quinta-feira, 9 de outubro de 2025

SER VISIONÁRIO NÃO BASTA, A TRANSFORMAÇÃO VEM DO EMPREENDEDORISMO

Visionário é a qualidade de algo ou alguém que é idealista, que tem ideias extravagantes e incomuns, acreditando estar enxergando tendências ou conceitos que estão à frente de seu tempo. Uma pessoa descrita como visionária costuma ser conhecida por seu comportamento e pensamento inovador, criativo e inventivo, isto porque possui ideias não convencionais e que quebram os padrões já estabelecidos. Segundo Felippe Daudt Alves de Oliveira (Santa Maria, 23 de agosto de 1890 — Paris, 17 de fevereiro de 1933), “sua visão determina o tamanho de sua vida. Visão pequena, vida pequena. Visão grande, vida grande!”

 

Quando alguém se opõe a certo tipo de status é muito provável que seja considerado um excêntrico. No entanto, as ideias estranhas de alguns personagens os tornaram visionários. Na história recente há poucos indivíduos com esta capacidade de vislumbrar o rumo dos acontecimentos antes que eles ocorram.  O escritor Jules Verne, por exemplo, escreveu romances de aventura, dos quais havia um mundo que ainda não fazia parte da realidade (o romancista francês previu as viagens à Lua, o submarino elétrico, a videoconferência e até mesmo uma rede global de comunicações muito parecida com a Internet).

 

Existiram visionários de todos os tipos em várias áreas e disciplinas, como o cartaginês Anibal Barca na estratégia militar, Aristóteles e Galileu no campo da ciência e Enzo Ferrari no mundo automobilístico. Todos eles apresentam alguns elementos comuns: o inconformismo, a persistência e, sobretudo, a forma diferente de entender a realidade que nos rodeia. Neste sentido, é compreensível que particularidade da sua abordagem fosse inicialmente considerada como uma clássica raridade do excêntrico. ”O inconformismo é a premissa da mudança”, afirma o Colunista Antonio Carlos Colicigno.

 

Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis; entretanto, são difíceis porque não ousamos empreendê-las, esclarece Lúcio Aneu Séneca ou Sêneca (Córdoba, Espanha, 4 a.C. – Roma, Itália, 65 d.C.). Empreender é o ato de usar as melhores competências técnicas e comportamentais (soft skills) e o tempo de forma autônoma para criar valor, assumir riscos e desafios. É um processo dinâmico que envolve: identificar oportunidades, transformar oportunidades em realização, gerenciar recursos (capital financeiro e capital humano), tomar decisões estratégicas e adaptar-se rapidamente às eventuais mudanças. Empreender pode ser uma ação de uma ou mais pessoas que possuam esse perfil.

 

Quando alguém se interessa pelo que faz, é capaz de empreender esforços até o limite de sua resistência física, estimula Jean William Fritz Piaget (9 de agosto de 1896, Neuchâtel, Suíça – 16 de setembro de 1980, Genebra, Suíça). Algumas características necessárias para empreender são:

 

A - Imaginação

B - Organização

C - Autocrítica e avaliação

D - Determinação

E - Liderança

F - Conhecimento sobre etapas e processos.

 

Para o Escritor Gutemberg de Macedo, “o Projeto mais criativo que podemos empreender é de nossa própria vida”. Para ser um empreendedor uma pessoa deve conhecer suas habilidades e dons inatos, tanto na área física, quanto nas áreas: mental, emocional e espiritual. Pessoas que se conhecem bem sabem fazer escolhas sábias, claro que algumas situações “as encaixa" melhor do que outras. Desta forma, conseguem entregar todo o seu potencial. Ser empreendedor é ser inovador, arrojado, é ter um olhar próprio de ver as oportunidades emergentes e querer transformar seus sonhos em realidade. Para ser empreendedor não precisa abrir uma empresa, pode-se ser empreendedor em qualquer campo de atuação, sendo ele um professor, um médico, um industriário, um idealista etc. Basta ser inovador, contribuir com ideias arrojadas, com o objetivo de criar algo que revolucione sua área de trabalho.

