A ciência explica a cor
com a interpretação do cérebro para diferentes comprimentos de onda da luz. É
uma construção neural, não uma propriedade intrínseca da consciência. A cor é
um quale (plural: qualia), que se refere à qualidade subjetiva e irredutível da
experiência consciente (como é “sentir” o vermelho ou o azul). Embora a experiencia
da cor faça parte consciência, a consciência em si não tem cor, mas sim, o
palco ou o processo em que essas experienciações ocorrem.
As cores são importantes
porque influenciam nosso humor, comportamento e percepção, sendo usadas
para comunicar emoções, criar sensações e até mesmo para fins terapêuticos. A
percepção das cores também é influenciada pela cultura e tradição. Por
exemplo, o branco pode significar pureza no Ocidente, mas luto em algumas
culturas orientais. Portanto, as cores afetam diretamente nosso estado
mental e emocional, e seu uso consciente pode criar um ambiente que reflita a
função desejada.
As cores podem evocar uma
ampla gama de emoções, desde calma e criatividade até energia e concentração. O
uso inteligente de cores é crucial em projetos artísticos e de design para
transmitir ideias e sensações específicas. A escolha das cores afeta a
legibilidade, o contraste e a mensagem geral de uma prospecção laboral e/ou social. Empresas
utilizam cores para criar uma conexão emocional com o público. O vermelho
e o amarelo, por exemplo, dizem-se estimular o apetite.
A relevância das cores alcança
além comunicação, desempenhando funções imprescindíveis na psicologia humana,
no desenvolvimento cognitivo e até na sobrevivência na
natureza. Para crianças, o contato com as cores é vital para o
desenvolvimento sensorial, motor e cognitivo, estimulando a visão e a expressão
de sentimentos. No ecossistema, cores vibrantes das flores atraem insetos
polinizadores, essenciais para a reprodução das plantas, que nos supre, no
mínimo, de oxigênio.
A cor é uma ferramenta
poderosa que permeia todos os aspectos da vida, influenciando nossa percepção,
decisões e bem-estar de maneiras muitas vezes imperceptíveis. A cor no
marketing social é usada para influenciar o comportamento e a percepção do
público, ancorada na psicologia das cores, que, não somente, estuda como as
cores afetam emoções, comportamento e percepção, como também, se faz
estratégica para a criação de identidade forte, para cativar a atenção da
coletividade.
A psicologia das cores é
usada para criar hierarquias visuais, aumentar o engajamento e influenciar a
percepção do usuário sobre o conteúdo. A cor negra (ou preta) tem diversos
significados, dependendo do contexto, variando entre luto, elegância,
mistério, poder e força. Cultura e historicamente, está associada a conceitos
como morte, negação, introversão, autoridade, sofisticação e rebeldia. É
importante não cair em preconceitos, como: "rosa é só para mulheres".
Embora fundamental na
campanha da Consciência Negra, simbolizando o orgulho da identidade negra,
a resistência histórica contra o racismo e a luta por igualdade racial, a cor
da pele negra não é a causa do preconceito racial, mas sim, o
principal alvo de uma estrutura social e histórica de racismo que
atribui significados negativos a essa característica física. O preconceito não
é inato à cor, mas, uma construção social e ideológica, pois, quando instaurado,
é daltônico.
Incapacidade de ver a
cor/diferença, a pessoa preconceituosa ignora as
particularidades de cada indivíduo, focando apenas em marcadores de grupo
preconcebidos (como raça, gênero, classe social etc.). Em alguns contextos,
como o "daltonismo cultural" ou "racial" em ambientes
educacionais, o termo é usado para descrever uma atitude, muitas vezes não
consciente, que acaba por discriminar grupos minoritários ao não reconhecer ou
valorizar suas identidades e necessidades específicas.
Segundo os dados do Censo
2022, o Brasil apresenta-se de maioria parda pela primeira vez, com 45,3% da
população se declarando parda. Pela primeira vez, desde o primeiro censo em
1872, o número de pardos superou o de brancos, que representam 43,5% da
população, refletindo tanto a evolução da demografia quanto fatores sociais,
como a percepção individual e a forma como as pessoas se identificam em relação
ao contexto socioeconômico e às relações interraciais.
