com ela.
A qualidade da nossa vida
interior depende diretamente da maneira como escolhemos observar e interpretar
o que acontece ao nosso redor. Quando focamos no que é positivo e
verdadeiro, nossa vida reflete essa clareza. Essa prática de focar nos aspectos
positivos da vida e das pessoas, reconhecendo o valor e a beleza no cotidiano, chamamo-la
de apreciação e gratidão.
Ter "olhos
bons" é cultivar o discernimento espiritual e a empatia. A habilidade de
perceber a verdade, a bondade e a intenção por trás das ações e palavras, em
vez de se prender a julgamentos superficiais. A disposição de olhar para os
outros com gentileza, tentando compreender suas realidades e sofrimentos, favorece
a conexão humana e a solidariedade.
Compreender o outro é o
principal gatilho para a solidariedade prática, transformando o sentimento em
apoio concreto. Essa disposição é a base da empatia cognitiva e
emocional, elementos essenciais para fortalecer o tecido social. Quando nos
esforçamos para compreender a realidade do outro, ativamos processos
neurológicos e sociais que trazem benefícios diretos.
A gentileza e a empatia
são ferramentas poderosas que promovem um ambiente social mais acolhedor,
cooperativo e humano. A gentileza, quando genuína, cria um ambiente de
confiança e respeito mútuo, onde os indivíduos se sentem à vontade para serem
autênticos e expressarem suas ideias e vulnerabilidades sem medo de julgamento
ou retaliação, sendo vistas e acolhidas.
Sentir-se
"visto" vai além do reconhecimento profissional; trata-se de
validação humana. Comunidades resilientes são formadas por indivíduos que sabem
que seu valor não depende apenas de sua produtividade, mas de sua presença. A
gentileza autêntica é o pilar de comunidades resilientes que, em tempos de
crise, não se fragmentam, pois, são formadas por pessoas iluminadas.
Comunidades resilientes
são formadas por indivíduos que sabem que seu valor não depende, apenas, de sua
produtividade, mas, de sua presença. Assim, o reconhecimento funciona como um
catalisador para um ciclo virtuoso de maior engajamento, desempenho e inovação
sustentável. Sentir-se "visto" vai além do reconhecimento
profissional; trata-se de validação humana.
O reconhecimento é o
investimento mais eficaz para a inovação a longo prazo, pois, quando os
indivíduos sentem que suas contribuições são vistas e apreciadas, eles ficam
mais motivados a ir além de suas responsabilidades básicas, colaborar de forma
mais eficaz e buscar soluções novas e criativas. Não um "mimo", mas, um pilar
estratégico para a sustentabilidade das empresas.
O reconhecimento
genuíno aumenta a satisfação no trabalho, melhora o moral e fortalece o senso
de pertencimento e propósito dos funcionários. Isso leva a níveis mais baixos
de burnout e a um maior bem-estar geral, o que, por sua vez,
reduz a rotatividade de pessoal e aumenta a lealdade à organização. Ele atua
como um antídoto ao burnout e ao desengajamento.
Comparado a aumentos
salariais ou aos bônus pontuais, o reconhecimento contínuo tem um custo
financeiro baixo, porém, tem um impacto duradouro. Enquanto tecnologias e processos
podem ser replicados por concorrentes, uma cultura de reconhecimento é
um diferencial competitivo único que gera sustentabilidade humana e criativa,
já que, cria um ambiente de trabalho saudável.
O reconhecimento entre
pares (peer-to-peer) tece uma rede de apoio que sustenta o protagonismo
feliz durante períodos de alta pressão, porém, ele deve ser específico e
oportuno, não apenas uma formalidade anual. “Há mais felicidade em dar do
que em receber” (Atos 20:35), pois, o amor e a vida com propósito, traz
benefícios psicológicos e espirituais.
