INTRODUÇÃO
Nascemos desconhecendo o
virá, porém, havidos pra viver essa vida intrinsecamente incerta e imprevisível.
Ninguém sabe o que o futuro nos reserva; cada pessoa nasce sem conhecimento
prévio dos desafios, alegrias, perdas e oportunidades que encontrará ao longo
de sua jornada. O futuro é um livro em branco que escrevemos com nossas ações e
experiências, mas também, é influenciado por eventos e circunstâncias além do
nosso controle, que nos move a viver plenamente o momento presente, neste processo
contínuo de aprendizagem e adaptação, onde descobrimos o "virá" à
medida que avançamos: a jornada de descoberta.
Nesta jornada de
descoberta, que chamamos vida, encontramos companheiros que aninam nossos
passos evolutivos com suas expertises, expericianções vividas, legados etc. São
os amigos, colegas e familiares que compartilham suas cicatrizes e vitórias.
Aqui, o aprendizado não vem da teoria, mas da empatia e da ressonância
emocional. Aprendemos a ser humanos através da humanidade do outro. São os
mentores e mestres que nos oferecem atalhos através do conhecimento
estruturado. Eles nos ensinam a técnica, o "como fazer", e nos ajudam
a evitar erros que outros já cometeram. São aqueles que, mesmo não estando mais
presentes fisicamente (ou através de suas obras), deixam uma trilha de valores
e propósitos. O legado nos dá um senso de direção e nos lembra que somos parte
de algo maior.
Reconhecer esses
companheiros é um exercício de gratidão e humildade. A relevância de
reconhecer reside em atender uma necessidade humana fundamental de
valorização, impulsionando a motivação, o engajamento e o bem-estar em âmbitos
pessoais e profissionais, resultando em maior satisfação, produtividade,
retenção de talentos e um ambiente mais positivo, além de fortalecer a
autoestima e as relações interpessoais. O reconhecimento de identidades
culturais e sociais permite que indivíduos se sintam parte integrante de uma
comunidade, de uma Arcádia, e a expressão mais resplandecente do orgulho de ser
comparado ao Cego Aderaldo no Nordeste é um elogio à inteligência, à oratória e
à capacidade de "enxergar" o mundo através da poesia e do sentimento,
muito além da visão física. Reconhecer é o animus daquele que se assenta numa
cadeira acadêmica por Aderaldo Ferreira de Araújo.
Vencendo todos os
obstáculos e desafios, Cego Aderaldo tornou-se um exemplo de talento, coragem e
superação. Mesmo cego, ele viajava pelo sertão levando um gramofone e um
projetor de cinema manual, sendo um dos primeiros a difundir imagens em
movimento e música gravada em regiões remotas do Ceará, provando que a arte é
capaz de transcender as limitações físicas, transformando a escuridão dos olhos
em uma luz eterna para a poesia e a identidade do povo brasileiro.
CEGO ADERALDO – ORIGENS
O Ceará na antepenúltima
década de século XIX é marcado com a brutalidade da Grande Seca
(1877-1879), que forçou uma migração massiva do interior para Fortaleza,
superpovoando a capital e criando condições insalubres, culminando na
devastadora epidemia de varíola que causou milhares de mortes, com um dia
do ano 1878 ficando conhecido como o dos "Mil Mortos", enquanto a
elite debatia soluções e a literatura registrava a tragédia humanitária, a
movimentação abolicionista no Ceará estava em um estágio de crescente
organização e ativismo, um passo crucial para os eventos subsequentes que
levariam o Ceará a abolir a escravidão em 25 de março de 1884, sendo desde
então, historicamente, conhecido como a "Terra da Luz" e esse título
foi, de fato, popularizado pelo jornalista e abolicionista José do Patrocínio,
que era apelidado de "O Tigre da Abolição".
