terça-feira, 14 de outubro de 2025

RESPONSABILIDADE UM LAMPEJO DE CONSCIÊNCIA EM MEIO A OBSCURIDADE

 

Responsabilidade um lampejo de consciência em meio a obscuridade aduz que que a responsabilidade não é um estado constante ou facilmente alcançável, mas, um momento de clareza moral que ilumina e contrasta com a falta de consciência ou a ignorância. É o despertar súbito da percepção, a lucidez que nos força a enxergar as implicações de nossas escolhas. É quando saímos da inércia e compreendemos nosso papel e nossa influência no mundo. A consciência moral nos permite julgar e avaliar nossos próprios atos, distinguindo o certo do errado. É a resposta, a ação que surge desse lampejo. Ao reconhecer o nosso papel, passamos a assumir a responsabilidade por nossos atos e suas consequências. Em vez de permanecer na escuridão da inconsciência, a responsabilidade nos impulsiona a agir de forma ética e justa.

Responsabilidade é um termo de origem latina (respondere) que significa responder pelos atos próprios ou pelos alheios, ou ainda por uma coisa confiada. Trata-se de um substantivo feminino que representa o dever de cada indivíduo em assumir as consequências de seu comportamento ou do comportamento do outro. Em todas as situações, uma pessoa que é tida como responsável por alguém ou alguma coisa é quem terá que responder caso algo de bom ou ruim aconteça. uma pessoa responsável é mais suscetível de conquistar a confiança de amigos e familiares, podendo construir uma melhor autoestima e uma vida social mais prazerosa. Responsabilidade também é um termo ligado a discussões que envolvem os conceitos de determinismo e livre-arbítrio. Isso porque muitas pessoas acreditam que o livre-arbítrio está diretamente ligado ao senso de responsabilidade individual. Neste caso, se não tivesse o poder da escolha, o indivíduo não poderia ser responsabilizado pelos seus atos.

A responsabilidade é uma aprendizagem que qualquer ser humano adquire em relação à inteligência emocional ao longo dos anos.  Ser responsável significa ter a capacidade de cumprir com os seus compromissos. Desta forma, a aprendizagem da responsabilidade se interioriza através da prática. As relações pessoais também estão associadas às responsabilidades. Ser responsável é ser uma pessoa de palavra que conta com a confiança e credibilidade por parte dos outros porque tanto suas palavras como suas ações são a melhor marca pessoal. Para uma pessoa responsável, a promessa tem grande valor. Nesse caso, a responsabilidade mostra o respeito ao próximo e o amor. A responsabilidade é uma virtude dos seres humanos livres.

Trata-se capacidade de agir livremente, que vem acompanhada da obrigação de responder pelos atos praticados, um conceito central na ética de filósofos como Jean-Paul Sartre, que unem os conceitos de liberdade e responsabilidade como indissociáveis. Ser livre não é apenas ter a capacidade de escolher, mas também assumir as consequências dessas escolhas, o que constitui a essência da responsabilidade. No Alcorão tem-se que homens e mulheres são iguais em deveres e obrigações: "Quanto aos muçulmanos e às muçulmanas, aos fiéis e às fiéis, aos consagrados e às consagradas, aos verazes e às verazes, aos perseverantes e às perseverantes, aos humildes e às humildes, aos caritativos e às caritativas, aos jejuadores e às jejuadoras, aos recatados e às recatadas, aos que se recordam muito de Deus e às que se recordam d'Ele, saibam que Deus lhes  tem destinado a indulgência e uma magnífica recompensa” (33 Surata, versículo 35). 

Hoje se presencia, como no passado, a decadência de vários povos, economias que pareciam sólidas, guerras, terremotos, tsunamis, vulcões. E assiste-se também a grandes misérias, fome, doença e o pior a corrupção humana em todos os níveis. Tudo isso poderia ser atribuído ao castigo de Deus sobre a humanidade, mas, na realidade trata-se da colheita dos frutos consequentes do abandono da recomendação do lícito (o bem) e da proibição do mal. Veja o que Deus Louvado Seja, nos fala na: “e que tenha entre vós um grupo que recomende o bem, dite a retidão e proíba o ilícito. Estes serão os bem-aventurados” (Surata 3:104).  E mais: “os crentes e as crentes são protetores uns dos outros; recomendam o bem, proíbem o ilícito, praticam a oração, pagam o zakat e obedecem a Allah e ao seu Mensageiro” (Surata 9:17). 

