Vício
(do termo latino "vitium", que significa "falha" ou
"defeito") é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum
prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem. A palavra vício é
associada ao abuso de substâncias e dependências comportamentais, como em
jogos, compras ou sexo, por exemplo. Já para a Organização Mundial da Saúde
(OMS), é uma doença física e psicoemocional. De modo geral, toda atividade que
uma pessoa é incapaz de se abster consistentemente, seja um comportamento ou
substância, pode ser considerada um transtorno aditivo.
Do
vício são próprias as coisas contrárias, e a ele também se seguem as
coisas contrárias. Todas as características dos vícios e as coisas que se lhe
seguem estão entre as coisas censuráveis. o vício é um mecanismo de fuga
em que o indivíduo passa a depender dos prazeres que sente ao consumi-lo. Ou
seja, não necessariamente é o álcool ou as drogas que vai destruir a vida de
alguém. A internet, o sexo, a pornografia, o trabalho… tudo em excesso
prejudica e faz mal à saúde mental.
“Vício
comportamental, diferentemente de dependência de substâncias químicas, podendo
também ser chamado de vício suave ou processo vicioso ou vício não relacionado à substâncias químicas, é uma forma de vício que não é causada pelo uso de
drogas. Vício comportamental consiste numa compulsão causada pelo empenho
repetitivo em uma ação até o ponto de esta causar consequências negativas para
o indivíduo fisicamente, mentalmente, socialmente, e/ou no seu bem-estar
financeiro. A persistência do comportamento apesar dessas consequências, pode
ser um sinal de vício”, lê-se na wikipédia.
Embora
até mesmo os especialistas discordem sobre se os vícios comportamentais são
vícios "reais", o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais, Quinta Edição (DSM-5) incluiu explicitamente os comportamentos na
categoria de vícios. Mas, o transtorno do jogo é o único vício comportamental
oficialmente reconhecido. Os vícios comportamentais têm efeitos semelhantes aos
vícios de substâncias nos relacionamentos, que muitas vezes são negligenciados
em favor do comportamento viciante, minando a confiança e pressionando os
parceiros e outros membros da família para encobrir e compensar as dificuldades
decorrentes do vício.
O
vício surge porque, de alguma forma, a substância ou a prática afetou o sistema
de busca e recompensa do cérebro – seja através dos neurotransmissores,
por alteração hormonal ou até mesmo por lesão”, esclarece a Psicóloga Rosana
Fernandes. O limite entre um hábito e o vício está nas consequências que eles
causam na vida da pessoa. O vício afasta o indivíduo de sua essência e faz com
que foque mais na obtenção do prazer através da dependência do que na vida que
antes levava, nem que isso signifique se afastar de amigos e familiares,
mentir, se prejudicar no trabalho e mudar completamente o curso de suas ações,
objetivos e sonhos.
Frequentemente,
as pessoas com vícios comportamentais acabam se cansando do preço que seu
comportamento assume em suas vidas e nas vidas das pessoas ao seu redor. Eles
também podem sofrer perdas que parecem grandes demais para suportar, como
problemas financeiros ou problemas de relacionamento. O que antes parecia
emocionante e gratificante torna-se um fardo embaraçoso. Segundo o Engenheiro
Mecânico João Vitor Gomes dos Santos, “compreender o processo de dependência e
os sinais de perigo pode ajudar a distinguir entre comportamento viciante,
comportamento problemático que não é um vício e comportamento normal que não é
problemático”.
Segundo João Vitor, as bandeiras vermelhas incluem:
- Passar a maior parte do tempo engajado no comportamento, pensando ou planejando se envolver no comportamento ou se recuperando dos efeitos;
- Tornar-se dependente do comportamento como forma de lidar com as emoções e "sentir-se normal";
- Continuar apesar do dano físico e/ou mental;
- Ter problemas para cortar apesar de querer parar;
- Negligenciar o trabalho, a escola ou a família para se envolver no comportamento com mais frequência;
- Experimentar sintomas de abstinência (por exemplo, depressão ou irritabilidade) ao tentar parar;
- Minimizar ou ocultar a extensão do problema.