Crato, em 1878, era um
importante núcleo de povoamento e um centro em crescimento no interior do
Nordeste, elevado à categoria de cidade em 1853, coroando sua história
destacada por movimentos políticos significativos, como a participação na
Revolução Pernambucana de 1817, quando a vila chegou a declarar independência
de Portugal por alguns dias; a seca causou uma grande carestia e fome, levando
a um enorme afluxo de flagelados do sertão para cidades com recursos hídricos
mais perenes, como o Crato e a região do Cariri, que possuíam fontes de água na
encosta da Chapada do Araripe. Relatos da época mencionam discussões sobre a
necessidade de obras de infraestrutura, como a construção de açudes para
garantir a criação de gado na serra do Araripe, preservando as árvores para evitar
que as fontes secassem; e o prolongamento da estrada de ferro de Baturité até o
Crato, para facilitar o transporte de materiais e mitigar os efeitos de futuras
secas.
Neste ano, em que a ordem
destemidamente apascenta o caos, luzidias esplendorosas emergem para dar
novos destinos ao mundo, implementar prodígios e progressos ao viver humano, além
de protagonizarem os verazes e sólidos legados, cujos exemplos alcançam nossos
dias com a mesmo efervescente potencial de convencimento e cativação que manifestam
desde sua ciese. Dentre estas ilustres rutilâncias, Aderaldo Ferreira de
Araújo nasce na vanguardista cidade de Crato, Estado do Ceará, aos 24 de
Junho de 1878 – animando a festa junina com sempre farão suas visionárias inspirações
– filho de um alfaiate e de uma dona de casa. Seu pai faleceu quando tinha dois
anos, em 1880, o que levou a família a migrar para a Terra dos Monolitos, Quixadá,
em busca de melhores oportunidades de labor e de dignidade em meio à grande
seca que assolava toda a Região Nordeste naqueles dias.
CEGO ADERALDO – INFÂNCIA
O Ceará na penúltima
década do Século XIX se destacava por seu pioneirismo na luta pela liberdade,
vivenciando as complexas transformações sociais e econômicas de uma sociedade
que acabara de dar um passo ousado rumo ao fim da escravidão. Economicamente,
o Ceará era uma região periférica, cuja economia baseava-se principalmente na
pecuária e, posteriormente, na cultura do algodão. A economia do algodão estava
em declínio, somado aos efeitos devastadores da Grande Seca (1877-1879), o que influenciou
robustamente o movimento abolicionista, pois, para muitos proprietários, a
venda de escravos para outras províncias era mais rentável do que mantê-los em
uma economia em crise. A sociedade era marcada por relações patriarcais e um
mandonismo local, com uma população majoritariamente pobre e subalternizada.
Quixadá, em 1885, vivia
um período de transição como vila, consolidando-se social e administrativamente,
após sua emancipação de Quixeramobim em 1870 e apesar das dificuldades
econômicas e climáticas do sertão, via o estabelecimento de instituições
importantes e o planejamento de obras hídricas que se tornariam marcos
históricos, como o Açude do Cedro. Embora o acesso fosse restrito e as
condições precárias, Quixadá já possuía núcleos de instrução pública em 1885
que serviam como base para o crescimento urbano impulsionado pelas obras
ferroviárias e hídricas do final do século XIX. Em 24 de junho de 1885, foi
estabelecida a primeira Conferência da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP)
na Terra dos Monolitos, sob a invocação de Jesus, Maria e José, um marco
importante para a comunidade local e suas atividades de caridade.
Nesta data, Aderaldo
Ferreira de Araújo festejava sete anos de idade, num ceio familiar probo e firmemente
devoto à Maria Santíssima, que desde cedo lhe ensinava aos preceitos cristãos,
principalmente, o dever de servir ao próximo com galhardia e amor fraterno,
refletindo a pujante influência religiosa na moral e nos costumes, que
repercutia, também, nas diretrizes
educacionais da época, que incluíam aulas de religião, num sistema, ainda rudimentar,
que seguia o modelo de "Escolas de Primeiras Letras", criado pela lei
de 1827. Naqueles dias finais do século XIX, o ensino ocorria
frequentemente nas residências dos próprios professores ou em
locais improvisados, com foco em ler, escrever e contar. Sob a influência
materna, sempre presente e incentivadora, Aderaldo Ferreira de Araújo, dia a
dia, avança na estrada da cognição e do desenvolvimento pessoal, aproveitando
eficazmente o que a vida no Sertão Central Cearense lhe oportunizava.
