Prefiro
a infelicidade de ser como sou, pois, dia a dia, acrescem-se dois tesouros que
certificar este status quo. Aqueles que me amam, pois, confirmam Parmênides:
somente os iguais se reconhecem. Estes adornam minhas convicções e as enlevam,
dando-lhes a pertinaz garantia de sua exatidão. Tu, amigo infiel, muitas vezes
ao me chamar de "txai" (palavra imensamente significativa representativa
do mundo indígena Acreano que se traduz por amigo, "parte eu, parte
você") manifestou em nós a humildade que nos faz pertencentes fervorosamente
à fraternidade que professamos face aos compromissos respeitosamente firmados e
praticados, ainda que tu não mais os pratiques. Te negligenciastes, te esquecestes,
breve o mundo te esquecerá.
E
aqueles que me odeiam, pois, aquiescem Carl Gustave Jung: aquilo que nos
incomoda nos outros pode ser um reflexo de algo que não aceitamos em nós
mesmos. Isto é conhecido como a Lei do Espelho. A estes, que ofuscam minhas
certezas, externo a mais vivaz gratidão, já que, suas existências e posturas in
vitae, curiosamente, esperançam a iminência de pungente evolução de modus
operandi e de status quo, a partir dos quais a unicidade reinará radicando a
certeza única de que "há mais felicidade em dar do que em receber",
como ensina o Mestre Jesus a seus discípulos (Atos 20:35).
Percebo,
desta forma, que a solitária alegria em sede de egocentrismo e/ou às custas dos
tormentos d'outrem, além de temerariamente efêmera, nenhum legado erige, apenas
turva a realidade. Contrário faz a felicidade, que sendo contagiante, contenta
todo o universo pelo bem que faz por onde passa humanizando o homem. Portanto,
quando o sol da verdade é brutalmente ofuscado pelo tenebror dissonante e
pérfido, está singela estrela, a felicidade, que aguarda seu lugar numa
constelação digna de si, rutila amorável e corajosamente a seu lado
desobscurecendo cismas, aquecendo a boa vontade antes gélida e anuindo que o
correto é o correto em quaisquer geografias, em todas as almas e em qualquer
tempo, não importando a idade.
"Vão-se
os anéis, ficam os dedos" é retumbante anúncio de que as coisas
importantes e mais valiosas da vida não são bens físicos que podem ser
substituídos, mas sim, as coisas insubstituíveis como saúde, amigos e
integridade pessoal. O foco da vida, incontestavelmente, deve estar naquilo que
não tem preço e que não pode ser comprado ou substituído. A verdadeira riqueza
da vida reside inequivocamente em experiências, conexões e qualidades que estão
além de qualquer valor monetário. Um estado de serenidade e aceitação, como
este, não depende de circunstâncias externas. Concentrar energia nessas áreas
impagáveis é, para muitos, a chave para uma existência plena e com significado
duradouro. Para os sociopatas, um mero acinte.
Sociopatas,
que apresentam o Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS), demonstram uma
avassaladora necessidade de admiração e validação externa, o que está ligado a
traços narcisistas. Essa busca por afirmação não deriva de uma necessidade
genuína de conexão emocional, mas sim, de um desejo de reforçar seu próprio ego
e manipular os outros para obter vantagens pessoais, como poder ou
gratificação. Embora possam entender cognitivamente o que os outros sentem
(empatia cognitiva), eles não sentem as emoções de forma profunda (falta de
empatia emocional). A validação externa preenche um vazio ou serve a um
propósito utilitário, em vez de satisfazer uma carência afetiva. Para o sociopata,
a afirmação é menos sobre se sentir amado ou aceito e mais sobre confirmar seu
senso de superioridade e eficácia em manipular o ambiente ao seu redor para seu
próprio ganho. O que lhe interessa é o próprio benefício. A necessidade de
afirmação é, portanto, voltada para a satisfação do seu egoísmo, não para o
bem-estar mútuo, ainda que a vivacidade e alegrias residam na interdependência
entre todas as coisas e seres.
Embora
seja absolutamente normal sapatear na lama, sujar a roupa de domingo e/ou
escandalizar a ambiência em que se vive, nego-me terminantemente a ser mais um
pertencido à síndrome do reizinho, termo simpático e/ou informal para o
Transtorno Desafiador Opositivo (TDO), caracterizado por comportamento
desafiador, agressivo e teimoso, em que o afetado age como se mandasse em
todos. O termo descreve indivíduos com dificuldade em lidar com regras e
frustrações, que apresentam dificuldade em aceitar limites, discutem
excessivamente por banalidades e não aceitam responsabilidade por seus atos.
Degenerados assim, apresentam causticante intolerância à frustração e reagem
com fúria e agressividade desmedida quando algo não acontece da forma que
desejam. Irritadiços desde sua ciese, vingativos por excelência e ressentidos
com quaisquer um que lhes imprima autoridade, os reizinhos são inescrupulosamente
capazes de quaisquer coisas em seu circo mambembe para manterem-se ad aeternum como
superestrela.
Sou cônscio que grandes
posições de poder vêm com grande responsabilidade. Um erro cometido por uma
pessoa em uma posição elevada afeta mais pessoas e tem consequências mais
amplas do que o mesmo erro cometido por alguém comum. Figuras públicas, líderes
políticos, celebridades ou grandes empresários estão sob constante escrutínio.
Quando eles caem em desgraça, a queda é espetacular e amplamente divulgada,
pois, há mais "altura" de onde cair, por isso, tamanho homem, imensa
queda! Nos âmbitos empresarial e das nações, o fracasso de grandes empresas ou
o declínio de impérios, onde a magnitude do colapso reflete a magnitude de sua
ascensão anterior. Portanto, é um claro lembrete de humildade, alertando que
mesmo os indivíduos mais bem-sucedidos ou orgulhosos não estão isentos de
cometer erros catastróficos e enfrentar a ruína. Aqui se faz, aqui se paga,
penso!