 

Empreendedor é aquele que toma a iniciativa de empreender, que sabe identificar as oportunidades e transformá-las em realizações. O empreendedor é aquele indivíduo que é criativo, inovador, arrojado, que estabelece estratégias que vão delinear seu futuro. O bom empreendedor é aquele que analisa, identifica, define, decide e monitora o desempenho do seu empreendimento. É aquele que sabe determinar quais e como os produtos e/ou serviços idealizados e/ou desenvolvidos serão disponibilizados. “Empreendedores são aqueles que entendem que há uma pequena diferença entre obstáculos e oportunidades e são capazes de transformar ambos em vantagem”, aduz Niccolò di Bernardo dei Machiavelli; Florença, 3 de maio de 1469 — 21 de junho de 1527).

 

“Um empreendedor é caracterizado como um visionário, cuja função é antecipar e se precaver, sancionando os riscos, ou diminuindo as probabilidades para que seu empreendimento não sofra com as inconstâncias impostas pela sociedade”, esclarece o Transformador Digital, Caíque Borges. Assim, vanguardista e auspiciosa, a Maçonaria ensina a seus adeptos que o sucesso do empreendedor é consequência natural quando as ações são baseadas nestes três pilares:

 

1 - ÉTICA (Sabedoria);

2 - EFICIÊNCIA E EFICÁCIA DO CAPITAL (Beleza); e

3 - EMPREENDEDORISMO (Força).

 

Reporta a Wikipédia: “Ética (do grego antigo: ethos "caráter", "costume") é o conjunto de padrões e valores morais de um grupo ou indivíduo. Não sendo à toa uso do jargão: livres e de bons costumes, pois, a ética é uma exigência da civilização atual – os valores coletivos sobrepondo-se aos valores individuais ou de grupos específicos. A Ética procura responder a várias questões de âmbito moral, sendo as principais: Como devemos viver? Como devemos agir?” A ética é pessoal, não coletiva, e seus efeitos se refletem em todos, mesmo que o comportamento ético não se divulgue. Basilarmente, é uma reflexão sobre as ações humanas. As noções de certo ou errado e justo e injusto se dão a partir dos nossos valores éticos.

 

A ética é um conceito de caráter universal e que se fundamenta por princípios teóricos. É importante para que exista um equilíbrio no modo de agir da sociedade e para que as ações das pessoas sejam baseadas em certo e errado, pois são pertinentes referências para que se estabeleça o melhor convívio em sociedade, incentivando as boas ações e os melhores comportamentos, dentre os quais, estes comportamentos fazem parte do conceito de ética e fazem de quem os prática um ser (humano) ético:

 

A - Solidariedade, responsabilidade recíproca, ajudar ou apoiar qualquer pessoa sem nenhum interesse pessoal;

B - Empatia, compreender o outro e a capacidade de se colocar na mesma situação que o outro;

C - Lealdade, cumprir compromissos e regras;

D - Senso de justiça, as regras e as leis são iguais para todos e quando não são, se posicionam para mostrar que algo incorreto está acontecendo;

E - Senso coletivo, pensar e agir em coletividade, levando em consideração uma ou mais pessoas;

F - Respeito, não significa concordar, nem obedecer, mas, sim, entender e aceitar;

G - Honestidade, tem relação com a moral, é dizer a verdade, não omitir, nem dissimular.

 

Para Thomas H. Davenport (Capital Humano, Editora Nobel, 2001), “o capital humano distingui quatro elementos: capacidade, comportamento, empenho e tempo, ou seja, a maneira como o trabalhador executa uma tarefa depende de sua capacidade, comportamento e empenho e a escolha de uma tarefa em vez de outra, exige uma decisão de tempo”. Capital humano é o conjunto de conhecimentos, habilidades, experiências, atitudes e comportamentos que os colaboradores de uma empresa agregam a um empreendimento. É considerado um ativo valioso e um diferencial competitivo para as organizações. “Em qualquer tipo de organização nenhum capital humano é novo demais que não possa aprender ou velho demais que não possa se adaptar”, pacifica o Juiz Federal, Érico Teixeira Vinhosa Pinto.

