Hoje
é dia todos os santos, o que me lembra duas coisas importantes para o viver
humano. A primeira, que não há santos, porém, inúmeros caminhos para a santificação
existem; seguir um deles devemos. A segunda, do negligente abandono sofrido por
Luiz Gonzaga Pinto da Gama, cujo a liberdade foi negada, ainda que pleno direito
a ela tivesse. Porém, do caos à ordem emerge, como nascem, também, os grandes
vultos humanos, como Luiz Gama, chamado de amigo de todos, exatamente, por que
passou sua vida cumprindo duas buscas: a inclusão social dos hipossuficientes
(negros, mulatos, indígenas, estrangeiros e brancos pobres, etc); ao passo que
buscava encontrar sua mãe, a Princesa Malé, Luiza Mahin, que embora forra, foi
novamente escravizada e expatriada da Terra Brasilis.
Luiz
Gama, concitando a elevação dos níveis de tolerância e de empatia, assim (d)escreveu
quem sou eu? – mais conhecida como bodarrada – publicado em sua obra
"Primeiras trovas burlescas de Getulino" (1859), onde declara: bodes
há de toda casta, / Pois que a espécie é muito vasta. Bodes negros, bodes
brancos, / E, sejamos todos francos, / Uns plebeus, e outros nobres, / Bodes
ricos, bodes pobres, / Bodes sábios, importantes, / E, também, alguns tratantes
(...). Tratante mais que o quarenta e quatro desconheço, achando-se oito, pensa-se
como universo, que mal gosto! Achar-se vanguardista de novéis séculos, quando a
passos largos remonta ao passado, reinaugurando em sua órbita o absolutismo dos
príncipes-sol, faraós e/ou Luizes cujo agir é contrário ao homem-exemplo Luiz
Gama, cujo legado promana que o coletivo é chama ardente da democracia que faz
feliz a humanidade, permitindo ao homem ser homem, irmão de todos.
Todos
somos irmãos, como diz Luiz Gama: tudo marra, tudo berra – Na suprema
eternidade, onde habita a Divindade, Bodes há santificados, que por nós são
adorados. Entre o coro dos Anjinhos Também há muitos bodinhos…[…]. Todos cônscios
de que entre a lei e a vontade o que reina é o que há estabelecido, porque a
lei representa as normas e regras formais que foram criadas, acordadas e
institucionalizadas por uma sociedade ou autoridade. Ela estabelece a ordem, os
limites e as consequências para as ações, visando a convivência e a justiça. A
vontade individual, embora importante, geralmente se submeter ao que está
legalmente estabelecido para que haja um funcionamento social coerente e
previsível. O que desperta meu autoquestionamento: por que devemos submeter
nossas vontades?
Entre
o ritual e a vontade o que reina é o que estabelecido, pois, tem peso histórico
e cultural que se impõem aos desejos individuais. As sociedades são construídas
sobre rituais e leis que, para funcionarem excelentemente, exigem a submissão
dos desejos pessoais. Viceja uma sugere uma reflexão profunda sobre a tensão
entre a tradição (o ritual) e o desejo individual (a vontade). O que ela
implica é que as normas, regras e estruturas sociais já existentes e aceitas (o
estabelecido) prevalecem sobre as inclinações pessoais. Indago: Devo vencer
minhas paixões?
Efluindo
rio ao mar, entre o ritual e a vontade o que reina é o, ordenamento jurídico,
destacando assim o papel central e superior da lei e das normas legais (o
ordenamento jurídico) na regulação das relações humanas, em detrimento de
práticas tradicionais (rituais) ou desejos individuais (vontade). O
ordenamento jurídico é a estrutura que garante a ordem, a justiça e a
previsibilidade, estabelecendo os limites e as regras que todos devem seguir,
independentemente de crenças pessoais ou costumes. Indago: A regularidade face
ao ordenamento e prontidão em servir me garantem um viver feliz?