Erguida
por Hermes Trimegistos como o Princípio da Causa e Efeito, propagada pela
Filosofia Espírita como a Lei do Retorno e investigada pelos Operadores do
Direito como nexo causal, ou seja, é a comprovação de que houve dano efetivo,
motivado por ação, voluntária, negligência ou imprudência daquele que causou o
dano; princípio e/ou lei ninguém lhes escapa. Somos responsáveis pelo que somos
e muito mais ainda pelo que nos permitimos tornar, pois, embora possamos não
controlar todas as circunstâncias externas ou o nosso ponto de partida na vida,
temos a capacidade de fazer escolhas e tomar decisões que moldam ativamente o
nosso caráter, os nossos valores e o nosso destino final. É um chamado à
autorreflexão e à responsabilização pela própria vida, ao qual sempre estou atento,
principalmente, à relação entre o mundo interno e os fatores externos e
circunstâncias de vida influenciem nosso caminho, as escolhas que fazemos –
conscientes ou inconscientes – além de determinar, fundamentalmente, nossa
identidade, caráter, estampando nossa marca por onde passamos e com quem
estejamos. Como desejamos ser lembrados?
O legado de um
homem o precede" é uma tradução direta da famosa frase em inglês "A
man's got to do what a man's got to do", que na verdade não significa
"O legado de um homem o precede", mas sim, “um homem tem que fazer o que um homem tem que fazer”. A frase correta em
inglês é "A man's legacy precedes him" e pra mim significa
que as ações, reputação e o impacto que uma pessoa deixa para trás chegam a um
lugar ou a uma situação antes dela, influenciando como ela é percebida ou
tratada. De fato, essencialmente, a reputação e a história de uma pessoa chegam
antes dela, funcionam como uma espécie de "cartão de visitas
invisível", muitas vezes moldando a forma como os outros a abordam e
interpretam antes mesmo de uma palavra ser dita. Confiar em reputações e
histórias (ou seja, informações de segunda mão, agência temerária em dias de
sociedade líquida na era dos ressentidos) é um atalho cognitivo que economiza
tempo e esforço na avaliação de novas pessoas. Ressalto a importância da
integridade, da consistência nas ações e da gestão consciente da imagem que
projetamos no mundo. Sejamos, pois, tão belos, quanto nossas palavras, tornemos-as reais.
Eu me manifesto
através da utilidade e da clareza das minhas interatividades, afinal, a beleza
ou valor de uma pessoa não deve residir, apenas, no que ela diz, mas, na
consistência entre suas palavras e suas atitudes. O que nos desafia a
transformar a teoria em prática, a retórica em realidade, e a viver de uma
maneira que valide e dê substância ao nosso próprio discurso. Ao tornar as
palavras reais através de ações, inspiramos os outros a fazerem o mesmo. Da
nossa manifesta autenticidade emerge um senso de confiança nos outros e em nós
mesmos, pois, demonstramos ser pessoas cuja palavra tem peso. Não basta falar
sobre bondade, respeito ou honestidade; é preciso praticá-los diariamente. A
harmonia entre o que pensamos, dizemos e fazemos é a base de uma vida ética e
plena. Vivamo-la e observemos viver.
"O hábito faz
o monge" evoca que a constância de uma prática, seja ela positiva ou
negativa, leva à maestria e à transformação. A adaptação moderna deste preceito,
popularizada por José de Alencar, reflete que, na prática, a forma de se vestir
(o hábito) influencia como somos percebidos e como nos comportamos. Um bom
exemplo é a ideia de que, para se tornar um bom nadador, é preciso nadar
habitualmente, da mesma forma que para se tornar um bom professor, é preciso
dar aulas consistentemente, o que molda quem somos. Nascemos para sermos
exemplos, para isso precisamos ser o que dizemos ser, pois, a verdadeira
influência e liderança (ser um "exemplo") não vêm apenas de discursos
ou promessas, mas, da prática consistente dos valores e princípios que
defendemos, o que espelha um princípio fundamental em muitas filosofias e
abordagens de liderança: a coerência entre discurso e prática (o
"walk the talk", em inglês). O Impacto Genuíno é a
consistência que inspira os outros a seguir o exemplo, mais do que qualquer
retórica. Viver essa verdade é um caminho poderoso para influenciar
positivamente o mundo ao nosso redor.
Ser feliz e fazer
o melhor bem possível enquanto vivo, em essência, é a bússola moral que me guia
as decisões diárias enquanto busco uma vida mais plena e altruísta. É uma
forma de viver que combina a busca pela realização pessoal com a
responsabilidade e a compaixão pelos outros. Não se trata apenas de pensar
positivo, mas de agir. Fazer o "melhor bem possível" implica em ações
concretas que melhorem a vida das pessoas ou do mundo ao seu redor. Focar nas
coisas boas da vida e cultivar uma atitude de gratidão ajuda a manter a
felicidade interna, independentemente das circunstâncias externas. A felicidade,
no entanto, não é apenas um estado passivo a ser alcançado, mas, uma escolha
ativa e um modo de vida que se manifesta através de ações benéficas e
intencionais para com nós mesmos e para com os outros. Trata-se de
encontrar um equilíbrio entre o bem-estar individual e a responsabilidade
social, reconhecendo que ambos se reforçam mutuamente. Ao buscar minha
própria felicidade de forma ética, tornei-me mais capaz de contribuir
positivamente para o mundo que me orbita e me abriga.
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