O legado de São Bernardo
de Clairvaux (1090-1153) ecoa pela eternidade radicando diuturnamente que: “de
boas intenções o inferno está cheio”. Imprime a necessidade de fazermos além do
bem, que é insuficiente e requer ações concretas e a execução dessas intenções,
pois, estas são a solidez do que há realizado e instituído. Construir viceja
agir!
Quaisquer eflorescimentos
exigem mais que a idealização, o sonhar e/ou o planejamento, requer coragem para
enfrentar o esforço e correr o risco, normalmente existente, na execução do
pretendido empreendimento e dele, claro, colher os melhores frutos
(resultados). É sábio o coloquialismo que diz: “o sucesso é 1% inspiração e 99%
transpiração”.
Dual (re)significação traz
a interpretação de que por trás de uma ‘fachada’ de boas intenções há de fato
um mau sentimento escondido. Isto é: o intuito real é fazer o mal e não o bem. Assim,
como coração é terra que ninguém anda, somente os resultados segados têm o
condão excelso de julgar, sentenciar e exarar sansões punitivo-retificadores e/ou
certidões de justo mérito.
O que é o mal, além do avassalador
de desejo estabelecer o mal coletivo, retardar o crescimento humano e de
instituir o caos a todos? O mal é frequentemente entendido como um dano
intencional ou negligente a outros seres, a violação de normas
morais ou a privação do bem-estar. Individual ou
coletivamente, reflete falhas nas conexões humanas e na empatia.
Filósofos como Immanuel
Kant viam o mal como uma "vontade má" ou a escolha deliberada de
priorizar o interesse próprio sobre a lei moral universal. Hannah
Arendt (e outros), erguem a ideia da "banalidade do mal", sugerindo
que atos atrozes são cometidos por pessoas comuns que deixam de pensar
criticamente e seguem ordens ou normas sociais sem questionar.
A psicologia examina o
mal através do comportamento humano, focando em traços como a psicopatia, a
falta de empatia e os mecanismos que permitem que indivíduos racionalizem a
crueldade ou a indiferença em relação ao sofrimento alheio. Esses
comportamentos são aqueles que violam os direitos dos outros e as normas
sociais, como manipulação, o assédio moral e o stalking.
Tipificado no 147-B do Código Penal Brasileiro, como: o constrangimento, a humilhação, a manipulação, o isolamento, a chantagem, a ridicularização etc., a Manipulação da Verdade,
também chamada de Manipulação da Mentira ou vice-versa, é um poder que
concede a capacidade de manipular a própria essência da verdade, podendo
moldá-la conforme sua vontade.
O Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), compreende o assédio moral da seguinte forma: “toda conduta
abusiva, a exemplo de gestos, palavras e atitudes que se repitam de forma
sistemática, atingindo a dignidade ou integridade psíquica ou física de quaisquer
indivíduos. Atenta contra a dignidade, a identidade e a integridade psicológica
da vítima.
O crime de stalking, tipificado
no Artigo 147-A do Código Penal Brasileiro, reflete uma conduta
obsessiva e repetitiva do agressor, que invade a esfera de liberdade e
privacidade da vítima. Amplamente percebido na perseguição virtual (conhecida
como cyberstalking), como o envio excessivo de mensagens, e-mails, ligações, ou
monitoramento e publicações em redes sociais.
O que é o bem, senão a
inequívoca vontade de patrocinar o bem coletivo, o desenvolvimento humano geral
e o bem-estar de todos? A verdadeira essência do bem não é uma busca
individualista ou abstrata, mas sim, uma ação intencional e direcionada para o
benefício de toda a comunidade, semeando no seio social as sementes da harmonia
social.
A harmonia social depende,
fundamentalmente, da adoção e manutenção de "práticas salutares". Que
possam ser entendidas de forma ampla, abrangendo desde hábitos pessoais
saudáveis que promovem o bem-estar mental e físico até comportamentos e
políticas que fortalecem o tecido social e promovem a equidade e a justiça.
Onde a coletividade não opera, o rei perde a cabeça.