Não só Deus, Louvado Seja, nos recomenda sobre acatar os bons conselhos, também o nobre Profeta Muhammad (SAAS) diz: “Quem dentre vós verdes um mal (algo ilícito) que o altere com as mãos, se não puder que o faça com a língua, se não puder que o faça com o coração. E este é o nível mais fraco da fé". Esse dito do Profeta (SAAS), também esclarece quanto à responsabilidade da corrupção individual e o recado se completa esse versículo do Alcorão Sagrado:” E preveni-vos contra uma provação que não atingirá apenas aos injustos dentre vós... (Surata 8:25). E isso é responsabilidade de todos os povos, pois, para que uma sociedade seja verdadeiramente livre, as pessoas precisam ser responsáveis por suas ações, pois, a confiança mútua está intrinsecamente ligada à responsabilidade. 

A Torá ensina que somos responsáveis por nossas escolhas. Sem subterfúgios. Sem mais, nem menos. Assumir essa responsabilidade é fundamental para que possamos crescer espiritualmente, e aprimorarmos nossos atos diante do Criador, pois “os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado” (Debharim/Deuteronômio 24:16). Ou seja, se ninguém é responsabilizado pelo pecado de outra pessoa, então isso significa que também não podemos nos justificar utilizando por base as ações do outro. Nossa responsabilidade, enquanto povo que recebeu a Torá, é a obra de Tikun Haolam, a retificação do mundo, que os trabalhos para melhorar sociedade e o planeta, agindo com justiça e dignidade para com todos. A responsabilidade se manifesta tanto na transformação pessoal quanto na participação em ações comunitárias, como o voluntariado e a filantropia. 

Figura uma assombrosa responsabilidade, mas, uma responsabilidade à qual não ousamos nos furtar. De modo semelhante a outros seres vivos, o homem, por natureza, busca o prazer. Em nome do comportamento ético e moral, com frequência temos que nos privar de certos prazeres. Nossa mente tem enorme capacidade de racionalização. O Rei Salomão, em seus Provérbios, diz: “Os caminhos do homem são justos a seus próprios olhos”. Ou seja, conseguimos encontrar justificativa para o que quer que seja de nossa vontade, para o que desejarmos, porém, embora uma pessoa tenha a liberdade de fazer qualquer coisa, nem todas as ações são benéficas ou adequadas, pois, elas podem trazer consequências negativas para si mesma, para os outros, para a comunidade ou para os valores familiares. É um esforço contínuo que se estende da reparação de injustiças à construção de um mundo mais justo e melhor para toda a humanidade. 

Se usarmos nosso intelecto apenas para encontrar formas de aumentar o nosso prazer e justificar nossos atos, seremos exatamente aquilo pelo qual a ciência nos identifica: homo sapiens, animais inteligentes. Estamos aqui para ser criaturas espirituais, cujo comportamento é determinado pelo que é certo ou errado – e não por aquilo que desejamos. Não devemos satisfazer-nos com aquilo que somos. Devemos empenhar-nos em ser aquilo que podemos vir a ser. A ética da responsabilidade é a chave que dá acesso a uma vida satisfatória. No fim, o que nos faz sentir realizados não é o quanto ganhamos, ou o que possuímos, mas a sensação de termos contribuído com algo de valor para o mundo e nos serve como um chamado à responsabilidade, ao discernimento e à consideração do bem-estar alheio, em vez de se deixar levar pela busca do próprio interesse. 

