terça-feira, 11 de novembro de 2025

SER-SE O DONO DO MUNDO PREJUDICA O PROGRESSO SOCIAL

 

Ser-se o dono do mundo prejudica o progresso social sedimenta a ideia de que ser "dono do mundo" contraria o princípio de que o poder deve ser uma relação social que envolve múltiplos atores e mediações institucionais para garantir um mínimo de consenso e legitimidade, sendo, portanto, um obstáculo ao desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equitativa. 

 

O poder absoluto tende a corromper absolutamente e o enxerido manifesta em altos graus sua falta escrúpulos, colocando-se acima de tudo que há estabelecido para o feliz convívio social e para a humanização dos homens. Desejoso de holofotes sobre si, apresenta-se aos próprios olhos uma imagem de beleza, grandeza e sabedoria, porém, a visão geral é de um ser torpe, mal caráter e de baixíssima competência humana. É ineficaz como ser social!

 

Seu hálito fétido exala o odor da usura, do oportunismo vil e da vitimismo insano com o qual escraviza tudo que teima em orbitar em torno de si. Um "dono do mundo" trata as outras pessoas como meros recursos ou objetos a serem explorados para seu próprio benefício. A posse ou controle absoluto gera desigualdades massivas. Nada vive à sombra da mangueira!

 

A concentração de recursos e poder nas mãos de poucos (uma elite ou um único "dono") inevitavelmente leva à exclusão de muitos, que não são considerados dignos de participar plenamente da vida social ou de desfrutar dos benefícios do progresso. A ausência de freios e contrapesos na acumulação de renda e poder abre caminho para o abuso, a manipulação e a coerção, o que é incompatível com um progresso social ético e sustentável.

 

Pensadores como Aristóteles observaram que o homem é um ser social e político por natureza; ninguém desejaria ser o dono do mundo se a condição fosse viver sozinho. A concentração de poder corrói o senso de unidade e participação em uma comunidade, que é essencial para a coesão social. Não havendo senso de pertencimento inexiste, também, identidade social

 

sentimento de identidade e orgulho próprio - individual ou coletivo – são imprescindíveis para o desenvolvimento e progresso de uma comunidade ou nação. Onde não viceja o “orgulho de ser” a sociedade fenece vitimada pela perda da autoestima, da coesão identitária, que fazem o brio coletivo enfraquecer e desaparecer. Um agrupamento social sem brio cria homens mercenários e virilmente antissociais.

 

Autores como Daron Acemoglu argumentam que, embora a inovação tecnológica possa gerar prosperidade, ela muitas vezes beneficia desproporcionalmente as elites se não houver mecanismos de distribuição de poder e riqueza. Um "dono do mundo" sempre direciona o progresso para seus próprios fins, sufocando inovações que ameacem seu controle ou que beneficiem a população em geral. Um teatro de vitimismo pleno!

 

O homem é o lobo do homem ("Homo homini lupus est"), afirma Plauto. Seu fito varou tempo e espaço e, nestes dias acha sede, pois, sem uma autoridade para impor ordem, a ganância e o egoísmo naturais do indivíduo levam-no a um estado de "guerra de todos contra todos". Uma tormenta de tormentos frívolos, inexatos e desumanizadores do homem pelo exemplo que imprime.

 

Embora trate-se de uma metáfora que descreve um conjunto de sofrimentos ou influências negativas que, embora possam parecer triviais ou sem importância à primeira vista é um retumbante alerta para o perigo de um conjunto de influências ou sofrimentos aparentemente menores que, com o tempo, corrompem ou diminuem a humanidade de uma pessoa ao estabelecerem um padrão de conduta negativo, sob os quais se elege o “dono do mundo”. 

 

É um retumbante clamor à meditação sobre a superficialidade, a desumanização e a forma como percebemos e imprimimos a nossa própria realidade através dos exemplos que vivemos. Ecoa temas abordados por diversos pensadores e em várias obras literárias e acadêmicas, como Zygmunt Bauman (modernidade líquida, superficialidade), teóricos críticos e filósofos da existência. Tão urgentes e óbvios quanto a nosso cegar para eles.

 

É um convite a examinar criticamente o nosso próprio comportamento e a sociedade em que vivemos, questionando se estamos contribuindo para um mundo mais superficial e desumano através das nossas escolhas diárias e dos exemplos que seguimos. Há uma crítica à forma como as interações sociais e a vida moderna se tornaram menos autênticas e menos empáticas.

 

O “dono do mundo” esquece que “quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve” (Marcos 10:43-44), pois, contrasta a lógica do mundo dos “donos do mundo”, baseada em dominar e ser servido. A ideia central deste ensinamento cristão é que a grandeza espiritual não é alcançada por meio da dominação ou do comando, mas sim, pela humildade e pelo serviço aos outros. Feitos e efeitos rutilam os méritos; e estes constroem legados.

 

É uma ode à importância das obras e resultados sobre meras intenções ou potenciais não realizados. Expressa a ideia de que o valor real e duradouro (legado) provém das ações concretas e de seus impactos visíveis, que, por sua vez, iluminam e confirmam os méritos do autor. Agir assim, adoece o “dono do mundo”, que se empenha em tomar à força espaços e momentos para os quais lhe faltam méritos reconhecidos e gratidão dos que o margeiam.

 

É uma reflexão sobre a importância do trabalho e da virtude. Contemplando as ações e seus resultados positivos (méritos), pois, são o que realmente brilha e o que, em última instância, permite a construção de uma memória ou influência duradoura. O “dono do mundo” não vive, apenas parasita o outro, de quem suga feitos, efeitos, méritos, reconhecimentos, glorias, etc.

 

Em um contexto social, perceber assim o “dono do mundo” e, também, denotar as estruturas de poder onde alguns indivíduos ou grupos ascendem explorando o trabalho e a criatividade de outros. Descreve com exatidão a apropriação indébita e a falta de reciprocidade nas relações humanas, afirmando que uma vida vivida inteiramente à custa dos outros não é uma "vida" plena, mas, uma existência vazia e dependente. E vorazmente tóxica.

 

Na psicologia, esse comportamento está associado a traços de narcisismo ou até de psicopatia. Indivíduos com transtornos de personalidade narcisista normalmente buscam validação constante e não têm empatia, explorando os outros para seu próprio ganho e sentindo-se no direito de assim fazê-lo. Essencialmente, é uma percepção comum de que a verdadeira realização vem da produção e da contribuição genuína, e não da exploração ou do parasitismo.

 

A condição para um progresso social genuíno e sustentável é a distribuição de oportunidades, o respeito pela dignidade intrínseca de cada pessoa e a colaboração mútua, valores que se opõem fundamentalmente à ideia de um único "dono do mundo", ao passo que robustece a certeza de que ser-se o dono do mundo prejudica o progresso social. E desumaniza a humanidade.

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