Organizações como a
Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa das Nações Unidas para
o Desenvolvimento (PNUD) invocam a coesão social no âmbito do combate a
injustiças sociais e exclusões. A falta de coesão social, tem um impacto
negativo nas instituições e agravar a desigualdade social, que por sua vez
prejudica o desenvolvimento humano geral.
A coesão social é
fundamental para a estabilidade e o funcionamento eficiente das instituições e
da sociedade, garantindo a continuidade de normas e valores culturais, o que
promove a ordem e a segurança, elementos essenciais para o bem-estar individual
e coletivo, pois, cria um ambiente estável e propício para que os indivíduos
atinjam seu potencial máximo.
Um ambiente estável e
propício é um ecossistema de apoio que reconhece a singularidade de cada
indivíduo, oferecendo segurança, desafio, apoio e liberdade para que todos
possam prosperar e se desenvolver plenamente. Indivíduos florescem quando
sentem que têm controle sobre suas próprias vidas e escolhas, e quando suas
ações têm um propósito ou significado maior.
Um senso de propósito (ou
significado maior) é um fator crucial para alcançar a satisfação plena e a
felicidade duradoura. Quando uma ação tem um propósito, as pessoas sentem-se
intrinsecamente motivadas a realizá-la, o que leva a um maior empenho,
resiliência e, consequentemente, a satisfação: autonomia, competência,
relacionamento e pertencimento a algo maior.
A busca por significado
transforma a execução de tarefas de uma simples obrigação em uma contribuição
valiosa, resultando em um índice de satisfação muito mais elevado. Trabalhos e
atividades que se conectam a valores pessoais a um "bem maior"
contribuem diretamente para o bem-estar subjetivo e para uma sensação de vida
realizada.
A vida plena é uma
jornada que envolve autoconhecimento, ação intencional e a busca por um
equilíbrio entre diversos aspectos da vida, em vez de um destino final a ser
alcançado. Requer um forte senso de direção e saber o que o apaixona,
trabalhando em prol de objetivos que lhe permitam sentir que está fazendo a
diferença na prática do bem na Terra.
Essencialmente, a vida
plena não significa a ausência de desafios, mas sim a capacidade de
enfrentá-los com consciência e altruísmo, encontrando alegria e satisfação nas
experiências diárias e na realização do seu potencial. Aprender a viver o
momento atual, em vez de se prender ao passado ou se preocupar excessivamente
com o por vir que se constrói nos dias que seguem.
A percepção de que a
construção de um futuro satisfatório depende de um estado de contentamento
genuíno no presente é um luzeiro sobre a importância de viver o agora com
autenticidade para garantir um amanhã significativo. É um princípio fundamental
do bem-estar e da psicologia positiva: a ligação intrínseca entre a gratidão
presente e a realização futura.
Viver com autenticidade
no agora não é apenas sobre aproveitar o momento, mas sim, sobre garantir que
as ações e escolhas de hoje estejam alinhadas com os valores mais profundos individuais
e/ou coletivamente, construindo, assim, uma base sólida para um amanhã que seja
genuinamente satisfatório e, não apenas, superficialmente
"bem-sucedido" como concita a sociedade líquida.
O contentamento
genuíno de hoje não significa complacência, mas sim, um estado de
aceitação e paz que libera energia mental para o crescimento e planejamento de
longo prazo, pois, o futuro satisfatório não é um destino a ser alcançado por
meios infelizes, mas sim, o resultado natural de um processo de vida consciente
e gratificante que começa neste momento.
O resultado natural de um
processo de vida consciente e gratificante é um estado de sensação de calma e
aceitação do momento presente; Conexões mais autênticas e empáticas com os
outros; compreensão aguçada dos seus valores e da sua missão de vida,
orientando as suas ações e decisões; e a habilidade de encontrar alegria nas
coisas simples do dia a dia.
Fundamentalmente, ainda
que “de boas intenções o inferno está cheio, o resultado das boas práticas experienciadas
é uma vida vivida com autenticidade, presença e uma apreciação constante pela
jornada, a tudo tratando com respeito, disciplina e ordem para que todos os
constructos sociais sejam erigidos dentro dos critérios de regularidade e
exatidão.
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