quinta-feira, 27 de novembro de 2025

DE BOAS INTENÇÕES O INFERNO ESTÁ CHEIO

 

O legado de São Bernardo de Clairvaux (1090-1153) ecoa pela eternidade radicando diuturnamente que: “de boas intenções o inferno está cheio”. Imprime a necessidade de fazermos além do bem, que é insuficiente e requer ações concretas e a execução dessas intenções, pois, estas são a solidez do que há realizado e instituído. Construir viceja agir!

 

Quaisquer eflorescimentos exigem mais que a idealização, o sonhar e/ou o planejamento, requer coragem para enfrentar o esforço e correr o risco, normalmente existente, na execução do pretendido empreendimento e dele, claro, colher os melhores frutos (resultados). É sábio o coloquialismo que diz: “o sucesso é 1% inspiração e 99% transpiração”.

 

Dual (re)significação traz a interpretação de que por trás de uma ‘fachada’ de boas intenções há de fato um mau sentimento escondido. Isto é: o intuito real é fazer o mal e não o bem. Assim, como coração é terra que ninguém anda, somente os resultados segados têm o condão excelso de julgar, sentenciar e exarar sansões punitivo-retificadores e/ou certidões de justo mérito.

 

O que é o mal, além do avassalador de desejo estabelecer o mal coletivo, retardar o crescimento humano e de instituir o caos a todos? O mal é frequentemente entendido como um dano intencional ou negligente a outros seres, a violação de normas morais ou a privação do bem-estar. Individual ou coletivamente, reflete falhas nas conexões humanas e na empatia.

 

Filósofos como Immanuel Kant viam o mal como uma "vontade má" ou a escolha deliberada de priorizar o interesse próprio sobre a lei moral universal.  Hannah Arendt (e outros), erguem a ideia da "banalidade do mal", sugerindo que atos atrozes são cometidos por pessoas comuns que deixam de pensar criticamente e seguem ordens ou normas sociais sem questionar.

 

A psicologia examina o mal através do comportamento humano, focando em traços como a psicopatia, a falta de empatia e os mecanismos que permitem que indivíduos racionalizem a crueldade ou a indiferença em relação ao sofrimento alheio. Esses comportamentos são aqueles que violam os direitos dos outros e as normas sociais, como manipulação, o assédio moral e o stalking.

 

Tipificado no 147-B do Código Penal Brasileiro, como: o constrangimento, a humilhação, a manipulação, o isolamento, a chantagem, a ridicularização etc., a Manipulação da Verdade, também chamada de Manipulação da Mentira ou vice-versa, é um poder que concede a capacidade de manipular a própria essência da verdade, podendo moldá-la conforme sua vontade. 

 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), compreende o assédio moral da seguinte forma: “toda conduta abusiva, a exemplo de gestos, palavras e atitudes que se repitam de forma sistemática, atingindo a dignidade ou integridade psíquica ou física de quaisquer indivíduos. Atenta contra a dignidade, a identidade e a integridade psicológica da vítima.

 

O crime de stalking, tipificado no Artigo 147-A do Código Penal Brasileiro, reflete uma conduta obsessiva e repetitiva do agressor, que invade a esfera de liberdade e privacidade da vítima. Amplamente percebido na perseguição virtual (conhecida como cyberstalking), como o envio excessivo de mensagens, e-mails, ligações, ou monitoramento e publicações em redes sociais.

 

O que é o bem, senão a inequívoca vontade de patrocinar o bem coletivo, o desenvolvimento humano geral e o bem-estar de todos? A verdadeira essência do bem não é uma busca individualista ou abstrata, mas sim, uma ação intencional e direcionada para o benefício de toda a comunidade, semeando no seio social as sementes da harmonia social.

 

A harmonia social depende, fundamentalmente, da adoção e manutenção de "práticas salutares". Que possam ser entendidas de forma ampla, abrangendo desde hábitos pessoais saudáveis que promovem o bem-estar mental e físico até comportamentos e políticas que fortalecem o tecido social e promovem a equidade e a justiça. Onde a coletividade não opera, o rei perde a cabeça.

