Chama-me o tarol. Impossível não o atender. O coração brasileiro efervesce ao som do seu rufar. É o chamado patriótico determinando o dever a cumprir. Patriotismo, que segundo clérigos e sacerdotes em todas as casas de Nosso Pai Zambi, é uma excelsa virtude nas tradições religiosas. Assim, um filho de Mamãe Oxum como eu jamais poderia não ouvir o clamor de um protegido de Nossa Senhora Aparecida: o Brasil.
Uma fé enraizada dá sentido à existência, confere propósito à vida e fortalece o indivíduo nas suas convicções, permitindo-lhe construir uma identidade mais estável e resiliente face às adversidades e incertezas. Portanto, a fé e a identidade estão intrinsecamente ligadas, pois a fé fornece as crenças, valores e um sistema de significado que ajudam a moldar a compreensão de quem somos, de onde viemos e para onde vamos.
Evoco, com gratidão, a Hélio P. Leite (1), que me fala sempre da representatividade: presença e atuação efetiva de pessoas que refletem a diversidade da população em instituições e espaços de poder, garantindo que as perspectivas, interesses e experiências de diferentes grupos – como etnias, géneros, culturas e orientações – sejam ouvidos, valorizados e defendidos, promovendo assim a inclusão, a igualdade e a justiça social.
Assim, imbuídos do que há de mais justo e perfeito, nestes dias 06 e 07 de setembro de 2025, Jorge e Eu, marchamos em celebração à independência do Brasil e representamos o valente Povo Kariri, de onde vim e cheguei até Jorge compartilhando este genoma. Também, o Povo Campossalense, de Campos Sales – CE, cidade onde nasci que, no Distrito de Itaguá, guarda o honorável Corpo de Bárbara Pereira de Alencar (2), falecida em1832.
Para o Povo Caririense, o “7 de Setembro” ocorreu em 3 de maio de 1817. Naquele dia, o subdiácono José Martiniano de Alencar, o filho de Dona Bárbara, subiu ao púlpito, de batina e roquete, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, e proclamou a independência da vila do Crato, onde morava sua mãe, cinco anos antes da proclamação da Independência do Brasil e 72 anos antes da Proclamação da República.
Nisto exemplando-se, há 201 anos, Quixeramobim substituía a dinastia imperial por uma “República estável e liberal”, como registra a histórica ata da sessão da Câmara da Vila de Campo Maior (3): “(…) em vista à horrorosa perfídia de D. Pedro I, imperador do Brasil, banindo a força armada as cortes convocadas no Rio de Janeiro contra mil protestos firmados pela sua própria mão, ele deixava a sua dinastia de ser o supremo chefe da nação...”
Briosos do Cearense que somos, Jorge Ferreira Bezerra de Macedo, seus colegas e eu, representamos o Serrano Povo Maranguapense, de Maranguape (Vale da Batalha" em tupi-guarani) – CE, onde nasceram minha esposa Rosélia e nossos filhos Bruna, Rosilda e Jorge, levando ao futuro o genoma do aferrado Povo Pitaguary. Primaz na organização da abolição da escravatura, Maranguape sediou o primeiro Congresso Brasileiro Abolicionista em 1881.
Aquilatando o que seus olhos contemplavam, o abolicionista e jornalista José do Patrocínio, o Tigre da Abolição, chamou o Ceará de "Terra da Luz" em 1884, como um tributo ao Estado por ter sido o primeiro no Brasil a abolir a escravatura, um feito histórico ocorrido em 25 de março daquele ano, quatro anos antes da Lei Áurea. A "luz" na expressão de José do Patrocínio representa a libertação dos escravizados e o avanço para a liberdade.
Uma luz de primazias que jamais se extingue, o Capital Humano-Intelectual do Ceará, funda, em 15 de agosto de 1894, a Academia Cearense de Letras, que é a mais antiga do Brasil, antecedendo em três anos a instauração a Academia Brasileira de Letras. Para seus fundadores, a arte da palavra, não apenas transmite conhecimentos, mas também desperta a imaginação e a autonomia, promovendo uma de aprendizado contínuo e acessível.
Neste influxo, mais uma vez o dever de representar abençoa estes primeiros sábado e domingo de setembro de 2025, pois, neles sou a vivaz presença da Academia Cearense de Literatura Popular – ACLP, juntamente com o Cego Aderaldo, Patrono da Cadeira de número 3, na qual tenho assento. Aderaldo Ferreira de Araújo, poeta popular que se transformou numa das maiores expressões culturais do Nordeste. O Cego introduziu o cinema no Sertão.
A Academia de Ciências Letras e Artes de Columinjuba de Capistrano de Abreu, por representada por Eunice Lima e Eu. João Capistrano Honório de Abreu, Príncipe dos Historiadores do Brasil, fez prodígios nos campos da etnografia e da linguística, sua obra é caracterizada por uma rigorosa investigação das fontes e por uma visão crítica dos fatos históricos. Membro da Academia Cearense de Letras e Presidente Emérito da ACLA.
Honrado e grato pela oportunidade, represento a ACADEMIA INTERNACIONAL DE MAÇONS IMORTAIS, primeira dentre suas congêneres, que avança pelo mundo afora alargando fronteiras, levando a vanguardismo, o altruísmo e a cultura brasileira aos quatro cantos do orbe terrestre a partir do arquipélago literário que abraça o multiculturalismo como lume das inovações que promove e da felicidade de sermos brasileiros que dissemina.
Rufe tarol e reavive o valor do Povo Brasileiro, principalmente, dos hipossuficientes (indígenas, afrodescendentes, portugueses pobres, imigrantes de etnias e nações diversas etc.) que há exatos 203 anos envidaram coragem, determinação e altruísmo com os quais permanecem a incitar primazias: Em 2023, o Ceará foi o primeiro no Brasil a utilizar viaturas elétricas. Em 2024, o estado foi pioneiro ao implementar um sistema que permite a abertura de empresas por meio de um aplicativo de mensagem. E está na vanguarda da implementação de 191 tecnologias sociais de saneamento rural.
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REFERÊNCIAS INSPIRADORAS
(1) Hélio Pereira Leite, Past Eminente Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil no Distrito Federal, Presidente em exercício da Academia Internacional de Maçons Imortais.
(2) Bárbara Pereira de Alencar, Comerciante e Revolucionária Brasileira. Primeira presa política do Brasil, Heroína da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador. Avó do escritor José de Alencar e do Barão Leonel Martiniano de Alencar.
(3) Câmara da vila de Campo Maior, atual município de Quixeramobim, Estado do Ceará.
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