sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

DO VÍCIO À VIRTUDE, O ENCANTAMENTO SE ESTABELECE NO AMOR PRATICADO

 

Vício (do termo latino "vitium", que significa "falha" ou "defeito") é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem. A palavra vício é associada ao abuso de substâncias e dependências comportamentais, como em jogos, compras ou sexo, por exemplo. Já para a Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma doença física e psicoemocional. De modo geral, toda atividade que uma pessoa é incapaz de se abster consistentemente, seja um comportamento ou substância, pode ser considerada um transtorno aditivo.

 

Do vício são próprias as coisas contrárias, e a ele também se seguem as coisas contrárias. Todas as características dos vícios e as coisas que se lhe seguem estão entre as coisas censuráveis. o vício é um mecanismo de fuga em que o indivíduo passa a depender dos prazeres que sente ao consumi-lo. Ou seja, não necessariamente é o álcool ou as drogas que vai destruir a vida de alguém. A internet, o sexo, a pornografia, o trabalho… tudo em excesso prejudica e faz mal à saúde mental.

 

“Vício comportamental, diferentemente de dependência de substâncias químicas, podendo também ser chamado de vício suave ou processo vicioso ou vício não relacionado à substâncias químicas, é uma forma de vício que não é causada pelo uso de drogas. Vício comportamental consiste numa compulsão causada pelo empenho repetitivo em uma ação até o ponto de esta causar consequências negativas para o indivíduo fisicamente, mentalmente, socialmente, e/ou no seu bem-estar financeiro. A persistência do comportamento apesar dessas consequências, pode ser um sinal de vício”, lê-se na wikipédia.

 

Embora até mesmo os especialistas discordem sobre se os vícios comportamentais são vícios "reais", o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, Quinta Edição (DSM-5) incluiu explicitamente os comportamentos na categoria de vícios. Mas, o transtorno do jogo é o único vício comportamental oficialmente reconhecido. Os vícios comportamentais têm efeitos semelhantes aos vícios de substâncias nos relacionamentos, que muitas vezes são negligenciados em favor do comportamento viciante, minando a confiança e pressionando os parceiros e outros membros da família para encobrir e compensar as dificuldades decorrentes do vício.

 

O vício surge porque, de alguma forma, a substância ou a prática afetou o sistema de busca e recompensa do cérebro – seja através dos neurotransmissores, por alteração hormonal ou até mesmo por lesão”, esclarece a Psicóloga Rosana Fernandes. O limite entre um hábito e o vício está nas consequências que eles causam na vida da pessoa. O vício afasta o indivíduo de sua essência e faz com que foque mais na obtenção do prazer através da dependência do que na vida que antes levava, nem que isso signifique se afastar de amigos e familiares, mentir, se prejudicar no trabalho e mudar completamente o curso de suas ações, objetivos e sonhos.

 

Frequentemente, as pessoas com vícios comportamentais acabam se cansando do preço que seu comportamento assume em suas vidas e nas vidas das pessoas ao seu redor. Eles também podem sofrer perdas que parecem grandes demais para suportar, como problemas financeiros ou problemas de relacionamento. O que antes parecia emocionante e gratificante torna-se um fardo embaraçoso. Segundo o Engenheiro Mecânico João Vitor Gomes dos Santos, “compreender o processo de dependência e os sinais de perigo pode ajudar a distinguir entre comportamento viciante, comportamento problemático que não é um vício e comportamento normal que não é problemático”.

 

Segundo João Vitor, as bandeiras vermelhas incluem:


  • Passar a maior parte do tempo engajado no comportamento, pensando ou planejando se envolver no comportamento ou se recuperando dos efeitos;

 

  • Tornar-se dependente do comportamento como forma de lidar com as emoções e "sentir-se normal";

 

  • Continuar apesar do dano físico e/ou mental;

 

  • Ter problemas para cortar apesar de querer parar;

 

  • Negligenciar o trabalho, a escola ou a família para se envolver no comportamento com mais frequência;

 

  • Experimentar sintomas de abstinência (por exemplo, depressão ou irritabilidade) ao tentar parar;

 

  • Minimizar ou ocultar a extensão do problema.


No entanto, vício, compreende tudo que avilta o homem. É um hábito avassalador que o arrasta para o mal. Frear esta impetuosa propensão, elevar-se acima dos vis interesses que o atormentam e acalmar a causticância de suas nossas paixões é o penoso trabalho a ser desenvolvido pelo si, adaptando seu espírito às grandes afeições e só concebendo ideias virtuosamente sólidas que regulem seus costumes sob os auspícios dos eternos princípios da moral alcançando em si equilíbrio de força e sensibilidade que constitui a Ciência da Vida.

 

A atividade mais elevada que um ser humano pode alcançar é aprender para compreender, porque compreender é ser livre. O esforço para compreender é a primeira e única base da virtude, esclarece Baruch de Espinosa, Bento de Espinosa e/ou Benedictus de Spinoza, Amsterdam, 24 de novembro de 1632 — Haia, 21 de fevereiro de 1677. Virtude, segundo o Aurélio, é a disposição perene do espírito, a qual, por um esforço da vontade, inclina à prática do bem. A virtude é entendida por Aristóteles como uma prática e não como sendo mero conhecimento ou algo natural de cada ser humano possui, sendo essa a razão pela qual se faz necessária a sua prática constante como um hábito. A prática da virtude inclina a pessoa para o bem, que é a busca pela felicidade. Segundo ele, há duas espécies de virtudes: a intelectual e a moral.

