Acordei neste primeiro dia útil de 2026 com esse
pensamento em mente: “sem santidade não há prosperidade”. E, este, desvela a
realidade de que viver em santidade é um preparo para a eternidade, levando a
uma alegria e paz que não dependem das circunstâncias, embora, uma vida santa
requeira o dedicado exercício dos princípios morais e espirituais elevados
habitualmente.
A relevância da
habitualidade reside na repetição e na regularidade de
uma conduta ou atividade, que deixa de ser um evento isolado para se tornar uma
característica do comportamento ou da relação. A santidade implica um
estado de ser ou uma dedicação espiritual, alinhando razão, paixões e fé para
uma existência plena, harmoniosa e exemplar.
Uma vida santa, que é uma
jornada de santificação plena e de união com o divino, cujo passo essencial é viver
uma vida virtuosa, que envolve o alinhamento entre corpo, alma e intelecto; e a
busca da pureza e da conexão espiritual, pois, robustecem o autodomínio, a
sabedoria e a integridade. É a forja do caráter de uma pessoa pela prática dos princípios
éticos e morais elevados.
Ser virtuoso é
ser uma pessoa de caráter excelente e bom, enquanto ser santo é
buscar ser como Deus, sendo a virtude a base para essa busca mais
elevada. A "virtude" é a ação, e o "Templo de Deus" é
a morada espiritual interna, ou seja, a divindade ou a verdadeira natureza
espiritual é encontrada através do cultivo de um caráter virtuoso.
É na prática da virtude e
da retidão moral que encontramos os meios pelos quais uma pessoa atinge a
iluminação espiritual – ou a proximidade com o divino –, para a transcendência
ou a realização do potencial humano superior. Sendo o homem é o templo,
as virtudes (justiça, prudência, temperança, coragem, fé,
esperança e caridade) são os tijolos e o alicerce.
Evoco a Maçonaria,
por justa e oportuna – sempre! –, onde o iniciado é comparado a uma "pedra
bruta" que deve ser lapidada. O objetivo final do trabalho maçônico é a
construção do Templo Espiritual (ou Templo à Virtude), onde o
"Pedreiro Livre" utiliza ferramentas simbólicas para erguer uma
morada digna para o Grande Arquiteto do Universo dentro de si mesmo.
“Acaso é tempo de vocês
morarem em casas de fino acabamento, enquanto a minha casa (o Templo) continua
destruída?” (Ageu 1:4). A falta de prioridade espiritual nos leva a
esquecermos que a satisfação duradoura e o bem-estar vêm do cultivo do
bem-estar espiritual, da prática da compaixão e do engajamento em uma
comunidade de apoio, que nos faça pertencidos.
É um alerta contra os
perigos do materialismo excessivo e um chamado ao equilíbrio na vida, pois,
somos os arquitetos da nossa própria alma e a qualidade da nossa
"construção" depende da nossa conduta ética e moral. A prática
constante do bem molda o caráter, tornando a estrutura espiritual sólida contra
as intempéries do vício ou do egoísmo.
O autoaperfeiçoamento é
sagrado e evoluir como ser humano é uma forma de culto. Isto sedimenta a certeza
de que o materialismo foca tão somente em acumular o que é externo e perecível,
ao passo que a conduta ética foca no que ninguém pode tirar de você: sua
integridade. Como diz Sêneca, "a riqueza é escrava do sábio, mas, senhora
do tolo".
A vida não é apenas algo
que nos acontece, mas um projeto de autoconstrução contínua, onde o
Hábito é a Argamassa ótima, pois, cada pequena decisão ética é um tijolo
colocado na nossa estrutura interna. Com o tempo, essas escolhas moldam um
caráter que resiste naturalmente a tentações e vícios. Cada ato virtuoso
"limpa" e "embeleza" esse espaço interno.
Ao nos colocar como
"arquitetos", eliminamos o papel de vítima das circunstâncias. Embora
não possamos controlar o que o mundo nos traz (as intempéries), temos total
controle sobre como reforçamos nossas fundações morais para enfrentá-las. O
exterior deve refletir a ordem e a beleza do interior cultivado, criando uma
harmonia entre o eu interior e o ambiente circundante.
Seja na organização de
uma casa ou nas ações de um indivíduo para que o "belo e ordenado"
internamente permaneça, tudo deve ser uma extensão natural e harmoniosa da sua
vida mental e espiritual. Quando o "interior" é cultivado com
disciplina e ética, a beleza externa deixa de ser superficial e torna-se uma
expressão de autenticidade.
A autenticidade é um
jardim que floresce com cuidado e atenção constantes, já que, a beleza interior
é um reflexo da pessoa que somos é por dentro, que se manifesta no (auto)cuidado,
no (auto)respeito, na (auto)responsabilidade, cujos inefáveis perfumes se fazem
percebidos na empatia com o outro e no modus com o fazemos incluídos em nosso meio.
Agir de acordo com o que acreditamos
ser importante robustece o senso de propósito e autenticidade. Reconhecer
e apreciar as coisas boas da vida ajuda a manter uma perspectiva positiva e
atrai mais positividade. Pequenos atos de bondade
diários, tanto para com os outros quanto para consigo mesmo, têm um grande
impacto. A gentileza gera mais gentileza.
Essa gratidão efusiva que
transcende da sutil beleza que adorna nosso, também, se manifesta através da
curiosidade intelectual e da busca por (auto)conhecimento. Entender a si mesmo
é o primeiro passo para o crescimento pessoal. Aprender com os fracassos,
adaptar-se às mudanças e manter uma atitude de "eu consigo", constrói
nossa fortaleza interior.
Uma fortaleza de hábitos
e valores para proteção, aconchegante às virtudes e inexpugnável aos vícios, onde
a santificação é a ordem do dia a cada sol que se levanta para iniciar sua
carreira diuturna aclarando os passos da disciplina moral e da pureza
espiritual, cujo trajeto conduz a um estado mental onde o bem se sente "em
casa” e é impenetrável ao mal.
Sintetiza-se aqui o
conceito de Ora et Labora (Reza e Trabalha), onde a rotina
diária é o campo de batalha onde se vence o mal através da prática constante do
bem. Cada tarefa simples, desde o despertar ("cada sol que se
levanta"), é oferecida como um ato de adoração e aperfeiçoamento pessoal, transformando
o cotidiano em sagrado.
“Sem santidade não há
prosperidade” é uma metáfora que indica uma vigilância constante e uma
estrutura moral tão sólida que as tentações e as más inclinações não encontrem
brechas para entrar ou se estabelecer. Significa que erigir dia a dia o
ambiente fértil e acolhedor para a paciência, a caridade, a humildade e a
esperança, enfim, onde a alteridade sirva cantante.
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