Encantadora é a
travessia dos misticismos, tão plenos de magias (sabedorias, como radica os
persas) – frutos das experimentações em vida e de suas replicações ao longo dos
dias – para os mundanismos, tão carregados de medos, culpas e de certezas tão
incertas quanto o futuro projetado sob a égide de digressões cativantes que
fazem da realidade não mais numa frenética busca por compreensão, discernimento
e solução, mas, sim numa inercia retumbante produzida pelo ópio da modernidade:
o mundo artificial onde o humano se desumaniza face a tirania do poder que a
virtualidade permite. A confusão é geral! E já não se sabe o que é o sagrado,
nem o mundano. Tão pouco que tudo o que há advém perfeita simbiose de ambos,
pois, além de não se distinguirem, também, não existem um sem o outro, ora, quem
faria reverência ao espiritual se o mundano não existisse? E quem inspiraria o
mundano, na ausência do espiritual?
Dizer que o Carnaval
é macumba, não ofende aos macumbeiros, tão pouco os enaltece – embora os faça
dançar alegremente –, já que macumba é, tão somente, um instrumento de
percussão de origem africana, similar ao reco-reco, coincidentemente usado nos
carnavais brasileiros. E sim! O carnaval é encantamento e alegria, pois, momento
no qual, desde tempos imemorias, se agradece a boa e farta agricultura e
pecuária, como ratifica a antropologia. Cada povo vive o carnaval à sua
maneira! No entanto, as corruptelas linguísticas patrocinadas pelo espirituoso
povo brasileiro dão-nos uma visão diferente, pois, a magia do instrumento
musical findou por nominar a religião afrodescendente (candomblé) e a religião
brasileira (umbanda), cuja magia (sabedoria) estabelece um canal (uma
religação) vivaz, cantante e feliz com o sagrado, conexão esta que pode ser
alcançada, com a mesma plenitude ou não, por todas as formas de religação com a
divindade singularmente praticada nos quatro cantos do mundo, cujo resultado é
o mesmo: estreitar os laços inequívocos de pertencimento e unicidade com o etéreo.
Destoco que a magia (sabedoria) da fé não idiotiza aos humanos, estes são obtusos
e obscuros de nascença, e qual uma semente que plantada na Terra deveríamos exercer
o fototropismo e termos o crescimento que ocorre em resposta à luz, porém,
poucos dos entes humanos, atualmente, assim se move.
Neste influxo,
lembrei-me da Teoria do Tempo Negativo que imprime (ou exprime) o pensamento de
que a luz parece sair de um material antes de entrar nele. Acredito que a luz
está saindo de nós em face a exposição maciça ao virtualismo, seja de forma
ingênua, leiga, despreparada ou desprotegida perante seus fascínios, seja por
uma fuga da realidade, pois, “naquele mundo” tudo é possível e tudo é
permitido. Já do lado de cá das telas, Paulo de Tarso dogmatiza: tudo possível,
mas, nem tudo é permitido. Ressalto, que não justifico, fitando o Tempo
Negativo, o infantilismo nas pessoas desnorteadas no tempo e no espaço nesta
opaca hodiernidade que suplicia o humano, pois, isto já é um adoecimento
pandêmico do ser humano, que acha como tentativa de cura, aplicada pelas
sociedades a nível mundial e coibição do uso dos celulares nas escolas, dentre
outras moções, já se movem para conter a exposição das crianças – de fato – ao
virtualismo, enquanto cuidam de dar-lhes esta remédio que lhes tira a
liberdade, já que a sabem usar para o bem de si.. Haverá menos gado? O gado não
percebe a sinergia que há entre os movimentos da natureza, as profecias e as ciências,
nem tão pouco como estes influxos influenciam e radicam a história do homem na
Terra.