No
entanto, vício, compreende tudo que avilta o homem. É um hábito avassalador que
o arrasta para o mal. Frear esta impetuosa propensão, elevar-se acima dos vis
interesses que o atormentam e acalmar a causticância de suas nossas paixões é o
penoso trabalho a ser desenvolvido pelo si, adaptando seu espírito às grandes
afeições e só concebendo ideias virtuosamente sólidas que regulem seus costumes
sob os auspícios dos eternos princípios da moral alcançando em si equilíbrio de
força e sensibilidade que constitui a Ciência da Vida.
A
atividade mais elevada que um ser humano pode alcançar é aprender para
compreender, porque compreender é ser livre. O esforço para compreender é
a primeira e única base da virtude, esclarece Baruch de Espinosa, Bento de
Espinosa e/ou Benedictus de Spinoza, Amsterdam, 24 de novembro de 1632 — Haia,
21 de fevereiro de 1677. Virtude, segundo o Aurélio, é a disposição perene
do espírito, a qual, por um esforço da vontade, inclina à prática do bem. A
virtude é entendida por Aristóteles como uma prática e não como sendo mero
conhecimento ou algo natural de cada ser humano possui, sendo essa a razão pela
qual se faz necessária a sua prática constante como um hábito. A prática da
virtude inclina a pessoa para o bem, que é a busca pela felicidade. Segundo
ele, há duas espécies de virtudes: a intelectual e a moral.
Virtude
intelectual é aquela que nasce e progride graças aos resultados da
aprendizagem e da educação. E a virtude moral não é gerada em nós por
natureza, é o resultado do hábito que nos torna capazes de praticar atos
justos. Pois, “com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a
medida com que tiverdes medido, vos medirão também”, admoesta o Mestre
Jesus em Mateus 7:2. As virtudes se configuram em qualidades e hábitos
capazes de levar alguém à excelência, ou seja, ao que há de melhor na condição
humana. Entre as virtudes que se destacam estão: justiça, persistência,
otimismo, humildade, bondade, compaixão, empatia, perdão, honestidade,
disciplina e coragem.
Segundo
Platão, cada segmento da alma deve atuar de acordo com a virtude que lhe
corresponde. Desta forma, a ação do homem é determinada. “Persistência é uma
virtude que move a vida. Sempre que há crescimento, há críticos. Se a ideia é
boa, ignore as críticas. Os normais não realizam as grandes mudanças, porque
fazem somente o que todos fazem. Uma vida bem vivida é quando as pessoas
lembram de você pelo bom legado que deixou para a humanidade”, ensina Vitório
Yoshinori Furusho, nascido em 03 de março de 1954, na cidade de Guairaçá,
município de Paranavaí, Estado do Paraná.
Percebe-se
que as virtudes não ficam circunscritas ao âmbito moral, orbita também o da
sabedoria. Assim, o indivíduo deve promover uma busca por aquelas que
fortaleçam a sua moralidade e que melhorem a sua compreensão do mundo. Uma
pessoa que se mostra injusta, desleal e desonesta não é uma pessoa virtuosa.
Contudo, é necessário ter um foco nas virtudes que refletem os valores mais
importantes para si, a fim de determinar o que é ser virtuoso para você. “Achar
em tudo desordem é prova de supina ignorância; descobrir ordem e sistema em
tudo é demonstração de profundo saber”, atesta Mariano José Pereira da Fonseca,
primeiro e único visconde com grandeza e marquês de Maricá, 18 de maio de 1773,
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro – 16 de setembro de 1848, Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro.