 

O Capital humano é o bem mais valioso que uma companhia pode ter. O termo representa o valor agregado aos colaboradores por meio de suas experiências, conhecimentos técnicos, comportamentos, habilidades e competências pessoais. Investir no desenvolvimento de suas qualificações é fundamental para que as atividades, de fato, agreguem valor no que se diz respeito aos resultados almejados pelo empreendedor. Para valorizar o capital humano, pode-se:

 

1 - Investir em programas de treinamento e capacitação contínua;

2 - Criar um ambiente de trabalho respeitoso e que valorize a diversidade;

3 - Implementar um sistema de recompensas alinhado com os resultados;

4 - Ter políticas que ajudem os funcionários a equilibrarem trabalho e vida pessoal;

5 - Apoiar os funcionários em cursos, graduações e pós-graduações;

6 - Selecionar as pessoas mais adequadas para os cargos;

7 - Oferecer boas condições de trabalho, salários e benefícios competitivos;

 

Dentre impactos positivos dos investimentos realizados no capital humano, pode-se citar:

 

A - Melhora na reputação das organizações;

B - Mais transparência nos processos e relações;

C - Aumenta a produtividade e o engajamento dos colaboradores;

D - Melhora o clima organizacional;

E - Preveni os atos antiéticos.

 

Desenvolver o capital humano é criar oportunidades mútuas de crescimento e melhoria contínua, pois, são as pessoas que fazem as organizações evoluírem e não o contrário. Ao aprimorar o conhecimento e as habilidades, os colaboradores serão estimulados ao pertencimento, à produtividade e ao alcance de objetivos mútuos. “Vontade é força transformadora de toda realidade. O sucesso está na vontade corretamente direcionada. Empreendedorismo significa antes de tudo, ousadia”, esclarece o Advogado e Empresário Fernando Scheuermann. Apesar de ser um termo bastante utilizado no mundo dos negócios, empreendedorismo nada mais é que o ato de empreender – de pôr em execução, fazer, realizar. 

 

Empreendedorismo é a capacidade de identificar oportunidades, criar soluções e investir na criação de ideias que gerem mudanças e impacto na sociedade. O conceito de empreendedorismo foi usado inicialmente pelo economista austríaco Joseph Alois Schumpeter (1883-1945). Em 1942, ele publicou a Teoria da Destruição Criativa no livro Capitalismo, Socialismo e Democracia. A teoria explica o empreendedorismo (criação de produtos, serviços ou empresas inovadoras) como uma resposta a uma necessidade do consumidor percebida pelo empreendedor. O empreendedorismo é essencial nas sociedades, pois é através dele que as empresas buscam inovação, transformando conhecimentos e ideias em novos produtos que serão disponibilizados às sociedades.

 

Neste toar, o empreendedorismo ganhou uma nova missão social que é direcionada a causar um impacto positivo na sociedade. Esse tipo de empreendimento oferece soluções para melhorar a sociedade, deixando o objetivo de lucro em segundo plano. O empreendedor que decide trabalhar nessa área tem a responsabilidade social como a base do negócio, é da vontade de ajudar a sociedade que nasce motivação para empreender. Pode atuar em vários setores, como proteção ao meio ambiente, educação, serviços sociais ou atividades culturais.  O empreendedorismo cultural é usar ideias de negócio para criar projetos que tragam impacto social e econômico na área da cultura. Eles são impulsionados pela economia criativa, que engloba atividades voltadas à arte, design e tecnologia.

 

Dentre os tipos de empreendedorismo cultural podemos destacar:

 

1 - Artes Visuais e Design: pintura, escultura, fotografia, ilustração, design gráfico, arte digital e artesanato.

2 - Música e Entretenimento: produção musical, apresentação musical, produção de shows/festivais, gravação de áudio e composição de trilhas sonoras.

3 - Audiovisual e Cinema: produção de filmes/documentários, animação, edição de vídeo, distribuição cinematográfica e conteúdo para plataformas online/streaming.

4 - Literatura e Publicação: escrita/autoria, edição de livros, publicação independente e livros digitais/e-books.

5 - Performances ao Vivo: teatro, dança, circo e espectáculo ao vivo, em geral.

6 - Moda e Design Têxtil: design de moda, confecção de roupas, acessórios/joias e design de tecidos.

