terça-feira, 16 de dezembro de 2025

DA EXPERIÊNCIA À GRATIDÃO


Marcus Aurelius Antoninus, ou, singelamente, Marco Aurélio; conhecido como Imperador Filósofo, diz que a experiência é um troféu composto por todas as armas que nos feriram. “O período de maior ganho em conhecimento e experiência é o período mais difícil da vida de alguém, afirma Tenzin Gyatso, ou, rutilantemente, Dalai Lama. Assim, do latim experientia, experiência é a ação e o efeito de experimentar (realizar ações destinadas a descobrir ou comprovar determinados fenômenos).


A Experiência decorre do Conhecimento ou Aprendizado obtido através da prática ou da vivência. Trata-se daquilo que uma pessoa vivencia, passando a entender por si mesma sobre algo, a entender o sentido de uma determinada coisa. Refere-se a eventos conscientes em geral, mais especificamente a percepções, ou ao conhecimento prático e à familiaridade produzidos por estes processos conscientes. Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela, percebe Albert Camus.


Através da experiência uma pessoa pode ter mais confiança e saber quais caminhos deve tomar. Neste toar, Mohandas Karamchand Gandhi, ou, simplesmente, Mahātmā Gandhi, embora indicado cinco vezes, de 1937 a 1948, nunca recebeu o Prêmio Nobel da Paz, pois, pra si nada tem maior relevância e contundência do que exercer a paz, disse: “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. 


Segundo Gandhi, nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo: o Amor. O amor respira igualdade, com a qual reina a Paz e Harmonia, que nos faz respeitosos e respeitáveis, disciplinados e, pelo exemplo de nossos atos, disciplinadores do mundo no qual vivemos. Mundo que flui ordem e progresso. O amor incita a fraternidade, que irmana os homens entre si, e estes a tudo criado, inaugurando a interdependência como vetor do progresso, sempre em evolução perene.


Assim, regulares no cumprimento do zelo devido à família que constituímos, estamos sempre de prontidão para celebrar o bom e justo a bem da felicidade humana, sob os auspícios do amor que viceja liberdade, pois, rompe os grilhões do medo, da culpa, retifica erros, sucumbe vícios e constrói em nós o Templo das Virtudes, no qual cultuamos a beleza do Criador, cuja sabedoria faz de nós um reflexo desta sua beleza. Beleza que nossas ações imprimem aos nossos feitos e efeitos.


O amor, esclarece Paulo – nascido Saulo, em Tarso, Turquia –, em sua Carta aos Coríntios: é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Todo este conhecimento é adquirido através da utilização dos sentidos sob a égide das sete artes liberais.


Coragem é força interior, um sinônimo de ânimo, portanto, vem do coração. Segundo Sérgio Rodrigues (Veja, 19/02/2013), o substantivo coragem, registrado em português desde meados do século XVI, foi importado do francês courage, vocábulo cinco séculos mais antigo (herdeiro do latim cor, cordis, ‘coração’) que começou sua carreira justamente como sinônimo de coração. Não do coração físico, designado em francês pela palavra coeur, mas, do coração como ‘morada dos sentimentos’. 

 

Coragem é ser coerente com seus princípios a despeito do prazer e da dor. A Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que lhe acontece, reconhece, Aldous Huxley. Entendida como um evento consciente no sentido mais amplo, a experiência envolve um sujeito ao qual vários elementos são apresentados. Graças às experiências, as teorias tendem a encontrar apoio fáctico e explicações causais.


A coragem é o uso da razão a despeito do prazer, segundo Platão, pois a coragem, para ele, reside em subordinar os prazeres e dores imediatos à lei da razão, mantendo a orientação correta sobre o valor das coisas, mesmo quando tentado pelo prazer ou amedrontado pela dor. A virtude reside nesse acordo harmonioso, onde a alma age de acordo com o que a razão julga ser bom e justo, e não por impulsos ou experienciações momentâneas. 


A experiência é uma lanterna apenas ilumina o caminho já percorrido, estabelece Confúcio. Recordar é trazer à memória experiências vividas e revivê-las. A memória é apenas uma condição transitória. Por intermédio da memória o vivido se apresenta à consagração da recordação. Cada um tem a idade do seu coração, da sua experiência, da sua fé, aduz George Sand. O caminho para a felicidade pode ser mais simples do que se imagina: lembrar bons momentos.


A vida é uma viagem a três estações: ação, experiência e recordação, destaca Júlio Camargo. Agindo, tomamos as decisões que moldarão o caminho. Experienciar é o processo de filtrar o que foi feito. Aqui, a ação se transforma em aprendizado, compreensão e profundidade. É o "viver o agora" com consciência. Envolve ser grato e recordar, que é a colheita emocional de tudo o que foi plantado nas estações anteriores.


Do latim gratia, que significa graça, a gratidão está relacionada, não somente, às graças ou ajudas recebidas, mas, a todas as experiências vivenciadas por um indivíduo durante a vida – sensibilizadas, compreendidas e discernidas em cada em cada uma de suas conexões. A gratidão surge quando o indivíduo compreende as "conexões", como eventos isolados se entrelaçam para formar sua identidade e sabedoria atual.


O conceito de gratidão, aqui, vai para além de uma simples resposta a favores, posicionando-a como uma ferramenta de inteligência emocional e resiliência. Enquanto o agradecimento comum pode ser uma transação social, essa visão da gratidão é um estado de espírito que permite ao indivíduo sentir-se parte de algo maior, independentemente das circunstâncias imediatas.


Não se trata apenas de agradecer pelo que é bom, mas, de identificar e reconhecer o valor intrínseco em desafios, perdas ou erros. Essa perspectiva é bastante explorada na Psicologia Positiva, que estuda como o cultivo da gratidão pode reconfigurar o cérebro para focar em soluções e bem-estar, em vez de apenas em escassez ou problemas. A gratidão é o elemento chave da inteligência emocional.


O ato de reconhecer os melhores momentos, as mais augustas práticas do bem fazer à comunidade da qual pertencemos e por ela somos pertencidos, é filho da gratidão, que visionária e proficiente traz perenemente consigo uma série de outros sentimentos, como: amor, fidelidade, amizade etc. Por isso, externo GRATIDÃO por tudo de bom que vocês são pra todos nós que temos vossas presenças, não somente em minha vida, mas, principalmente, na sinergia que nos faz constantes uns nas vidas dos outros.

Um comentário:

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...