Somos,
incontestavelmente, arquitetos de nós mesmos, e das vidas que experienciamos,
no sentido de que, não somente, exercemos grande influência, como também,
fazemos escolhas importantes, considerando que trabalhamos dentro das
restrições de um canteiro de obras que nem sempre escolhemos ou controlamos
totalmente. Normas culturais, expectativas sociais e estruturas sistêmicas
(políticas, econômicas) que moldam nossas opções e comportamentos. O Natal
simboliza o amor, renovação, esperança e união, mas também incorpora, tradições
pagãs de celebração do solstício de inverno, unindo o sagrado com costumes de
fartura, presentes e a figura do Papai Noel, focando no espírito de
fraternidade e solidariedade. Evoca valores universais de paz, família
(consanguínea e/ou não), generosidade e a celebração do ciclo da vida, herdando
tradições de diferentes culturas para criar uma festa de união e reflexão.
Celebrar a vida envolve
cultivar a gratidão, focar no presente, apreciar as pequenas coisas e estar
aberto às novas experiências que cada dia pode apresentar e entregar-se ao novo
com fé no melhor por vir. Reflete a importância de valorizar e apreciar os
momentos do dia a dia, reconhecendo que cada um deles oferece oportunidades
únicas para crescimento e alegria, em vez de se concentrar apenas nos desafios
ou em grandes marcos futuros. Assim, o momento ideal é o agora, e cada dia deve
ser uma celebração da vida e das possibilidades que ele traz. Nascemos
para satisfazer, pois, é nosso o dever de buscar o bem-estar dos outros e de
fazer ações que edificam, o que envolve agradar o próximo com a mesma
intensidade com que procuramos nosso próprio contentamento. O contentamento é
um estado de espírito em que se está satisfeito com a própria situação de vida
atual, desfrutando de uma paz interior que não depende de circunstâncias
favoráveis, mas, das soluções ótimas propiciadas.
Não é algo natural para
todos, mas, uma habilidade que pode ser aprendida e praticada, como o Apóstolo
Paulo expressou: "aprendi a viver contente em toda e qualquer
situação" (Filipenses 4:12). Assumir responsabilidade pela própria vida,
reconhecendo erros e buscando mudanças, é um caminho para o crescimento pessoal
e para a transformação que leva ao contentamento em todos os aspectos do viver
humano. Esse contentamento é uma satisfação profunda e duradoura, enquanto
a satisfação momentânea é, muitas vezes, resultado de desejos que, ao serem
satisfeitos, logo são substituídos por novos. Requer uma mudança de ciclo, um
período de transformação e/ou momento de aurorescente inventividade em todos os
aspectos do viver humano. O que leva a uma satisfação alcançada através da
gratidão pelo que se tem, da autorresponsabilidade em vez da vitimização e de
uma confiança espiritual que transcende bens materiais e circunstâncias
externas.
Como agimos reverbera
quem somos pela eternidade. Adotar, pois, uma postura de otimismo e
adaptabilidade diante das mudanças, aceitar o que é novo com a crença de que
coisas boas estão por vir, agir com resiliência e busca ativamente por
oportunidades promovem pessoas otimistas por seu olhar mais aguçado para as
oportunidades e as destacam proeminentemente em tempos de mudanças, pois,
transformam cada mudança em aprendizado e crescimento pessoal.
Melhorar pede educação, pois, esta ajuda o homem a desenvolver suas
habilidades e alcançar a superioridade, indo além do que é meramente humano, e
evoluindo perenemente. Este é o influxo do Natal, incitar ações morais guiadas
por princípios que possam ser universalizados, como propõe Kant. Envolve
destacar e combater as injustiças sistêmicas, tratando a busca pela equidade
como um dever moral absoluto, e jamais como uma ação opcional ou secundária. A
dignidade de cada indivíduo exige que sua necessidade seja atendida como um fim
em si mesma. Isso denota um imperativo categórico porque é obrigatório, uma
ordem absolutamente inevitável; embora categórico, porque vale para todas as
situações. Ou seja, “o céu estrelado acima de mim é a lei moral dentro de
mim", preceitua Kant.
A mensagem subjacente ao
Natal (paz, boa vontade entre os homens, etc.) promove máximas que podem ser
universalizadas, um princípio fundamental do imperativo categórico. Desejar o
bem ao próximo não seria apenas um sentimento, mas, um dever racional
extensível a todos os seres racionais. A celebração do Natal, nesse
sentido, teria valor se servisse para reforçar esse compromisso ético e
racional, e não apenas como um ritual ou uma festa sentimental. A ênfase na
autonomia da razão na moralidade significa que a celebração do Natal deve ser
uma escolha livre e racional, e não uma obediência cega à tradição ou à pressão
social. A verdadeira inclusão proposta pelo aminus natalino envolve
garantir que todos se sintam pertencentes, adaptando espaços, usando linguagem
de sinais (Libras), oferecendo atividades adaptadas e respeitando as
necessidades de cada um, combatendo o isolamento e o capacitismo, e
transformando o espírito natalino em ações concretas. O Natal inclusivo, com
certeza, é aquele que celebra a união, a empatia e o respeito às
individualidades, garantindo que ninguém seja deixado de fora da magia da data.