7 - Gastronomia e Culinária Criativa: criação de pratos inovadores, estabelecimentos gastronômicos únicos, e eventos/festivais culinários.

8 - Turismo e Experiências Culturais: tours culturais/históricos, visitas a museus/locais culturais e Interação com comunidades locais.

Produção e Promoção de Eventos Culturais: festivais de arte/música, exposições culturais e eventos de entretenimento ao vivo.

 

A empreendedorismo cultural, não apenas enriquece a vida das pessoas, mas também:

 

A - Estimula a criatividade e inovação: incentivando artistas a buscar soluções inovadoras para desafios culturais e sociais.

B - Gera renda e emprego local: contribuindo para empregos diretos e indiretos, como galerias de arte, estúdios musicais, estabelecimentos gastronômicos, editoras, livrarias etc

C - Impulsiona o turismo cultural: criando experiências atraentes para turistas, destacando a herança cultural e expressões artísticas locais.

D - Promove a conscientização e mudanças sociais: utilizando plataformas para abordar questões sociais, políticas e ambientais, promovendo a conscientização e a mudança positiva.

E- Revitaliza as comunidades: atuando como incentivador na revitalização de áreas urbanas e transformando espaços abandonados em locais vibrantes de expressão cultural.

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), iniciativas empreendedoras no setor cultural são fundamentais para a preservação do patrimônio histórico e artístico da humanidade. Empreender no setor não apenas mantém viva a memória de um país, mas, também gera engajamento e orgulho no povo. Cultura é, sim, uma atividade empreendedora. Por mais que nem sempre estamos cientes, as manifestações culturais desempenham um papel significativo para além do entretenimento em momentos de lazer: é também importante para a economia. O Empreendedorismo Cultural faz parte da chamada Economia Criativa, que engloba diversas atividades com esse apelo. Segundo o painel de dados do Observatório Itaú Cultural, a contribuição do setor para o Produto Interno Bruto (PIB) da economia brasileira é de 3,11%.

 

Não é um notável talento o que se exige para assegurar o êxito em qualquer empreendimento, mas, sim, um firme propósito, afirma Thomas Witlam Atkinson (6 de março de 1799, Cawthorne, Reino Unido – 1861, Walmer, Reino Unido). O Empreendedorismo Cultural no Brasil não é apenas uma resposta à demanda por entretenimento, mas, principalmente uma força transformadora que enraíza as comunidades em sua identidade, impulsiona a economia e abraça a inovação. Ao apoiar e reconhecer a importância dessas iniciativas – e/ou exercê-las –, estamos investindo no fortalecimento da nossa cultura e na construção de um futuro mais vibrante e diversificado. Isso é particularmente relevante em um mundo cada vez mais globalizado, onde a homogeneização cultural pode levar à perda de identidades locais.

 

Em um mundo em constante mudança, onde a cultura e a criatividade são cada vez mais valorizadas, o empreendedorismo cultural surge como uma força motriz para a inovação, a inclusão e a sustentabilidade. Ao criar oportunidades para que diversas vozes e histórias sejam ouvidas e valorizadas, ele contribui para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa. O empreendedorismo cultural não é apenas uma forma de negócio; é uma maneira de preservar e promover a diversidade cultural enquanto se contribui para o desenvolvimento econômico e social. Portanto, apoiar e fomentar o empreendedorismo cultural é investir no futuro das nossas sociedades e economias, garantindo que a riqueza cultural continue a ser um recurso vital para todos.

 

O conceito de cultura não é – e jamais o será – unânime. Quando nos referimos ao termo cultura, geralmente temos em mente o conceito mais erudito, que leva em conta, apenas, as artes, as manifestações culturais de prestígio em uma sociedade: teatro, cinema, dança etc. Poder-se-á pensar também em fatos geográficos e históricos relevantes de uma sociedade, como no termo alemão Landeskunde, que pode abarcar tantos aspectos da chamada cultura subjetiva, quanto da cultura objetiva (fatos, números). Para o Sociólogo Alemão Georg Simmel, a cultura como processo de cultivo do indivíduo é por ele referido como “cultura subjetiva” e se encontra em relação com os produtos e as realizações do indivíduo cultivado, a “cultura objetiva”, consiste esta no domínio dos conteúdos culturais - costumes, moral, conhecimento, arte, religião, formas sociais, formas de expressão, que constitui o próprio desenvolvimento da essência humana.