Neste toar, é preciso mais do que simplesmente a boa vontade para que se produza um homem equilibrado, capaz de levar “luz” por onde for, pensando, falando e agindo de acordo com as regras mais aceitáveis, seja na família, seja em qualquer dos outros possíveis grupos sociais nos quais esteja inserido. Talvez esta afirmação possa ajudar a entender a tão lida e falada resposta quando nos é perguntado: ... para que nos reunimos?  É de fundamental importância que se assuma a condição de homem, pois, esta responsabilidade social é baseada na ética e na consciência pessoal, pois, tudo que fazemos, seja de forma consciente ou não, gera um resultado, e esse resultado se desenvolve e se mantém através de atitudes contínuas. 

Para um homem exercer bem sua função social, exige-se que ele tenha vocação pelo ato de ensinar e que seja bem preparado para o seu desempenho de sua mestria. Portanto, é necessário não se perder de vista a necessidade de preparo humanístico, aliado ao domínio da técnica, para se formar homens comprometidos com a sociedade.  A Maçonaria é responsabilidade dos Mestres! Cada Mestre, portanto, que promova a “arte” como puder, mas que não a deixe de lado, enquanto o mundo dito profano invade as Lojas com seus vícios, quando, na verdade, iluminados pela luz da Razão, o caminho deveria se o contrário, ou seja, invadir o mundo profano, com as virtudes maçônicas desenvolvidas (melhor realizadas) para ajudar na sua evolução da humanidade, afirma Adriano Machado, membro da Loja Maçônica Martin Luther King n° 63.

Segundo ele, “o homem pode converter-se no mais divino dos animais, sempre que se o eduque corretamente; converte-se na criatura mais selvagem de todas as criaturas que habitam a terra, em caso de ser mal-educado.” (Phoedro/Platão).  Promover, então, a excelência em educação maçônica, é a primeira responsabilidade e fiel compromisso dos Mestres, é, acima de tudo, colaborar para a preservação da Ordem, pela sua continuidade, negligencia-la  e dar a devida atenção à educação dos Maçons é ameaçar o futuro da Ordem. Somente os estudos podem oferecer a instrução tão necessária para o progresso, dentro e fora da Maçonaria. A verdade incontestável é que a sociedade está doente, e tal doença afeta todas as instituições". 

E esclarece, ainda, que "a Maçonaria não está imune. Suas Lojas precisam unir-se pela ideologia, independente de Potência, e lutar pela modificação estrutural de nossa organização social. Precisa-se repensar as formas de representação política e, sob a égide de um plano de metas elaborada por TODA a Maçonaria, começar a lutar pelo futuro da humanidade. Dentro deste contexto a EDUCAÇÃO torna-se prioridade máxima, aliada ao conceito de RESPONSABILIDADE. Somente elevando os padrões morais e culturais do povo, através da educação, é que conseguiremos equilibrar os DIREITOS e DEVERES de cada um, dando ensejo ao surgimento do autorrespeito, do respeito ao próximo e do respeito à nação". Uma pessoa que se valoriza e se respeita (autorrespeito) é mais propensa a respeitar e valorizar os outros (respeito ao próximo). 

"A questão da responsabilidade maçônica, neste processo, não pode ser tratada de modo simplista e sem base no fundamento filosófico. Haja vista que a Maçonaria sempre foi o fórum ideal para se discutir a problemática da sociedade em que se vive, como bem atestam as contribuições da Ordem à história universal. Tem-se a consciência de que a Ética é cada um ser responsável por si, por seu próximo e por onde se vive.  A Maçonaria, através de seus Membros, tem meios para gerar atitudes e condições de responsabilidade social, acrescentando que a sua ação é reflexo da responsabilidade; a responsabilidade reflexo da consciência desperta em seus membros, por isso é que gera ações que integram a maior lisura, uma lisura que ninguém mais tem no mesmo nível", admoesta Adriano Machado.