A "magia da data" reside, de fato, na capacidade de construir pontes
e garantir que o sentimento de união e alegria seja compartilhado por todos.
Nessa época, as pessoas
tendem a ser mais empáticas e solidárias. Muitos se envolvem em ações de
caridade e voluntariado, como a doação de presentes e alimentos, ou dedicam
tempo para ajudar os menos afortunados. Esse espírito de partilha também se
reflete nos momentos passados com a família e amigos, valorizando a presença e
as experiências vividas em conjunto. Portanto, "compartilhar a vida"
é uma bela forma de descrever o espírito natalino, que nos inspira a sermos
pessoas melhores, valorizando o que realmente importa: as relações e o
cuidado mútuo. O Natal é um catalisador de conexões humanas. É um momento para
nutrir laços e, ao mesmo tempo, para reconhecer e acolher as vulnerabilidades
humanas, exercitando a empatia e o autocuidado. Exercer a capacidade de
reconhecer e valorizar a perspectiva, o brilho ou a existência de outra pessoa,
é praticar com exatidão a alteridade. “Ser luz na vida dos outros",
enfatiza a importância da cooperação que constrói para todos e da generosidade
em vez da competição. Na “Ética a Nicômaco”, a finalidade é identificada com o
“bem”, ou seja, dizer que todas as ações tendem a um fim é o mesmo que dizer
que todas as coisas tendem a um bem.
Quem acende uma luz é o
primeiro a se beneficiar da claridade, atesta o escritor inglês G. K.
Chesterton, pois, ao fazer o bem, ajudar os outros ou espalhar bondade, a
pessoa que age é a primeira a sentir os efeitos positivos dessa ação,
iluminando-se internamente e colhendo os frutos da sua própria generosidade e
boas atitudes. Envolve inteligência emocional, empatia e altruísmo,
incentivando as pessoas a serem luz para os outros e, consequentemente, para si
mesmas. É uma metáfora similar à ideia de que "o perfume sempre fica nas
mãos de quem oferece flores". A
"luz do outro" é a evidência de que importamos dentro de um contexto
social, e é essa percepção de importância e aceitação que nos faz sentir
verdadeiramente pertencentes a algo maior do que nós mesmos. Isso
significa que valorizar os outros não diminui o seu próprio valor; pelo
contrário, cria um ambiente coletivo mais rico e positivo para todos os
membros. A “luz do outro” (reconhecimento, valorização e aceitação) que um
indivíduo recebe dos seus pares é um fator crucial para o desenvolvimento do
senso de pertencimento.
O senso de pertencimento
começa quando somos "vistos". Segundo a Pirâmide de Maslow, o
pertencimento é uma necessidade básica após a segurança física. Sem a "luz
do outro" – ou seja, sem a interação e o feedback social – o indivíduo
tende a se sentir invisível. A invisibilidade social é a ausência dessa luz, o
que gera sentimentos de exclusão e desamparo. Ao "iluminarmos" uns
aos outros, criamos um espaço seguro onde as vulnerabilidades podem ser
expostas sem medo de julgamento. É nesse espaço que o "eu" se
transforma em "nós". Acender a luz do outro resplandece nossa luz, e
o Natal é o momento mais oportuno para rutilá-la. O Natal, por marcar
simbolicamente o encerramento de um ciclo anual, incentiva a reflexão sobre as
conquistas, desafios, perdas e aprendizados do ano que passou. Assim como, um
arquiteto avalia uma estrutura, este período nos convida a inspecionar a
"construção" da nossa vida, identificando o que precisa de reparos, o
que foi bem-sucedido e o que pode ser aprimorado. A data remete a valores que
funcionam como a "fundação" da nossa arquitetura interior, enquanto
entes humanos. A "arquitetura de nós mesmos" é, em essência, sobre
criar um espaço interno onde esses elementos possam florescer, em vez de nos
perdermos em superficialidades materiais.
Sermos “arquitetos de nós
mesmo é um fervoroso convite à autorreflexão e ao autoconhecimento, sob os
auspícios do Natal que nos chama ao cultivo do nosso ser interior – ao controle
interno e à indiferença aos bens externos –, em vez de nos apegarmos a bens
materiais ou distrações externas. Assim como um arquiteto escolhe
materiais, nós selecionamos os pensamentos, conexões e hábitos que ocupam nossa
mente. O excesso de "ruído" material e digital costuma entulhar esse
espaço interno. Envolve a prática do voltar a atenção para o momento presente e
para a autoconsciência, desenvolvendo um "espaço interno" de calma e
clareza, com fito no crescimento pessoal, na autorrealização e na busca por
significado e propósito que vão além do materialismo. Quanto mais sólida é a
nossa estrutura interna, menos dependemos das "decorações" do mundo
exterior para nos sentirmos completos. É a transição de viver de fora
para dentro para viver de dentro para fora.
Maranguape,
Ceará, 25 de Dezembro de 2025
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