A
Maçonaria restabelece a solidez à sociedade liquefeita que eflui para a
barbárie da autotutela dos direitos instituindo a falência das instituições e o
caos social jamais vista antes. Na modernidade líquida, tudo é fluido e
instável, e nada é feito para durar. As aparências, que antes podiam ser
construídas com a expectativa de alguma solidez, agora são consumidas e
descartadas rapidamente, como qualquer outro bem de consumo, num ciclo
constante de inovação e inventividade.
Do
mesmo modo que os produtos de consumo têm obsolescência programada, as
aparências também perdem rapidamente o "valor" ou a novidade. Há uma
pressão constante para se (re)inventar, adotar a próxima tendência e descartar
a versão anterior de si mesmo. A identidade pessoal torna-se um projeto de
consumo. As pessoas constroem suas personas com base no que consomem – roupas,
estilos de vida, opiniões, etc. – para se definirem, se sentirem incluídas e aceitas
As
plataformas online funcionam como vitrines onde as pessoas exibem uma versão
idealizada de si mesmas, reforçando a primazia das aparências e do status. A teoria
dramatúrgica de Erving Goffman, compara a interação social a uma
performance teatral, onde os indivíduos gerenciam ativamente a forma como se
apresentam aos outros para influenciar a percepção que têm de si mesmos. Cada
postagem é uma forma de autopromoção, onde o "eu" é moldado para
consumo e aprovação alheia.
O
objetivo é a validação social e a aprovação, geralmente
medidas por curtidas e comentários. Esse processo pode levar à criação de
uma persona que nem sempre reflete a totalidade da pessoa
real, gerando uma representação incompleta e, muitas vezes, irreal. A busca por
essa aprovação pode gerar dependência e afetar a autoestima, pois a ausência
de feedback positivo pode levar à insegurança. (Re)inventar-se
dissipa sentimentos de "obsolescência" e/ou de exclusão.
O
fenômeno de sentir-se "ultrapassado" e/ou excluído está associado ao
conceito de Fear of Missing Out (FOMO), ou "medo
de ficar de fora". A onipresença digital e a curadoria constante de
conteúdo geram uma sensação de que todos estão vivendo experiências incríveis o
tempo todo. No ambiente digital, isso é levado ao extremo, com usuários
exibindo versões idealizadas de suas vidas ("o palco") e ocultando os
"bastidores", que incluem dificuldades e realidades menos
glamourosas.
A
comparação constante com esses padrões de beleza e sucesso irreais tem um
impacto negativo significativo na saúde mental, resultando em baixa autoestima,
insatisfação com a imagem corporal, ansiedade e até distúrbios alimentares em
casos mais graves. As aparências não apenas se consomem, mas são, o
próprio combustível do consumo e da construção de
identidade. O consumo de aparências busca preencher vazios emocionais e a
busca por felicidade, bem-estar e plenitude.
Ainda
que de forma momentânea e superficial, o valor de uma pessoa está atrelado à
sua capacidade de "parecer" bem, de ostentar certos bens ou de se
encaixar em determinados padrões de estilo de vida, em detrimento de qualidades
mais profundas ou duradouras. A aposta nas aparências e no consumo é uma
tentativa de encontrar alguma estabilidade ou validação em um mundo instável,
embora essa solução seja temporária e exija (re)inventividade constante no
mundo de Alice.
As
pessoas tornam-se, de certa forma, mercadorias que precisam ser atraentes e
desejáveis no "mercado" social, incentivadas a renovar constantemente
suas escolhas e aparências. Na modernidade líquida, as relações humanas
são breves e frágeis, com laços afetivos e sociais voláteis. Os princípios
sólidos e duradouros da Maçonaria, incluindo a tolerância, o amor fraternal e a
lealdade, oferecem um contraponto à volatilidade e à falta de raízes da
sociedade líquida que morre todo dia.
A
filosofia maçônica enfatiza a busca por ordem, harmonia e retidão moral como
uma clara resposta estruturada e proposital à desregulamentação e à falta de
raízes da modernidade líquida. É um ancoradouro moral e relacional em
um mundo percebido como carente de valores compartilhados, inculcando um ideal
de convivência ética e limitada por princípios, que se destaca em um cenário
social "líquido", marcado pela ausência de estabilidade e propósito
de uma vida plena.
Uma
vida plena se robustece no amor fraternal e na lealdade expressos no seio da fraternidade
maçônica, ao passo que criam laços que contrastam fortemente com os
"amores líquidos" e relacionamentos provisórios e de curto prazo que
caracterizam a sociedade de consumo contemporânea. O desafio para a Maçonaria é
manter seus ideais de solidez moral, em um mundo que se molda
rapidamente e onde muitos buscam gratificação imediata e superficial, em vez do
aprimoramento contínuo.
Auto
aprimorar-se envolve autoconhecer-se e o autoconhecimento funciona como um
contrapeso crucial à ênfase nas aparências e na superficialidade que
caracterizam a "sociedade líquida" descrita por Zygmunt Bauman. Enquanto
a modernidade líquida promove identidades fluidas e a busca incessante por
validação externa, o autoconhecimento oferece uma base para a autenticidade, para
a construção de uma identidade mais sólida e resiliente, para os limites do
tolerável.