 

Virtude intelectual é aquela que nasce e progride graças aos resultados da aprendizagem e da educação. E a virtude moral não é gerada em nós por natureza, é o resultado do hábito que nos torna capazes de praticar atos justos. Pois, “com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também”, admoesta o Mestre Jesus em Mateus 7:2. As virtudes se configuram em qualidades e hábitos capazes de levar alguém à excelência, ou seja, ao que há de melhor na condição humana. Entre as virtudes que se destacam estão: justiça, persistência, otimismo, humildade, bondade, compaixão, empatia, perdão, honestidade, disciplina e coragem.

 

Segundo Platão, cada segmento da alma deve atuar de acordo com a virtude que lhe corresponde. Desta forma, a ação do homem é determinada. “Persistência é uma virtude que move a vida. Sempre que há crescimento, há críticos. Se a ideia é boa, ignore as críticas. Os normais não realizam as grandes mudanças, porque fazem somente o que todos fazem. Uma vida bem vivida é quando as pessoas lembram de você pelo bom legado que deixou para a humanidade”, ensina Vitório Yoshinori Furusho, nascido em 03 de março de 1954, na cidade de Guairaçá, município de Paranavaí, Estado do Paraná.

 

Percebe-se que as virtudes não ficam circunscritas ao âmbito moral, orbita também o da sabedoria. Assim, o indivíduo deve promover uma busca por aquelas que fortaleçam a sua moralidade e que melhorem a sua compreensão do mundo. Uma pessoa que se mostra injusta, desleal e desonesta não é uma pessoa virtuosa. Contudo, é necessário ter um foco nas virtudes que refletem os valores mais importantes para si, a fim de determinar o que é ser virtuoso para você. “Achar em tudo desordem é prova de supina ignorância; descobrir ordem e sistema em tudo é demonstração de profundo saber”, atesta Mariano José Pereira da Fonseca, primeiro e único visconde com grandeza e marquês de Maricá, 18 de maio de 1773, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro – 16 de setembro de 1848, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

 

O conjunto de virtudes de um indivíduo compõe a sua essência e forma o seu caráter. O oposto da virtude é o vício, ou seja, as características e hábitos que nos afastam da dignidade e da excelência. Para que fique mais claro, confira um exemplo prático: a generosidade é uma virtude, e o seu oposto, o egoísmo, é um vício. A paciência também é uma virtude, tendo como seu oposto a ira, um vício. A lealdade é uma virtude que se desenvolve conscientemente e que implica cumprir com um compromisso ainda que seja perante circunstâncias constantemente em mudança ou adversas. A lealdade é o cumprimento daquilo que exigem as leis da fidelidade e da honra. Um homem de bem deve ser leal a outras pessoas, a organizações ou instituições da qual faça parte e à sua nação.

 

Dessa forma, o ser humano que busca a excelência deve focar em desenvolver virtudes e evitar vícios, cavando-lhes masmorras. E construindo formidáveis castelos às virtudes! O Homem distingue-se dos homens. Nada se diz de essencial acerca da catedral se apenas falarmos das pedras. Nada se diz de essencial a respeito do Homem se procurarmos defini-lo pelas qualidades humanas. O verdadeiro homem mede a sua força quando se defronta com o obstáculo. É sempre no meio, no epicentro de nossos problemas que encontramos a serenidade. Amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção, rutila Antoine de Saint-Exupéry, escritor, ilustrador e piloto francês. 

 

“O encanto é a virtude sem a qual todas as restantes são inúteis. Há duas palavras para cada coisa: uma engrandece-a, outra diminui-a. Todo mundo mais cedo ou mais tarde senta-se para um banquete de consequências. O nosso objetivo neste mundo não é o êxito, mas, sim, falhar continuamente, sempre com boa disposição. Sermos o que somos e tornarmo-nos o que somos capazes de ser é a única finalidade da vida. Faça o máximo do melhor e o mínimo do pior. Ter muitas aspirações é ser espiritualmente rico”, preceitua Robert Louis Stevenson, tendo nascido Robert Lewis Balfour Stevenson, Edimburgo, Escócia, 13 de novembro de 1850 – Vailima, Ilhas Samoa, 3 de dezembro de 1894. Todos os homens procuram a felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa de ignorância, pois ninguém pode fazer o mal voluntariamente.

 

Neste toar, desvelamos o legado deixado por Sócrates: CIÊNCIA + VIRTUDE = FELICIDADE. Esta é a equação Socrática, que quer dizer que o bem é igual ao útil. Ou seja, as pessoas fazem o bem por interesse próprio, porque é o que vai levá-las a felicidade. Ele achava que as pessoas deveriam agir corretamente, pois estando no caminho certo, a tendência será essa pessoa ser feliz. Mesmo assim, eventos externos podem modificar o resultado dos eventos. Sócrates queria que as pessoas se desenvolvessem na Virtude. A virtude é um agir ótimo, é procurar fazer o bem, que é o correto, o ideal. Ser virtuoso é o máximo que se pode ser. O ato virtuoso depende do fim que se colocar para ele. As coisas são virtuosas à medida que elas fazem bem as coisas para as quais elas foram feitas.

 

A virtude é a força de fazer o bem em seu mais amplo sentido; é o cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família sem interesse pessoal. Em resumo: a virtude não retrocede nem ante o sacrifício e nem mesmo ante a morte, quando se trata do cumprimento do dever. A virtude, no seu mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem, que supera a si mesmo pela continua prática das virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade, “porém, a maior destas é a caridade, adverte Paulo de Tarso em sua carta aos coríntios (1 Coríntios 13:13). Caridade, palavra derivada do latim caritas, que representa uma espécie de amor sobrenatural, amor incondicional, ou amor in curso, em ato, em prática e, por sua vez, vinda do grego cháris, significa “graça” – tendo a mesma origem de “caro”, que é aquilo que tem grande valor e importância.  

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