Rituais
e tradições não
podem se sobrepor à lei quando há conflito entre eles. O ordenamento jurídico
moderno busca proteger a diversidade cultural e religiosa, porém, estabelece
limites claros. Nenhuma tradição ou ritual pode ser usado como justificativa
legal para cometer um crime, violar direitos quaisquer (humanos, fundamentais,
etc. ou desobedecer às leis vigentes no país (inclusive estatutos sociais). A
lei existe, em parte, para arbitrar esses conflitos e garantir que os direitos
de todos sejam respeitados, tornado a vida feliz. Indago: Há um alguém mais
empoderado que outro?
Uma
das mais antigas tradições terrenas, dita progressista desde sua ciese duma
forma especialíssima, bucando preservar-se de inovações inapropriadas e, nisto,
visando garantir sua integridade essencial ao logo das eras, estabeleceu-se sob
leis e princípios não escritos e imutáveis aos quais chamam de landmarks
(cláusulas pétreas), dentre deles o determina a forma de governo de suas instituições
turva o discernimento dos egos protuberantes: a administração de uma Loja por
um presidente e dois vice-presidentes. Indago: Estão eles acima do ordenamento
jurídico que os estabelece?
A
posição destes, Presidente e Vice-Presidentes, não é apenas uma regra de
procedimento ou um estatuto que pode ser alterado, mas sim, e unicamente um
elemento essencial da estrutura e identidade das antigas tradições, reconhecidos
como um marco que sustenta a integridade da instituição ao longo dos séculos,
desde que sejam respeitáveis cumpridores dos bons princípios (dogmas de
família), de todo o ordenamento jurídico do país em que vivam, do estatuto
social e do ritualismo da instituição que representam e que lhes dá
representatividade. Indago: somente o legal prospera?
A
prosperidade construída sobre bases ilegais ou antiéticas é insustentável a
longo prazo, passível de colapso devido a consequências legais, perda de
confiança ou conflitos internos. Em um contexto social, institucional e,
também, empresarial, a conformidade legal e a transparência geram confiança, o
que é fundamental para o crescimento e o estabelecimento de relacionamentos
saudáveis e duradouros. A legalidade liga-se à integridade, sendo um pilar
essencial para uma vida plena e bem-sucedida, que vai além do mero acúmulo de
bens materiais. Indago: há felicidade na ordem?
A
organização da vida interior e exterior libera energia para viver com
propósito, além de ser fundamental para a saúde mental e o bem-estar. Os
estoicos ensinavam que vencer a si mesmo e organizar a vida é essencial para se
alcançar a felicidade. Uma rotina organizada, especialmente aquela que acomoda
atos de gratidão, gentileza e autocuidado, também contém momentos de felicidade
diária. A felicidade para Platão é o resultado de uma vida dedicada
ao conhecimento progressivo até atingir a ideia do bem, o que implica uma ordem
moral e intelectual. Indago: Agir correto é ser-se feliz?
A
ordem (seja ela moral, interna ou externa) é um pré-requisito ou um
componente essencial para uma felicidade genuína e duradoura. Segundo
Agostinho de Hipona, em consonância com Tomás de Aquino, a paz, associada a uma
forma de felicidade ou tranquilidade, é definida como a "tranquilidade da
ordem" (tranquillitas ordinis). Isso implica que a verdadeira paz e
felicidade só podem ser alcançadas quando há uma ordem correta das coisas,
tanto na sociedade quanto na alma individual, alinhada com a ordem espiritual.
Indago: a ordem requer autodisciplina?
A
autodisciplina é o vetor que estabelece, mantém e restaura a ordem em diversas
áreas da vida. Sem ela, a tendência natural é o caos ou a desorganização. Em
ambientes de trabalho ou na sociedade em geral, a ordem depende do cumprimento
de regras, horários e responsabilidades por parte dos indivíduos, o que exige
autodisciplina. É necessária autodisciplina para resistir à preguiça, à
procrastinação e aos hábitos desordenados, como também, manter a clareza mental
e a organização dos pensamentos. Indago: autodisciplina é autorrespeito?