O preconceito opera
através de generalizações apressadas e estereótipos, distorcendo a percepção da
realidade social, tornando o indivíduo incapaz de valorizar a riqueza da
diversidade humana. A pessoa "daltônica" para o preconceito vê todos
de um grupo minoritário de uma única maneira, muitas vezes negativa ou
inferiorizada, sem reconhecer suas qualidades e complexidades únicas; e não percebe
que as populações autodeclaradas pretas e pardas, são a maioria populacional do
Brasil:
- População parda: 45,3%
(92,1 milhões de pessoas).
- População branca: 43,5%
(88,2 milhões de pessoas).
- População preta: 10,2%
(20,6 milhões de pessoas).
- População indígena: 0,8%
(1,7 milhão de pessoas).
- População amarela: 0,4%
(850,1 mil pessoas).
O racismo brasileiro,
embora seja uma questão estrutural complexa que afeta toda a população negra
(que engloba pretos e pardos), a intensidade da discriminação varia de acordo
com o tom de pele, num fenômeno social chamado colorismo. Conceito
sociológico, o colorismo explica que, dentro da própria comunidade negra,
pessoas com a pele mais escura (retinta) e traços fenotípicos mais afrodescendentes
sofrem mais discriminação e têm menos oportunidades do que pessoas negras de
pele mais clara.
Historicamente, o Brasil sob
o discurso da miscigenação mascara a existência do racismo e dificulta o
reconhecimento do problema. Somente 72% dos brasileiros reconhecem a existência
do racismo no país e apenas uma minoria (cerca de 30%) admite ter preconceito
individualmente, o que demonstra a natureza velada e estrutural do sistema
complexo que impacta desproporcionalmente as pessoas negras, com diferentes
gradações de discriminação baseadas no tom de pele de cada indivíduo.
Neste toar, os tambores
do Povo Banto, Malê, Angolano, Congolês, Sudaneses etc., enfim, de toda África
residentes no Brasil rufam despertando a consciência da identidade, cultura e
valor da população negra, emergindo o movimento social antirracista com
notáveis conquistas como, a Lei nº 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino
de história e cultura afro-brasileira nas escolas e instituiu a Lei de Cotas que
abraça os autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com
deficiência.
A consciência parda, branca,
preta, indígena e amarela, além de ser um ato de orgulho da identidade brasileira,
serve como ferramenta para refletir e combater o racismo estrutural e a
desigualdade social que persistem no Brasil, sob a égide da filosofia de
Empédocles de Agrigento: “somente os iguais se reconhecem, pois, o conhecimento
é obtido por meio do contato entre elementos semelhantes”. Para Empédocles
nosso conhecimento está no coração e o veículo que o transporta é o sangue.
Embora digam que há sangue
azul, dele não tive prova e, por isso, radica-se a certeza de que,
incontestavelmente, somos todos iguais, pois, todos nós temos, não somente o sangue
de cor vermelha, mas também, que este sangue guarda uma biblioteca imensa
(genoma) que diz ao homem que a África é berço da humanidade, como nos desvela o Australopithecus
afarensis (Lucy), que há milhões de anos habitou o continente africano
com sua família de primeiros homens povoadores da Terra.
O sangue chama o homem à
razão e Empédocles de Agrigento diz: “quando o amor ou a amizade é mais forte
os elementos se juntam em uma unidade”. Assim, todos os seres humanos pertencem
a uma única "família" e devem tratar-se como irmãos e irmãs é um
pilar de muitas crenças e movimentos humanitários. A Encíclica do Papa
Francisco, Fratelli Tutti (Todos Irmãos), por exemplo, aborda
a fraternidade e a amizade social como caminhos para um mundo melhor, onde a
felicidade sermos um reina.
Felicidade é a razão de
ser da Consciência Parda, Branca, Preta, Vermelha (Indígena) e amarela, que
fomenta o diálogo e o respeito entre diferentes etnias, combatendo a
discriminação e almejando uma sociedade mais justa e igualitária para todos,
onde o racismo estrutural e as desigualdades raciais que ainda persistem no
mercado de trabalho, na educação e no acesso a oportunidades, cedam lugar à
alegria de abraço inclusivo, empático e respeitoso – tripé sobre o qual amor nos
colore de humano.
Nesta sede de amor fecundo, loquaz e eficaz, a felicidade da humanidade aperfeiçoa os costumes, a alteridade ensina tolerância que iguala, o respeito semeia a irmandade, a autoridade protagoniza a caridade (amor in voga, em ato) e a crença de cada um converge para convicção de que: ‘se alguém diz: eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? (1 João 4:20). O amor é uma força essencial aprimora nossa humanidade.
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