CEGO ADERALDO – OPERÁRIO
O Ceará na última década
do Século XIX é um marco na história do Ceará, pois dá início a um dos períodos
políticos mais influentes e duradouros do estado: a Oligarquia Aciolina. Embora
a Terra da Luz ainda se recuperasse dos impactos de secas severas do final do
século XIX, buscava com vivaz desenvoltura modernizar sua infraestrutura para
escoar a produção agrícola e enfrentar os períodos de estiagem. Em 1896 teve
início a construção da ferrovia Sobral-Crateús, um empreendimento
liderado por Antônio Sampaio Pires Ferreira, fundamental para a integração do
interior cearense. A "Belle Époque" em Fortaleza, ainda que emergida
em 1860, eflorescia neste ano com a consolidação do Instituto do Ceará (Histórico,
Geográfico e Antropológico) - fundado em 1887 – como um relevante equipamento
de preservação da memória e produção intelectual do estado. Embora fundada em
1892, a Padaria Espiritual, neste ano, se confirmava como agremiação literária
de vanguarda e crítica social em pleno ativismo em Fortaleza, reunindo letrados
na Praça do Ferreira para debater cultura e política.
Quixadá, em 1896, viveu
um ano de efervescência social e cultural, marcado pela fundação dos seus primeiros
jornais: Três jovens caixeiros fundaram o primeiro jornal da cidade,
chamado "O Matuto". No mesmo ano, funcionários da Comissão de Açudes
fundaram outro periódico, "O Açude", refletindo um período de
modernidade e pensamento científico emergente na região. Neste, a economia de
Quixadá impulsionada principalmente pela agropecuária e pelo dinamismo gerado
por grandes obras federais, como a construção do Açude do Cedro – primeira grande
obra hídrica do Brasil –, que atraía engenheiros, técnicos e milhares de
operários, movimentando o comércio local e gerando um "surto" de
modernidade técnica e circulação de moeda. Neste influxo de crescimento,
progresso e evolução, a Estrada de Ferro de Baturité já alcançava a região,
facilitando o escoamento da produção agrícola e a chegada de mercadorias,
integrando Quixadá ao mercado de Fortaleza e ao exterior.
Neste ano, aos 18 anos de
idade, atraído pelas oportunidades de labor que o Quixadá, como um importante centro
agroindustrial, na produção e comércio da matéria-prima (algodão em
caroço), disponibilizava, ao passo que sustentava a economia da província, Aderaldo
Ferreira de Araújo, trabalhava alimentando uma fornalha na beneficiadora de algodão
de propriedade Daniel de Moura, em Quixadá, quando sofreu um acidente que o fez
perder a visão. Um acidente lamentável para o operário dedicado, porém, um
despertar fulminante para o capital humano formidável para as artes e para a
cultura brasileira.
CEGO ADERALDO – SUPERADOR
A perda da visão é uma
transição profunda que exige um processo de luto, adaptação física e
reestruturação emocional. É uma experiência transformadora que desafia
profundamente o indivíduo e a sociedade. No entanto, a história da
reabilitação visual demonstra que a cegueira não é o fim da autonomia, mas o
início de uma nova forma de interagir com o mundo. A superação não significa a
restauração da visão, mas sim, a conquista da autonomia, da qualidade de vida e
da realização pessoal, utilizando novas formas de interação com o mundo. Aliás,
a jornada da perda da visão para a superação é um testemunho da notável
neuroplasticidade do cérebro e do indomável espírito humano, que encontra novos
caminhos para perceber e interagir com o mundo. O suporte familiar oferece um
apoio inspirador ao auxiliar a pessoa com deficiência a vivenciar a vida
de forma plena, promovendo sua independência, autonomia e bem-estar emocional e
social.
Incentivado pela mãe,
sempre apoio forte, constante e incondicional, um contumaz divisor de águas em
seu caminhar em Terra, Aderaldo Ferreira de Araújo começou a cantar e a improvisar.