A história do Natal
exempla com sagaz clareza esta associação de fatores a que me refiro. Os
persas, estudiosos da astronomia e, também, da astronomia, são inspiradores da
história de natal ao contarem ter visto três estrelas (três reis) seguindo uma
estrela maior e mais intensa rutilância (Sirius), que numa manhã próxima ao
solstício de inverno se alinham ao nosso sol, que finda um ciclo e passa a
iniciar o novo ciclo. Os três reis (magos – sábios), seguem a estrela de Belém
até o local onde o Sol Invictus, Mitra, aguardava sua gratidão. Mitra, uma deidade
multe étnica e multe nações. Cultuado pelos Vedas da Índia. O zoroastrismo –
que cultuava dois deuses, o Bem e o Mal – de Dario, o Grande, da Pérsia, teve
Mitra desempenhando funções de juiz das almas. Plutarco, anuncia que os piratas
da Cilícia celebravam ritos secretos relacionados a Mitra no ano 67 a.C. E,
também, atribui aos legionários romanos a introdução do culto de Mitra no
Império Romano a partir de campanhas militares nas suas fronteiras orientais. Em
finais do século II, o mitraísmo já estava amplamente popularizado no exército
romano, bem como entre comerciantes, funcionários e escravos. A maior parte dos
achados referem-se às fronteiras germânicas do império. Pequenos objetos de
culto associados a Mitra têm sido encontrados em locais que vão da Roménia à
Muralha de Adriano. No século IV, a concorrência do cristianismo, apoiado por
Constantino, tiraria adeptos do mitraísmo. Importa realçar o fato do mitraísmo
excluir as mulheres, situação que não se verificava no cristianismo. O
cristianismo substitui o mitraísmo durante o século IV até se converter na
única religião permitida com Teodósio (379 - 395).
Embora não haja provas incontestes de que Mitra nascera em 25 de Dezembro, a festa do "dies solis invicti natalis" celebrava seu o aniversário neste dia. A tradição cristã (a)colheu o dia 25 de dezembro para o nascimento de Jesus, aproveitando a tradição cultural do solstício de inverno e da adoração ao sol invicto. Uma forma derivada de vrddhi de mitra sânscrito de Maitreia, o nome de um Bodisatva na tradição budista, o que sugere o que o culto a Mitra ainda vive em nossos dias. Homenageando a Mitra, como também, antigo deus-peixe Dagon e da deusa Cibele, ambos cultuados pelos antigos sumérios, os Papas, desde o século V, encobrem-se com a Mitra durante as solenidades cristãs mais relevantes. Ressalto que, segundo a bíblia, Dagon era um venerado pelos filisteus (ou povo de Canaã) com o nome de Dagon ou Dagantakala. Casado com Shala (um outro nome de Ninlil), este deus fazia com que as plantas crescessem e julgava aqueles que morriam, reinando no mundo subterrâneo, assim, qualquer similitude com Mitra, que também julgava as almas, é pura coincidência. Não obstante a tudo isto, Mitra-Jesus e/ou Jesus-Mitra comemora seu aniversário sempre em 25 de dezembro, todos os anos. E Sirius continua sendo a estrela de Belém guiando neste mesmo período os três reis magos (sábios), pois, Sirius é considerada a origem de seres espiritualmente avançados e evoluídos. Os sirianos são seres intuitivos que se sentem atraídos por assuntos relacionados à arte e ao misticismo. Talvez seja por isso que Sirius seja o Oriente Eterno para onde se dirigem os maçons.
