segunda-feira, 17 de novembro de 2025

A MAÇONARIA COMBATE AS APARÊNCIAS

 

A Maçonaria restabelece a solidez à sociedade liquefeita que eflui para a barbárie da autotutela dos direitos instituindo a falência das instituições e o caos social jamais vista antes. Na modernidade líquida, tudo é fluido e instável, e nada é feito para durar. As aparências, que antes podiam ser construídas com a expectativa de alguma solidez, agora são consumidas e descartadas rapidamente, como qualquer outro bem de consumo, num ciclo constante de inovação e inventividade. 

 

Do mesmo modo que os produtos de consumo têm obsolescência programada, as aparências também perdem rapidamente o "valor" ou a novidade. Há uma pressão constante para se (re)inventar, adotar a próxima tendência e descartar a versão anterior de si mesmo. A identidade pessoal torna-se um projeto de consumo. As pessoas constroem suas personas com base no que consomem – roupas, estilos de vida, opiniões, etc. – para se definirem, se sentirem incluídas e aceitas

 

As plataformas online funcionam como vitrines onde as pessoas exibem uma versão idealizada de si mesmas, reforçando a primazia das aparências e do status. A teoria dramatúrgica de Erving Goffman, compara a interação social a uma performance teatral, onde os indivíduos gerenciam ativamente a forma como se apresentam aos outros para influenciar a percepção que têm de si mesmos. Cada postagem é uma forma de autopromoção, onde o "eu" é moldado para consumo e aprovação alheia.

 

O objetivo é a validação social e a aprovação, geralmente medidas por curtidas e comentários. Esse processo pode levar à criação de uma persona que nem sempre reflete a totalidade da pessoa real, gerando uma representação incompleta e, muitas vezes, irreal. A busca por essa aprovação pode gerar dependência e afetar a autoestima, pois a ausência de feedback positivo pode levar à insegurança. (Re)inventar-se dissipa sentimentos de "obsolescência" e/ou de exclusão.

 

O fenômeno de sentir-se "ultrapassado" e/ou excluído está associado ao conceito de Fear of Missing Out (FOMO), ou "medo de ficar de fora". A onipresença digital e a curadoria constante de conteúdo geram uma sensação de que todos estão vivendo experiências incríveis o tempo todo. No ambiente digital, isso é levado ao extremo, com usuários exibindo versões idealizadas de suas vidas ("o palco") e ocultando os "bastidores", que incluem dificuldades e realidades menos glamourosas.

 

A comparação constante com esses padrões de beleza e sucesso irreais tem um impacto negativo significativo na saúde mental, resultando em baixa autoestima, insatisfação com a imagem corporal, ansiedade e até distúrbios alimentares em casos mais graves. As aparências não apenas se consomem, mas são, o próprio combustível do consumo e da construção de identidade.  O consumo de aparências busca preencher vazios emocionais e a busca por felicidade, bem-estar e plenitude.

 

Ainda que de forma momentânea e superficial, o valor de uma pessoa está atrelado à sua capacidade de "parecer" bem, de ostentar certos bens ou de se encaixar em determinados padrões de estilo de vida, em detrimento de qualidades mais profundas ou duradouras.  A aposta nas aparências e no consumo é uma tentativa de encontrar alguma estabilidade ou validação em um mundo instável, embora essa solução seja temporária e exija (re)inventividade constante no mundo de Alice.

 

As pessoas tornam-se, de certa forma, mercadorias que precisam ser atraentes e desejáveis no "mercado" social, incentivadas a renovar constantemente suas escolhas e aparências. Na modernidade líquida, as relações humanas são breves e frágeis, com laços afetivos e sociais voláteis. Os princípios sólidos e duradouros da Maçonaria, incluindo a tolerância, o amor fraternal e a lealdade, oferecem um contraponto à volatilidade e à falta de raízes da sociedade líquida que morre todo dia.

 

A filosofia maçônica enfatiza a busca por ordem, harmonia e retidão moral como uma clara resposta estruturada e proposital à desregulamentação e à falta de raízes da modernidade líquida. É um ancoradouro moral e relacional em um mundo percebido como carente de valores compartilhados, inculcando um ideal de convivência ética e limitada por princípios, que se destaca em um cenário social "líquido", marcado pela ausência de estabilidade e propósito de uma vida plena.

 

Uma vida plena se robustece no amor fraternal e na lealdade expressos no seio da fraternidade maçônica, ao passo que criam laços que contrastam fortemente com os "amores líquidos" e relacionamentos provisórios e de curto prazo que caracterizam a sociedade de consumo contemporânea. O desafio para a Maçonaria é manter seus ideais de solidez moral, em um mundo que se molda rapidamente e onde muitos buscam gratificação imediata e superficial, em vez do aprimoramento contínuo.