Uma incipiente certeza, que a vida tornou robusta: a falta da visão
frequentemente leva ao desenvolvimento aprimorado de outros sentidos, como a
audição e a percepção tátil, que são cruciais para o aprendizado musical, que, em
essência, transcende a visão, permitindo que o talento e a expressão floresçam
e toquem a vida de todos, independentemente das barreiras físicas. A
música, portanto, transcende barreiras físicas, permitindo que pessoas cegas
não apenas participem, mas, liderem e inovem na arte, desafiando estereótipos e
enriquecendo a cultura global.
A música é uma das
ferramentas mais potentes para a inclusão social e educacional, que estimula a
criatividade, a imaginação, a atenção e a concentração; e o improviso, cuja importância
reside em desenvolver flexibilidade, agilidade e criatividade,
permitindo adaptação a situações inesperadas, resolução de problemas e a tomada
de decisões mais assertivas, tanto na vida pessoal quanto profissional,
transformando o caos em oportunidades de aprendizado e inovação, e fortalecendo
a autoconfiança. A música, para Aderaldo Ferreira de Araújo, transcendeu o
simples entretenimento; tornou-se um proficiente catalisador para seu autodesenvolvimento,
oferecendo-lhe um caminho para sua força interior, onde suas habilidades
interpessoais oportunizaram uma vida plena de exemplo que transformam o mundo ainda
hoje. A música é um pilar do protagonismo socioeconômico-cultural.
CEGO ADERALDO – VISIONÁRIO
O Ceará na primeira
década do Século XX, vivia um período de otimismo e crescimento para o Ceará,
que se projetava nacionalmente com suas melhorias urbanas e produção cultural,
embora as secas e seus impactos sociais fossem uma realidade constante no
sertão. Registros mostram a presença de obras de arte, como telas
restauradas de 1908, evidenciando a vida cultural eflorescendo virilmente neste
jovem século. A capital cearense passava por um processo de embelezamento, com
registros fotográficos da época mostrando esses avanços, o que destacou a Terra
da Luz nacionalmente por sua mostra de fotos de jardins, praças e comércios, na Exposição
Nacional de 1908 no Rio de Janeiro; e pela produção de materiais como
a Revista do Instituto do Ceará e jornais históricos,
refletindo a vida social, política e cultural do período, com a capital
Fortaleza inusitadamente modernizadora. Vivia-se, portanto, o auge da Belle
Époque cearense, um período marcado por esforços de modernização urbana,
efervescência cultural e tensões políticas da República Velha.
Crato, em 1908, vivia um
período de crescimento, que se consolidava como um importante núcleo urbano e
cultural do interior do Nordeste brasileiro. O desenvolvimento da região
foi impulsionado pela Estrada de Ferro de Baturité, que transformou a dinâmica
local e fez do Crato um ponto vital para o transporte de mercadorias e pessoas,
simbolizando o progresso e a conexão com grandes centros urbanos. Havia uma
elite intelectual ativa, que se autodenominava "boas famílias" e que frequentava
os mesmos espaços sociais, buscando o progresso da cidade, consolidando assim
seu desenvolvimento intelectual e econômico. Personalidades como o
intelectual Manuel de Oliveira transitaram entre a Capital do Cariri – naqueles
dias – e grandes centros como o Rio de Janeiro, contribuindo para a fama do
Crato como a "Cidade da Cultura”.
Nestes efervescentes dias
do início do Século XX, Aderaldo Ferreira de Araújo – visionário – nasce o
Cego Aderaldo nas ruas, feiras e espaços de sociabilidade, manifestando
cultural popular contínua, que coexistia e robusteciam os ideais de “Cidade da
Cultura” que que estabeleciam o senso de pertencimento dos intelectuais que faziam
parte integrante do cenário cultural e social do Nordeste e do Cariri no início
do século XX, narrando o cotidiano, histórias e eventos da época, e essa
manifestação é uma marca da identidade regional, reconhecida até hoje com
eventos como a Semana Cultural Poeta Pedro Bandeira, um famoso cantador natural
da região. Além dos cantadores, o Crato de 1908 já vivenciava festejos
tradicionais como a Festa de Nossa Senhora da Penha, que unia o
sagrado ao profano com música e versos populares.