Para Hélio Pereira Leite, Presidente da Academia Internacional de Maçons Imortais – AIMI, "a conduta do maçom é a razão de ser da moral maçônica. Destarte, o objetivo da Instituição Maçônica é a construção e o aperfeiçoamento ininterrupto da sociedade que, para tal, necessita de seus pedreiros afim de que executem este árduo trabalho". Neste sentido dispõe a Constituição da Grande Loja de Santa Catarina, em seus Postulados: (…) "a Maçonaria é uma instituição nascida para combater, com a persuasão e a força moral do bom exemplo, tudo que atente contra a Razão e o Espírito de Fraternidade Universal". Em vez de usar a força bruta ou a coerção, o combate é travado por meio de argumentos convincentes, da ética e da demonstração prática dos benefícios de um comportamento racional. O lampejo de consciência é o momento de clareza que nos tira dessa cegueira, fazendo-nos questionar e refletir.

Segundo Hélio, "esta força moral, que só se adquire pela Virtude única proclamada como legítima e consagrada pela consciência dos povos nos códigos das nações, como agente supremo do poder soberano, concentra a Maçonaria toda a sua glória e a ela deve os grandes triunfos que, com tanta justiça, a têm colocado como a primeira à frente das grandes instituições nascidas do amor à Humanidade e do interesse pelo bem-estar dos povos. Ciência do progresso moral, a Maçonaria resume sua ação social nos atributos da inteligência e do coração – Luz e Verdade, Amor e Filantropia". Em essência, a virtude propõe uma estratégia de transformação social e individual, onde a mudança é alcançada não pela imposição, mas, pela educação, pela ética e pela capacidade de demonstrar, na prática, que a razão é o melhor caminho a seguir. 

Hélio esclarece: "o maçom não foi escolhido apenas para aumentar número de uma determinada loja ou da Instituição no seu sentido universal; não pode se limitar ao simples recitar dos manuais, como se a obra que lhe cabe pudesse ser realizada por qualquer tipo de força transcendental que, através da simples repetição de palavras durante os rituais, alguma força cósmica cumpra o papel que lhe cabe junto à sociedade. Obviamente que o aperfeiçoamento intelectual é necessário e, mais que isso, é exigido, mas não é um fim em si mesmo, pois tem por escopo a sua utilização para o bem da humanidade, que de maneira nenhuma poderá ser limitado ao mundo das ideias, mas externado através de atitudes". A  responsabilidade se manifesta na ação. Depois de ter a consciência "iluminada", somos compelidos a agir de acordo com nossos valores, assumindo as consequências de nossas escolhas.

O exercício da vida maçônica não pode se limitar à loja e ao crescimento intelectual, pois, além de tantas outras responsabilidades, o maçom deve primar pela boa conduta a fim de que seja um referencial para uma sociedade desmoralizada; ter atitudes efetivas que reflitam o papel de construtor que lhe cabe; e zelar pela integridade da Instituição e sua prosperidade, afirma Hélio Pereira Leite. A construção social é o processo pelo qual as pessoas criam e compartilham significados, valores e normas, e é moldada por interações sociais, contexto cultural e histórico, não por fatos naturais ou biológicos. As construções sociais são específicas de cada cultura e período histórico, podendo variar significativamente de um lugar para outro ou ao longo do tempo. A responsabilidade moral e ética nos obriga a considerar o impacto de nossas ações não apenas em nós mesmos, mas também na sociedade em que estamos inseridos.

O exemplo prático tem um impacto significativo e, muitas vezes, mais duradouro do que o discurso vazio. A consciência é um processo individual, mas leva a uma responsabilidade que se estende ao coletivo. Desta forma, não te podes enganar, deixando de assumir tuas responsabilidades, pois “és eternamente responsável por aquele ou aquilo que cativas”, responsabiliza Antoine de Saint-Exupéry. Responsabilidade um lampejo de consciência em meio a obscuridade é um convite para a reflexão constante e para o desenvolvimento da consciência ética, buscando ativamente iluminar as áreas de obscuridade em nossas vidas e agir com responsabilidade em todas as nossas ações. Envolve a busca por clareza sobre suas motivações, paixões e reações. Ao se aprofundar nessa compreensão, você consegue tomar decisões mais alinhadas com seus valores. Em suma: do destino que a ti concedes, também, ao mundo o concederás!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CORRESPONDER

  Corresponder é o que fazemos – ou buscamos fazê-lo – durante três quintos de nossa existência. Força contumaz do princípio que leva seu no...