 

A cultura também pode ser definida como o comportamento por meio da aprendizagem social. Essa dinâmica faz dela uma poderosa ferramenta para a sobrevivência humana e tornou-se o foco central da antropologia desde os estudos do Antropólogo britânico Edward Tylor (1832-1917). Segundo ele: “A cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade". Da interação social entre os seres humanos surgiram diversas culturas, ou seja, o conjunto de costumes e tradições de um povo os quais são transmitidas de geração em geração. O sentimento de pertencimento nasce das experiências que os seres humanos desenvolvem durante sua vida social, ensejando o orgulho como afirmação positiva da identidade e da dignidade de um grupo, de um povo e/ou de uma nação.

 

Cumpre cá denotar a Identidade cultural como o conjunto das características de um povo, oriundas da interação dos membros da sociedade e da forma de interagir com o mundo. A pluralidade e a diversidade são pilares essenciais para uma sociedade próspera e equilibrada, e promovem o enriquecimento cultural, inovação, justiça social, tolerância, desenvolvimento econômico, além de fortalecer a identidade nacional. Dessa forma, a cultura representa o patrimônio social de um grupo sendo a soma de padrões dos comportamentos humanos e que envolve: conhecimentos, experiências, atitudes, valores, crenças, religião, língua, hierarquia, relações espaciais, noção de tempo, conceitos de universo etc., constituindo, assim, a identidade social como um elemento que facilita o reconhecimento de uma pessoa no âmbito social, designando o seu posicionamento em uma sociedade. Podendo ser construída de forma individual ou coletiva.

 

Identidade é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se podem diferenciar pessoas, animais, plantas e objetos inanimados uns dos outros, quer diante do conjunto das diversidades, quer ante seus semelhantes. “O reconhecimento, como a palavra mesma indica, é a mudança do desconhecimento ao conhecimento, ou à amizade, ou ao ódio, das pessoas marcadas para a ventura ou desdita” (ARISTÓTELES, 2002, p. 30). SE SOU, TU ÉS, já que, somente “os iguais se reconhecem, estabelece Empédocles (Agrigento, na Sicília, 495 a.C. – 430 a.C.). Neste toar, somos o que honramos, o que respeitamos, pois, com “a medida que usarmos, também será usada para nos medir, pontifica Mateus (7:2), ou seja, somos, equanimemente, honrados quando à medida que nossos pensamentos, sentimentos e atos convergirem para a respeitabilidade, sob a qual erigimos nosso legado de exemplos que nos reconhecem e identificam pela eternidade.

 

Ao declarar-se uma instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes...., a maçonaria fulcra em seus adeptos sua digital, fulcrada no Princípio Hermético da Correspondência: "o que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima", ou seja, o que o que é verdadeiro no macrocosmo é também verdadeiro no microcosmo e vice-versa, tornando límpido que a verdade não repousa num só ente humano, mas, sim, que cada um destes trás intrínseca em si uma centelha da verdade do universo do qual faz parte, enquanto este o permeia e vitaliza com seus influxos. Ou seja, em minhas palavras: “Tal mãe, tal filhos!” Portanto, todo conteúdo apregoado pela Maçonaria, disseminado em cada reunião de seus membros, por eles absorvidos e praticados em seu cotidiano, constitui, não somente, sua sabedoria, auferida pela praticação perene do aprendido, mas, também, e principalmente, estabelece sua identidade como filhos da viúva.