CEGO ADERALDO – PIONEIRO
Viola é uma palavra cujo
som evoca, não apenas, um objeto capaz de produzir sons. Ela simboliza
memórias, sentimentos, lugares, pessoas, tradições, modos de ser e de viver. No
peito do violeiro, não é só instrumento musical: faz-se expressão de
identidade. O ponteio de suas cordas conta histórias e é motor de uma
espécie de máquina do tempo que funciona dentro de cada ouvinte. A viola é um
instrumento que veio ao Brasil com as primeiras levas de colonizadores e
jesuítas. Utilizado como ferramenta na catequese, esse instrumento, aos poucos,
foi ganhando a cara da nova terra nas mãos de bandeirantes, tropeiros e
cantadores.
O "baião da
viola" é um elemento fundamental da cultura popular nordestina,
especificamente na tradição do repente, onde a viola caipira dita o ritmo para
a poesia improvisada. Tendo raízes no lundu e na chula portuguesa, recebeu
influências das modas de viola. O "baião da viola" pode ter variações
na execução entre diferentes cantadores, alguns optando por uma forma mais
simples e outros por uma mais elaborada. A batida da viola nesse contexto
é percussiva e rítmica, muitas vezes descrita como um "bate aqui" ou
"batendo na viola", o que ajuda a marcar o tempo para o cantador. A
viola é essencial para o cantador, funcionando como um suporte rítmico que o
ajuda a manter o fluxo do improviso. Tocada com um volume mais baixo durante o
canto para não ofuscar a voz, e com toques mais fortes nos intervalos entre as
estrofes. A temática das cantorias de viola geralmente aborda o cotidiano dos
nordestinos, as dificuldades da vida e "causos" da região.
Inventivo, o Cego
Aderaldo foi um dos primeiros cantadores a ganhar notoriedade nacional, levando
a cantoria de improviso para grandes capitais como Rio de Janeiro e São Paulo.
Ele participou da inauguração da primeira emissora de TV no Brasil.
Admirado por intelectuais como Rachel de Queiroz, sua trajetória inspirou
gerações de artistas, incluindo Luiz Gonzaga. Inusitado, o Cego
Aderaldo tirou o baião da viola, orquestrando-o e influenciando grandes
artistas como Luiz Gonzaga, que usando a sanfona, o triângulo e a zabumba, popularizou
a dança e a cultura nordestina, tornando-se um ícone nacional. A música de
Gonzaga levou o baião para as cidades, modernizando-o e criando uma identidade
musical forte para o Nordeste, porém, sempre mantendo a essência do ritmo
original, como em "Baião de Dois". Empreendedor, foi um dos
primeiros a levar novidades tecnológicas para o interior, atuando como exibidor
de cinema itinerante na década de 1930 e utilizando gramofones para
apresentar discos ao povo sertanejo.
CEGO ADERALDO – INSPIRADOR
Em 1969, o violonista
Baden Powell compôs e gravou a toada “O Cego Aderaldo (Nordeste)”, no LP “27 Horas de estúdio”, da gravadora Elenco. Em
1974, o cantor e violeiro Téo Azevedo, no LP “Grito selvagem”, da gravadora
Central Park Tapes, gravou a cantiga “Cego Aderaldo “, do próprio Téo Azevedo.
Em 1977, o cantor Ari Toledo em LP da gravadora Beverly, adaptou e gravou a
música tradicional nordestina “Desafio do Cego Aderaldo X Zé Pretinho”. Em
1979, a composição “Cego Aderaldo”, de Egberto Gismonti, foi gravada por Naná
Vasconcelos no LP “Saudades”, da WEA.
Em 1980, o baião “Cego Aderaldo”, de João Silva e Pedro Maranguape, foi lançado
por Luiz Gonzaga no LP “O Homem da terra”, da gravadora RCA Victor. No mesmo
ano, “Cego Aderaldo”, de César Barreto e Marcus Accioly, foi gravada por César
Barreto no LP “Nordestinados – A poesia de Marcus Accioly com música de César
Barreto”, da gravadora Continental.