O reconhecimento regular
cria um ciclo virtuoso que beneficia tanto o funcionário, que se sente
valorizado, quanto a organização, que colhe os frutos da estabilidade e
eficiência operacional. Quando a empresa retém um talento, o "capital
intelectual" é preservado, evitando a queda de produtividade, comum enquanto
um novo contratado ainda está na curva de aprendizado.
Funcionários de longa
data retêm conhecimento valioso sobre a organização, clientes e processos, o
que é perdido quando há alta rotatividade. Além disto, substituir um
colaborador pode custar de 1,5 a 2 vezes o seu salário anual,
considerando gastos com anúncios de vagas, horas de recrutadores e processos de
integração, etc. Reconhecê-los, por seus atributos, é mais sábio.
É o poder de escolher ver
o lado positivo ou construtivo de uma situação, adotando uma mentalidade
otimista – que transforma desafios em oportunidade. Reflete a habilidade de um
fotógrafo, pintor ou artista visual em enquadrar, compor e capturar a beleza ou
a essência de um assunto de uma forma única e impactante, auspício que só um
olhar confiante e direto transmite.
É a capacidade de ser
perspicaz e atento ao mundo ao seu redor, sob a égide do poder de olhar para
além da superfície e entender os sentimentos e perspectivas alheias. Refere-se
à habilidade de perceber detalhes, nuances e verdades que outros podem ignorar.
Esse fito empático fortalece conexões humanas e a compaixão, ao passo que
fulcra o senso de pertencimento.
É inegável que esse
"poder do melhor olhar" – estabelece a forma como escolhemos olhar
para o mundo e para nós mesmos — tem um impacto profundo na nossa realidade e
nas nossas interações. O "melhor olhar" é aquele que transmite
segurança, portanto, manter o contato visual durante uma conversa demonstra
honestidade e autoridade.
Neste influxo, praticar
o smize (sorrir com os olhos), ajuda a transmitir empatia
mesmo em situações formais. Essa técnica popularizada na moda baseia-se na
ideia de que os olhos são a parte mais expressiva do rosto e podem comunicar
uma variedade de emoções, incluindo felicidade e sinceridade, sem a necessidade
de um sorriso bucal completo.
Pessoas que percebem essa
ação, tendem a julgar o sorriso como mais autêntico e a pessoa como mais
amigável, confiável e empática. Envolve a contração dos músculos ao redor
dos olhos (músculo orbicular do olho), produzindo os chamados "pés de
galinha" e manifestando o sorriso genuíno (conhecido como "sorriso de
Duchenne"), segundo a psicologia social.
Portanto, dominar o smize
é uma habilidade social útil, permitindo maior acessibilidade e empatia, mesmo
em ambientes profissionais onde a formalidade é esperada, neles imprimindo
cordialidade, ao tratar as pessoas com gentileza, cortesia, respeito e
consideração; e simpatia que manifesta afinidade e interesse pelo bem-estar do
outro, buscando criar um laço.
Cativantemente, cordialidade
é a base do bom convívio, enquanto a simpatia é a profundidade emocional que
torna a interação mais rica e pessoal. Embora possamos ser cordiais (educados e
respeitosos) sem sermos, excessivamente, simpáticos (emocionalmente envolvido);
e vice-versa, ainda que, muitas vezes, se misturem, pois ser cordial é uma
forma de ser simpático.
A palavra cordialidade vem
do latim cor (coração). Assim, ser cordial é agir com polidez,
educação e respeito. É uma escolha consciente de comportamento. Já o termo
simpatia Vem do grego sympatheia (sentir junto). É uma
inclinação afetiva, uma harmonia ou afinidade que sentimos por alguém e/ou por
algo. É uma agência espontânea e natural do “ser”.
Neste toar, “Se os seus
olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz” (Mateus 6:22) é uma
rutilante metáfora a nos ensinar que a nossa perspectiva interna e
a qualidade do nosso olhar sobre a vida e as pessoas moldam nossa realidade e
nossa experiência espiritual, sendo fundamental para que tenhamos uma visão
clara e positiva para viver uma vida iluminada.
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