 

"Estudando a mônada, ele chega a compreender o arcanjo", ensina-nos o Caibalion (Kybalion), publicado em 1908 pela Yogi Publication Society sob o pseudônimo de "os Três Iniciados", de William Walker Atkinson (1862 – 1932). A busca do autoaprimoramento é quântica, apresentando a perfeita simbiose entre os diversos saberes erigidos pelo homem ao longo das eras na confluência com as verdades universais. "Tudo é possibilidade subconscientemente", Werner Eisenberg. A Pedra Bruta é o símbolo das imperfeições do espírito que o Maçom deve procurar corrigir. O autêntico refinamento, o desbastar a pedra bruta, é um processo que nos ajuda a eliminar os excessos de pensamentos, de ansiedades e medos, na busca pelo desenvolvimento pessoal e moral. Assim, a cultura é importante na formação pessoal, moral e intelectual do indivíduo e no desenvolvimento da sua capacidade de relacionar-se com o próximo. A consciência de SER pode gerar solidão caso não haja a consciência de PERTENCER, ou seja, de compartilhar a existência com outros.

 

Ao sermos lapidados, polindo as faces e alisando as arestas, perdemos boa parte de nosso volume e peso, mas transformamo-nos em uma pedra muito mais bonita, mais valiosa e única, que fará parte da construção do edifício social. Saliba (2008) provoca – nos afirmando que ao sermos iniciados assumimos também Responsabilidade Social, ou seja, lavramos um compromisso pessoal com a sociedade e com o planeta em que vivemos na busca do desenvolvimento sustentável, comprometendo-nos em transformar nossas comunidades em ambientes fraternos e solidários, capazes de feitos relevantes para o progresso da humanidade. Assim, na questão da identidade, a cultura elabora a identidade de quem faz, de quem divulga e de quem conhece um aspecto determinado dessa cultura. Enfim, ser alguém capaz – seja de fazer, de divulgar ou de conhecer arte – estabelece uma identidade pessoal que efetivamente enriquece uma existência.

 

Esse sentimento de transceder o espaço e o tempo está presente em todas as formas de manifestação cultural. É um sentimento atávico, inerente à espécie. Este atavismo é decorrência da necessidade de comunicação, pois quem vive, comunica-se, e o homem que se comunica, o faz necessariamente através de certos meios e símbolos. Ora, a existência de meios e símbolos de comunicação são, em si, o alicerce da cultura – o jeito de ser – de um grupo. A mídia e as facilidades tecnológicas modernas diminuíram os contrastes sem anular as diferenças. A comunicação entre os povos estimula a compreensão e o respeito mútuo, e enriquece a humanidade. A filosofia hermética diz que "os lábios da sabedoria estão fechados, exceto aos ouvidos do entendimento", ratificando a percepção de que a consciência deve ser desperta pelo encontro do Eu íntimo no silêncio d'alma, habilitando o Homem a raciocinar, inteligentemente, do Conhecido ao Desconhecido ou vice-versa.

 

A cultura proporciona prazer em SER, FAZER e PERTENCER, sendo este o prazer sadio do bem viver, força capaz de contrapor-se ao medonho prazer das drogas e da tendência autodestruição para que se dirigem os excluídos sociais. Uma cumplicidade estabelece-se entre pessoas de todas as idades e de todos os extratos sociais frente a uma manifestação cultural. Por meio de um elo invisível, já não se trata mais de ser rico ou pobre, branco, negro ou mestiço, rural ou urbano, trata-se de SER brasileiro, e neste termo ‘brasileiro’, ao som do Hino Nacional, todos sentem-se iguais. Destaque-se que em não havendo Igualdade, a Fraternidade não viceja e a Liberdade não protagoniza o progresso. Assim, admoesta, o filósofo grego Aristóteles, “devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade”, para que a unicidade reine sob os auspícios do pertencimento. Sob o auspício do Pertencimento, anuncia Hélio Pereira Leite, Conselheiro Federal do GOB, Grão-Mestre de Honra do GODF, Escritor e, nestes dias que seguem, Presidente da Academia Nacional de Maçons Imortais – ANMI: “nossa pequena comunidade de 100 maçons, dedicados a literatura e a cultura, todos dedicados à literatura e a cultura em geral, maçônica ou não maçônica. Entre eles: escritores, pesquisadores, escultores, editores, compositores, jornalistas e poetas, dentre os quais, temos o privilégio de contar com 12 confrades poetas: Adilson Zotovici, Rogério Rocha, Alexandre Fortes, Bruno Macedo, Raimundo Carlos, Zelito Magalhães, Ivo Oliveira, Benilton Cruz, José Mariano, Valdeci Martins, Raimundo Corado e Lellis de Luna.