O
conjunto de virtudes de um indivíduo compõe a sua essência e forma o seu
caráter. O oposto da virtude é o vício, ou seja, as características e hábitos
que nos afastam da dignidade e da excelência. Para que fique mais claro,
confira um exemplo prático: a generosidade é uma virtude, e o seu oposto, o
egoísmo, é um vício. A paciência também é uma virtude, tendo como seu oposto a
ira, um vício. A lealdade é uma virtude que se desenvolve conscientemente e que
implica cumprir com um compromisso ainda que seja perante circunstâncias
constantemente em mudança ou adversas. A lealdade é o cumprimento daquilo que
exigem as leis da fidelidade e da honra. Um homem de bem deve ser leal a outras
pessoas, a organizações ou instituições da qual faça parte e à sua nação.
Dessa
forma, o ser humano que busca a excelência deve focar em desenvolver virtudes e
evitar vícios, cavando-lhes masmorras. E construindo formidáveis castelos às
virtudes! O Homem distingue-se dos homens. Nada se diz de essencial acerca da
catedral se apenas falarmos das pedras. Nada se diz de essencial a respeito do
Homem se procurarmos defini-lo pelas qualidades humanas. O verdadeiro homem
mede a sua força quando se defronta com o obstáculo. É sempre no meio, no
epicentro de nossos problemas que encontramos a serenidade. Amar não é olhar um
para o outro, é olhar juntos na mesma direção, rutila Antoine de Saint-Exupéry,
escritor, ilustrador e piloto francês.
“O
encanto é a virtude sem a qual todas as restantes são inúteis. Há duas palavras
para cada coisa: uma engrandece-a, outra diminui-a. Todo mundo mais cedo ou
mais tarde senta-se para um banquete de consequências. O nosso objetivo neste
mundo não é o êxito, mas, sim, falhar continuamente, sempre com boa disposição.
Sermos o que somos e tornarmo-nos o que somos capazes de ser é a única finalidade
da vida. Faça o máximo do melhor e o mínimo do pior. Ter muitas aspirações é
ser espiritualmente rico”, preceitua Robert Louis Stevenson, tendo nascido
Robert Lewis Balfour Stevenson, Edimburgo, Escócia, 13 de novembro de 1850 –
Vailima, Ilhas Samoa, 3 de dezembro de 1894. Todos os homens procuram a
felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa de ignorância, pois ninguém
pode fazer o mal voluntariamente.
Neste
toar, desvelamos o legado deixado por Sócrates: CIÊNCIA + VIRTUDE = FELICIDADE.
Esta é a equação Socrática, que quer dizer que o bem é igual ao útil. Ou seja,
as pessoas fazem o bem por interesse próprio, porque é o que vai levá-las a
felicidade. Ele achava que as pessoas deveriam agir corretamente, pois estando
no caminho certo, a tendência será essa pessoa ser feliz. Mesmo assim, eventos
externos podem modificar o resultado dos eventos. Sócrates queria que as
pessoas se desenvolvessem na Virtude. A virtude é um agir ótimo, é procurar
fazer o bem, que é o correto, o ideal. Ser virtuoso é o máximo que se pode ser.
O ato virtuoso depende do fim que se colocar para ele. As coisas são virtuosas à
medida que elas fazem bem as coisas para as quais elas foram feitas.
A
virtude é a força de fazer o bem em seu mais amplo sentido; é o
cumprimento de nossos deveres para com a sociedade e para com a nossa família
sem interesse pessoal. Em resumo: a virtude não retrocede nem ante o sacrifício
e nem mesmo ante a morte, quando se trata do cumprimento do dever. A virtude,
no seu mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que
constituem o homem de bem, que supera a si mesmo pela continua prática das
virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade, “porém, a maior destas é a
caridade, adverte Paulo de Tarso em sua carta aos coríntios (1 Coríntios
13:13). Caridade, palavra derivada do latim caritas, que representa uma espécie
de amor sobrenatural, amor incondicional, ou amor in curso, em ato, em prática
e, por sua vez, vinda do grego cháris, significa “graça” – tendo a
mesma origem de “caro”, que é aquilo que tem grande valor e importância.
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