 

Organizações como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) invocam a coesão social no âmbito do combate a injustiças sociais e exclusões. A falta de coesão social, tem um impacto negativo nas instituições e agravar a desigualdade social, que por sua vez prejudica o desenvolvimento humano geral. 

 

A coesão social é fundamental para a estabilidade e o funcionamento eficiente das instituições e da sociedade, garantindo a continuidade de normas e valores culturais, o que promove a ordem e a segurança, elementos essenciais para o bem-estar individual e coletivo, pois, cria um ambiente estável e propício para que os indivíduos atinjam seu potencial máximo. 

 

Um ambiente estável e propício é um ecossistema de apoio que reconhece a singularidade de cada indivíduo, oferecendo segurança, desafio, apoio e liberdade para que todos possam prosperar e se desenvolver plenamente. Indivíduos florescem quando sentem que têm controle sobre suas próprias vidas e escolhas, e quando suas ações têm um propósito ou significado maior.

 

Um senso de propósito (ou significado maior) é um fator crucial para alcançar a satisfação plena e a felicidade duradoura. Quando uma ação tem um propósito, as pessoas sentem-se intrinsecamente motivadas a realizá-la, o que leva a um maior empenho, resiliência e, consequentemente, a satisfação: autonomia, competência, relacionamento e pertencimento a algo maior.

 

A busca por significado transforma a execução de tarefas de uma simples obrigação em uma contribuição valiosa, resultando em um índice de satisfação muito mais elevado. Trabalhos e atividades que se conectam a valores pessoais a um "bem maior" contribuem diretamente para o bem-estar subjetivo e para uma sensação de vida realizada.

 

A vida plena é uma jornada que envolve autoconhecimento, ação intencional e a busca por um equilíbrio entre diversos aspectos da vida, em vez de um destino final a ser alcançado. Requer um forte senso de direção e saber o que o apaixona, trabalhando em prol de objetivos que lhe permitam sentir que está fazendo a diferença na prática do bem na Terra.

 

Essencialmente, a vida plena não significa a ausência de desafios, mas sim a capacidade de enfrentá-los com consciência e altruísmo, encontrando alegria e satisfação nas experiências diárias e na realização do seu potencial. Aprender a viver o momento atual, em vez de se prender ao passado ou se preocupar excessivamente com o por vir que se constrói nos dias que seguem.

 

A percepção de que a construção de um futuro satisfatório depende de um estado de contentamento genuíno no presente é um luzeiro sobre a importância de viver o agora com autenticidade para garantir um amanhã significativo. É um princípio fundamental do bem-estar e da psicologia positiva: a ligação intrínseca entre a gratidão presente e a realização futura. 

 

Viver com autenticidade no agora não é apenas sobre aproveitar o momento, mas sim, sobre garantir que as ações e escolhas de hoje estejam alinhadas com os valores mais profundos individuais e/ou coletivamente, construindo, assim, uma base sólida para um amanhã que seja genuinamente satisfatório e, não apenas, superficialmente "bem-sucedido" como concita a sociedade líquida.

 

contentamento genuíno de hoje não significa complacência, mas sim, um estado de aceitação e paz que libera energia mental para o crescimento e planejamento de longo prazo, pois, o futuro satisfatório não é um destino a ser alcançado por meios infelizes, mas sim, o resultado natural de um processo de vida consciente e gratificante que começa neste momento.

 

O resultado natural de um processo de vida consciente e gratificante é um estado de sensação de calma e aceitação do momento presente; Conexões mais autênticas e empáticas com os outros; compreensão aguçada dos seus valores e da sua missão de vida, orientando as suas ações e decisões; e a habilidade de encontrar alegria nas coisas simples do dia a dia.

 

Fundamentalmente, ainda que “de boas intenções o inferno está cheio, o resultado das boas práticas experienciadas é uma vida vivida com autenticidade, presença e uma apreciação constante pela jornada, a tudo tratando com respeito, disciplina e ordem para que todos os constructos sociais sejam erigidos dentro dos critérios de regularidade e exatidão. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...