 

A palavra academia, do grego antigo  Akadémeia), derivado de Akádēmos), "Academo", designa, no Ocidente, várias instituições vocacionadas para o ensino, a cultura e a ciência, nomeadamente as artísticas, literárias, científicas e físicas, filosóficas etc. O termo também pode se referir a qualquer associação de cientistas, literatos ou artistas. A designação provém da escola de filosofia que Platão fundou na Grécia Antiga em 387 a.C., junto a um jardim a noroeste de Atenas, em terreno dedicado à deusa Atena que, segundo a tradição, pertencera a uma personagem mitológica com o nome de Academo. Sob este Augusto Desígnio, a Egrégia Academia Nacional de Maçons Imortais - ANMI, vanguardista que é desde sua fundação, havida no auspicioso Trigésimo Primeiro Dia do Mês de Maio do Ano Dois e Vinte Quatro. Uma ciese cativadora pelas ações simplíssimas fulcradas na necessidade que todos temos de evoluir e sermos felizes lastreando o melhor legado para gerações vindouras, quais sejam:

 

1. Promover intercâmbio cultural entre As Academias QUE ADERIREM AO PROJETO, portanto, nenhuma delas e forçada a nada;

 

2. Troca de experiências acadêmicas, o Mestre Jesus, dizia que há mais felicidade em dar do que em receber, portanto, sejamos felizes, pois, cada uma de nossas luzes é lábaro para aquele não a conheceu, ainda;

 

3. Promoção de videoconferências acadêmicas, já que o mundo virtual encurta distâncias, tem inúmeras formas de promover o melhor discernimento do que é compartilhado, trocado, enfim, da sinergia que alimenta esta cadeia de união;

 

4.  Divulgação de produção literária e ou poéticas entre as congêneres coligadas, coisa extremamente necessária, pois, somente o respeitável merece respeito. E como respeitar se não conheço. E, por vezes, até me nego a conhecer.

 

5. Difusão da cultura maçônica, pois, a boca fala apenas do que o coração está cheio. Como posso cativar novos adeptos para minha loja se não tenho argumentos?

 

6. Divulgação de eventos acadêmicos, pois, a socialização é mister primevo do homem. E a cada encontro mais forte fica a fraternidade que juramos exercer.

 

7. Promover encontros interacadêmicos, pois, quem não é visto, jamais será conhecido. NÃO SENDO NECESSÁRIO DIZER QUE SER RECONHECIDO É A MAIOR BUSCA DO MAÇOM.

 

8. Promover concursos literários interacadêmicos, pois, sendo o homem um competidor por natureza, o que virá de positivo, inovador e renovador já vale o empenho de ver realizado tal evento.

 

9. Divulgação de obras literárias dos acadêmicos, que é um acolhimento bastante importante, pois, sentimo-nos dignificados por nosso esmero e abraçados por nossos confrades, cumprindo a máxima que diz: com a mesma medida que julgares serás julgado.

 

10. E outros eventos e iniciativas.

 

O contato com culturas diferentes também modifica alguns aspectos de nossa cultura. O processo de aculturação, onde uma cultura absorve ou adota certos aspectos de outra a partir do seu convívio, é comum em nossa realidade globalizada, onde temos contato quase perpétuo com culturas de todas as formas e lugares possíveis. Nossa visão é que a cultura se forma a partir dos valores de pessoas altamente influentes dentro do grupo. Assim, imbuída mais viril responsabilidade no cumprimento dos seus mais auspiciosos propósitos a Egrégia Academia Nacional de Maçons Imortais coroa o término da primeira fase de sua existência produz esta Edição Especial do Jornal A Voz do Escriba, que tem como Editor Chefe um de seus mais laboriosos confrades, Jaricé Braga, na qual narra fatos alvissareiros desde sua cioforia até este sétimo mês de existência e de profícua atividade produtora de cultura, sempre com o apoio incondicional dos argutos confrades – titulares e correspondes, quase duzentas mentes brilhantes – que a constituem, a quem agradece pela premente abnegação em servir à cultura maçônica e brasileira como vetores de seu progresso.


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