Em 2005, o Estado do
Ceará tomba a residência do Cego Aderaldo, em Quixadá e incorpora ao Patrimônio
Cultural do Estado. A casa foi transformada na "Casa de Saberes Cego
Aderaldo", um importante centro cultural, inaugurado como equipamento em
2017, e que se dedica à memória do poeta Aderaldo Ferreira de Araújo. A Casa é
voltada à arte, educação, saberes tradicionais e patrimônio cultural, visa
ampliar a preservação da memória, do patrimônio e das tradições culturais em
diálogo com as linguagens artísticas contemporâneas, valorizando e fomentando a
arte e a cultura nos diversos territórios no Sertão Central.
Em 2025, os deputados da
Assembleia Legislativa do Estado (Alece) aprovaram o projeto de lei que
estabelece o ‘Dia do Cantador’ no Ceará, em homenagem ao poeta
caririense Cego Aderaldo (1878 - 1967). A proposta é de autoria do parlamentar
Heitor Férrer (União Brasil). A data escolhida faz referência ao dia do
nascimento de Cego Aderaldo, em 24 de junho de 1878, no Crato. O projeto visa
incentivar atividades culturais na comemoração, como apresentações musicais,
leituras de poesia, exposições de arte e oficinas de criação literária. Além de
Aderaldo, o projeto destaca outros poetas populares cearenses, como Patativa do
Assaré, Geraldo Amâncio, Dideus Sales e Sávio Pinheiro.
CONCLUSÃO
Morremos sem saber para
onde vamos, além de refletir a a incerteza fundamental que a maioria das
pessoas sente sobre o pós-vida, é um dos maiores mistérios da existência humana
e um tema central em muitas culturas e religiões ao redor do mundo. Muitas
vezes, exploram a ideia de a alma continuar sua jornada em diferentes planos de
existência ou dimensões espirituais, focando no crescimento e aprendizado
contínuo. Continuo aprendizado para uma perene mestria. É um lema para
quem busca excelência, humildade e crescimento constante, lembrando que o
aprendizado é um compromisso vitalício. Essa vitaliciedade (imortalidade) é um
anseio humano que se manifesta na busca por transcender a finitude, seja
através da fé, da filosofia ou da tecnologia, explorando o que significa ser um
"ser" para além da vida material.
A crença em um
"ser" para além da vida material implica que há um aspecto da
existência que não pode ser explicado apenas pela ciência materialista e que
persiste após o fim do funcionamento biológico do corpo. A expressão
em latim "Ad immortalitatem", que significa "Rumo à
imortalidade" sela o compromisso de ser um "imortal das letras",
que significa ser um guardião e uma figura de destaque vitalícia na literatura
e na cultura brasileira, cuja contribuição é considerada duradoura e de grande
valor. Significa, ainda, que o autor alcançou o ápice do reconhecimento
nacional por sua contribuição à língua e à cultura. Nos imortalizamos ao
imortalizarmos o patrono de nossas cadeiras acadêmicas, ao honrarmos e
perpetuarmos a memória de sua figura notável (o patrono) que dá nome à nossa
posição ou afiliação acadêmica, nós próprios garantimos nossa relevância e
legado, "À l'immortalité".
Imortal, Aderaldo
Ferreira de Araújo, vive nas memórias daqueles que o viram atuar, daqueles que declamam
suas poesias, daqueles que ouvirão seu gramofone e tiveram a grata alegria de serem
incluídos por ele no mundo das artes e do conhecimento. Aderaldo não apenas
"viu" o mundo através de sua sensibilidade poética, mas ensinou
gerações a enxergar a riqueza da identidade sertaneja. Ao incentivar a cultura
e o compartilhamento do conhecimento ele é fundamental para o progresso
individual e social, robustecendo os pilares para o desenvolvimento humano e a
inovação. O Cego enxergava longe!
A alga (Espirito) de Aderaldo Ferreira de Araujo é imortal, ele apenas saiu do corpo que é mortal; ele veio a terra cumprir uma missão enviado por Cristo.
ResponderExcluirA arte e a cultura imortaliza, pois a finitude da matéria se perpetua nas gerações. A qualidade da arte é que torna o criador mais ou menos evidente. O Cego Aderaldo jamais deixará de ser evidenciado.
ResponderExcluirParabéns meu caro irmão. Só assim eu conheci a história de um ditado que sempre se diz. Parece o cego Aderaldo, aqui em nossa região
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