Ser-se
o dono do mundo prejudica o progresso social sedimenta a ideia de que ser
"dono do mundo" contraria o princípio de que o poder deve ser uma
relação social que envolve múltiplos atores e mediações institucionais para
garantir um mínimo de consenso e legitimidade, sendo, portanto, um obstáculo ao
desenvolvimento de uma sociedade mais justa e equitativa.
O
poder absoluto tende a corromper absolutamente e o enxerido manifesta em altos
graus sua falta escrúpulos, colocando-se acima de tudo que há estabelecido para
o feliz convívio social e para a humanização dos homens. Desejoso de holofotes
sobre si, apresenta-se aos próprios olhos uma imagem de beleza, grandeza e sabedoria,
porém, a visão geral é de um ser torpe, mal caráter e de baixíssima competência
humana. É ineficaz como ser social!
Seu hálito
fétido exala o odor da usura, do oportunismo vil e da vitimismo insano com o
qual escraviza tudo que teima em orbitar em torno de si. Um "dono do
mundo" trata as outras pessoas como meros recursos ou objetos a serem
explorados para seu próprio benefício. A posse ou controle absoluto gera
desigualdades massivas. Nada vive à sombra da mangueira!
A
concentração de recursos e poder nas mãos de poucos (uma elite ou um único
"dono") inevitavelmente leva à exclusão de muitos, que não são
considerados dignos de participar plenamente da vida social ou de desfrutar dos
benefícios do progresso. A ausência de freios e contrapesos na acumulação de
renda e poder abre caminho para o abuso, a manipulação e a coerção, o que é
incompatível com um progresso social ético e sustentável.
Pensadores
como Aristóteles observaram que o homem é um ser social e político por
natureza; ninguém desejaria ser o dono do mundo se a condição fosse viver
sozinho. A concentração de poder corrói o senso de unidade e participação em
uma comunidade, que é essencial para a coesão social. Não havendo senso de pertencimento
inexiste, também, identidade social
O sentimento
de identidade e orgulho próprio - individual ou coletivo – são imprescindíveis
para o desenvolvimento e progresso de uma comunidade ou nação. Onde não viceja
o “orgulho de ser” a sociedade fenece vitimada pela perda da autoestima, da
coesão identitária, que fazem o brio coletivo enfraquecer e desaparecer. Um
agrupamento social sem brio cria homens mercenários e virilmente antissociais.
Autores
como Daron Acemoglu argumentam que, embora a inovação tecnológica possa gerar
prosperidade, ela muitas vezes beneficia desproporcionalmente as elites se não
houver mecanismos de distribuição de poder e riqueza. Um "dono do
mundo" sempre direciona o progresso para seus próprios fins, sufocando
inovações que ameacem seu controle ou que beneficiem a população em geral. Um
teatro de vitimismo pleno!
O
homem é o lobo do homem ("Homo homini lupus est"), afirma Plauto. Seu
fito varou tempo e espaço e, nestes dias acha sede, pois, sem uma autoridade
para impor ordem, a ganância e o egoísmo naturais do indivíduo levam-no a um
estado de "guerra de todos contra todos". Uma tormenta de tormentos
frívolos, inexatos e desumanizadores do homem pelo exemplo que imprime.
Embora
trate-se de uma metáfora que descreve um conjunto de
sofrimentos ou influências negativas que, embora possam parecer triviais ou sem
importância à primeira vista é um retumbante alerta para o perigo de um
conjunto de influências ou sofrimentos aparentemente menores que, com o tempo,
corrompem ou diminuem a humanidade de uma pessoa ao estabelecerem um padrão de
conduta negativo, sob os quais se elege o “dono do mundo”.
É um
retumbante clamor à meditação sobre a superficialidade, a desumanização e a
forma como percebemos e imprimimos a nossa própria realidade através dos
exemplos que vivemos. Ecoa temas abordados por diversos pensadores e em várias
obras literárias e acadêmicas, como Zygmunt Bauman (modernidade líquida,
superficialidade), teóricos críticos e filósofos da existência. Tão
urgentes e óbvios quanto a nosso cegar para eles.
É um
convite a examinar criticamente o nosso próprio comportamento e a sociedade em
que vivemos, questionando se estamos contribuindo para um mundo mais
superficial e desumano através das nossas escolhas diárias e dos exemplos que
seguimos. Há uma crítica à forma como as interações sociais e a vida
moderna se tornaram menos autênticas e menos empáticas.
O “dono
do mundo” esquece que “quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos
serve” (Marcos 10:43-44), pois, contrasta a lógica do mundo dos “donos do mundo”,
baseada em dominar e ser servido. A ideia central deste ensinamento cristão é
que a grandeza espiritual não é alcançada por meio da dominação ou do comando,
mas sim, pela humildade e pelo serviço aos outros. Feitos e efeitos rutilam os
méritos; e estes constroem legados.
É
uma ode à importância das obras e resultados sobre meras intenções ou
potenciais não realizados. Expressa a ideia de que o valor real e
duradouro (legado) provém das ações concretas e de seus impactos visíveis, que,
por sua vez, iluminam e confirmam os méritos do autor. Agir assim, adoece o
“dono do mundo”, que se empenha em tomar à força espaços e momentos para os
quais lhe faltam méritos reconhecidos e gratidão dos que o margeiam.
É
uma reflexão sobre a importância do trabalho e da virtude. Contemplando as
ações e seus resultados positivos (méritos), pois, são o que realmente brilha e
o que, em última instância, permite a construção de uma memória ou influência
duradoura. O “dono do mundo” não vive, apenas parasita o outro, de quem suga feitos,
efeitos, méritos, reconhecimentos, glorias, etc.
Em
um contexto social, perceber assim o “dono do mundo” e, também, denotar as
estruturas de poder onde alguns indivíduos ou grupos ascendem explorando o
trabalho e a criatividade de outros. Descreve com exatidão a apropriação
indébita e a falta de reciprocidade nas relações humanas, afirmando que uma
vida vivida inteiramente à custa dos outros não é uma "vida" plena,
mas, uma existência vazia e dependente. E vorazmente tóxica.
Na
psicologia, esse comportamento está associado a traços de narcisismo ou
até de psicopatia. Indivíduos com transtornos de personalidade
narcisista normalmente buscam validação constante e não têm empatia, explorando
os outros para seu próprio ganho e sentindo-se no direito de assim fazê-lo. Essencialmente,
é uma percepção comum de que a verdadeira realização vem da produção e da
contribuição genuína, e não da exploração ou do parasitismo.
A
condição para um progresso social genuíno e sustentável é a distribuição de
oportunidades, o respeito pela dignidade intrínseca de cada pessoa e a
colaboração mútua, valores que se opõem fundamentalmente à ideia de um único
"dono do mundo", ao passo que robustece a certeza de que ser-se o
dono do mundo prejudica o progresso social. E desumaniza a humanidade.
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