Segundo Albert Pike, Morals and Dogma, Sirius reluz em nossas lojas como a Estrela Flamejante". No simbolismo maçônico, o olho de Hórus (ou o Olho Que Tudo Vê) é frequentemente retratado cercado pelo brilho de luz de Sirius. A luz atrás do Olho Que Tudo Vê na nota de dólar americano não é do sol, mas a partir de Sirius. A Grande Pirâmide de Gizé foi construída em alinhamento com Sirius e por isso é mostrado brilhando acima da pirâmide. Um tributo radiante para Sirius, portanto, nos bolsos de milhões de cidadãos. Sob esta influência, nascida nos Estados Unidos em 1850, a Order of the Eastern Star, (OES) é diretamente ligada ao nome de Sirius, a "estrela em ascensão do Oriente" e, isto, ao "público em geral" explica as origens do nome da Ordem declarando que o nome foi escolhido dada relevância da "Estrela do Oriente" que levou os Três Magos para Jesus Cristo. Um olhar para o significado oculto do simbolismo da Ordem, porém, deixa claro que a Ordem da Estrela do Oriente (OES) é uma referência para Sirius, a estrela mais importante da Maçonaria, a sua organização-mãe. No Brasil, a OES surgiu em 02 de Agosto de 1997, através dos Irmãos Alberto Mansur e Célia Mansur, que, juntamente, os irmãos Alberto Mansur e esposa, Arthur Domingues e esposa, Jorge Luiz de Andrade Lins e esposa e Luís Cosme dos Santos e esposa. O Irmão Jorge Luiz de Andrade Lins, foi o tradutor dos rituais para a língua portuguesa. No Ceará, o primeiro núcleo da Ordem da Estrela do Oriente foi fundado em 20 de agosto de 2011 e seus primeiros dirigentes foram Rose Neide Santos Rodrigues Ernandes e Narciso Dorta Ernandes Filho.
De acordo com a tradição hermética, o Sol que ilumina nossos dias é apenas um reflexo de Sirius, o Sol Maior, nossa estrela mais brilhante. Sirius (também conhecida como Sothis) já fez parte da antiga constelação da Fênix, mas, há tempos é considerada a estrela mais brilhante de Canis Major, de onde vem o nome Canícula. Isto exemplifica o quanto o significado de Sirius mudou ao longo da História da humanidade. Ela é a estrela mais brilhante do céu noturno, e pode ser observada de quase todas as regiões habitadas da Terra. Esta posição de destaque fez com que Canícula fosse amplamente usada como forma de medir o tempo pelos povos antigos. Sua chegada aos céus anunciava aos Egípcios as cheias do Nilo, que traziam renovação à terra devastada. Conhecer o ciclo desta estrela era uma questão de sobrevivência. É natural que implicações religiosas tenham sido atribuídas a este astro magnífico desde a aurora dos tempos. Sirius trazia a renovação, a mudança. A equivalência com o ciclo solar estabeleceu o conceito de que nosso Sol seja um reflexo de Sirius, o verdadeiro portador da renovação. Não é à toa ser Sirius a denominação dada à nova fonte de luz síncrotron brasileira, é a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no País. Este equipamento de grande porte usa aceleradores de partículas para produzir um tipo especial de luz, chamada, luz síncrotron. Essa luz é utilizada para investigar a composição e a estrutura da matéria em suas mais variadas formas, com aplicações em praticamente todas as áreas do conhecimento. Sirius permite que centenas de pesquisas acadêmicas e industriais sejam realizadas anualmente, por milhares de pesquisadores, contribuindo para a solução de grandes desafios científicos e tecnológicos, como novos medicamentos e tratamentos para doenças, novos fertilizantes, espécies vegetais mais resistentes e adaptáveis e novas tecnologias para agricultura, fontes renováveis de energia, entre muitas outras potenciais aplicações, com fortes impactos econômicos e sociais.
Neste toar, apesar da disparidade entre as culturas e épocas, os mesmos atributos misteriosos são percebidos e nos levar a perguntar: por que uma sincronia de definições e de teses tão perfeitamente a fim da evolução? Essas conexões são particularmente evidentes quando se examina os ensinamentos e o simbolismo das sociedades secretas, que sempre ensinaram sobre a interdependência notórias entre o mundano e o sagrado, bem como, propugna o condão libertador dos segredos por ela guardados, que desbloqueiam um dos maiores mistérios da humanidade, algo que já não se pode esconder: a evolução humana tem estreita relação com o progressismo do universo. O que radica a interdependência notória no ecossistema: UNIVERSO, onde a verdade abraça o espiritual e o “mundano”. E só a verdade liberta o homem do demônio de si. E este demônio se chama ignorância!
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