Em
um mundo de incertezas e mudanças rápidas, uma vida interior bem compreendida
oferece um lume vantajoso para uma melhor lida com conflitos e pressões
externas sem se deixar tragar pela volatilidade social. Em face da fluidez e da
superficialidade da sociedade líquida, o autoconhecimento oferece o caminho
para a solidez individual, permitindo que o indivíduo navegue a
modernidade contemporânea com mais consciência, autenticidade e bem-estar
emocional.
Desvencilha-se
da superficialidade requer, crucialmente, investimentos em um processo
constante de auto-observação para entender seus próprios sentimentos, paixões e
valores, que são mutáveis e flutuantes. Envolve Autoconsciência Emocional que
é capacidade de reconhecer e compreender as próprias emoções no momento em que
ocorrem. O permite entender os gatilhos por trás dos sentimentos, o que ajuda a
tomar decisões menos impulsivas e a gerenciar melhor o estresse.
Técnicas
de atenção plena (mindfulness) ajudam a focar no "agora", diminuindo
a ruminação sobre o passado ou a preocupação excessiva com o futuro, práticas
que a modernidade tende a exacerbar. A modernidade, muitas vezes, nos
empurra para a superficialidade, portanto, limitar o tempo de tela e fazer
pausas regulares das redes sociais e da conectividade constante reduz a
sobrecarga de informações e a ansiedade, permitindo um foco maior no robustecimento ético moral do maçom.
Em
um mundo que valoriza a padronização e modelos de sucesso externos, identificar
e viver de acordo com seus valores pessoais é fundamental para a autenticidade. Aceitar
vulnerabilidades e imperfeições, em vez de buscar uma perfeição inatingível
frequentemente promovida nas mídias sociais, é um passo crucial para a
aceitação de si mesmo e o bem-estar psicológico. Autorrespeito é resultado do
mais egrégio resultado do autoconhecimento. Reconhecer-se é respeitar-se,
sempre.
Respeitamos
o respeitável, neste agir somos respeitáveis. Respeitáveis inspiram a mais
motivadora confiança. Confiança é o poder de ser um guia, um mapa ou uma força
motriz na definição das escolhas e do destino próprio, assumindo a insigne
tarefa de ser exemplo de solidez individual para a coletividade, para que, coesos
nisto, transformem realidades, construam sociedade dignificadas pelos valores
que as sustém e formam o luzidio legado para o porvir excelso da humanidade.
Esta
confiança é uma reverberante conclamação à vida maçônica. Viver maçonicamente é
dialética efusivamente plena, como anuncia a Teoria de Santiago: a vida como um
processo de conhecimento em constante aferição, aprimoramento e evolução, portanto,
se a quisermos conhecê-la a contento, é pertinente saber como os seres vivos a conhecem.
Saber-se e zelar pelo progresso de todos e do mundo é a consciência basilar inculcada
aos adeptos da Maçonaria a cada reunião desta confraria.
Confraria
composta por homens sábios e virtuosos, que não buscam o individualismo, e sim
a individualidade. Aceitando que os valores e paixões podem se realinhar à
medida que a pessoa evolui e vivencia novas fases da vida. Flexibilidade mental
necessária para ajustar a conduta de acordo com os valores atuais. Priorizando
interações "eu-tu" (dialógicas) em vez de relações superficiais. Nutrindo
o senso de conexão e empatia, combatendo a solidão que acompanha superficial
vida moderna.
Agindo
assim, a Maçonaria contribui para um ambiente social positivo e não volátil, contrariando
a sociedade líquida in curso, pois, ao promover o desenvolvimento pessoal e
moral de seus membros, radica a certeza de que a capacidade de tolerar o outro
nasce do reconhecimento e da aceitação às suas diferenças. Essa alteridade é a mais
pura essência da Maçonaria, é o vetor que a faz a sólida família universal realizada
contentemente, sendo, claramente, a semente de felicidade para a humanidade.
Humanidade
que se realizada no homem, assim como, a maçonaria se realiza no maçom. Que, irrefutavelmente,
tem a família como célula mater da sociedade realizada na simbiose manifesta
pelo homem e sua consorte, fortalecidos pela inequívoca convicção: família
acima de tudo é um lábaro de satisfação e altruísmo para os homens por ela
humanizados. Homens que constroem a humanidade tolerante e feliz que lhes
garante um convívio harmonioso e imutável valores que professa.
Combatente desta superficial e mutável aparência que solapa as augustas instituições sociais erodindo seus sólidos alicerces, a Maçonaria é fundamental para o desenvolvimento pessoal, a construção de relacionamentos saudáveis e para navegar a vida de forma mais consciente e adaptável. Uma vida alinhada com seus valores fundamentais e um senso claro de propósito. Isso proporciona um senso de direção e satisfação, estabelecendo ad-aeternum a identidade do homem-maçom.
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