 

Auto aprimorar-se envolve autoconhecer-se e o autoconhecimento funciona como um contrapeso crucial à ênfase nas aparências e na superficialidade que caracterizam a "sociedade líquida" descrita por Zygmunt Bauman.  Enquanto a modernidade líquida promove identidades fluidas e a busca incessante por validação externa, o autoconhecimento oferece uma base para a autenticidade, para a construção de uma identidade mais sólida e resiliente, para os limites do tolerável.

 

Em um mundo de incertezas e mudanças rápidas, uma vida interior bem compreendida oferece um lume vantajoso para uma melhor lida com conflitos e pressões externas sem se deixar tragar pela volatilidade social. Em face da fluidez e da superficialidade da sociedade líquida, o autoconhecimento oferece o caminho para a solidez individual, permitindo que o indivíduo navegue a modernidade contemporânea com mais consciência, autenticidade e bem-estar emocional.

 

Desvencilha-se da superficialidade requer, crucialmente, investimentos em um processo constante de auto-observação para entender seus próprios sentimentos, paixões e valores, que são mutáveis e flutuantes. Envolve Autoconsciência Emocional que é capacidade de reconhecer e compreender as próprias emoções no momento em que ocorrem. O permite entender os gatilhos por trás dos sentimentos, o que ajuda a tomar decisões menos impulsivas e a gerenciar melhor o estresse. 

 

Técnicas de atenção plena (mindfulness) ajudam a focar no "agora", diminuindo a ruminação sobre o passado ou a preocupação excessiva com o futuro, práticas que a modernidade tende a exacerbar. A modernidade, muitas vezes, nos empurra para a superficialidade, portanto, limitar o tempo de tela e fazer pausas regulares das redes sociais e da conectividade constante reduz a sobrecarga de informações e a ansiedade, permitindo um foco maior no robustecimento ético moral do maçom.

 

Em um mundo que valoriza a padronização e modelos de sucesso externos, identificar e viver de acordo com seus valores pessoais é fundamental para a autenticidade. Aceitar vulnerabilidades e imperfeições, em vez de buscar uma perfeição inatingível frequentemente promovida nas mídias sociais, é um passo crucial para a aceitação de si mesmo e o bem-estar psicológico. Autorrespeito é resultado do mais egrégio resultado do autoconhecimento. Reconhecer-se é respeitar-se, sempre.

 

Respeitamos o respeitável, neste agir somos respeitáveis. Respeitáveis inspiram a mais motivadora confiança. Confiança é o poder de ser um guia, um mapa ou uma força motriz na definição das escolhas e do destino próprio, assumindo a insigne tarefa de ser exemplo de solidez individual para a coletividade, para que, coesos nisto, transformem realidades, construam sociedade dignificadas pelos valores que as sustém e formam o luzidio legado para o porvir excelso da humanidade.

 

Esta confiança é uma reverberante conclamação à vida maçônica. Viver maçonicamente é dialética efusivamente plena, como anuncia a Teoria de Santiago: a vida como um processo de conhecimento em constante aferição, aprimoramento e evolução, portanto, se a quisermos conhecê-la a contento, é pertinente saber como os seres vivos a conhecem. Saber-se e zelar pelo progresso de todos e do mundo é a consciência basilar inculcada aos adeptos da Maçonaria a cada reunião desta confraria.

 

Confraria composta por homens sábios e virtuosos, que não buscam o individualismo, e sim a individualidade. Aceitando que os valores e paixões podem se realinhar à medida que a pessoa evolui e vivencia novas fases da vida. Flexibilidade mental necessária para ajustar a conduta de acordo com os valores atuais. Priorizando interações "eu-tu" (dialógicas) em vez de relações superficiais. Nutrindo o senso de conexão e empatia, combatendo a solidão que acompanha superficial vida moderna.

 

Agindo assim, a Maçonaria contribui para um ambiente social positivo e não volátil, contrariando a sociedade líquida in curso, pois, ao promover o desenvolvimento pessoal e moral de seus membros, radica a certeza de que a capacidade de tolerar o outro nasce do reconhecimento e da aceitação às suas diferenças. Essa alteridade é a mais pura essência da Maçonaria, é o vetor que a faz a sólida família universal realizada contentemente, sendo, claramente, a semente de felicidade para a humanidade.

 

Humanidade que se realizada no homem, assim como, a maçonaria se realiza no maçom. Que, irrefutavelmente, tem a família como célula mater da sociedade realizada na simbiose manifesta pelo homem e sua consorte, fortalecidos pela inequívoca convicção: família acima de tudo é um lábaro de satisfação e altruísmo para os homens por ela humanizados. Homens que constroem a humanidade tolerante e feliz que lhes garante um convívio harmonioso e imutável valores que professa.

 

Combatente desta superficial e mutável aparência que solapa as augustas instituições sociais erodindo seus sólidos alicerces, a Maçonaria é fundamental para o desenvolvimento pessoal, a construção de relacionamentos saudáveis e para navegar a vida de forma mais consciente e adaptável. Uma vida alinhada com seus valores fundamentais e um senso claro de propósito. Isso proporciona um senso de direção e satisfação, estabelecendo ad-aeternum a identidade do homem-maçom.

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