Ao
praticar a autodisciplina para manter compromissos consigo mesmo (como cuidar
da saúde, estudar ou trabalhar em seus objetivos e/ou cumprir o que há
estabelecido), essencialmente, honra-se os próprios valores e aspirações. Isso
reforça a mensagem interna de própria relevância e que as metas traçadas merecem
esforço, o que, por sua vez, aumenta o autorrespeito. A autodisciplina é uma
ferramenta poderosa que leva ao fortalecimento do autorrespeito, pois demonstra
cuidado e consideração por si mesmo no longo prazo. Indago: o autorrespeito faz
respeitáveis?
O
autorrespeito envolve reconhecer seu próprio valor como ser humano, e essa
percepção interna influencia diretamente como os outros o veem e o tratam. O
respeito externo é, em grande parte, um reflexo do respeito interno que a
pessoa cultiva por si mesma. Se você não se respeita, torna-se difícil esperar
que os outros o façam. Pessoas que se respeitam geralmente irradiam uma
sensação de dignidade e autoconfiança, o que naturalmente atrai o respeito
alheio. O autorrespeito sólido permite que o indivíduo se
posicione e exija o respeito merecido. Indago: Sois o que dizem que tu és?
A
teoria do reconhecimento (notavelmente desenvolvida por Axel Honneth) sugere
que o reconhecimento jurídico é fundamental para o desenvolvimento do
autorrespeito. A partir do momento em que o direito reconhece um indivíduo como
um sujeito de direitos e deveres — com igualdade perante a lei — nasce a
consciência do autorrespeito, que é a convicção de possuir os mesmos direitos
básicos que os outros. Não é à toa que a tradição mais longeva in voga, contrariando
ao quarenta e quatro, promana aos quatro cantos da Terra a democracia como
aferidora dos méritos e deméritos, como também, prolata a igualdade relativa
como garantidora da excelente governança que a torna uma das instituições mais
proeminentes mundialmente. Indago: em sede de democracia há alguém mais poderoso
que outro?
O
princípio central da democracia é que o poder (soberania) pertence ao
povo. A igualdade perante o ornamento jurídico é um robusto pilar da governança
democrática, pois, é a garantia de que todos, sem distinção de qualquer
natureza (origem, raça, sexo, etc.), estão sujeitos às mesmas leis e têm
direito à igual proteção da justiça, portanto, em momento algum do tempo, o que
há estabelecido deixará de reinar pacificando a lei e a vontade absolutista. Como
também, em qualquer lugar da Terra, sempre reinará o estabelecido harmonizando
o ritual e a vontade individual. Assim, resta ao homem o cumprimento de um
desígnio sublime: ser feliz e praticar o bem enquanto vive, instrui o Rei
Salomão (Eclesiastes 3:12). Indago: faz o bem aquele que se desrespeita não
cumprir o que há estabelecido?
A
sabedoria convencional e a maioria dos códigos morais sugerem que fazer o bem
geralmente envolve respeitar a si mesmo e aos outros, o que inclui cumprir com
as obrigações e regras estabelecidas, pois, estas são a espinha dorsal para a
coexistência pacífica e o bem-estar geral. O desrespeito e o
descumprimento, via de regra, não resultam em "fazer o bem". O
autodesrespeito (implicado na falha em cumprir o que foi estabelecido consigo
mesmo ou com outros) mina a autoestima e a credibilidade do indivíduo, como também,
o faz, virilmente, a quaisquer instituições às quais esteja ligado. Ser humano
é mais do que uma constatação, é uma aceitação, um autorreconhecimento, um lume
que abraça àqueles fazem incluídos todos os seus pares, incondicionalmente,
pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela igualdade e pelo respeito à
autoridade e à crença de cada um, agências criadoras da ambiência social digna
do homem que constrói dia a dia a humanidade em si, como fez Luiz Gonzaga Pinto
da Gama e muitos outros que caminham sob sua luz.
A prática da civilidade que inclui respeito mútuo, cortesia entre os seres e a observância das boas maneiras hoje está cada dia mais raro meu Irmão Bruno. O Ser Humano em si acha mais fácil burlar o sistema do que fazer a coisa certa para que tudo fique justo. Assim caminha a humanidade como diz Lulu Santos.
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